Reumatismo – vai além das dores nas articulações

Quando pensamos em “dores nas articulações”, logo relacionamos aos problemas da idade, assim como a palavra reumatismo.

Primeiro, é importante saber que o reumatismo vai além dessas dores – ele se refere a diversas doenças não só das articulações, mas dos ossos e dos músculos. E o problema pode aparecer já na juventude. Portanto, as medidas de prevenção e cuidados com os sintomas devem começar desde cedo (algumas doenças afetam inclusive as crianças!). Assim, o reumatismo passa de uma simples “dor na junta” para se tornar um assunto amplo e um pouco complicado de entender. E é para ajudar você a se cuidar que preparamos esse especial. Uma matéria completa! Aproveite e boa leitura!

O que é reumatismo?

Dores localizadas, dificuldade para levantar os braços ou erguer objetos pesados podem ser sintomas de doenças reumáticas, aquelas que atingem as articulações e seus componentes, como músculos , cartilagens e tendões.

Reumatismo é visto erroneamente por muitos como uma doença, no entanto, é o termo dado aos distúrbios reumáticos, que podem ser divididos em diversos tipos. “Não existe uma doença chamada reumatismo. Este é um nome usado para qualquer doença ou condição que provoque dor nas articulações, ossos, músculos e sistema osteoarticular de uma maneira geral. Na verdade, quando falamos das doenças reumáticas estamos falando de mais de 100 doenças diferentes. Cada uma delas tem características próprias com causas, sintomas e evolução totalmente diferentes”, esclarece o reumatologista Ari Halpern, do Hospital Albert Einstein.

Por mais difícil que seja o diagnóstico exato no início, é possível, por meio do pedido do médico, realizar exames laboratoriais para identificar a doença. Assim, quanto mais rápido reconhecido o problema, maiores são as chances de sucesso no tratamento.

Entenda o problema

Algumas doenças classificadas como reumatismo podem atingir órgãos internos, como o lúpus que, muitas vezes, começa com uma inflamação dos rins. Veremos sobre isso mais adiante.

Outro distúrbio que também faz parte do reumatismo é a febre reumática que acomete principalmente as crianças, iniciando o problema pelo coração, podendo posteriormente haver comprometimento cardíaco.

Artrite reumatoide, osteoartrite e gota também são outras exemplos de doenças reumáticas. O problema, se descoberto de forma tardia e não for submetido a um tratamento adequado, pode causar dor crônica, incapacidade física temporária ou permanente.

Entre os fatores que podem desencadear as doenças reumáticas, estão a obesidade, a idade avançada, atividades que exigem esforço contínuo (trabalho, exercício físico), além de fatores genéticos.

Fora do mercado de trabalho

Quando as doenças reumáticas estão em estado avançado, ou seja, em que o problema já está presente há algum tempo, podem custar ao paciente o afastamento das obrigações diárias. Isso acontece porque, em certa fase, o distúrbio gera dores muito intensas e crônicas, impossibilitando a pessoa de realizar grande esforço físico ou até mesmo alguns movimentos bruscos.

Outro problema decorrente é que, ao tentar se afastar do serviço por problemas provenientes dos distúrbios reumáticos, muitas pessoas são barradas na perícia – procedimento feito pelo órgão público para identificar se realmente existe o problema – por ser um processo extremamente burocrático, obrigando-a a retornar ao posto de serviço. Este obstáculo podem impedir os pacientes de realizarem o tratamento correto, agravando ainda mais o problema. Em contrapartida, alguns paciente são obrigados a se aposentar mais cedo, por não terem mais condições de trabalhar. As doenças reumáticas atingem cerca de 15 milhões de brasileiros, de acordo com o Ministério da saúde. Onde o problema ocorre:

  • Articulações
  • Músculos
  • Ossos
  • Rim
  • Coração

De acordo com dados do Ministério da Previdência Social, as doenças reumáticas são a segunda maior causa de afastamento do trabalho, perdendo apenas para o alcoolismo.

Tem como prevenir!

Apesar de muitos fatores estarem envolvidos no desenvolvimento das dores reumáticas, seguir algumas recomendações pode ajudar a prevenir, ou pelo menos, amenizar as consequências proporcionadas pelo problema.

  • Faça exercícios físicos regulares para manter uma boa musculatura, além de um organismo mais saudável
  • Evite esforço acima de sua capacidade física
  • Mantenha o peso corporal dentro do recomendado pelo médico
  • Adote uma alimentação saudável rica em cálcio, a fim de fortalecer a estrutura óssea.

Artrite e artrose: para não confundir mais

A artrite e a artrose podem ter os sintomas muitos parecidos, porém, é importante saber a diferença existente entre os dois distúrbios. Na maioria das vezes, a artrite e a artrose afetam o paciente de uma só vez. Devido a isso, as duas doenças podem ser confundidas. Elas podem ser caracterizadas como doenças reumáticas por atingirem diretamente as juntas, característica básica do distúrbio. No entanto, é importante ressaltar que, se ambas as doenças não forem tratadas corretamente, sérias consequências podem acometer a saúde do portador. “Artrite é um termo médico que quer dizer inflamação de uma articulação. Existe várias doenças que podem causar artrite, porém, é preciso tomar cuidado, pois, o nome oficial da própria artrose é osteoartrite”, explica o reumatologista Ari Halpern.

Por dentro do problema

É possível distinguir facilmente os dois distúrbios: a artrite pode ser definida como a inflamação das articulações; já a artrose é quando a articulação passa a se degenerar. “A artrite reumatoide é uma doença inflamatória crônica caracterizada pelo acometimento simétrico das articulações das mãos, punhos, joelhos, tornozelos e pés, por meio de edema (inchaço), rubor (vermelhidão), calor e dor nas articulações”, explica a reumatologista Maria cecília Anauate, do Hospital Santa Paula (SP). Já a artrose pode ser caracterizada pelo amolecimento da cartilagem articular, ou seja, com a inflamação contínua deste tecido, ele tende a tornar-se mais fino, podendo culminar em consequências graves. “O processo inflamatório acomete o osso subcondral com esclerose e resulta na formação de osteófitos, popularmente chamados de “bico de papagaio”, que é a principal característica da doença”, completa a reumatologista.

Um pouco mais fundo

Ainda de acordo com Ari, a artrite reumatoide é a variação do distúrbio mais conhecida, e também a que mais merece cautela. Isto porque, por ser crônica, ela deve ter acompanhamento médico contínuo, já que, caso não seja tratado devidamente, pode acarretar danos permanentes ao seu portador (deformidades, por exemplo). “Cerca de 1% da população tem esta doença, que geralmente começa ao redor da quarta década de vida”, afirma o especialista. Por ser uma doença inflamatória sistêmica, ela pode afetar não só as articulações, mas também áreas como pulmões, olhos e demais órgãos. Já a artrose afeta apenas as articulações. “Algumas formas de artrose ( a de mãos, por exemplo) têm um componente genético de predisposição. E a artrose de joelho está muito relacionada com obesidade e sedentarismo”, completa Ari.

Principais tratamentos

Por afetar as articulações, áreas essenciais para os movimentos corporais, os tratamentos devem ser levados muito a sério. O médico responsável poderá fazer a indicação de medicamentos, sessões de fisioterapia e até mesmo a prática de atividades físicas (com o acompanhamento necessário), para o fortalecimento articular e diminuição de sua rigidez.

Caso nenhum dos tratamentos sugeridos dê resultados ou o quadro já esteja muito avançado, poderá ser feita uma cirurgia, a fim de remover os tecidos dinificados e,, no lugar, implantar uma prótese articular. Outra saída muito comum é a infiltração de hormônios que possuem ação anti-inflamatória (chamados de corticoides) no tecido lesionado.

