HIV: Saiba mais sobre a batalha contra o vírus

Mais de trinta anos depois, HIV continua intrigando médicos e cientistas; conheça a história da doença. Conheça os percalços, os tabus e as vitórias vividos por quem batalha contra o HIV.

Pouco mais de três décadas atrás, um surto de infecções oportunistas e de um tipo de câncer conhecido como sarcoma de Kaposi foi relatado em um pequeno número de homens homossexuais na Califórnia e em Nova York. As primeiras doenças são nomeadas oportunistas por se aproveitarem da fraqueza do sistema imunológico do paciente para se instalar.
A segunda é um tumor raro em indivíduos com as defesas do organismo íntegras, mas comum entre pacientes diagnosticados com a síndrome da imunodeficiência adquirida – ainda uma incógnita para os médicos da época.
Em poucos anos, a enfermidade desconhecida tornou-se temida ao redor do mundo e amplamente conhecida pela breve sigla: Aids.

Segundo o infectologista e imunologista Esper Kallás, do Hospital Sírio-Libanês, assim que os primeiros casos da doença foram identificados, as vítimas chamaram a atenção por algumas características em comum.
“A primeira delas é que a grande maioria era homem homossexual com doenças infecciosas características de pessoas que tinham deficiências graves no sistema de defesa, mas que eram previamente saudáveis”, descreve.
A busca por essas convergências entre os diagnosticados com a misteriosa doença foi intensa até a descoberta de que havia um defeito na resposta imune celular desses pacientes.

“Viram que uma célula do sistema de defesa conhecida como linfócito T CD4 estava muito baixa.
Com essas características comuns, passaram a definir uma síndrome.

O termo é usado para um conjunto de sinais e sintomas agrupados em torno de uma doença. “Chamaram de síndrome de imunodeficiência adquirida porque todas essas pessoas não tinham no passado qualquer histórico que evidenciasse essa deficiência no sistema de defesa”, explica Kallás.

Pouco antes, em 1982, o problema foi temporariamente chamado de doença dos 5 H porque era diagnosticada em homossexuais, hemofílicos, haitianos, heroinômanos (usuários de heroína injetável) e hookers (nome em inglês dado aos profissionais do sexo).

HIV se espalha

Em um ano, porém, uma epidemia heterossexual foi descrita na África Central, vitimando preferencialmente as mulheres.

“Mal sabíamos na época que esse pequeno número de casos eclodiria em dezenas de milhões, resultando em uma das maiores pandemias dos tempos modernos”, mensura Peter Piot, ex-diretor executivo do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) e atual diretor da London School of Hygiene and Tropical Medicine, no Reino Unido.

Em 1984, o início de uma disputa entre pesquisadores franceses e norte-americanos revelou, pela primeira vez, o agente causador do mal (veja Para saber mais).

O retrovírus mais tarde chamado de vírus da imunodeficiência humana (HIV) foi identificado em testes de diagnóstico da Aids implementados para proteger o fornecimento de sangue e apontar as pessoas infectadas.
“Foram adotadas medidas adicionais de prevenção, incluindo programas de redução de risco, aconselhamento e testagem, distribuição de preservativos e programas de troca de agulhas.

No entanto, o HIV continuou a se espalhar, contaminando 10 milhões de pessoas na primeira década após a identificação dele”, narra Piot.

A década seguinte foi marcada pela intensificação da epidemia em diversas áreas do mundo, como o cone sul africano, que inclui África do Sul, Angola, Moçambique, entre outras nações. Todos viram uma epidemia explosiva da infecção pelo HIV.

Países da Ásia e da União Soviética também relataram um aumento expressivo da propagação do vírus.

Na década de 1990, áreas foram quase dizimadas com drásticas quedas nas taxas de expectativa de vida. “Se antes chegavam aos 60 anos de idade ou mais, de repente, esse índice foi reduzido para 30”, estima o médico Edgar Hamann, professor do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília (UnB).

Segundo ele, muitos países, como Burundi, Malawi e Zimbábue, perderam boa parte da população.
Alguns tiveram mais de 30% dos habitantes infectados.

“Era uma situação limite. O vírus atingiu as nações em ondas e o Brasil foi afetado logo na primeira delas com os Estados Unidos e países da Europa”.

Surge o coquetel

A corrida por uma terapia eficaz, capaz de frear essa avalanche acelerada de infectados, movimentou centenas de milhões de dólares, investidos na pesquisa científica e no desenvolvimento de medicamentos. No entanto, somente em 1996, a ciência apresentou uma resposta efetiva ao devastador inimigo.

Sob a abreviação de HAART (em inglês) e a alcunha, no Brasil, de coquetel, a terapia antirretroviral altamente ativa impactou a qualidade de vida e aumentou o tempo de sobrevivência dos pacientes.
O sucesso está na associação de um novo medicamento à época, o inibidor de protease.

