Medo do parto: por que essa ansiedade toma conta de mim?

Um enorme ponto de interrogação invade a cabeça da mamãe momentos antes de o nenê surgir definitivamente ao mundo. A razão é simples: a insegurança de saber quando realmente chegou a hora de ter o bebê em seus braços é imensa, principalmente com as mamães de primeira viagem.
Como saber se as contrações que sente são verdadeiras? Comum entre gestantes de primeira viagem, a ansiedade relacionada a esse momento pode ser contornada por meio de tomada de consciência do que acontece na realidade.
Na maioria das vezes, tudo acaba bem.

Passados os dias de encantamento diante da ação natural que promove a concepção e a formação de um bebê no ventre materno, os meses da gestação se alternam entre providências práticas e o acompanhamento da evolução da gravidez.
Entre uma coisa e outra, a futura mãe passa a ter algumas preocupações, e elas dizem respeito ao momento do parto e à perfeita saúde e segurança do pequeno que está por chegar.
Sentir medo dessas novas circunstâncias é natural, e parece que os nove meses de espera são um tipo de exercício para a aceitação daquilo que é novo na vida de uma mãe.
“É durante o período de pré-natal que a gestante poderá solucionar todas as suas dúvidas e também as de seus familiares”, informa a ginecologista e obstetra Daniela Gouveia, membro da Associação de Obstetrícia e Ginecologia de São Paulo (SOGESP).
A médica acrescenta que esse acompanhamento é uma estratégia útil para que as possíveis inseguranças se transformem em uma saudável expectativa de um dos dias considerados tão importantes na vida da maioria das mulheres.

Por que isso acontece

Na opinião da psicoterapeuta Adriana Tanese Nogueira, que é também educadora perinatal e fundadora da ONG Amigas do Parto, o nascimento de um filho é mais do que um fenômeno fisiológico e possui conotação psicológica e cultural. Por isso, muitas pessoas veem o parto como uma espécie de ameaça.
“Há anos as mulheres deixaram de presenciar os partos de outras mulheres e o medo parece ser socialmente estimulado”, diz a especialista.
As causas desse pavor são influenciadas por vários fatores: o tipo do parto, obstáculos no caminho para o hospital, a anestesia e, principalmente, o bem-estar da mãe e do bebê.
A psicoterapeuta Adriana pondera que, na prática clínica, o que se vê é o afloramento de questões emocionais não resolvidas que contribuem para o aumento do medo.
“Vejo mais o temor de se tornar mulher de verdade, de pôr para fora a própria força, de acreditar em si, de tomar as rédeas da própria vida”.
E quem mais se depara com essas sensações são as primagestas, isto é, as mães de primeira viagem.
A obstetra Daniela pondera que, embora sejam compreensíveis esses sentimentos, os riscos são baixos, e representam 0,00068%.
Afinal, estatisticamente falando, as dificuldades mais frequentes são o aumento da pressão arterial, hemorragias e infecções.
Confira os principais medos das gestantes e compare o que acontece na vida real:

Não vou suportar

A vida real: “a dor existe, mas quem disse que é insuportável?”, indaga a Adriana. Ela sugere que a gestante pense sobre o que é pior: a dor, a anestesia, o corte na barriga, ou seja, os ganhos e perdas para si e para o bebê.
Já a obstetra Daniela explica que essas impressões podem ser exageradas porque essa sensação é algo desconhecido.
“Nessas horas é bom lembrar que a dor pode ser aliviada por meio da anestesia, que anula a sensação, sem tirar a força muscular”.

A anestesia me assusta

A vida real: a maioria tem medo de todo o aparato médico, o que inclui a anestesia. Estar em um hospital é perder o controle do corpo. É estar à mercê de outrem. Para algumas, mesmo após diversas explicações, o receio pode persistir e só cessar após o evento.

E se for uma cesariana?

A vida real: “Para aquelas que buscam o parto natural, este é um medo legítimo”, fala Adriana. “Contudo, a cirurgia pode ser necessária. Parto é entrega: à força do corpo, às necessidades que possam aparecer”.
A obstetra Daniela acrescenta que o procedimento só deve ser realizado quando há uma indicação médica, pois seu índice de complicações é maior.
Já as emergências se relacionam a algum tipo de risco inesperado.
Quando eles são previsíveis, a gestante já recebe orientações, durante todo o pré-natal, e isso diminui as tensões.

Não chegarei a tempo

A vida real: para quem vive numa metrópole, esse pode ser um motivo de estresse. Mas o todo é contornável se houver orientação para prestar atenção aos sinais de seu corpo. Assim, mesmo que estiver distante, terá tempo suficiente para o deslocamento.

Minha anatomia mudará

A vida real: segundo a médica Daniela, isso só acontece se não há apoio especializado. O corte de alívio, considerado útil para facilitar a passagem do bebê, existe para preservar a mãe.
A psicoterapeuta Adriana adverte que esse medo se relaciona a padrões esteriotipados da feminilidade: “As mulheres devem saber que a função do músculo local é esticar e se recolher, e é justamente o treino desse movimento que garante a boa performance sexual.

Posso morrer

A vida real: o risco é verdadeiro e não pode ser ignorado. No passado, muitas mulheres morreram durante esse momento. Mas isso não significa que isso acontecerá. “Ao reconhecer os medos, nós os enfraquecemos. Quando a consciência desperta, ela os afugenta.”

