Placenta prévia: Como acontece? O que fazer? Quais os riscos?

Em geral diagnosticada em mulheres mais maduras e que já tenham passado pela experiência do parto, trata-se de um problema que requer atenção, mas pode ser controlado por meio de cuidados específicos.

Você acaba de sair do consultório médico, após mais uma consulta de pré-natal. No lugar da sensação de alegria, há apenas medo, pois uma nova situação clínica foi identificada: placenta prévia. De acordo com o seu obstetra, essa é uma condição que se apresenta em uma a cada 200 gestantes.
Mas a pergunta que lhe vem à mente é: por que eu? Não precisa se preocupar! O problema é perfeitamente gerenciável, desde que seja atendidas as orientações médicas.

A placenta prévia, conhecida popularmente como baixa, caracteriza pela implantação da placenta sobre ou perto do colo uterino, na parte inferior do útero, em vez de ser na parte superior deste. Outra particularidade é que ela poderá cobrir parte ou todo o orifício do colo uterino.
A sua incidência é maior entre mulheres que tiveram mais de uma gravidez ou tenham anomalias estruturais do útero.
O exemplo clássico é o fibroma.
A causa para isso é a forma como o embrião migra: a regra é que ele se aloje no fundo do útero e em sua parte mais alta.
Caso não ocorra essa fixação, haverá deslocamento e posterior fixação na parte mais inferior.

Acompanhamento médico

Se a gestante já estar sendo acompanhada por um especialista, as chances de um diagnóstico precoce são grandes. Isso porque o problema pode ser detectado por meio de exames de imagem, e quando a gestante conta de 18 a 20 semanas.
O ginecologista e especialista em reprodução humana Gustavo Kröger (SP) explica que essa implantação “pode ser diagnosticada por meio de uma ultrassonografia transvaginal, porém pode ser necessário complementar com ressonância magnética”.
Se a futura mamãe estiver acima do peso ideal, ou tiver outras complicações capazes de afetar a qualidade das imagens digitalizadas, outros exames serão solicitados.

Dependendo das condições da gestante, há ainda a investigação de acretismo placentário, isto é, uma penetração mais profunda da placenta em outras camadas do útero. Na maioria das vezes, ela avança até a camada endometrial.

Hemorragia indolor

O problema pode causar hemorragia indolor e manifestar-se no final da gravidez. “Algumas pacientes já apresentam o sintoma no segundo ou terceiro trimestre da gestação”, relara Kröger. Em alguns casos, é necessário a internação da gestante, até a data do parto.
Quando a hemorragia é leve, sem parto iminente, o repouso hospitalar é a indicação.
Se o sangramento cessa, a paciente pode voltar pra casa.

Outra medida aconselhada pelo médico é a cessação das relações sexuais até o final da gravidez, havendo ou não sangramento. Nesse período é importante comer em abundância alimentos nutritivos, principalmente aqueles que são ricos em ferro, como, por exemplo, carne vermelha, legumes e vegetais de folhas verdes, isto irá reduzir as chances de anemia.

A hemorragia representa risco de morte tanto para a mãe quanto para o bebê, mas é raro que ocorra morte. Se o sangramento não puder ser contido, ou se a mulher entrar em trabalho de parto prematuro, o bebê terá de nascer por cesariana, mesmo que ainda faltem várias semanas para a data prevista para o parto.
 Em alguns casos, nos quais o sangramento é mais intenso, pode ser necessária a reposição sanguínea.

Veja também:   Gestação e parto podem interferir diretamente no comportamento futuro do bebê

No caso de a gravidez prosseguir livre de complicações, antes que inicie o trabalho de parto, faz-se uma cesariana, em geral, na 38ª ou 39ª semana. A medida é preventiva: ao deslocar-se a placenta poderia privar o bebê do recebimento de oxigênio.

Quais os tipos de placenta prévia?

A placenta prévia pode ser dividida em quatro tipos, sendo que os dois primeiros são os mais comuns:

Tipo I – a placenta tem inserção baixa no útero, mas o parto normal ainda é possível. 

Tipo II – o extremo inferior da placenta chega a encostar na abertura do colo do útero, mas não o fecha, portanto o bebê pode nascer de parto normal. 

Tipo III – a placenta cobre parcialmente a abertura do colo do útero. O bebê terá de nascer via cesariana. 

Tipo IV – a placenta cobre completamente a abertura do colo do útero. O bebê terá de nascer via cesariana.