“Felizmente, hoje em dia existe um tratamento muito eficiente que deve ser feito de forma regular e deve começar o quanto antes, assim que surgem os primeiros sintomas”, diz Ari Halpern, reumatologista.

Artrite

O que é: caracteriza-se pela inflamação das articulações.

Sintomas: dores, inchaço e rigidez nas articulações.

Como diagnosticar: exames de raio-x, ressonância magnética e ultrassom.

Principais tratamentos: fisioterapia, uso de medicamentos prescritos pelo médico e a prática de atividades físicas.

É possível prevenir: Sim, por meio de um estilo de vida saudável (exercícios e alimentação), além de exames periódicos.

Artrose

O que é: caracteriza pelo desgaste das articulações.

Sintomas: inchaço, dor, rigidez nas articulações e a formação de nódulos nas juntas (mais comum na ponta dos dedos das mãos.

Como diagnosticar: por meio de exames físicos, nos quais o médico movimenta as articulações em busca de ruídos característicos e detecta inchaço; exames de raio-x também podem ser solicitados.

Principais tratamentos: fisioterapia, massagens, uso de órteses (mais conhecida como “munhequeira” e acupuntura (como alternativa em alguns casos).

É possível prevenir: sim, por meio de exercícios preventivos, alimentação adequada e exames periódicos.

Sintomas iniciais

Artrite: por ser um processo inflamatório, caracteriza-se pelo acúmulo de líquido entre as articulações. por isso, as reações costumam aparecer logo pela manhã, quando o corpo volta a se mexer após um longo período de descanso. Dor e rigidez ao se movimentar é um sinal de que a área está sendo afetada.

Artrose: pode provir tanto de uma doença inflamatória mal tratada quanto de um traumatismo, podendo causar (dependendo da área afetada, que pode ser: dedos, punhos, joelhos, coluna, entre outras) dores, formigamento, inchaço e alterações na sensibilidade do local, por exemplo.

A artrose pode afetar tanto pacientes com um quadro de artrite evoluída quanto ser um processo natural da idade, na qual o desgaste das articulações é um problema comum.

Reumatismo - artrite e artrose

A gota e suas consequências

Também chamada de artrite gotosa aguda, a doença faz parte de um grupo de patologias reumáticas que precisam de muita cautela. Ela é uma doença silenciosa, dolorosa e composta por crises, que podem ter duração entre três e dez dias. Quem sofre de gota sente um grande incômodo, na maioria das vezes, nas articulações dos pés, área mais afetada pelo distúrbio. “A gota é uma doença relacionada com o excesso de ácido úrico no sangue. Tipicamente, a doença começa com uma crise de dor e inflamação intensa acometendo apenas uma articulação (geralmente nos membros inferiores)”, relata o reumatologista Ari Halpern.

A raiz do problema

Para explicar melhor a doença, é preciso ressaltar que as dores nas articulações se dão pela presença de cristais de monourato de sódio (formados por conta da elevação do nível de ácido úrico no organismo) nas articulações, que pode provir de diferentes motivos. Além disso, a presença excessiva do próprio ácido úrico também pode desencadear a inflamação das articulações, já que ele tende a ser transformado em urato de sódio por meio de uma enzima. “É caracterizado pelo acometimento preferencialmente da articulação do primeiro dedo dos pés, com dor, calor, rubor e edema que ocorre devido ao depósito de cristais de ácido úrico na articulação”, ressalta a reumatologista Maria Cecília Anauate.

Influência que vem do prato

Além de ser uma consequência do uso abusivo de medicamentos diuréticos (responsáveis por diminuir os líquidos corporais) que podem reduzir a eliminação do ácido úrico do organismo, pela falta de enzimas responsáveis por este trabalho nos rins ou até mesmo pela produção em excesso do ácido no organismo, não se deve descartar que a alimentação inadequada pode piorar (e muito) a presença do componente na corrente sanguínea. Por isso, escolher os alimentos certos e manter uma dieta equilibrada, principalmente composta por alimentos leves , é o ideal. Para os portadores da doença, o recomendado pelos especialistas é moderar a ingestão de proteínas, eliminar de vez qualquer alimento que contenha gordura em excesso e reduzir a ingestão de carboidratos simples (deve-se apostar nos complexos, aqueles que demoram mais para serem digeridos pelo organismo).

Gota

O que é: caracteriza-se pelo acúmulo de ácido úrico na corrente sanguínea, promovendo a formação de pequenos cristais que causam dores nas articulações.

Sintomas: dores (principalmente na região dos pés e joelhos), vermelhidão na área afetada e, as vezes, febre.

Como diagnosticar: exames de sangue que detectam a quantidade de ácido úrico e raio-x das articulações.

Principais tratamentos: uso de anti-inflamatórios, analgésicos e corticoides (todos prescritos pelo médico).

É possível prevenir: Sim, principalmente por meio da alimentação, que deve ser pobre em gordura e sódio.

Sintomas e tratamento

“Muitos pacientes não se dão conta que têm a doença. A crise aguda pode ser confundida com um trauma ou entorse. Quando a gota se torna crônica, ela pode ser confundida com outras formas de artrite”, argumenta Ari Halpern. Quando se está tendo uma crise de gota, o primeiro sintoma é o inchaço da região afetada. Depois, a dor passa a se manifestar de forma aguda e bastante incômoda, bastando apenas um pequeno atrito ou um leve encostar para que a sensibilidade desencadeie fortemente. Infelizmente a gota não tem cura, por isso é preciso manter um tratamento constante a fim de evitar novas crises. Normalmente, as recomendações médicas giram em torno de uma alimentação leve, além de medicamentos específicos para diminuir os níveis de ácido úrico no organismo. Se a doença não for tratada devidamente, a saúde do portador corre sérios riscos: um deles é a deformidade das articulações, além da expansão dos sintomas para os tendões, cartilagens e até mesmo outras articulações. Em caso extremamente graves e não tratados, corre-se até mesmo o risco de amputação do membro afetado.

Para fugir da doença, basta apostar em uma alimentação leve e equilibrada. Alguns exemplos:

  • Suco de fruta natural (sem adoçar)
  • Salada de alface, repolho e pepino
  • Pão integral com queijo branco.

Para evitar as crises da doença é preciso deixar de ingerir alimentos que contenham altas concentrações de proteínas, tais como:

  • Frutos do mar
  • Carnes vermelhas gordas
  • Feijão
  • Lentilha
  • Cogumelo
  • Espinafre
  • Ervilha

Além disso, quando a doença estiver em seu estágio agudo, bebidas alcoólicas são intoleráveis.

Fibromialgia: uma doença quase desconhecida

A dificuldade em diagnosticar e tratar a fibromialgia fazem dela uma incógnita à medicina. Uma dor persistente e muito incômoda que é sentida não em um, mas em vários lugares do corpo. Assim é a fibromialgia, uma das principais doenças reumáticas. O problema de saúde é crônico e acomete cerca de 5 milhões de brasileiros, sendo a maioria mulheres. Qualquer pessoa está sujeita à enfermidade, porém, os casos ocorrem mais frequentemente dos 30 aos 55 anos. A doença é estudada há 30 anos, mas pouco se sabe sobre suas causas e tratamentos. Estima-se que para cada 1 homem, 8 mulheres sofram de fibromialgia.

Em companhia da dor

A fibromialgia está diretamente ligada ao funcionamento anormal do sistema nervos, que reflete em diversas dores pelo corpo. “É uma síndrome caracterizada por uma dor difusa associada com outros sintomas frequentes como distúrbios do sono e do humor, dor de cabeça, dificuldade de concentração, entre outros”, explica o reumatologista Ari Halpern. Dores persistentes em músculos, articulações, ligamentos e tendões, gerando a sensação de peso, fisgada, aperto e queimação, também estão entre os principais sintomas. O desconforto tende a piorar em dias frios, no período pré-menstrual e durante situações de estresse. A doença pode, ainda, provocar distúrbios cognitivos, como depressão e ansiedade.