Sem medo das dores do parto

Informações adequadas durante o pré-natal, algumas técnicas simples e medicamentos específicos ajudam a parturiente a enfrentar os instantes dolorosos das contrações. As dores do parto são uma experiência intensa, e esperar por elas acaba sendo motivo de preocupação e temor. Mas a parturiente não deve se assustar.
“Essas dores são perfeitamente suportáveis, e com informação e preparação adequadas no pré-natal, a futura mamãe saberá que existem vários recursos para amenizá-las”, atesta Emília Saito, enfermeira obstetrícia.

As dores são decorrência das contrações do útero, mecanismo que provoca a dilatação do colo em até 10 centímetros e o alargamento da vagina, para permitir a passagem do bebê. Elas começam nas costas, na altura dos rins, e vêm para o abdome, repercutindo principalmente na região do útero e do baixo ventre (assoalho pélvico).
No início do trabalho de parto assemelham-se mais a um desconforto mas, à medida que as contrações se tornam frequentes e mais demoradas, as dores aumentam de intensidade.

Sem ansiedade: Para quem está desinformada, o quadro pode parecer muito assustador. “E quando a parturiente fica nervosa, a sensação dolorosa se intensifica”, observa a enfermeira obstetra Dalva Darin Andrade.
“Se a ansiedade for controlada, elimina-se 60% da dor”, acrescenta o obstetra Abner Lobão Neto.
Cabe portanto à futura mamãe a tarefa de se manter tranqüila, para seu próprio benefício.
Ajuda também se a maternidade permitir a presença de uma pessoa de confiança (marido, mãe, amiga) ao seu lado.
“Nem que seja só para segurar a sua mão no momento da contração”, diz Emília.

Analgesia: Outra aliada poderosa contra a dor é a analgesia, utilizada até nos casos de partos normais, quando os médicos costumam prescrever a peridural contínua (injetada gradativamente através de um cateter colocado na região lombar) que dessensibiliza a região pélvica e as pernas, aliviando ou suprimindo a dor.
A parturiente fica acordada, não perde o controle muscular da região, nem a sensação tátil.
Com isso, pode colaborar no processo de expulsão do bebê.

Outros recursos: Há ainda algumas técnicas complementares que podem ser usadas no pré-parto, e muitas delas são ensinadas em cursos preparatórios para gestantes. Devem ser treinadas nas semanas finais de gestação para que a mulher possa recorrer a elas ainda em casa, quando começarem as primeiras contrações.
Algumas maternidades também as utilizam para ajudar a parturiente.
“Na visita que fizer ao hospital antes do parto, convém se informar sobre os recursos alternativos que ele oferece”, aconselha Emília Saito, que costuma aplicar as técnicas que relacionamos a seguir.

Respiração: Aquela velha recomendação da respiração cansada, tipo cachorrinho, não vale mais. Durante a contração, o que se recomenda agora é inspirar lenta e profundamente, como se estivesse cheirando uma flor, segurar o ar o máximo de tempo possível e ir soltando aos poucos, pela boca.
Nos intervalos das contrações, respirar normalmente.

Massagem: Como os ligamentos do útero estão presos na bacia e na parte inferior das costas, a dor das contrações atinge a região lombar, e uma massagem feita nesse local pelo marido ou acompanhante costuma trazer alívio. Ela deve ser aplicada na parturiente deitada de lado e no momento em que a dor for mais aguda.

Nos intervalos das contrações pode-se massagear outras partes do corpo com o auxílio de uma bolinha de tênis. O acompanhante deve espalmar a mão sobre ela e fazer movimentos circulares, exercendo uma leve pressão sobre toda a região dos ombros e costas e depois na sola dos pés.
Para finalizar, coloca-se a bolinha no chão e a mulher a cobre com um dos pés, soltando em seguida o peso do corpo sobre ele.
Repetir com o outro pé.

Calor: Antes de sair de casa para a maternidade, a parturiente pode tomar um banho morno, para relaxar. Se a bolsa não tiver estourado, vale usar a banheira. Caso contrário, basta se colocar embaixo do chuveiro, deixando a água cair sobre a região lombar e a barriga.
Se a maternidade dispuser de estrutura, ela pode repetir esse banho lá, várias vezes, ao longo do trabalho de parto.
Outra alternativa é aplicar uma bolsa de água quente sobre a região lombar.

Exercícios: Andar pela sala de pré-parto é bom. O movimento contribui para aliviar a dor porque promove a descompressão das terminações nervosas da região lombar. Além disso, ao estimular a circulação, esse exercício acelera o ritmo das contrações, o que facilita a dilatação e abrevia o trabalho de parto.

Mentalização: Desviar a atenção da dor é outra possibilidade que, de quebra, favorece o relaxamento.
Uma fórmula ensinada pela fisioterapeuta Gabriela Olbrich de Souza: entre uma contração e outra, fechar os olhos, respirar profundamente e, acariciando a barriga, imaginar o bebê como um ponto de luz que vai crescendo e se tornando cada vez mais brilhante.

Mitos e verdades sobre a gestação

Saiba o que é mito e o que é verdade sobre os cuidados durante a gestação:

A gestante deve evitar o consumo de cafeína

Meia verdade: Embora não seja comprovado, alguns estudos sugerem que essa substância, presente no café e no chocolate, pode afetar o crescimento do feto.