Nos poucos anos que se seguiram, foi possível notar uma queda significativa nos óbitos por Aids no mundo.
Se em 1996 foram mais de 15 mil mortes no Brasil, já no ano seguinte, o índice caiu para 12.078 e para 10.770 em 1998.

“Isso mudou a história da epidemia. Em vez de ser uma enfermidade que matava todo mundo, passou a ser uma doença controlada com os remédios”, define Kallás.
Segundo o infectologista, hoje, nos casos dos pacientes que fazem o tratamento adequado e seguem as orientações médicas, a Aids pode ser considerada um mal crônico controlável.

“Mas, nos parâmetros de saúde pública, estamos longe de ter a doença sob controle porque tem muita gente ainda que não tem acesso ao remédio e que não o toma direito”.
Para Kallás, apesar dos esforços, ainda é alto e crescente o número de óbitos por Aids no Brasil.
De acordo com o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, foram 12.
044 mortes pela doença em 2011.

A taxa está entre as 10 mais altas desde o primeiro caso no país, em 1980.

Exército de defesa

Os linfócitos T ou células T pertencem a um grupo de glóbulos brancos do sangue e são os principais atores da imunidade. Contêm o receptor de células T que lhes permite uma grande variedade de reconhecimento a antígenos.
Há vários subgrupos, entre eles os CD4+, que coordena a defesa imunológica contra micro-organismos principalmente pela produção e pela liberação de substâncias chamadas citocinas.

Na Aids, a destruição do CD4+ pelo vírus HIV dá início à deficiência imunológica.

Disputa acadêmica

A autoria da descoberta do HIV é cercada de controvérsias entre dois grupos de cientistas. De um lado, o de Luc Montagnier, do Instituto Pasteur, na França; e, do outro, o de Robert Gallo, do National Cancer Institute, nos EUA.
Ao surgirem os primeiros casos de Aids em São Francisco e Nova York, Gallo suspeitou que um retrovírus fosse o responsável pela infecção, mesma opinião de Montagnier.

Os dois chegaram a trocar amostras dos experimentos. Gallo anunciou, em abril de 1984, que havia descoberto o vírus causador da Aids, que seria diferente do identificado pelos pesquisadores franceses.

Depois, soube-se que Gallo trabalhava com uma amostra contaminada no laboratório de Montagnier, e, só anos depois, as duas instituições concordaram em dividir o mérito da descoberta.

Ainda assim, o Prêmio Nobel de Medicina de 2008 foi dado aos cientistas franceses Luc Montagnier e Françoise Barre-Sinoussi pela descoberta do HIV.

Vacina brasileira contra o HIV começa a ser testada em macacos

Começaram em novembro os testes em macacos da vacina contra o HIV, que está sendo desenvolvida pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em parceria com o Instituto Butantan. Os quatro animais começaram a ser imunizados com a vacina que contém partes do vírus.

Depois, os macacos receberão um vírus modificado que causa o resfriado como parte dos estudos para desenvolver o imunizante.  Segundo Edecio Cunha Neto, um dos pesquisadores responsáveis por conduzir o projeto, o diferencial da vacina é usar partes do vírus que não se alteram.

“Um dos grandes problemas de se fazer uma vacina contra o HIV é que ele é hipervariável”, ressalta ao explicar que o genoma do vírus pode varia até 20% entre dois pacientes.

“Nos componentes que nós escolhemos para colocar na vacina estão somente as regiões mais conservadas do vírus, ou seja, aquelas que não variavam de um HIV para o outro”, destacou.

Além de ter pouca variação, as partes do vírus foram selecionadas por provocarem forte reação no organismo da maioria das pessoas.

“Nós fizemos o que chamamos de desenho racional, para embutir dentro da nossa vacina mecanismos para que ela fosse capaz de dar uma resposta que funcionasse para os HIVs mais variados possíveis e que funcionasse em um número grande de pessoas”.

Após os testes com os quatro animais, serão feitos experimentos com um grupo de 28 macacos e três tipos de vírus diferentes, todos modificados com partes do HIV. “As combinações desses três vírus são, até hoje, as melhores combinações para gerar respostas imunes potentes em primatas.

Então, o que a gente vai fazer é escolher, de quatro combinações diferentes, aquela que deu resposta mais forte.
E usar essa combinação para teste em humanos”, detalhou o pesquisador.

Caso seja bem sucedida, a vacina vai aumentar a reação dos imunizados ao vírus, diminuindo a capacidade de transmissão e melhorando a qualidade de vida do paciente. “O que ela vai fazer é reduzir muito a quantidade de vírus, matar as células que estão infectadas. Mas ela dificilmente vai erradicar a infecção.

Vai bloquear a transmissão para outra pessoa, porque a quantidade de vírus vai ser muito baixa”.