Ainda não se sabe os motivos certos que levam ao desencadeamento do distúrbio, no entanto, alguns aspectos já foram notados, como fatores genéticos, que têm um papel importante. Mas além disso, outros fatores ambientais participam no desenvolvimento da doença, como traumas emocionais e mudanças hormonais.

A doença não apresenta grandes riscos ao indivíduo, no entanto, a maior consequência pode ser o comprometimento da qualidade de vida, já que a dor constante afeta a realização de tarefas diárias.

No consultório

Um dos principais problemas da fibromialgia é seu diagnóstico que exige muita conversa e exames completos, o que leva tempo. Dificilmente a doença é diagnosticada logo na primeira consulta com o seu reumatologista. Isso porque, diferentemente de outros problemas reumatológicos, a dor não se restringe às articulações. O Consenso Brasileiro de Fibromialgia estabelece que, para o caso ser considerado fibromialgia, o paciente deve apresentar dor generalizada por mais de três meses e sensibilidade entre 11 e 18 pontos pressionados durante a consulta. “O complicador para a identificação do problema é que o paciente aparenta normalidade e seus exames apresentam resultados normais. Pesquisas por meio de imagens também não detectam alterações. Elas só aparecem em tomografias por emissão de pósitrons, capazes de flagrar o cérebro em funcionamento em tempo real”, afirma o neurocirurgião Eduardo Barreto. Antes de receber o diagnóstico preciso, muitas pessoas acabam visitando vários especialistas e até chegam a passar por tratamentos de outras doenças confundidas com a fibromialgia, como lúpus.

Buscando alívio

É possível estar por dentro do maior número possível de informações sobre a doença para que o tratamento tenha êxito. Existem tratamentos medicamentosos e não medicamentosos, no entanto, não existe cura, o que configura a fibromialgia como uma doença crônica. “Até o momento, não existem tratamentos considerados muito eficazes.. Médicos podem prescrever relaxantes musculares e analgésicos, mas só medicamentos não bastam. É preciso uma abordagem multidisciplinar, mudar o estilo de vida, a começar pelo cigarro. pesquisas apontam que ele piora os sintomas. Já a atividade física é vista como aliada”, destaca Barreto. Outro ponto importante são as terapias para alívio das dores, como alongamento, ioga e fisioterapia.

Afaste a depressão

O distúrbio tanto pode favorecer o aparecimento da fibromialgia quanto acentuá-la. A associação entre as doenças dificulta o tratamento de ambas, tirando a disposição do indivíduo para tratar as dores e o mal psicológico. Portanto, além de cuidar do corpo, um acompanhamento psicológico é fundamental para o sucesso das terapias.

Fibromialgia

O que é: síndrome de dor crônica generalizada.

Sintomas: dores pelo corpo, em articulações, músculos, tendões, entre outros.

Como diagnosticar: conversa com o reumatologista e exames clínicos.

Principais tratamentos: terapias de alívio da dor e, em alguns casos, relaxantes musculares.

É possível prevenir? Não se tem conhecimento da prevenção.

 

Lúpus: inimigo interno

dores nas articulações podem ser um dos sintomas do lúpus, que trás outras consequências sérias. O nome completo é lúpus eritematoso sistêmico. Uma doença um tanto quanto rara – talvez, por isso, ainda existam muitas dúvidas a respeito da sua forma de atuar. O que se sabe é que o problema desencadeia uma reação em que o sistema imunológico acaba se voltando contra o próprio portador e que, quando não identificada logo de início, resulta em sérios danos à saúde, principalmente para os rins e o cérebro. “Lúpus é uma doença autoimune que tipicamente afeta mulheres jovens. A doença pode atingir literalmente qualquer órgão. Sua causa é desconhecida e não existe medidas preventivas eficientes. Existem, sim, tratamentos muito eficazes para controlar a doença e evitar consequências maiores”, alerta o reumatologista Ari Halpern.

Alvo errado

Para entender o lúpus, é preciso compreender como funciona o sistema imunológico, que desempenha o papel de proteger o organismo contra agentes externos agressores (vírus e bactérias, por exemplo). Para isso, ele faz uso dos anticorpos. O problema acontece quando, por uma disfunção, os mesmos anticorpos são responsáveis pelos danos aos tecidos que deveriam proteger – algo ainda mais perigoso quando se constata que eles têm acesso a qualquer parte do corpo, podendo inclusive atacar o núcleo das células. O mecanismo de defesa se converte, assim, em mecanismo de autoagressão.

Ainda não se sabe ao certo o que motiva o distúrbio e parece haver uma intrincada mistura de fatores genéticos hormonais e ambientais. “Existe uma predisposição genética nos pacientes com lúpus. Ou seja, há uma suscetibilidade à doença, que se manifesta após interação com certos fatores: radiação ultravioleta, infecções, medicamentos, pílulas anticoncepcionais e produtos químicos. Esse contato pode desencadear a doença ou piorar o quadro de um paciente que já tem o diagnóstico. É o estímulo ao sistema imunológico que resulta em uma resposta desregulada, com produção de autoanticorpos (anticorpos voltados contra estruturas do próprio paciente)”, explica o reumatologista Rodrigo Moulin.

Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, o lúpus afeta nove vezes mais as mulheres do que os homens. Uma pista para explicar sua predominância entre o sexo feminino pode estar nos hormônios. O hormônio feminino, estrógeno, estimula a formação de anticorpos, enquanto o hormônio masculino, testosterona, surte o efeito contrário.

Difícil detectar

Como o lúpus afeta o sistema imunológico e desregula diversas outras funções do corpo, a doença pode se manifestar pelos mais diversos sintomas: fraqueza, perda de apetite e emagrecimento, febre, pericardite (inflamação do pericárdio, membrana que envolve o coração) ou pleurite (inflamação da pleura, membrana que recobre o pulmão). Na maioria das vezes o diagnóstico é demorado e só ocorre depois que o paciente passou por uma série de médicos de diferentes especialidades. Um desses sinais são dores nas articulações dos membros superiores (punhos, cotovelos, ombros e dedos das mãos) que surgem de forma assimétrica e itinerante (mudando de local sem nenhum motivo aparente). Como o quadro se assemelha ao de artrite reumatoide, é comum que os portadores de lúpus se consultem em algum momento com um reumatologista.

Duas marcas do lúpus são especialmente preocupantes. A primeira é a lesão renal acompanhada de aumento na pressão arterial – na maioria dos casos, o principal fator que alerta os médicos na hora de identificar o problema. A hipertensão é decorrente da inflamação das membranas das estruturas nos rins que filtram o sangue, deixando-o mais grosso e dificultando o trabalho do coração para bombeá-lo em direção ao restante do corpo. A segunda característica são lesões cerebrais, derivadas de coágulos que entopem os vasos sanguíneos responsáveis por irrigar o órgão, levando à morte dos tecidos locais por falta de oxigenação. Uma das consequências são convulsões, motivando a investigação de causas neurológicas, o que confunde ainda mais pacientes e médicos. Se, no primeiro surto, o portador de lúpus não apresentar lesão renal ou cerebral, há boas chances de ser uma forma benigna da doença, controlável por medicação. Quando rins e cérebro são afetados logo de início (quadro muito comum quando o lúpus surge na puberdade), a evolução pode caminhar para algo mais grave.