O ácido fólico previne doenças

Medo do parto: por que essa ansiedade toma conta de mim? – Verdade: Essa vitamina do complexo B pode reduzir o risco de doenças como espinha bífida, por exemplo. O ácido fólico previne outras alterações também como doenças do coração, do trato urinário e fissura lábio-palatina.
Para a mamãe, a vitamina traz benefícios como prevenir doenças cardíacas, certos tipos de câncer e anemia.
 Saber o que comer neste período é fundamental.
Toda futura mamãe precisa guardar esse nome na agenda: Ácido Fólico, que é uma vitamina do complexo B presente no espinafre, aspargo, brócolis, vegetais de folhas verde-escuras, fígado, frutas cítricas e gema de ovo.
 Por vezes, só a alimentação não oferece a quantidade suficiente de ácido fólico que a mulher precisa ingerir diariamente, pois o cozimento dos alimentos diminui a ação da vitamina.
Os médicos recomendam uma suplementação para que a dose recomendada de ácido fólico seja ingerida pela futura mamãe.

Veja também:   Vacinas que você deve tomar (ou evitar) durante a gravidez e no pós-parto

Se ainda não tiver contraído rubéola, a gestante deve ser vacinada

Medo do parto: por que essa ansiedade toma conta de mim? – Mito: A gestante não pode ser vacinada durante a gestação. Por isso, deve evitar o contato com pessoas que tenham contraído o vírus da rubéola. As vacinas que as grávidas não podem tomar são: BCG, Tríplice viral, Vacina contra pólio, Vacina contra rubéola.
 Estas não devem ser tomadas, pois são vacinas com vírus vivos que podem afetar o bebê causando uma série de complicações, como malformação do feto e até o aborto.

O fumo ativo e passivo faz mal ao feto

Medo do parto: por que essa ansiedade toma conta de mim? – Verdade: O tabaco pode diminuir o peso do bebê e aumentar o risco de deficiências congênitas.
 Mulheres que mantém o vício de fumar nos primeiros três meses de gravidez correm o risco de sofrer aborto natural, sangramentos, descolamento de placenta e parto prematuro, além de problemas de saúde congênitos para o bebê.
 Não há nenhuma novidade em afirmar que o cigarro pode estimular o desenvolvimento de diversas doenças; ainda assim, muitas pessoas insistem em manter o vício.
“O que agrava a situação, no caso das gestantes, é que elas não estarão prejudicando apenas o próprio organismo, mas também o de um bebê que, ao nascer, já poderá apresentar diversos problemas por conta do costume nocivo da mãe”, declara a Dra.
Flávia Fairbanks, ginecologista.

Gestantes não podem ter gatos de estimação

Medo do parto: por que essa ansiedade toma conta de mim? – Mito: Não há nenhum problema, desde que se certifiquem de que o felino não apresente toxoplasmose, uma doença muito perigosa para o bebê.

O álcool faz mal ao feto

Medo do parto: por que essa ansiedade toma conta de mim? – Verdade: O consumo de bebidas alcoólicas durante a gestação pode causar síndrome alcoólica fetal (SAF), responsável por defeitos congênitos e diminuição da inteligência.

As gestantes podem fazer exercícios à vontade

Meia verdade: Consulte um médico antes, mas, caso não tenha costume de se exercitar, é bom começar devagar.

Quando está grávida, a mulher deve “comer por dois”

Medo do parto: por que essa ansiedade toma conta de mim? – Mito: O correto é aumentar apenas 300 calorias na ingestão diária recomendada (IDR).

Vitaminas e minerais nunca são demais durante a gravidez

Meia verdade: Algumas vitaminas em excesso, como a vitamina A, estão associadas a malformações fetais.

Falta de dilatação

Medo do parto: por que essa ansiedade toma conta de mim? – Mito: a dilatação do colo do útero só acontece com as contrações uterinas, e, portanto, só não acontecerá se o médico não esperar o tempo suficiente -em média de 38 a 40 semanas, podendo chegar a 41-, segundo Julio Elito Junior, da Unifesp.
Por isso, dizer que um parto normal ou vaginal não aconteceu por falta de dilatação é um mito.
“O trabalho de parto é um processo e, de acordo com a intensidade e frequência das contrações, a dilatação acontece”, afirma.

Bacia estreita

Medo do parto: por que essa ansiedade toma conta de mim? – Verdade: segundo o ginecologista e obstetra Alexandre Pupo Nogueira, o tamanho da bacia da mãe pode impedir um parto vaginal, mas é uma condição muito rara, identificável pelo exame de toque ainda no pré-natal.
“É o chamado vício pélvico, quando a mulher possui uma má formação óssea, que não permite que a bacia tenha abertura suficiente para a passagem do bebê.
” Outra situação que pode impedir o parto natural é a desproporção entre a cabeça do bebê e a bacia da mãe.
Para averiguar, a gestante passa pela chamada “prova de parto”.
Por meio de exames clínicos, durante o trabalho de parto, o obstetra avalia se a cabeça do bebê está descendo pelo canal vaginal ou não.
“Acontece quando o bebê é muito grande.
”.