Atento aos recentes protestos contra o uso de animais em pesquisas, que levaram inclusive ao fechamento de um instituto no interior paulista, Cunha fez questão de dizer que os animais são bem tratados. “Os animais neste estudo não sofrem de maneira nenhuma.

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Até mesmo para o procedimento de colher sangue ou vacinar, eles estão anestesiados”, enfatizou.
O pesquisador defendeu ainda o uso de animais em experimentos.

“Não é possível substituir um teste com animais por um teste de cultura ou teste de laboratório mais simples.
O teste em animais vai observar a repercussão de uma nova vacina, uma nova droga, no organismo inteiro”, argumentou.

Aids é apontada no Brasil como a 11ª causa de doenças incapacitantes ou de redução de vida

Apesar da queda de mortalidade no mundo, infectologista alerta para atenção global contra a doença. Alexandre Naime Barbosa diz que nenhum país está isento de dar continuidade às medidas de prevenção e combate da Aids.

Apesar da queda generalizada nas taxas de mortalidade da aids, a doença está presente em todo o mundo e nenhum país está isento de dar continuidade às medidas de prevenção e combate, disse o infectologista e professor de medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu Aids é apontada no Brasil como a 11ª causa de doenças incapacitantes ou de redução de vida.

Entre 2006 e 2010, as mortes em decorrência da aids aumentaram em 98 países, como mostra o estudo ‘O Peso do HIV: Percepções a partir do Estudo Global sobre o Peso de Doenças 2010′, do Instituto de Métricas e Avaliação da Saúde, da Universidade de Washington.

“As barreiras econômicas, culturais e geográficas estão cada vez mais tênues hoje em dia.
Portanto, não há lugar para estigmatizar países de maior risco, todos os locais sofrem com a epidemia e devem somar esforços para uma luta diária contra o HIV”, avaliou Naime.

Dados divulgados pelo ‘Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids’ (Unaids) indicam que a epidemia foi globalmente interrompida e revertida. No entanto, no Brasil, segundo o estudo, a aids é apontada como a 11ª causa de doenças incapacitantes ou de redução de vida.
Dos 17 países da América Latina, Colômbia, Honduras, Panamá e Venezuela têm a aids como uma das dez principais causas de doenças incapacitantes.

“A mortalidade por aids no Brasil tem caído muito nos últimos anos, graças ao sucesso do programa que garante acesso aos medicamentos anti-HIV.

Porém, esse dado positivo não pode ser traduzido em uma sensação de falsa segurança.
Esse tipo perigoso de banalização não leva em conta os múltiplos efeitos adversos a curto, médio e longo prazo, bem como o estigma e o preconceito que ainda sofrem as pessoas vivendo com HIV/aids”, explicou o infectologista.
O médico é enfático ao defender a prevenção da doença.

“O recado é bem simples e conhecido, porém atual e necessário: use o preservativo em todas as relações sexuais”.

Mortalidade por Aids no Brasil cai 38,9% em 11 anos

No mundo todo, foi a primeira vez que a ONU registrou queda na quantidade de novos casos da doença. O número de mortes causadas pela aids no Brasil caiu 38,9% entre 2001 e 2012, aponta relatório da Unaids – agência da ONU de combate à doença – divulgado hoje.

Ainda assim, no mesmo período a população brasileira infectada pelo HIV saltou de um mínimo de 430 mil pessoas para 530 mil, alta de 23,3%.

Para infectologistas, os dados indicam que o Brasil pode comemorar que os portadores do HIV têm vivido mais tempo graças ao maior acesso aos medicamentos – em 2012, foram no mínimo 11 mil mortes, ante 18 mil em 2001 -, mas o País ainda falha muito nas ações de prevenção. “Os portadores do HIV hoje vivem mais e melhor, é fato.
Graças ao acesso aos medicamentos e ao diagnóstico precoce, que reduzem o porcentual de mortalidade.
Mas isso não significa que esteja perfeito.

Precisamos fazer muito mais”, disse Juvêncio Furtado, diretor do Departamento de Infectologia do Hospital Heliópolis e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
Os dados da Unaids mostram que a queda estimada da mortalidade causada pela aids no Brasil está acima da média global.

Segundo o estudo, as mortes registradas no mundo caíram 15,7%, de 1,9 milhão de pessoas em 2001 para 1,6 milhão no ano passado. Na Nigéria e na África do Sul, morrem 240 mil pessoas por ano.

Por outro lado, o aumento do número de infectados mundialmente é inferior ao do Brasil: 17,6%. Ao todo, estima-se que 35,3 milhões de pessoas vivam no mundo com o vírus, ante 30 milhões em 2001. Na África do Sul são 6,1 milhões de pessoas.