Adormecido

Se é preciso ter consciência do perigo do lúpus, é importante destacar que ele pode ser controlado, o que garante aos seus portadores uma vida relativamente normal. “Felizmente, existem muitos casos em que a doença entra em remissão, isto é, o lúpus “adormece” e o paciente não manifesta nenhum sintoma ou complicação, permitido uma redução nas medicações. Em alguns casos, quando a imunidade está equilibrada, a pessoa pode ficar sem medicação nenhuma ou com um mínimo de remédios, apenas para manter a doença inativa”, lembra Rodrigo. Nesses períodos, o mais importante é nunca subestimar o distúrbio e abandonar o acompanhamento médico constante. Infelizmente, a chance da doença ressurgir sempre existirá e a melhor solução é estar um passo à frente.

Veja também:   Atividades Diárias que ajudam Emagrecer

Decisão pensada

Para as mulheres, um dos graves riscos das lesões renais provocadas pelo lúpus é que, dependendo do caso, elas podem levar ao aborto durante a gestação. O fato gera crença precipitada de que portadoras da doença não devem em hipótese alguma engravidar. “Mulheres portadoras de lúpus podem engravidar sim. Porém, é importantíssimo que seja uma decisão conjunta com o médico. É ele que vai avaliar se o momento é adequado e se a doença está sob controle. Durante a gestação e logo após o parto, pode haver piora da doença e vários remédios que são usados normalmente no tratamento não podem ser usados durante a gravidez, pois fazem mal ao bebê. Portanto, a gestação tem que ser muito bem planejada, discutida e acompanhada pelo médico”, afirma Rodrigo Moulin. Portanto, quem pensa em ser mãe deve seguir à risca as orientações de um pré-natal especialmente elaborado e nunca descuidar do monitoramento. Existe a possibilidade de que o bebê nasça com lúpus – o que também pode acontecer quando a mãe não apresenta a doença, mas carrega os anticorpos relacionados ao problema.

LÚPUS

O que é: um desajuste no sistema imunológico, que acaba atacando a própria pessoa.

Sintomas: variam desde dores nas articulações, fraqueza e febre até danos mais graves, sobretudo para os rins e o cérebro.

Como diagnosticar: não existe exames específicos para diagnosticar o lúpus. Porém, análise de sangue e urina, radiografias, ultrassonografias e outros testes, em conjunto com o histórico do paciente, são capazes de revelar o problema.

Principais tratamentos: remédios que controlam as reações imunológicas, como analgésicos, anti-inflamatórios e imunossupressores.

É possível prevenir? Não, pois é uma disfunção natural do organismo dos portadores. No entanto, protegendo-se de tudo que ativa o sistema imunológico e com as orientações médicas corretas, é possível desfrutar de uma vida tranquila.

Males autoimunes

Uma combinação entre a predisposição genética (que leva ao desequilíbrio das células do sistema imunológico) e fatores ambientais de risco provoca o surgimento de doenças autoimunes. Além do lúpus, também atuam de forma semelhante:

Diabetes tipo 1: A função do pâncreas é produzir insulina, hormônio que facilita a absorção da glicose vida dos alimentos, que não pode se acumular no sangue, sob risco de entupir as artérias. Em quem apresenta diabetes tipo 1, anticorpos atacam as células do pâncreas e provocam uma deficiência de insulina.

Observação: no diabetes tipo 2, é o descontrole alimentar e o sedentarismo que diminuem a eficácia da insulina, e não uma característica autoimune.

Esclerose múltipla: os sinais elétricos que chegam e partem do cérebro viajam através dos neurônios. Quando o sistema imunológico atacam as estruturas neurais que transmitem esses impulsos, ocorre a esclerose, que gera dores nos olhos ou perda de visão, vertigem, tremores e perda de movimentos, além de prejuízos para a memória e o raciocínio.

Vitiligo: nesse caso, os alvos dos anticorpos são os melanócitos, células que produzem os pigmentos que dão cor à pele. O resultado são manchas pelo corpo desprovidas de pigmentação, além de bastante sensíveis à luz do sol.

Tireoide de Hashimoto: localizada na base do pescoço, a tireoide é uma glândula que secreta hormônios estimulantes. Hipotireoidismo é quando ela funciona abaixo do esperado e uma das causa para essa queda de rendimento pode estar na presença de anticorpos nocivos, o que traz como resultado fraqueza, pele seca, queda de cabelos, prisão de ventre, perda de libido e até mesmo depressão.

Psoríase: acontece quando os linfócitos T, células de defesa, passam a considerar os tecidos da pele como intrusos e atacá-los, tendo como resultado uma inflamação. A pele começa a se regenerar rápido demais, com as camadas mais novas empurrando as anteriores para a superfície, promovendo lesões que podem se espalhar por todo corpo.

*Clique na imagem abaixo para aumentar o tamanho do texto, caso seja necessário.

Reumatismo e Lupus

Osteoporose: fragilidade perigosa

A osteoporose também é caracterizada como uma doença reumática, por isso, é preciso muita cautela durante toda a vida para manter a saúde dos ossos em dia. Apesar de ser compreendida como uma doença osteometabólica (que acomete o metabolismo dos ossos), a osteoporose também faz parte da família das doenças reumáticas. Embora não apresente sintomas que indiquem a sua presença, é possível preveni-la por meio de um exame chamado densimetria óssea (aconselhável para pessoas a partir de 55 anos), o método mais adequado para detectar a doença.”Todas as pessoas estão propícias a desenvolverem osteoporose quando envelhecem. Porém, é preciso preveni-la com uma alimentação rica em cálcio ao longo da vida”, aponta o ortopedista Alexandre Póvoa Brabosa.

A osteoporose pode comprometer seriamente a qualidade de vida do portador, caso não seja identificada e tratada precocemente. Embora não haja cura para o distúrbio, é possível mantê-lo sob controle, por meio de uma alimentação rica em cálcio e vitamina D, além da utilização de medicamentos indicados pelo médico responsável. A prática de atividades físicas regulares com o auxílio de um educador físico ( a fim de prevenir possíveis acidentes) também é ideal para fortalecer a musculatura e diminuir as chances de fraturas.

Um risco a mais

A osteoporose costuma atingir principalmente o público feminino, após o período da menopausa. Isso acontece porque, nessa fase da vida, a densidade óssea tende a diminuir, o que aumenta as chances de incidência da doença. “Na época da menopausa, grande parte das mulheres passará a perder o cálcio dos ossos, o que aumenta a chance de contrair a osteoporose, que é responsável por fraturas e por grande perda na qualidade de vida”, salienta Alexandre. Embora a medicina tenha evoluído ao ponto de minimizar os efeitos da doença e fazer com que ela não comprometa totalmente as atividades diárias dos pacientes, é importante ressaltar a grande importância que os cuidados em todas as fases da vida possuem. “A perda de cálcio que ocorre nos primeiros cinco anos da menopausa descalcifica os ossos e causa osteoporose”, completa o ortopedista. Por conta disso, as consequências mais graves que podem ocorrer são as fraturas, principalmente se atingirem alguma região da coluna ou da bacia, já que comprometem seriamente a capacidade de locomoção de quem passa por isso. “Envelhecemos como vivemos. Problemas de saúde são comuns, mas não normais com o envelhecimento. O aparecimento de doenças irá depender da genética de cada um e de seus hábitos de vida diários”, diz Paulo Camiz, clínico geral.

O caminho certo

Para evitar possíveis desconfortos, é indispensável seguir uma dieta saudável e equilibrada, já que este hábito não previne somente a osteoporose, mas também outros males. Para manter a força dos ossos sempre em dia, é necessário ingerir as quantidades ideais de cálcio desde a infância, já que o mineral não é um nutriente produzido pelo corpo humano. Se a pessoa ingeri-lo durante toda a vida na quantidade necessária, consequentemente fará uma “reserva” no organismo, o que trará menos possibilidades de contrair a osteoporose futuramente. “A prevenção vai desde a alimentação na infância, passando pela atividade física na hora certa. O osso recebe muito bem tudo aquilo de bom que a gente faz para o corpo. É preciso começar a prevenir desde cedo”, afirma o ginecologista Bruno Muzzi Camargos.