Gestante não entrou em trabalho de parto

Medo do parto: por que essa ansiedade toma conta de mim? – Mito: de acordo com o médico Julio Elito Junior, 80% dos partos acontecem entre a 38ª e a 40ª semana de gravidez. “Algumas pacientes podem demorar mais ou menos para entrar em trabalho de parto.
É possível aguardar sob um acompanhamento mais rigoroso -de três em três dias quando passa da 40ª- para avaliar bem-estar de mãe e filho.
Se a partir da 41ª, o trabalho de parto ainda não teve início espontaneamente, é hora de conversar com o médico responsável sobre a indução do parto, mesmo que pelos exames esteja tudo bem com ambos, pois os riscos aumentam consideravelmente”, afirma.

Trabalho de parto demorado

Medo do parto: por que essa ansiedade toma conta de mim? – Mito: não existe um número de horas de duração do trabalho de parto que inviabilize o nascimento via vaginal.
“Não é o tempo que vai definir se aquela mulher vai poder ou não passar por um parto vaginal e sim outros fatores, que envolvem a saúde dela e a do bebê durante esse processo, que serão avaliados pelo médico nesse momento”, afirma o ginecologista e obstetra Alexandre Pupo Nogueira.
Ainda segundo o especialista, o primeiro parto normal de uma mulher pode durar cerca de 12 horas.

O guia do dia do parto

Se esta é a sua primeira vez, veja aqui o que acontece no momento mais esperado (e às vezes temido!) da sua gestação, com o guia do dia do parto:

A gravidez pode ser de?nida como a espera de nove meses para o grande dia: o nascimento do bebê.
Mas essa data importante também pode parecer misteriosa para quem está na primeira gestação: a?nal, o que acontece nessa hora? Será como nos ?lmes? Por isso, perguntamos a especialistas o que a?nal acontece nesse grande dia e montamos um guia do dia do parto.
Confira:

A bolsa estourou!

Ao contrário do que Hollywood nos ensinou, o rompimento da bolsa não signi?ca o nascimento imediato. “Se a rotura das membranas ocorrer fora do contexto de trabalho de parto, o tempo para o nascimento será algo muito variável, de horas a dias.
Se ocorrer durante o processo, geralmente ainda demoram cerca de 2 a 3 horas até o bebê nascer”, ensina o obstetra Adolfo Wenjaw Liao, especialista em Medicina Fetal pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
É importante, porém, observar a cor do líquido expelido quando a bolsa estoura: ele deve estar transparente como a água ou esbranquiçado.
Estar com a cor vermelha é literalmente um sinal de alerta, pois signi?ca a presença de sangue.

Contrações para que te quero!

O que determina a proximidade do parto são as contrações, que é o esforço que o útero faz para que o bebê saia de dentro dele. O obstetra Guilherme Loureiro Fernandes, da Associação de Obstetrícia e Ginecologia de São Paulo (Sogesp), nos ensina a reconhecê-las: “a dor começa de cima para baixo e é mais forte em cima.
Elas têm duração de 50 segundos até 1 minuto e 20 segundos”.
Ainda de acordo com o especialista, a hora do parto se aproxima conforme o intervalo entre as contrações vai diminuindo.
A mãe está pronta quando sua vagina está dilatada o su?ciente para a passagem do bebê, o que é avaliado pelas enfermeiras.

Com hora marcada

Mulheres que marcaram cesarianas não estão livres desse tipo de imprevisto acontecer. E caso a mulher comece a sentir contrações antes da hora marcada, com ou sem rompimento da bolsa, o melhor é correr para o hospital e ligar para seu obstetra.
Se esse não for o caso, é só chegar no dia e hora marcados e aguardar pelo procedimento com seu médico; não é preciso haver dilatação ou movimentação do útero.
“Geralmente o médico obstetra avalia (por meio do toque vaginal) as condições do colo uterino em todas as consultas no ?nal da gestação, para avaliar se o colo é ‘favorável’ ao parto vaginal”, acrescenta Liao.

Reações malucas

É normal que a mãe ?que ansiosa na hora do parto, e alguns imprevistos podem acontecer. A dor, por exemplo, e a di?culdade em lidar com ela, pode fazer com que a mulher tenha náuseas e até vomite na sala de operação. “O mesmo acontece com quem tem dores nos rins, por exemplo”, esclarece Fernandes.
Isso também pode ocasionar tremedeiras, e o esforço abdominal pode fazer com a mulher libere fezes ou urina no ?m do trabalho de parto.
“Antes as mulheres descompensavam mais nesse momento.
Hoje, temos uma condução de trabalho de parto”, esclarece o obstetra.

Não quero sentir dor!

Mesmo que sua escolha tenha sido parto normal, o comum é que eles sejam feitos com o uso de anestesia. Existem três tipos. A primeira é a raquidiana, que bloqueia completamente a sensibilidade e a movimentação do umbigo para baixo, e é a preferência para cesarianas, de acordo com Fernandes.
Depois a peridural, usada principalmente em partos normais, “que bloqueia a sensibilidade dolorosa, mas permite sensibilidade à pressão e proporciona um pouco da força abdominal”, como ensina Liao.
E também tem a anestesia local, dada apenas na parte onde passará o bebê.

E depois que nasceu?

Antes de ir para o berçário, o recém-nascido passa por um olhar clínico dos médicos. “Há a veri?cação de sinais vitais bons (frequência cardíaca, respiração, e perfusão sanguínea – que compõem a nota do Apgar) e exame clínico para con?rmar que não há alterações físicas”, enumera Liao.
Também se veri?ca se o palato (ou céu da boca) está fechado e pode-se fazer uma aspiração do pulmão e do estômago.
Já a mãe tem a placenta removida e, no caso de um parto normal, o médico veri?ca se o útero está bem contraído e se é preciso fazer alguma sutura.
Antes de voltar para o quarto, a mulher precisa passar pela recuperação pós-anestesia (RPA), em que ?ca em observação por cerca de duas horas.