Dados mundiais

O Unaids informou também que, no ano passado, em comparação com 2001, houve redução de 52% na quantidade de novos casos de infecções pelo vírus HIV entre crianças e de 33% entre crianças e adultos, no mundo todo. Em 2012, foram 2,3 milhões de novas pessoas infectadas, entre as quais aproximadamente 260 mil crianças.
Foi a primeira vez que o órgão das Nações Unidas (ONU) registrou queda na quantidade de novos casos da doença.

De acordo com o Unaids, a epidemia de aids foi globalmente interrompida e revertida, o que aproxima o mundo do cumprimento do Objetivo de Desenvolvimento do Milênio número 6 (ODM-6), sobre o combate à aids. Segundo o programa da ONU, no entanto, a corrida pelo acesso universal ao tratamento do HIV não foi concluída.
A meta é atingir 15 milhões de pessoas.

”Não podemos só cumprir a meta de 2015 de 15 milhões de pessoas com acesso ao tratamento, mas também devemos ir além e ter a visão e o compromisso para garantir que ninguém seja deixado para trás “, disse o diretor executivo do Unaids, Michel Sidibé.

Segundo o programa, as mortes relacionadas à doença também tiveram queda de 30%, devido à expansão do acesso ao tratamento com antirretrovirais.

Estima-se que aproximadamente 9,7 milhões de pessoas em países de baixa e média renda tiveram acesso ao tratamento contra a aids em 2012, aumento de 20% em relação ao ano anterior.
O estudo pode ser consultado em inglês no site da Unaids.

Ponderação

Para o professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) Mario Scheffer, os dados da ONU relativos ao Brasil devem ser ponderados. “A gente tem trabalhado com uma estabilização da mortalidade, mas num patamar muito elevado, na casa dos 12 mil”, disse, citando dados do governo federal.
“Desperdiçamos a oportunidade de evitar mais mortes.

O problema é que estamos lidando com a epidemia em grupos que hoje não são alcançados pelas políticas públicas tradicionais de prevenção e tratamento, como profissionais do sexo e usuários de droga”, disse.

Descoberta proteína que barra a evolução da Aids

O composto é comum em indivíduos que, mesmo infectados pelo HIV e sem receber antirretrovirais, não apresentam os sintomas da imunodeficiência. A pesquisa feita nos EUA poderá ajudar no desenvolvimento de novas terapias contra a doença

Na década de 1980, pouco depois da descoberta do vírus da imunodeficiência humana (HIV) como o causador da Aids, foi identificado um pequeno grupo de pacientes em que a infecção não progredia. Mesmo após anos sem tomar os antirretrovirais, essas pessoas não apresentavam os sintomas da doença.

Esse é um dos maiores mistérios que intriga os cientistas até hoje. Afinal, o que faz o sistema imunológico desses indivíduos – um a cada 300 infectados – ser tão diferente? A resposta, segundo pesquisadores da Northwestern University, nos Estados Unidos, pode estar em uma proteína que desempenha um papel importante na imunidade inata.

Trata-se da APOBEC3G (A3G), produzida nos linfócitos e integrantes da família de enzimas responsáveis por corrigir o DNA e o RNA. Essa proteína exerce naturalmente atividade imunológica antirretroviral contra os retrovírus, especialmente o HIV, determinando o controle da replicação deles.

Quando o HIV infecta um linfócito, as moléculas de A3G atacam os vírus em formação. Em um processo ainda não totalmente esclarecido, elas entram no invólucro viral e expulsam o vírus da célula. Quando novos vírus se ligam a outras células para infectá-las, acabam levando com eles a A3G.

Em sua evolução, porém, o HIV adquiriu uma proteína, chamada VIF (virion infectivity factor), que potencializa a infecciosidade do vírus e neutraliza a A3G, degradando-a. Indivíduos que têm maiores quantidades de A3G conseguem, portanto, resistir ao HIV por mais tempo sem ajuda de medicamentos.

“Mesmo na ausência de antirretrovirais, a imunodeficiência não progride durante períodos prolongados em alguns sujeitos com HIV que possuem os alelos HLA B57 e ou B27 (partes de um gene ligado à produção da A3G).
Eles têm menos provírus de HIV do que aqueles que não são controladores”, explica Richard D’Aquila, coautor do estudo (veja infográfico), publicado na edição de hoje da revista Plos One.

Kepler de Almeida, professor assistente na Universidade de Miami, pondera que indivíduos com esses alelos podem produzir mais A3G, mas nem todos. “Não sabemos ainda por que alguns produzem essa proteína em maior quantidade.
Há outras características relacionadas aos controladores e que estão ligadas à forma como as células CD8 (de defesa) lidam com o vírus.
Elas produzem alguma substância que ainda não foi esclarecida.
Quando as células dessas pessoas são misturadas, em especial as de alelo B57, que é mais raro, percebemos que eles não se multiplicam”, conta o também médico dos hospitais Alvorada Brasília e Santa Lúcia.