E quando a idade chegar…

…a atenção deve ser redobrada! Nessa fase da vida muitos cuidados devem ser inseridos na rotina, já que o corpo já não é mais o mesmo. Portanto, para que a melhor idade seja repleta de saúde e disposição, prevenir deve ser sempre a palavra chave. “A partir dos 65 anos é necessário uma rotina de exames para detectar a osteoporose. Principalmente nesta idade, inicia-se uma pesquisa com uma bateria de exames. Para as mulheres com algum dos fatores de risco (como baixa estatura) deve-se começar mais precocemente, realizando os exames anualmente a partir da menopausa”, aconselha Alexandro. Após feita a densitometria óssea para identificar a consistência com a qual os ossos se apresentam, o raio-x é outro exame essencial para a descoberta de fraturas (caso o quadro esteja avançado).

Aliados da saúde

Quando se descobre a osteoporose, é natural pensar em algumas limitações. Principalmente se não for tratada devidamente, qualquer queda já pode ser motivo de preocupação. Por isso, fortalecer a estrutura corporal por meio dos exercícios físicos é indispensável. É errado pensar que quem foi diagnosticado com a doença não pode se mexer. “Os exercícios ajudam sim, e muito. Assim como os músculos, os ossos se tornam mais fortes com as atividades físicas. Os melhores exercícios para os ossos são os de sustentação do peso, Que força a pessoa a trabalhar contra a gravidade. Eles incluem a caminhada, corrida, subir degraus, musculação e dança, por exemplo”,exemplifica Barbosa.

Proteção garantida

É só falar em osteoporose para que o cálcio seja lembrado. De fato, a ingestão do mineral é altamente eficaz contra o parecimento da doença, já que ele é fundamental para que o esqueleto mantenha sua formação forte e saudável. Porém é muito importante também que se consuma alimentos ricos em vitamina D, que também é produzida pelo corpo durante a exposição aos rios solares: ela oferece uma melhor absorção do mineral, além de estar presente em uma grande variedade de alimentos saudáveis. “As vezes a osteoporose não depende só da carência de cálcio. É possível dizer que a osteoporose não acontece pela carência de cálcio e sim pela falta de absorção de cálcio no osso, em que é preciso a presença de vitamina D e de magnésio”, salienta a nutricionista Camila Borduqui.

Mais saúde no prato

Além da combinação cálcio + vitamina D para a prevenção da osteoporose, é indiscutível a influência positiva que uma alimentação saudável exerce em vários aspectos da saúde. Por isso, montar o prato de acordo com as necessidades nutricionais que o corpo exige para manter seu funcionamento em ordem atua na prevenção de várias doenças. Abaixo, alguns exemplos de nutrientes que devem ser inseridos diariamente no cardápio:

Omega 3: o ácido graxo essencial contém ações anti-inflamatórias, que agem contra uma série de doenças. Além disso, ele também ajuda a controlar os níveis de LDL (colesterol ruim) no organismo, um grande auxílio na prevenção de doenças cardiovasculares.

Fibras: Elas são indispensáveis. Além de auxiliar no bom funcionamento intestinal (prevenindo o câncer de intestino de cólon), as fibras ainda auxiliam na redução do LDL no sangue.

Proteínas: Ingeri-las é indispensável para a saúde. Atuantes na formação dos tecidos corporais, elas também trabalham em prol da energia e da saúde celular.

Magnésio: o mineral traz um força a mais para os ossos, já que ajuda no metabolismo do cálcio.

Zinco: com relação na formação e no crescimento dos ossos, consumir alimentos ricos em zinco é uma ótima ideia.

Osteoporose

O que é: Caracteriza-se pela perda de massa óssea, podendo causar fraturas se não tratada corretamente.

Sintomas: não apresenta.

Como diagnosticar: por meio da densimetria óssea.

Principais tratamentos: dieta rica em cálcio, prática de exercícios físicos e medicamentos receitados pelo médico.

É possível prevenir? Sim. Por meio de hábitos saudáveis durante toda vida e o consumo das quantidades adequadas de cálcio e vitamina D e outros nutrientes diariamente.

*Clique na imagem abaixo para aumentar o tamanho do texto, caso seja necessário.

 

Tendinites e bursites: Desgaste incômodo

A maioria dos casos de tendinite e bursite surge de movimentos repetitivos do trabalho ou cotidiano. A confusão entre os dois problemas é bastante comum, afinal tendinite e bursite são ambas inflamações que apresentam sintomas bastante parecidos: além da dor, estão presentes nos dois casos um certo inchaço, calor e vermelhidão da área afetada. Outra semelhança é que, tanto para uma quanto para outra, o distúrbio pode surgir do esforço repetitivo cotidiano, sobrecarga (no trabalho ou prática esportiva) e falta de alongamento muscular.

Alvos distintos

Sendo assim, o que as diferencias? O real ponto de origem da dor. “Tendinite é a inflamação de um tendão, estrutura fibrosa como uma corda, que une o músculo ao osso. O tendão é mais fraco que osso e menos elástico do que o músculo. Portanto, em qualquer condição de atrito, sobrecarga ou uso abusivo por movimentos repetidos, geralmente é a estrutura que mais sofre. É mais frequente nos ombros, cotovelos, joelhos, tornozelos e pés”, explica a reumatologista Elisa Terezinha Hacbarth. Já a bursite é a inflamação da bursa, que pouca gente sabe do que se trata: “São pequenas estruturas em forma de uma bolsa ou saco, cheias de líquido sinovial, que servem como “almofadas” ou “amortecedores” para determinadas estruturas, a exemplo de tendões e proeminências ósseas. Elas atuam evitando o contato direto com estas estruturas, que poderiam ser lesadas pelo atrito constante”, complementa Elisa. Os locais mais atingidos pela bursite costumam ser ombros, cotovelos, quadril e joelhos.

Perigo diário

Junto com outras doenças, tendinite e bursite podem ser enquadradas no grupo das Lesões por Esforço Repetitivo (LER), que engloba os males causados por movimentos contínuos, em alta frequência e em posição incorreta, quando o aparecimento da dor é só uma questão de tempo. Operários que trabalham em uma linha de montagem industrial, por exemplo, estão mais sujeitos a esse risco, assim como quem passa todo o expediente diante de um computador (o que se tronou cada vez mais comum). Hoje, exclusivamente para ambiente profissional, passou-se a adotar o termo Doenças osteoarticulares Relacionadas ao Trabalho (DORT), uma vez que nem sempre o transtorno está relacionado a causa ocupacionais – alguém que excede por longas horas no joystick de um videogame, digitando mensagens no celular ou mesmo usando o computador como lazer também pode desenvolver LER, assim como um atleta que abusa dos movimentos com a raquete ao praticar tênis.

A solução envolve, obrigatoriamente, um tempo de repouso, além do uso de medicamentos anti-inflamatórios e aplicações de gelo ou calor (que irão estreitar ou dilatar os vasos sanguíneos do ponto atingido). Dependendo do estágio da doença, serão necessárias ainda sessões de fisioterapia e, em último caso, algum tipo de cirurgia corretiva. E não subestime o problema: o descaso pode levar até mesmo ao rompimento do tendão ou da bursa.