Se no começo da gravidez você fizer um ultra-som e a placenta parecer estar perto do colo do útero, ou até o encobrindo, não é preciso se assustar. É quase certo não se tratar de um caso de placenta prévia. À medida que o bebê cresce, o útero aumenta e naturalmente afasta a placenta do colo do útero.
Mesmo que a placenta ainda esteja baixa no ultra-som morfológico, por volta de 20 semanas, pode ser que ela não traga problemas quando a hora do parto chegar.

O recomendável é que, em todos os casos em que a placenta tenha coberto o orifício interno do colo do útero, em qualquer ponto da gravidez, a mulher seja submetida a uma nova ultra-sonografia com 36 semanas. Na grande maioria das vezes, o exame mostrará que a placenta mudou de lugar e já não representa problema na hora do parto.

Quais são os sinais de alerta para a placenta prévia?

Sangramento vaginal sem dor no último trimestre da gravidez costuma ser um sinal de alerta, e é preciso procurar ajuda médica imediatamente se acontecer. Pode ser, no entanto, que não haja nenhum sintoma, e a condição só seja descoberta durante os ultra-sons de rotina.

Quais são as causas da placenta prévia?

A placenta prévia não tem uma causa específica, mas pode-se reconhecer alguns fatores de risco, embora na maioria das mulheres que apresenta placenta prévia nenhum fator de risco possa ser detectado:

  • Idade materna avançada.
  • Mulheres que já tiveram uma ou mais gravidezes anteriores.
  • Curetagens repetidas.
  • Mulheres que já foram submetidas à cesariana ou a outras cirurgias uterinas.
  • Mulheres que fumam ou usam drogas.
  • Anomalias anatômicas ou enfermidades inflamatórias ou tumorais do útero.
  • História anterior de placenta prévia ou de abortamentos.
  • Existem fatores de risco que predispõem à placenta prévia?

.

A placenta prévia é mais comum quando a mulher já teve pelo menos uma gravidez. Também há um risco ligeiramente maior para mulheres que já foram submetidas a uma cesariana, que já tiveram um caso de placenta prévia antes ou que fumem. A maioria das mulheres que apresenta placenta prévia não tem nenhum fator de risco específico.

Veja também:   Medicina amplia chances de realizar sonho de ser pai

Como a placenta prévia é controlada?

Depende da presença ou não de sangramento e do estágio da gravidez. Se o problema for diagnosticado depois da 20ª semana, mas não houver sangramento, a orientação deve ser de evitar o excesso de atividades físicas e o estresse. Se houver hemorragia, a mulher será internada, para que o sangramento seja monitorado.
Mesmo que o sangramento seja contido, pode ser que, dependendo da gravidade do caso, os médicos prefiram que a mulher continue no hospital até o nascimento do bebê.

Os obstetras também costumam aplicar injeções de esteróides para ajudar a amadurecer os pulmões do bebê, para o caso de um parto prematuro.

Se você tiver placenta prévia, não deixe de avisar sempre que for ser examinada por algum médico ou enfermeira que não saibam do problema. Eles podem preferir evitar fazer exame de toque vaginal.

Quais são os sinais e sintomas da placenta prévia?

No começo da gravidez e até por volta da vigésima semana de gestação, é comum que a placenta esteja perto do colo do útero, ou mesmo encobrindo-o, mas à medida que o útero aumenta, ele afasta a placenta do seu colo, não trazendo problemas para o parto. Essa situação normal não gera sintomas.
No entanto, essa situação deve ter sua evolução acompanhada por meio da ultrassonografia, durante o pré-natal.
Um sangramento indolor, de sangue vermelho vivo, que ocorra durante o último trimestre da gravidez é o sintoma mais altamente sugestivo de placenta prévia.

Como o médico diagnostica a placenta prévia?

O diagnóstico clínico baseia-se no relato da paciente grávida de um sangramento vaginal súbito e indolor, de cor vermelho-vivo, geralmente de pequena quantidade, mas recorrente e progressivo, com volume e tônus uterino normais e batimentos cardíacos fetais mantidos.
A ultrassonografia transvaginal, feita cuidadosamente para não danificar mais a placenta, confirma o diagnóstico e a localização placentária.
Quando o exame ultrassonográfico não é possível, o toque só deve ser realizado com muito cuidado e por pessoa muito experiente, em virtude de poder causar uma eventual e importante perda sanguínea.

Como o médico trata a placenta prévia?