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No experimento com amostras de indivíduos controladores e não controladores, os cientistas perceberam que, quanto maior a quantidade de A3G, menor a infecciosidade dos vírus dotados de VIF.
“A hipótese de que o controle do HIV está associado a essa proteína pode ser explicada pelo fato de que, quanto mais o indivíduo tem A3G, mais ela é empacotada nos vírus e menos provírus ativos com VIF são liberados”, explica D’Aquila.

Muitas dúvidas

Ésper Kallas, coordenador do Comitê de Retroviroses da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), explica que, embora os estudos avancem em direção a uma maior compreensão do organismo dos controladores de elite, inclusive com pesquisas direcionadas para medicamentos que inibam a VIF, deixando que a A3G funcione livremente, ainda há muitas dúvidas.

“Os pesquisadores mostraram que essa proteína do sistema imunológico é mais eficiente nos controladores, mas ainda não sabemos se isso é causa ou consequência dessa capacidade de controlar o vírus.
É sempre uma dúvida: por haver menos vírus nessas pessoas, existe mais ação da A3G, ou é essa proteína que funciona melhor nesses indivíduos?”, questiona o também professor associado da Universidade de São Paulo.

Os resultados sugerem que a parte extra de A3G produzida pelos controladores escapou da degradação causada pelo VIF. As células extras entraram nos vírus, que notavelmente tiveram a virulência diminuída. “Mais estudos precisam ser feitos para entender o organismo dos controladores. Mas uma das explicações pode ser a maior atividade antiviral da A3G.
Vimos que menos cópias do vírus surgiram das células com maior quantidade dessa proteína.
Compreender esses mecanismos pode ajudar a desenvolver uma vacina ou uma estratégia para a cura funcional do HIV”, acredita o pesquisador.

Três perguntas para…

Rosa Dea Sperhacke, coordenadora do Laboratório de Pesquisa em HIV/Aids da Universidade de Caxias do Sul

Por que algumas pessoas têm características físicas que enfraquecem ou imunizam o HIV?

Sabe-se que, uma vez estabelecida a infecção crônica pelo HIV, o curso de progressão da doença pode ser influenciado por fatores genéticos e imunológicos do hospedeiro, além de fatores virológicos. Até o presente, ainda não foi reportado nenhum curso espontâneo, conduzido imunologicamente, que claramente identifique o curso da infecção.

Por outro lado, um pequeno percentual de indivíduos infectados apresenta a doença estável, no qual não se dá o declínio da contagem de CD4+ e existe um controle da replicação do vírus mesmo na ausência da terapia antirretroviral, denominados como controladores da viremia.

Além disso, um percentual ainda menor, menos de 1% de indivíduos infectados apresentam níveis indetectáveis do vírus.

Qual o diferencial desses indivíduos?

Os controladores apresentaram diminuição dos níveis do provírus HIV-1 (tipo mais comum de HIV) em comparação com as células analisadas dos pacientes que não são controladores e que têm a viremia controlada.

Outros resultados do presente estudo indicam que as células T de memória com níveis elevados da proteína A3G foram significativamente mais propensas a abrigar menor quantidade do provírus HIV-1 in vivo, e que os viriões (forma infectiva do vírus) contendo maiores níveis de A3G apresentaram menor infecciosidade.

O que isso significa?

Os resultados encontrados sugerem, entre outros, a hipótese de que o aumento da proteína A3G diminui o reservatório de provírus latente, sendo esse um dos possíveis e importantes mecanismos para a manutenção do controle do HIV.

Esse estudo também destaca a possibilidade de identificar novas moléculas que possam aumentar especificamente os níveis celulares ou a atividade da A3G e, assim, auxiliar estudos que visem a estabelecer outros mecanismos de controle viral.

Uma vez que seja possível identificar esses fatores que influenciam no curso clínico da infecção, diversas estratégias podem ser utilizadas para esclarecer alguns mecanismos na resposta imune frente à infecção pelo HIV, permitindo também novas abordagens terapêuticas no desenvolvimento de fármacos e vacinas.

‘Suicídio’ de células provocado pelo HIV pode ser chave para entender mecanismo da Aids

De acordo com estudo americano, as estruturas infectadas liberam DNA viral que atrai as saudáveis. O mecanismo facilita a propagação do micro-organismo pelo corpo e, consequentemente, o desenvolvimento da Aids.

Estar infectado pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) não quer dizer ter a síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids). Alguns pacientes soropositivos, inclusive, não desenvolvem sintomas da doença por décadas, mesmo sem ser submetido a qualquer tratamento.

Esse caminho tenebroso que leva à morte em massa de células do sistema imunológico do infectado e, consequentemente, origina o mal é ainda obscuro para a comunidade médica.
Um grupo de pesquisadores do Instituto Gladstone de Virologia e Imunologia, dos Estados Unidos, relatou nesta sexta-feira uma nova e importante parte desse quebra-cabeça.