Dicas

Ajuda muito a se prevenir de tendinites e bursites hábitos como:

  • Ao trabalhar sentado, manter as costas eretas, apoiadas em um encosto confortável e os ombros relaxados
  • Para quem usa muito o computador, certifique-se de que o assento está na altura correta, assim como a distância do monitor
  • No trabalho ou lazer, faça interrupções em sua atividade a cada uma ou duas horas, no mínimo. Aproveite para caminhar, beber água ou fazer um lanche
  • Hidrate-se bastante ao longo do dia, pois a presença de água no corpo lubrifica as articulações
  • Nunca dispense os alongamentos antes, durante e depois da sua atividade. Eles relaxam a musculatura, aliviando a tensão. É pensando nisso que algumas empresas oferecem aos funcionários a ginástica laboral
  • Tendinites de ombros são mais comuns em quem realiza movimentos com os braços acima da linha dos ombros. Portanto, devem ter especial atenção professores, pintores e trabalhadores braçais.
  • Com o passar dos anos, é normal que os tendões fiquem mais rígidos. Portanto, com a chegada da idade, intensifique continuamente os cuidados.

Tendinite e bursite

O que é: inflamação do tendão ou da bursa.

Sintomas: dor,inchaço, calor e vermelhidão.

Como diagnosticar: exame clínico.

Principais tratamentos: repouso, remédios anti-inflamatórios e fisioterapia.

É possível prevenir? Sim, evitando movimentos repetitivos, adotando uma postura correta, alongando-se e fazendo pausas quando muito tempo em uma mesma atividade.

Lombalgia: dor nos quartos

A lombalgia também pode ser causada por um problema reumático. Um desconforto que incomoda bastante, impossibilitando até mesmo a realização de tarefas comuns do dia a dia, sendo um dos motivos que mais afastam trabalhadores de suas funções: Esta é a lombalgia, que se caracteriza como uma dor na região lombar, a área mais baixa da coluna, acima do quadril. Ela não é uma doença, mas concentra a maior parte de queixas de dores nas costas, chegando a acometer cerca de 80% da população mundial em alguma fase da vida.

A origem da dor lombar pode ter ligação com problemas relacionados a alterações urinárias, intestinais, ginecológicas e até emocionais. Porém, na maioria das vezes, a lombalgia surge devido a complicação no sistema musculoesquelético. Alterações na postura da coluna vertebral (escoliose, lordose, cifose) ou problemas específicos, como hérnia de disco, são algumas das causas. Portanto, pode ter sua origem em problemas articulares, sendo considerada, neste caso, um tipo de reumatismo.

Hérnia de disco

A hérnia discal lombar é uma das causas da lombalgia e lombociatalgia (quando há irradiação da dor no trajeto do nervo ciático). Ocorre, principalmente, entre os 40 e 50 anos, apesar de poder estar presente em todas as faixas etárias. Estima-se que de 2% a 3% da população acima dos 35 anos possa ser afetada. A lombalgia que tem a hérnia de disco como causa é classificada como crônica, já que a dor não é intensa, porém, persistente, diferentemente da lombalgia aguda, o famoso “mau jeito”, que aparece de repente, geralmente devido a um esforço físico. “Quando uma pessoa assume uma postura incorreta de forma constante e em atividades cotidianas, acaba sobrecarregando algumas estruturas de sustentação da coluna como músculos e ligamentos. Essa carga inadequada leva a quadros dolorosos e, de forma gradativa, vai degenerando discos e articulações, levando a quadros de dor crônica”, afirma o ortopedista Marco Antônio Ambrósio. A hérnia de disco nada mais é do que um deslocamento do conteúdo do disco intervertebral, por meio de sua membrana externa, e pode estar associada a algum trauma lombar ainda que banal, como durante atividades físicas. A má postura, o sedentarismo e o excesso de força com cargas são apontados como gatilhos para as dores. “Outros fator contribuinte são as horas a fio em frente ao computador. Isso porque a flexão lombar por tempo prolongado deve ser levada em conta, pois assim empurra-se o disco intervertebral para trás”, explica o neurocirurgião Eduardo Barreto.

Diagnóstico

Também conhecida como “dor nos quartos”, na maioria das vezes, a lombalgia por hérnia não é grave, mas gera desconforto ao andar, sentar, fazer exercícios ou após muitas horas em pé. Uma conversa com o ortopedista basta para diagnosticar o problema, porém, uma radiografia deve ser requerida para a confirmação da análise. Um estudo realizado pela Associação Internacional para Estudo da Dor mediu o grau de dores, dando nota de zero a 10 diante de determinado estado de saúde. A lombalgia vinda de uma lesão na hérnia disco ficou entre as doenças que receberam notas entre nove e 10, juntamente com cólica biliar, dor de parto e cólica renal.

Tratamento

A recuperação da coluna, mais especificamente da região acometida pela hérnia, depende de alguns fatores clínicos. Porém, de forma geral, o tratamento é conservador. De acordo com Eduardo, se não houver déficit neurológico ou uma dor incapacitante, o tratamento é clínico e com fisioterapia. Exercícios de fortalecimento dos músculos do abdômen e das costas, associados a alongamentos, além de hidroginástica e natação também previnem e reduzem as dores. “Eventualmente, são necessários procedimentos mais complexos e, nestes casos, destaco uma opção, a hidrodiscectomia, uma incisão, que é uma técnica moderna, feita sem anestesia e minimamente invasiva. O procedimento não provoca lesões e permite a rápida recuperação do paciente”, aponta o neurocirurgião Eduardo Barreto.

Previna-se

Algumas medidas são importantes para poupara a coluna e evitar uma hérnia de disco:

  • Evite carregar bolsas, mochilas e maletas pesadas
  • Procure alternar os ombros e braços nos quais leva bolsas e maletas
  • Use o encosto da cadeira para se apoiar quando estiver sentado
  • Não debruce sobre a mesa por longos períodos
  • Não fale ao telefone apoiando o aparelho somente entre a cabeça e o ombro
  • Evite usar o laptop na cama ou no sofá
  • Deixe o monitor do computador e a cadeira sempre em alturas confortáveis. O ideal é que os olhos estejam na altura do meio do monitor.

Lombalgia

O que é: dores na região lombar que têm como origem diversas causas, como a hérnia de disco.

Sintomas: desconforto e dores na região da coluna lombar.

Como diagnosticar: por meio de um exame de raio-x.

Principais tratamentos: O tratamento para a lombalgia deve ser feito sempre que houver uma crise da doença. Tomar um relaxante muscular e um anti-inflamatório, além de descansar e realizar alguns exercícios de alongamento muscular, são de grande ajuda. Isso ajuda a desinflamar a região, alongando os músculos, devolvendo a integridade da coluna. Mas, para evitar reincidências, o ideal é realizar exercícios como a natação, que fortalecem os músculos das costas e promovem a boa postura. Na fase aguda, a ginástica não é indicada, porém, após o final da crise, a prática regular de exercícios físicos apropriados é importante. Fisioterapia e, em casos mais graves, uma pequena incisão cirúrgica. Nas clínicas de fisioterapia existem aparelhos que atuam diretamente na dor, diminuindo o incômodo causado.

É possível prevenir? Sim. Por meio de exercícios físicos que fortalecem os músculos da coluna e evitando ações que sobrecarregam a região, como má postura de peso.

Outras doenças reumáticas que devem ser lembradas

Os distúrbios reumáticos apresentados até aqui representam as maiores queixas dos pacientes aos médicos, no entanto, existem outros menos conhecidos que também fazem parte do reumatismo. A seguir, conheça outras doenças e os seus riscos à saúde.

Febre reumática

Uma doença inflamatória que se desenvolve após uma infecção (geralmente faringites e amigdalites mal curadas), a febre reumática pode afetar o coração, articulações, pele e cérebro. “A febre reumática é o nome de uma doença que acomete crianças. O problema se caracteriza por dores articulares e envolvimento cardíaco”, informa o reumatologista Ari Halpern.