Reações alérgicas no dia seguinte

Infelizmente, a anestesia pode causar reações alérgicas nas mães após o parto. É comum, por exemplo, a reclamação de coceiras pelo corpo no dia seguinte ao parto. As queixas mais comuns são que elas se manifestam, “principalmente no peito, pescoço, cabeça e ponta do nariz, mas deve passar em um dia”, garante o médico Fernandes.
Há ainda a possibilidade da manifestação de outras reações como tremedeira e enjoo, que passam em uma hora mais ou menos.
Se isso acontecer, avise seu médico, pois alguns medicamentos podem aliviar esses incômodos.

Veja também:   Enjoos perigosos: O que é a hiperemese gravídica?

Como evitar a depressão pós-parto

Gravidez é espera, ansiedade e temor. No entanto, se a angústia se transformar em uma enorme tristeza e num desprezo pelo recém-nascido pode ser sinal de depressão pós-parto. Saiba como evita-la:

Toda aquela expectativa da chegada do bebê nem sempre é só ?ores, berços ou mamadeiras. Muitas mamães, principalmente as de primeira viagem, não conseguem lidar com a angústia e ansiedade comuns do momento.
Por isso, é importante ?car atento às transformações comportamentais e psicológicas para que a magia da gravidez não seja substituída por uma fase conturbada e cheia de lágrimas e rejeição com a depressão pós-parto.

A depressão, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), atinge 121 milhões de pessoas no mundo e 17 milhões só no Brasil. A psicanálise não diferencia a “comum” da pós-parto, que acomete entre 10% a 20% das brasileiras, pois o que as distingue é o objeto que desencadeia tal abatimento.
No segundo caso, ela aparece depois de três ou quatro semanas após o nascimento do neném, ou seja, no período puerperal.

Entretanto, os sinais apresentados nessa fase que deveria ser tão especial são os mesmos da depressão “comum”.
“Os principais sintomas visíveis são a falta de cuidado consigo mesma e com o bebê, a ausência de higiene, constante expressão de tristeza, facilidade de chorar e alterações graves no sono, humor e apetite”, a?rma Araceli Albino, psicanalista e presidente do Sindicato dos Psicanalistas do Estado de São Paulo.

O per?l daquelas que sofrem ou sofreram desse mal costuma ser de alguém com baixa autoestima, que não sabe enfrentar perdas, além de quem passou por problemas de infertilidade e busca uma completude ao engravidar.
Essa mãe, então, não suportará perder tal laço, o que acaba desencadeando um esmorecimento passageiro e leve ou mesmo uma profunda melancolia.
“No entanto, é importante não confundir com o baby blues, etapa normal que acontece logo no terceiro ou quarto dia após o nascimento do ?lho e é caracterizada por uma tristeza discreta e apenas uma di?culdade para dormir e comer”, explica Gustavo Kroger, ginecologista da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

Contudo, é possível evitar a depressão pós-parto com cuidados ainda no período de gestação. Veja abaixo quais são eles:

  • Cuide do setor emocional como cuida do seu físico. Tenha cautela, paciência e também bastante empenho.
  • Busque conversar sobre o que está se passando com você e verá como certas fantasias, emoções e desejos são comuns.
    Pode ser com seu médico, um psicoterapeuta ou com um grupo de gestantes.
  • Aceite que a chegada do bebê trará mudanças e nem sempre saberá como fazer.
    Ficará atrapalhada, perdida, irritada e triste, mas nada disso quer dizer que você está doente ou não gosta dele.
  • Não ?que fechada dentro de casa ou se dedicando somente a pensamentos sobre o ?lho.
    Continue fazendo passeios, saindo com os amigos e conhecendo lugares e pessoas novas.
    Se mexa!
  • Prepare o ambiente familiar e conjugal para as alterações que irão, inevitavelmente, acontecer na vida de todos.
    Converse bastante sobre como poderão reestruturar o cotidiano de cada um envolvido.

A depressão pós-parto é comum?

Acredita-se que cerca de 10% das mulheres sofra de depressão pós-parto, embora uma recente pesquisa da Royal College of Midwives, do Reino Unido, tenha indicado que o número possa ser bem maior. De acordo com o estudo, 27% das mulheres com filhos de menos de 1 ano de idade disseram ter passado por algum tipo de tratamento para a depressão pós-parto.

Depressão pós-parto não é a mesma coisa que uma espécie de melancolia, também conhecida como “baby blues”, ou “blues puerperal”, que geralmente tem início poucos dias depois do parto e provoca tristeza, preocupação, nervosismo e vontade de chorar.
É possível que as enormes mudanças hormonais da gestação sejam responsáveis por esses sintomas, que tendem a desaparecer em questão de dias.

Mas, então, o que é a depressão pós-parto?

A depressão pós-parto é bem mais séria do que uma melancolia passageira. Enquanto a maior parte das mães consegue superar aquela tristeza inicial e passa a curtir seus bebês, uma mulher com depressão pós-parto fica cada vez mais ansiosa e tomada por sentimentos desagradáveis.