Eles sugerem que um “suicídio” das células imunes infectadas, com o objetivo de proteger o organismo, gera um círculo vicioso. Nele, são liberados sinais inflamatórios atraindo ainda mais soldados para o principal ponto de batalha e diretamente para morte.
Esse processo amplia a deficiência do exército de defesa do paciente e leva ao desenvolvimento da Aids.
A descoberta foi descrita em dois artigos publicados simultaneamente nas últimas edições das revistas científicas Science e Nature.

No entanto, os primeiros passos dados para essa revelação aconteceram ainda em 2010, em um trabalho publicado na revista Cell. Na época, o mesmo grupo de pesquisadores descobriu que o HIV não é capaz de infectar produtivamente a maioria das células T CD4. Isto é, ele não consegue que a maioria dessas estruturas infectadas passe a replicá-lo.
Mas, ainda assim, elas também morrem.

Isso porque, na tentativa de manter o organismo longe da infecção viral, elas cometem uma espécie de “suicídio” celular conhecida como apoptose, que leva o sistema imunológico ao colapso e abre caminho para a Aids.

Esse conhecimento foi o ponto de partida para os trabalhos divulgados hoje. Os cientistas acreditavam que, se entendessem como inicia e funciona essa resposta “suicida”, também conseguiriam descobrir uma forma de interromper o processo. Logo, eles perceberam que as descobertas anteriores não estavam completamente corretas.
Em vez da apoptose inicialmente caracterizada pela ação da proteína caspase-3, o principal motor de morte dessas células é a enzima caspase-1.

Ela mede um outro tipo de morte celular altamente inflamatória, a piroptose, que, além de autodestruir a célula, promove a eliminação da infecção recrutando um número maior de estruturas de defesa do organismo para o ponto de infecção.

Porém, no contágio pelo HIV, essa benéfica função se torna um impulso para um ciclo vicioso devastador. Em vez de “limpar” a infecção inicial, a piroptose faz com que as novas células de defesa sejam atraídas pelos sinais inflamatórios – pequenos pedaços de DNA viral liberado com a autodestruição da célula – para também morrer.
O processo seguinte a ser descoberto em busca de bloquear esse mecanismo foi entender como essa inflamação é percebida pelos outros soldados do sistema imune.

Para isso, os cientistas desenvolveram uma forma de manipular geneticamente as células T CD4 em amostras de tecido de baço e das amígdalas humanas.

A manobra permitiu que eles observassem a ação da proteína IFI16. Quando o efetivo dela era reduzido, a piroptose era inibida.  “Identificamos a IFI16 como o sensor de DNA que envia sinais para caspase-1 e dispara a piroptose”, descreve Kathryn Monroe, uma das autoras do estudo.

Ela vê a descoberta como fundamental, uma vez que não é possível bloquear um processo até que todos os passos dele sejam compreendidos.

“Ela é essencial para a elaboração de formas de inibir a própria resposta destrutiva do corpo ao HIV.
Nós temos grandes esperanças para o próximo ensaio clínico”, adianta Monroe.

Mudança de alvo

Nos artigos, os pesquisadores demonstram, em cultura de células, que um inibidor de caspase inflamatória pode suprimir a morte de células CD4 + e a inflamação. O inibidor pode ser o indicativo de uma nova estratégia terapêutica para o tratamento da infecção em que, pela primeira vez, o alvo é o hospedeiro e não o vírus.

Para a infectologista Mylva Fonsi , do Centro de Referência e Treinamento DST/Aids do Estado de São Paulo, as descobertas são bastante interessantes e significativas, mas ela ainda titubeia com a afirmação de que esse tipo de intervenção esteja próxima da clínica.

“A primeira coisa é o quão distante estamos de encontrar uma droga que possa agir nesse caminho, o que, com certeza, será um adjuvante de terapia muito valioso.
Mas não acredito que vamos conseguir controlar o HIV só usando drogas para atuarem nesses sítios.
Ainda serão necessárias as terapias combinadas”.

Fonsi também ressalta que esses processos não são usados pelo corpo apenas mediante a infecção pelo HIV, mas também em outras situações “a partir do momento em que os dois forem inibidos, qual o prejuízo que poderá ser gerado?”

Teste com droga

A fase 2 de testes clínicos vai testar a capacidade de um anti-inflamatório existente e já aprovado para bloquear a inflamação e a piroptose em pessoas infectadas pelo HIV.
Ela acredita que o anti-inflamatório também pode fornecer uma terapia de ponte para quem não tem acesso aos antirretrovirais, reduzindo, ao mesmo tempo, a inflamação persistente em infectados pelo HIV que estão sob tratamento.