O distúrbio desenvolve-se, principalmente, até os 15 anos e, quanto mais jovem o paciente, maiores são as chances de sequelas graves.

Entre os principais sintomas da doença estão:

  • Dor abdominal
  • Febre baixa
  • Sopro cardíaco, se as válvulas do coração estiverem comprometidas
  • Dor nas articulações
  • Artrite (principalmente nos joelhos, ombros tornozelos e punhos)
  • Inchaços
  • Vermelhidão ou calor nas articulações
  • Nódulos cutâneos, entre outros que podem surgir.

Como a doença é de difícil diagnóstico, o médico poderá solicitar exames de sangue, para detectar algumas infecções; um eletrocardiograma, que consiste na avaliação elétrica da atividade cardíaca, entre outros, que podem ser avaliados como necessários pelo especialista. Uma vez identificado o problema, o tratamento engloba repouso absoluto, o uso de analgésico e anti-inflamatórios, assim como outros medicamentos que podem ser incluídos posteriormente. Em casos mais graves, quando a doença atinge o coração, o tratamento empregado pelo médico terá de ser mais efetivo.

Veja também:   Alergia Ocular - O inverno exige cuidados extras

Vasculites

Nada mais é do que o termo dado ao conjunto de doenças que têm em comum a inflamação na parede dos vasos sanguíneos. Devido ao processo inflamatório, as células do sistema de defesa do organismo são atraídas para esses vasos provocando um estreitamento deles e, consequentemente, uma dificuldade para passagem do sangue. Quando isso acontece, os vasos podem ter suas estruturas fragilizadas, propiciando a formação de aneurismas e hemorragias ou o aumento definitivo de sua espessura.Reumatismo-vasculites

As vasculites são classificadas em dois tipos:

Primárias: caracteriza-se pela agressão direta aos vasos sanguíneos, sendo o tipo mais raro.

Secundárias: as causas mais comuns são as infecções causadas por vírus, reações alérgicas a alguns medicamentos, entre outros.

Os sintomas das vasculites dependem do comprometimento dos vasos pela inflamação, assim como dos órgãos afetados, tais como rins, articulações, sistema nervoso central e vias respiratórias. Os sinais iniciais podem incluir febres, perda de apetite, emagrecimento e mal-estar, podendo evoluir para dores abdominais e nas juntas, urina escura ou com sinais de sangue, tromboses e até aparecimento de manchas vermelhas na pele.

Assim como na febre reumática, não é fácil estabelecer um diagnóstico preciso, já que os sintomas variam do início da doença até quando ela se encontra em estágio avançado. Entretanto, o médico levará em consideração o histórico do paciente, os sintomas, além dos resultados dos exames solicitados para identificar o problema.

Após o diagnóstico, o tratamento, basicamente, consistirá em reduzir a inflamação nos vasos sanguíneos. Em vários casos de vasculites, os pacientes respondem bem aos medicamentos anti-inflamatórios. No entanto, em situações mais graves, será necessário o emprego de drogas imunossupressoras – aquelas utilizadas em pessoas transplantadas, a fim de evitar a rejeição do órgão recebido – para destruir as células do sistema de defesa que estão causando a inflamação.

Síndrome da fadiga crônica

Caracterizada por um cansaço extremo, a fadiga crônica, na maioria das vezes, se instala após uma inflamação, que pode ser uma gripe ou um resfriado, por exemplo, e está mais presente em mulheres. Por motivos desconhecidos, a infecção é eliminada, no entanto, deixa para trás sintomas como indisposição, fadiga e fraqueza muscular, que melhoram durante um tempo, mas tendem a voltar a incomodar por meses ou, até mesmo, anos.

Não existem exames laboratoriais específicos para identificar a disfunção, porém, considera-se portador da síndrome todo paciente com fadiga persistente, que apresente também sintomas, como dor de garganta: gânglios inflamados e doloridos, dores musculares, sono excessivo, entre outros.

Por ter causas ainda desconhecidas, não existe um tratamento específico para a síndrome, porém, o médico indicará medicamentos anti-inflamatórios pata dores musculares, assim como antidepressivos para melhora a qualidade do sono. Manter uma vida com hábitos saudáveis, tais como uma alimentação equilibrada, a prática regular de atividade física, e afastar vícios como o cigarro e as bebidas alcoólicas, também podem ajudar no tratamento.

Febre reumática

O que é: é uma doença inflamatória que pode afetar coração, articulações, pele e cérebro.

Sintomas: dor abdominal, febre baixa, sopro cardíaco (é um ruído produzido pela passagem do fluxo de sangue através das estruturas do coração), dor nas articulações.

Como diagnosticar: exames de sangue, eletrocardiograma, entre outras.

Principais tratamentos: repouso absoluto e o uso de analgésico e anti-inflamatórios.

É possível prevenir? Para evitar o problema, é necessário combater rapidamente doenças como faringites e amigdalites.

Vasculites

O que é: conjunto de doenças que têm em comum a inflamação na parede dos vasos sanguíneos.

Sintomas: febre, perda de apetite, emagrecimento, dores abdominais e nas juntas, urina escura ou com sinais de sangue, tromboses e manchas vermelhas na pele.

Como diagnosticar: histórico do paciente, sintomas, avaliação clínica e os resultados dos exames solicitados para identificar o problema.

Principais tratamentos: medicamentos anti-inflamatórios ou drogas imunossupressoras.

É possível prevenir? Hábitos corretos de higiene e a adoção de uma vida mais saudável podem ajudar na prevenção.

Fadiga crônica

O que é: um cansaço extremo. A síndrome da fadiga crônica é uma doença caracterizada pela fadiga extrema, que não pode ser explicada por nenhuma condição médica subjacente. Nesta síndrome, a fadiga costuma piorar com a atividade física ou mental, mas também não melhora com o repouso.

Sintomas: Indisposição, fadiga, fraqueza muscular e sonolência contínua, perda de memória ou de concentração, garganta inflamada, aumento dos gânglios linfáticos no pescoço ou nas axilas, dor muscular inexplicável, dor nas articulações, principalmente quando a dor migra de uma articulação para outra, sem apresentar, no entanto, nenhum sinal de inchaço ou vermelhidão na área afetada, dor de cabeça, sono recorrente e intermitente,exaustão extrema que dura mais de 24 horas após o exercício físico ou mental.

Como diagnosticar: A fadiga pode ser um sintoma de muitas doenças, que vão desde infecções a distúrbios psicológicos. Em geral, a consulta com um médico é importante para determinar justamente a causa subjacente à fadiga. No entanto, quando a fadiga apresentada é muito forte e persistente, a recomendação é que se procure um especialista o quanto antes.

Principais tratamentos: Não existe um específico, mas medidas paliativas como a recomendação de anti-inflamatórios para as dores musculares, assim como antidepressivos para melhorar a qualidade do sono.

É possível prevenir? Não, mas adotar uma vida com hábitos saudáveis pode ajudar.

Aliados importantes: os tipos de remédios empregados no combate ao reumatismo

Quais recursos farmacológicos estão à disposição de quem vive na pele de alguma da série de doenças compostas pelo reumatismo? Se, por um lado, os seguidos avanços da medicina ainda não propiciaram uma solução definitiva, por outro, já é possível viver com qualidade e sem grandes restrições. Tudo depende, como em qualquer tratamento, da adesão dos pacientes àquilo que foi proposto pelos médicos. Saiba mais sobre os remédios adotados nesses casos e seus efeitos no corpo.