Em alguns casos, a mãe já estava deprimida mesmo antes do nascimento da criança, e simplesmente continua a ter os mesmos sentimentos. Para outras mulheres, no entanto, a depressão começa semanas ou até meses após o parto. O que parecia ser um prazer aos poucos começa a parecer um fardo, e a vida de certas mulheres chega a ficar paralisada.

Sintomas

Veja a seguir uma lista dos sintomas mais comuns da depressão pós-parto.
Ter alguns deles vez ou outra não necessariamente indica um quadro de depressão, já que a maternidade é mesmo cheia de altos e baixos! Caso você tenha com frequência vários dos sintomas descritos, comente com seu ginecologista ou clínico geral ou procure a ajuda de um profissional especializado.
Não tenha medo de ser julgada e muito menos de ser taxada de má mãe.

  • Tristeza constante, especialmente na parte da manhã e/ou à noite
  • Sensação de que não vale a pena viver e de que nada de bom vem pela frente
  • Sensação de culpa e de responsabilidade por tudo
  • Irritabilidade e falta de paciência com parceiro e filhos
  • Choro constante
  • Exaustão permanente, acompanhada de insônia
  • Incapacidade de se divertir
  • Perda do bom humor
  • Sensação de não conseguir lidar com as circunstâncias da vida
  • Enorme ansiedade em relação ao bebê e busca constante por garantias, por parte de profissionais de saúde, de que ele está bem
  • Preocupação com sua própria saúde, possivelmente acompanhada pelo temor de ter alguma doença grave
  • Falta de concentração
  • Sensação de que o bebê é um estranho e não seu próprio filho

.

Além dos sintomas mencionados acima, é possível também vivenciar:

  • Perda de libido
  • Falta de energia
  • Problemas de memória
  • Dificuldade para tomar decisões
  • Falta ou excesso de apetite
  • Noites de sono interrompido

Existem mulheres mais propensas a ter depressão pós-parto?

Os especialistas ainda não sabem exatamente por que certas mulheres ficam deprimidas e outras não. Porém há certas situações que parecem aumentar o risco de uma depressão pós-parto.
São elas:

  • Já ter passado por uma depressão antes
  • Depressão durante a gravidez
  • Parto difícil
  • Perda da própria mãe na infância
  • Parceiro ou família ausentes
  • Nascimento de um bebê prematuro ou com problemas de saúde
  • Problemas financeiros, de moradia, desemprego ou perda de um ente querido

Qual é o tratamento?

Remédios: Existem certos remédios que realmente podem ajudar num quadro de depressão pós-parto. Muitas pessoas acreditam erroneamente que antidepressivos provoquem dependência, o que não é verdade. O principal problema de tais remédios é que muita gente não os toma da maneira correta.

Esse tipo de tratamento exige disciplina com horários e costuma levar algumas semanas para fazer efeito. Não desista por achar que ele não está melhorando em nada sua situação.
Lembre-se de que demora um pouco para que seu corpo se adapte à medicação, e tenha em mente que às vezes a dose ou o tipo do remédio precisam de ajustes conforme a reação do organismo.
Não interrompa o tratamento sem conversar com seu médico antes, mesmo se achar que já está melhor, porque a depressão pode voltar de repente.

Também não se preocupe se estiver amamentando, já que há no mercado remédios compatíveis com o aleitamento materno.

Terapia: Conversar com alguém treinado para lidar com o que você está sentindo pode ser de grande ajuda. Muitas vezes somente a terapia já é suficiente para reverter o quadro, embora, muitas vezes, haja também a necessidade de associar ao tratamento algum tipo de medicação (que só pode ser prescrita por médicos).
Não se intimide em procurar ajuda especializada e encare isso como um ato de amor pelo seu bebê, para que você possa ser de fato a mãe que sempre sonhou ser.

Há algo que parentes e amigos possam fazer?

Medo do parto: por que essa ansiedade toma conta de mim?

Conviver com alguém deprimido pode ser assustador, por isso é importante que a família tenha a orientação de um profissional de saúde para que ele explique melhor o quadro e aconselhe sobre a melhor forma de agir.
Uma vez que todos saibam que se trata de depressão pós-parto — um problema real, e não “frescura”, mas que tem tratamento –, a família toda tende a se sentir melhor.
O importante é lembrar que a depressão é um estado passageiro.

Se sua mulher/mãe/irmã/amiga está deprimida, veja abaixo algumas maneiras que podem ajudá-la a enfrentar esta fase:

  • Certifique-se de que ela está tomando o remédio como o médico orientou e de que esteja indo às consultas médicas (ou à terapia)
  • Caso ela não queira tomar remédios, procure tentar convencê-la a falar com um médico sobre outras alternativas
  • Acompanhe-a ao médico caso ela esteja relutante em ir por conta própria
  • Não dê conselhos do tipo “deixa disso” ou “vê se melhora o astral”.
    Ela certamente se comportaria de maneira diferente se conseguisse, se dependesse da vontade dela!
  • Auxilie, se puder, com as tarefas domésticas ou mesmo com o bebê, mas, por outro lado, não assuma tudo o que diz respeito à criança
  • Faça companhia caso ela tenha medo de ficar sozinha
  • Lembre-a o tempo todo de que tudo melhorará e que a tristeza vai passar
  • Se se trata de sua companheira, procure tratá-la como mulher, e não somente como a mãe do seu filho

O que posso fazer por mim mesma?