Ao reduzir a inflamação, a droga também poderia impedir a expansão dos reservatórios com vírus latente, outro grande desafio para a pesquisa em HIV por ser um dos motivos que impedem a cura.

O pesquisador do Instituto de Investigação em Imunologia do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (iii-INCT) Edecio Cunha Neto ressalta que um dos pontos mais relevantes do trabalho é a identificação do anti-inflamatório que potencialmente pode interferir no processo reconhecido pela pesquisa.
“O uso dessa droga para o HIV seria razoavelmente fácil e rápido.

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Seria um tipo de droga usada não contra a infecção, mas contra a progressão para a Aids”.
Cunha Neto detalha que, em seu laboratório, também são estudados os fatores que levam pessoas com HIV ao desenvolvimento da doença.

“Temos visto que alguns aspectos moleculares são muito diferentes em pacientes que evoluem muito rápido quando comparados com aqueles que demoram às vezes décadas para isso”.

Fora do sangue

Atualmente, é possível reduzir a carga viral a níveis indetectáveis no sangue, mas o vírus permanece no organismo em locais denominados reservatórios ou santuários. Ali, estão células infectadas do sistema imunológico que não passam na corrente sanguínea.

Estão no cérebro, no intestino ou em outras áreas em que a droga não consegue atuar adequadamente.
Pesquisas apontam que, ao interromper o tratamento contra a infecção, uma nova pode surgir em decorrência da carga viral presente nesses reservatórios.

Novidade: SUS terá teste rápido para aids feito com fluido oral em 2014

O Ministério da Saúde anunciou nesta quarta-feira (18) que o Sistema Único de Saúde (SUS) passa a oferecer um novo tipo de teste rápido de aids no próximo ano. O teste, que é novidade no Brasil, é feito por meio de fluido oral.
O objetivo é oferecer o diagnóstico para a população em todas as campanhas do ‘Fique Sabendo’, nos serviços de saúde que atendem às populações vulneráveis e nas farmácias da rede pública.

Inicialmente, o teste será usado a partir de março por 40 organizações não governamentais (ONGs) parceiras do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, do Ministério da Saúde. No segundo semestre, o diagnóstico rápido será oferecido na rede do SUS.

Na primeira etapa, homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo, travestis, transexuais, pessoas que usam drogas, pessoas privadas de liberdade e em situação de rua terão prioridade para fazer o teste. O kit para fazer o teste está sendo produzido pelo laboratório Bio-Manguinhos/Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Para fazer o teste, é preciso que a pessoa evite ingerir alimento ou bebida, fume ou inale qualquer substância, escove os dentes e use antisséptico bucal nos 30 minutos anteriores. Também é preciso retirar o batom e evitar atividade oral que deixe resíduo.

O fluido do teste oral é extraído da gengiva e da mucosa da bochecha com o auxílio da haste coletora. O resultado sai em até 30 minutos.

O ministério também anunciou a aprovação do novo Manual Técnico para Diagnóstico da Infecção pelo HIV em Adultos e Crianças, que complementa os procedimentos para os testes de HIV no país.
O documento também traz a possibilidade de confirmação do diagnóstico com um segundo teste, também rápido, que permite a redução do tempo de entrega do resultado ao paciente.

Uma geração que desconhece a Aids

Dúvidas sobre a doença representam 85% das perguntas enviadas a uma rede social gerenciada pelo governo e que tem os jovens como público-alvo.

O aumento no índice de pessoas com idade entre 15 e 24 anos infectadas pelo vírus da Aids confrontado com o fato de as principais dúvidas registradas em rede social montada pelo governo estarem relacionadas ao tema mostra que a doença ainda é uma incógnita entre os jovens brasileiros.

O perfil do Ministério da Saúde na internet dedicado a perguntas e respostas, o Formspring, é recheado de questionamentos com relações ao vírus, aos sintomas, ao diagnóstico e às formas de contágio.

Um levantamento realizado pela pasta a pedido do Correio mostra que, de 1º de dezembro de 2011 a 15 de janeiro deste ano, 85% das 475 perguntas registradas na rede foram relacionadas à Aids e a outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). A maioria delas com relação ao resultado de exames e à janela imunológica.

A falta de informação não é novidade para a coordenadora do Instituto Vida Positiva, Vicky Tavares. Segundo ela, os números só mostram que os jovens não entendem a gravidade da doença. “Eles acham que nunca serão contaminados. Quem tem menos de 30 anos não viveu o horror da doença na década de 1980 e 1990”, frisa.
Vicky acredita que o fato de existir tratamento e de ter como controlar a doença faz com que os jovens assumam outras prioridades.

“Eles têm mais medo da gravidez do que da Aids”, destaca.

O último Boletim Epidemiológico (ano-base 2010) mostra que, enquanto o índice de pessoas infectadas em todo o país estabilizou, o número de casos entre jovens passou de 3.006 em 2005 para 3.238 em 2010. O Distrito Federal é um exemplo desse aumento.