Se não houver um sangramento abundante, a conduta é de observação e monitoramento, recomendando repouso absoluto. Se o sangramento não puder ser contido, o parto tem de ser antecipado. Se a placenta estiver obstruindo em grande parte ou no todo o colo do útero, o parto terá que ser cesariano.
Diante dessa eventualidade, alguns obstetras usam certas medicações esteroides visando apressar o amadurecimento do aparelho respiratório do feto.
Se o sangramento for intermitente, mas muito repetitivo, a gestante deve permanecer internada até que o parto possa ocorrer.
Podem ser necessárias várias transfusões de sangue.
Mesmo nas situações em que o parto normal seja teoricamente possível, é frequente optar-se pelo parto cesariano, pelas sérias complicações a que o parto normal pode submeter a gestante, entre elas o aumento no risco de sangramentos e infecções.

Como prevenir a placenta prévia?

Não há como prevenir a ocorrência da placenta prévia, a não ser pela evitação da gravidez nos casos em que haja uma incidência muito contundente dos fatores de risco. No entanto, há como evitar as complicações dela. Algumas medidas podem ajudar:

  • Evitar o toque vaginal.
  • Fazer o máximo de repouso possível.
  • Observar abstinência sexual.
Veja também:   Gravidez: na cama com a barriga

Como evolui a placenta prévia?

Na maioria dos casos a placenta prévia evolui bem, observando-se o repouso necessário, e a gravidez pode chegar ao termo. Se o sangramento não puder ser contido, ou se a mulher entrar em trabalho de parto prematuro, o bebê terá de nascer por cesariana, mesmo que ainda faltem várias semanas para a data prevista para o parto.
Em casos de sangramentos incontroláveis pode-se ter de antecipar o parto.
 A placenta prévia, dependendo da sua evolução, pode levar à morte fetal por hipóxia, devido à hemorragia maciça.

A importância do pré-natal

O pré-natal tem extrema importância para garantir a saúde da mãe e do bebê, e deve ser iniciado assim que a gravidez for confirmada.

O pré-natal é o acompanhamento médico que toda gestante deve ter, a fim de manter a integridade das condições de saúde da mãe e do bebê. Durante toda a gravidez são realizados exames laboratoriais que visam identificar e tratar doenças que podem trazer prejuízos à saúde da mãe ou da criança.

É importante que as futuras mamães comecem a fazer seu pré-natal assim que tiverem a gravidez confirmada ou antes de completarem três meses de gestação. Alguns exames feitos durante o pré-natal são importantes para detectar problemas, como doenças que possam afetar a criança ou o seu desenvolvimento no útero.
Geralmente os médicos pedem os seguintes exames:

  • Glicemia, para avaliar se há presença de diabetes;
  • Grupo sanguíneo e fator Rh.
    Esse exame é muito importante, pois detecta a incompatibilidade sanguínea entre mãe e bebê, que pode levar à morte do feto;
  • Anti-HIV, para identificar se há a presença do vírus da AIDS no sangue da mãe.
    Se a mãe for soropositiva, o médico prescreverá alguns medicamentos que reduzirão as chances de a doença ser transmitida para o bebê;
  • Exame para detectar a sífilis, doença que pode causar malformações no bebê;
  • Exame para detectar a toxoplasmose, pois essa doença pode ser transmitida ao feto, causando malformações;
  • Exame para detectar a rubéola, doença que pode levar ao aborto, além de causar malformações no bebê;
  • Exame para detectar a presença do vírus da hepatite B.
    Caso a mãe tenha o vírus da doença, algumas medidas podem reduzir as chances de transmissão do vírus para o bebê;
  • Exame de urina e urocultura, para identificar se a mãe possui infecção urinária, que pode levar a um parto prematuro, além de poder evoluir para uma infecção mais grave;
  • Ultrassonografias.
    As ultrassonografias são utilizadas para a identificação da idade gestacional, malformações no bebê e placenta prévia.

.

Durante o pré-natal, as gestantes também recebem orientações sobre a importância de se manter uma alimentação saudável, prática de atividades físicas e a importância de se evitar álcool, fumo e outros tipos de drogas.
É importante que se faça o monitoramento do peso da mãe, para que ela não ganhe peso além do necessário, o que pode trazer alguns problemas.
No pré-natal é importante que a gestante faça a reposição de vitaminas, sendo o ácido fólico recomendado nas primeiras semanas de gravidez, pois ele ajuda a prevenir as malformações.

Como vimos, o pré-natal é de extrema importância para as futuras mamães, pois é através dele que alterações são detectadas e tratadas a tempo, evitando-se, assim, problemas para a saúde da mãe e do bebê.

Artigos Relacionados

Saúde Próspera