Tente manter uma alimentação saudável. Caso não tenha apetite, procure fazer pequenas refeições regularmente — o café da manhã é especialmente importante. Consuma alimentos ricos em energia, como pães, cereais, macarrão e arroz, além de muitas frutas e verduras.
Não há nada de errado em comer chocolate, se este for o seu desejo, mas só não exagere na dose.

Descanse bastante. Durma, se conseguir, ou simplesmente relaxe. Se alguém puder cuidar do bebê para você, aproveite para tirar uma soneca durante o dia ou escolha uma boa leitura e curta alguns momentos de preguiça.

Não seja dura consigo mesma. Você está doente e precisa de tempo e espaço para se recuperar. Não se sobrecarregue de tarefas domésticas que não sejam urgentes e adie as “grandes” decisões por enquanto. Permita-se alguns mimos e, aos poucos, você sentirá a diferença.

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Será que vou ter depressão pós-parto com meu próximo filho?

É possível, já que histórico de depressão é um dos fatores que podem influenciar na incidência de uma depressão pós-parto. Existem inúmeras mulheres, no entanto, que tiveram depressão com um filho e depois não voltaram a ter problemas.
Pense que, se a depressão voltar a atingi-la, pelo menos você já terá aprendido a lidar melhor com ela e saberá como usar a ajuda de familiares, amigos e médicos.
Além disso, você não será pega tão de surpresa e poderá procurar ajuda mais cedo.
Vale a pena conversar sobre o assunto com o obstetra ainda durante a gravidez.

Há como prevenir a depressão pós-parto?

Não se sabe ao certo. O que se sabe é que uma mulher que conte com bastante apoio durante a gravidez tem mais chances de encarar a maternidade com confiança e segurança.
Assim sendo, quando engravidar de novo, faça o máximo para durante os nove meses se cuidar bem, aceitar toda a ajuda do mundo, fazer alguma atividade física e reduzir os níveis de estresse.

Há médicos que defendem o uso de injeções de progesterona depois do parto como forma de reduzir o risco de depressão. As provas científicas quanto a isso não chegam a ser sólidas, mas converse com o seu ginecologista para saber se é algo que vale a pena considerar no seu caso.

10 dicas para perder o medo do parto

Quanto menos dor sentir, melhor o seu corpo estará preparado para o momento tão esperado – o do nascimento do seu filho. O medo da dor faz com que os músculos estejam mais tensos e produz uma resposta fisiológica – mais suor e mais palpitações.

Mas, se o seu temor e, por conseguinte a dor, forem reduzidos, mais o seu útero poderá funcionar normalmente. Por outro lado, muitas mulheres manifestam o receio de que o bebê sofra.
Para que tudo corra bem é essencial que você tenha confiança no seu médico, no progresso da medicina e, acima de tudo, que o seu corpo esteja naturalmente predisposto para o nascimento.

– Aprender. Você deve conhecer cada etapa do trabalho de parto, aprender a distinguir entre as contrações reais das falsas e saber se necessita ou não de praticar uma cesariana. Deve se informar sobre as complicações mais comuns do parto e saber quais as soluções possíveis para cada caso.
Desta forma, ganhará uma maior consciência do seu corpo e não terá qualquer dúvida de que está pronta para dar à luz o seu filho.

– Comunicação. Você pode pedir ao seu médico algumas dicas e discutir o assunto com outras mulheres grávidas. Compartilhe seus temores com o seu parceiro, família e amigos.

– Não seja pessimista, porque você sabe que tudo está bem. Fora da paranóia! Os testes de diagnóstico pré-natal, análises e exames ultrassonográficos que você faz durante a gravidez são seguros. Apenas 3% dos recém-nascidos têm um problema.

– Prepare-se fisicamente. Você deve ser exercitar, principalmente, os músculos das pernas e das nádegas. Isso vai ajudar a se preparar para o nascimento.

– Responda a todas as suas dúvidas sobre a epidural. É importante recolher informações sobre a anestesia epidural, uma boa opção se você quiser aliviar as dores durante o parto.

– Seja otimista. Está provado que as mulheres mais pessimistas são as que têm partos mais dolorosos. Por outro lado, se você pensar positivamente, a experiência de dar à luz vai ser mais fácil de suportar. Se tiver esta atitude, o seu corpo vai registrar a libertação da ocitocina, um hormônio que ajuda a esquecer a dor.

– Seja forte e realista, se a situação piorar. Se algo der errado, você tem de assumir a ideia e se esforçar ao máximo, pensando que em breve terá seu bebê no seu colo.

– Perca o medo do parto prematuro. Se o seu filho está à frente, mantenha a calma e confie plenamente que o seu médico vai fazer o que for melhor para você e para a criança, seja ao estimular a libertação de ocitocina para incentivar as contrações, ao provocar a cesariana ou escolher outra alternativa para extrair a criança.
Apenas 10% de todos os nascimentos ocorrem antes do previsto.
O parto prematuro é aquele que ocorre antes de 37 semanas de gestação.
Hoje em dia, os bebês que nascem ao fim de 30 semanas de gestação têm muitas chances de sobreviver.
Você só tem que manter um controlo apertado no centro de incubação para evitar determinados riscos de saúde.
Mesmo que seja difícil deixar seu bebê no hospital, você deve pensar que esta será uma melhor solução e que ele estará em boas mãos.