De modo geral, houve queda nos registros de casos da doença na capital do país, mas um avanço no número de mortes de jovens de 15 a 24 anos soropositivos – de dois casos em 2006 para sete em 2010.
Em todas as faixas etárias, foram registrados 116 mortes, o mesmo índice de 2009.

Tabu

Soropositivo, Roberto Pereira*, 15 anos, contraiu a doença no parto. Ele conta que seus amigos não têm ideia do que seja ter Aids nem acreditam estar sujeitos ao vírus. “Eles acham que só quem é magro tem HIV. Pensam que meninas bonitas nunca poderão contaminar alguém.

Alguns ainda acham que é mentira, que a transmissão não é fácil”, afirma o jovem alto e de porte atlético.

O psicólogo e coordenador do Polo de Prevenção à DST/Aids da Universidade de Brasília, Mário Ângelo Silva, explica que existe uma relação muito estreita entre o aumento no número de infectados e a falta de consciência do risco, considerando que os jovens estão em uma situação de maior vulnerabilidade por estarem iniciando a vida sexual.

A desinformação aliada ao preconceito, segundo ele, faz com que os jovens, quando têm dúvidas sobre a doença, procurem canais de comunicação que vão além da família, dos médicos e dos professores.

“A dificuldade no acesso aos postos de saúde é grande, tanto para conseguir preservativo quanto para tirar dúvidas.
Em alguns casos, é preciso marcar uma consulta.

Isso faz com que os jovens apelem para esses canais, muitas vezes de forma anônima, para que possam mostrar quais preocupações e problemas estão enfrentando”, destaca.

“O assunto ainda é um tabu e também não faz parte do que é discutido na escola.

Ações se concentram no carnaval

Apesar da reclamação constante de falta de informação, o Ministério da Saúde garante que trabalha durante o ano inteiro com o foco nos jovens.
Segundo a assessoria de imprensa da pasta, um dos principais programas é de prevenção à Aids é o de Saúde e Prevenção nas Escolas, que trabalha com todas as doenças sexualmente transmissíveis, inclui a distribuição de preservativos e engloba a participação de pais e da comunidade.
A ação está presente em 14 mil das 19 mil escolas de ensino médio do país. Dessas, 3 mil distribuem camisinhas.

Para o psicólogo e coordenador do Polo de Prevenção à DST/Aids da Universidade de Brasília (UnB), Mário Ângelo Silva, também falta um programa escolar voltado para o público gay. O índice de jovens infectados cresce entre os homossexuais. Se tivesse aceitação melhor nos seus espaços, em casa e na comunidade, com certeza essas taxas diminuiriam”.

Coordenadora do Instituto Vida Positiva, Vicky Tavares alega que só se fala sobre a doença no carnaval e no Dia Mundial de Combate à Aids, em 1º de dezembro. “A Aids fica esquecida o ano inteiro”, critica.

Em 2012, o Ministério da Saúde divulgou que faria uma campanha de prevenção à doença no carnaval voltada para os jovens e com uma chamada inédita para os travestis. A intenção acabou em polêmica.
Apresentado no lançamento da campanha no Rio de Janeiro, um vídeo que mostrava um casal gay prestes a ter relação sexual foi banido da tevê aberta sob a alegação de que ele – já disponível no site do ministério – seria exclusivo para campanhas em locais fechados.

O suposto veto provocou manifestações de comunidades LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais), como o Estruturação – Grupo LGBT de Brasília. Cerca de 20 integrantes do grupo fizeram um protesto em frente ao Ministério da Saúde, na tarde de ontem.
A principal bandeira era a veiculação da campanha voltada ao público LGBT em canais abertos, como a televisão e o rádio.
“Os homossexuais não estão confinados em uma boate gay. O programa brasileiro de combate à Aids é um dos maiores do mundo. Agora, está na hora de o próprio governo vencer o conservadorismo.
Saúde pública não pode ser negociada em gabinete”, defende o presidente do Estruturação, Michel Platini.
(GC).

Consequências banalizadas

“Os jovens de hoje não viram a cara da Aids, como era o tratamento anterior e nasceram sem entender a gravidade da doença. Para eles, ela é muito mais leve, já que hoje o tratamento prolonga a vida e o paciente passa a ser crônico. Além disso, tem a banalização.

Essa é uma idade mágica, de descoberta, em que eles acreditam que não há espaço para doenças.
As implicações da Aids, no entanto, precisam ser explicadas. Tomar remédio a vida inteira, todos os dias, não é legal.
Existem efeitos colaterais.

Os jovens precisam de mais informação, precisam entender a importância da camisinha.
Não precisa ter vergonha de procurar o médico e fazer perguntas. Afinal, as consultas são sigilosas.

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