– Relaxe, não se esqueça de suas aulas de preparação. É difícil ficar bloqueada. O que você aprendeu nas aulas sairá de modo natural. Se você entrar em pânico, siga as indicações do ginecologista e da parteira.

 O segredo está na flexibilização. Você precisa aprender a relaxar e poupar a sua energia para o momento do parto. Se você não assistiu a um número suficiente de aulas de preparação, pode sempre se inscrever em classes de ioga, natação ou outras modalidades que ajudem a relaxar.
Se controlar os nervos e receios, a sua entrega durante o parto será muito melhor.

Medo do parto: por que essa ansiedade toma conta de mim?

Estela Wonsik, possui graduação em economia, letras e linguística, pela Unicamp. Também tem estudos em Psicologia e Psicanálise nas Organizações, pós graduação em Psicanálise e em sociologia da ciência, além da formação em Psicologia Transpessoal pelo Instituto Humanitatis de Campinas.

“Toda menina desde pequena “sabe” que é muito diferente do menino. Desde a idade de mais ou menos uns 3 ou 4 anos ela sabe que o tempo passa, que seu corpo muda, que um dia poderá ter filhos.
E se pergunta: “como vai sair da minha barriga?” E ela sente medo, e decide: “mamãe, eu nunca vou ter filhos porque eu não quero cortar minha barriga!” Com certeza, ela já ouviu alguma conversa sobre isso!.

Seja por ter irmãos menores, seja por ter alguém na família que está grávida, a pequenina já se pergunta: “acontecerá comigo? E como acontece?”

De alguma forma, em algum lugar, todas as mulheres tem um medo infantil (no sentido de primário, antigo, do passado) do parto, pois é algo muito forte, importante e totalmente desconhecido.

O parto é um momento radical, em todos os sentidos, porque é o momento de grande intensidade emocional e de muitas transformações fisiológicas no corpo da mãe para promover o nascimento do bebê. Para o bebê, é a saída do seu lugar de segurança, dentro do corpo protetor da mãe, para o mundo.
Mas mesmo sendo algo tão importante e novo, que pode causar medo e ansiedade, também é algo muito especial de grande realização.
Pode e deve acontecer naturalmente.

Muitas ansiedades das gestantes em relação ao parto podem ter sua origem em medos inconscientes arcaicos, relacionados à sua própria experiência de nascimento e à ansiedade vivida por suas mães. Até mesmo fatores de história familiar ou do inconsciente coletivo podem influenciar os sentimentos da mulher em relação ao parto.
E isso muda entre as gerações e também entre os países.

No Brasil, o medo e a ansiedade em relação ao parto parecem ser mais comuns que nos países de cultura anglo-saxã, como os Estados Unidos.
Lá há uma mentalidade, um ethos de fazer dos pacientes e das gestantes coparticipantes do processo, com grande preocupação em veicular informações e trocas de experiências pessoais como um recurso a mais para ajudar na hora do parto.

As mulheres costumam ficar ansiosas com muitos fatores, os mais variados: como vai ser, se normal, se cesariana; como serão os primeiros sinais, se as contrações são muito desconfortáveis; se vai ser muito rápido ou se demora muitas horas, se vai ter algum risco para a ela ou para o bebê.
Também é frequente que o medo seja do pai do bebê ou dos familiares da gestante, que transmitem esse sentimento para ela, quando podiam ajudar na busca de informações e de apoio.

Acredito, pela minha experiência clínica, que o maior fator que possa promover o medo do parto seja um excesso de idealizações em relação à maternidade, que é quando imaginamos tudo perfeito demais, sem nenhum imprevisto, sem surpresas e exatamente como o planejado.
Aí, qualquer situação fora do controle gera uma reação emocional de grande desconforto.
Estar bem informada, cuidar e conhecer o próprio corpo, suas forças e limitações, conversar com outras mulheres que já passaram pelo parto, conversar com outras gestantes, conversar com o médico sobre os tipos de parto e suas indicações e procurar serviços de aconselhamento e apoio ajudam muito a domar o estresse e a ansiedade excessiva.

É importante dizer que a gestante ansiosa e que teme o parto precisa fazer um trabalho de reflexão para descobrir qual é a causa do seu medo, se é medo de sentir dor, se é um parto muito idealizado, se é o medo da nova vidinha que chega para ela cuidar, se até mesmo é um medo herdado de outras gerações na família.

Identificar o que está causando a ansiedade e fazer um trabalho bem direcionado para afastar as fantasias negativas, conhecendo experiências satisfatórias é um bom começo. É importante encarar o fato de que nada está totalmente sob nosso controle, e que a experiência do parto pode ser desconhecida, mas trazer surpresas muito emocionantes.
Confiar no seu/sua obstetra, ir a palestras sobre parto, visitar o hospital em que pretende ter seu bebê, ver se há um programa de informações para as gestantes e acompanhá-lo, ou participar de cursos para gestantes também são um caminho para a troca de experiências enriquecedoras.
E, claro, como não dizer, usar essa moderna ferramenta ao alcance das mãos, a internet, para se informar, fazer contatos, trocar impressões e sentimentos.

Bem informada e bem preparada a ansiedade diminui, o parto acontece e seu bebê, antes no ventre, estará nos seus braços!”

Veja o vídeo abaixo: A ginecologista e obstetra Ana Fialho conversa sobre esses medos e mitos do parto.

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