Analgésicos

São usados rotineiramente para os mais diferentes males: dores de cabeça, nevralgia, cólicas menstruais, dores musculares, e uma lista extensa de outros incômodos menores. Por surtirem efeito moderado, são vendidos nas farmácias sem receita médica, o que explica sua popularidade, sobretudo da aspirina, o mais conhecido de todos. Mesmo assim, o seu consumo não está totalmente livre de contraindicações (a própria aspirina, por exemplo, eventualmente traz complicações para quem sofre de úlceras estomacais). Diante de doenças ligadas ao reumatismo, os analgésicos podem até propiciar alívio nos estágios iniciais da dor, mas não terão algum efeito além disso – o mesmo acontecendo quando as dores forem resultantes de qualquer outra coisa mais séria.

Anti-inflamatórios

Quase sempre, estão presentes nos tratamentos das doenças reumáticas. Seu efeito é o de inibir a produção de prostaglandina, substância mediadora da resposta inflamatória e diretamente relacionada com a dor. No entanto, esse tipo de medicamento provoca reações adversas, sobretudo no tubo digestivo, o que torna seu uso indicado somente em crises intensas. “O ideal é encontrara a causa da dor e tratá-la diretamente, pois os anti-inflamatórios não são seguros por mais do que três meses. A partir daí, os efeitos colaterais são cumulativos. Podem levar ao risco de sangramento no estômago e insuficiência renal”, alerta o reumatologista José Ribamar Moreno.

Um exemplo conhecido de anti-inflamatório é o cortisona. Quando foi desenvolvida, ainda na metade do século passado, parecia ser a cura para o reumatismo, uma vez que os sintomas, desapareciam completamente. Porém, foi descoberto que, com o tempo, o organismo se torna mais resistente à sua ação e requer doses maiores. “A cortisona, apesar de ser potente, apresenta efeitos colaterais que podem ser graves, como osteoporose, catarata, hipertensão arterial, fraturas precoces, obesidade e diabetes. Assim, sua utilização é sempre restrita ao médico experiente, visando resultados adequados com o mínimo de danos”, pondera a reumatologista Elisa Terezinha Hacbarth.

Imunossupressores

Levando ao pé da letra o termo, são medicamentos que bloqueiam a reação natural do sistema imunológico e, por tabela, as inflamações. Eles inibem a produção de citocinas pelos linfócitos, as células mais envolvidas nos processos inflamatórios, impedindo a progressão dos sintomas. Dessa forma, as respostas automáticas do organismo podem ser controladas. Ainda assim, é preciso destacar que não se trata da cura para o reumatismo, mas sim uma ferramenta para ser usada em conjunto com os anti-inflamatórios.

Direto ao ponto

Os remédios biológicos compõem um campo recente na ciência médica, mas já mostram bons resultados quando se trata da área da reumatologia – e são promissores também para neurologia, dermatologia e gastroenterologia. A engenharia genética já permite a elaboração de fórmulas com ação específica sobre uma determinada molécula responsável pela inflamação. É um processo oposto ao que ocorre na quimioterapia, em que, para atacar as células cancerígenas, as células saudáveis ao redor também são afetadas. Vale se informar com seu médico a respeito, pois alguns desses medicamentos já são oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou por convênios particulares.

Orientações médicas

Como já foi dito, anti-inflamatórios têm de ser empregados apenas por um período de tempo limitado, do contrário irão provocar reações adversas. Isso deve servir como um alerta para quem costuma se automedicar, não só quando o problema é reumatismo, mas também outras dores crônicas, a exemplo da enxaqueca. Levantamento feito pelo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) estima que 76.4% dos brasileiros costumam se automedicar – desses, 32% aumentam por conta própria as doses prescritas pelo médico, o que também é considerado como automedicação. Quanto aos analgésicos, mesmo sendo remédios com efeitos mais leves no organismo, o abuso igualmente traz consequências nocivas.

Cuidados alternativos

Acupuntura e plantas medicinais colaboram para amenizar os sintomas das doenças reumáticas. Por serem consideradas crônicas, isto é, incuráveis, muitas pessoas acabam procurando terapias complementares a fim de amenizarem as dores das doenças reumáticas. Somente elas não são capazes de tratar o reumatismo, mas sim, potencializam o alívio combinado com os cuidados clínicos.

Acupuntura

A técnica milenar, que surgiu nos primórdios da civilização chinesa, envolve o uso de pequenas agulhas – e é recomendada pela própria Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma forma de tratamento complementar para diversos males, inclusive as dores crônicas. Referente ao reumatismo, o método surte efeito, principalmente, no alívio das dores, além de atuar nos sistemas imunológico e endócrino, melhorando, assim, diversos sintomas. “A acupuntura promove o equilíbrio energético, físico e emocional. A base do tratamento é que todas as doenças começam com um desequilíbrio energético em algum ponto que, quando não é tratado, evolui para uma doença. No tratamento fazemos uma avaliação para saber qual o desequilíbrio específico daquele paciente, pois existem muitos tipos. Mesmo em casos em que não há uma doença, a acupuntura trabalha nesses pequenos desequilíbrios de energia, evitando que posteriormente se tornem doenças”, explica a naturóloga e acupunturista Tylá Pillotto.

Não existe um período padrão para que possa surtir efeitos, porém, recomenda-se três meses de acompanhamento, em média. “Para um melhor resultado, é importante que a acupuntura esteja integrada com outros tratamentos, evitando um uso abusivo e isolado de analgésicos e anti-inflamatórios”, explica o neurologista e acupunturista Fabio Sawada Shaiba.

Basicamente, a acupuntura se dá por meio da aplicação das agulhas em determinados pontos do corpo considerados energéticos. No entanto, existem algumas variações, como a eletroacupuntura, em que pequenas agulhas metálicas penetram a pele e alcançam a camada exterior da musculatura. A diferença, nesse caso, está no auxílio da corrente elétrica. A técnica inibe os hormônios transmissores da dor e é especialmente recomendada para osteoartrite, artrite reumatoide e reumatismo de partes moles (músculos, ligamentos e tendões).

Fitoterapia

Muitos dos medicamentos usados no tratamento das doenças reumáticas podem provocar problemas gástricos. Uma opção para aliviar este problema é fazer uso da fitoterapia, isto é, utilizar algumas plantas e ervas que ajudam a aliviar as dores por meio de ingestão de chás. O período da ingestão, bem como o número de vezes em que se deve fazer uso das ervas, varia de pessoa para pessoa e de acordo com cada doença. Para atingir o efeito desejado sem colocar a saúde em risco, o ideal é seguir as orientações de um fitoterapeuta.

As principais plantas indicadas para reumatismo são:

  • Angélica
  • Mulungu
  • Gengibre fresco Erva-de-passarinho
  • Abóbora-d’anta
  • Marapuama
  • Canela em casca
  • Ginseng
  • Alcaçuz

Cuidados

Antes de iniciar qualquer terapia é preciso passar por uma avaliação médica e deixar claro o uso de algum medicamento ou a presença de alguma doença. No caso da acupuntura, quem faz uso de remédios anticoagulantes deve avisar o especialista, já que o agulhamento profundo pode provocar sangramentos. Outro cuidado é não ir a uma sessão em jejum prolongado. Pessoas que têm medo de agulhas também devem evitar o método, já que correm o risco de desmaiar. Já se tratando da fitoterapia, é preciso atenção às contraindicações de cada erva.

Orientação profissional

Da mesma forma como os tratamentos tradicionais, o uso de acupuntura e fitoterapia deve ser acompanhado por especialistas. Cada organismo é único e, por isso, precisa receber atenção individualizada para que o tratamento tenha êxito. Além disso, é preciso ficar atento à capacitação do profissional. Antes de se consultar, procure referências e saber qual a titulação do especialista.

Psicológico afetado

Distúrbios como ansiedade e estresse podem desencadear a piora das crises vindas de doenças reumáticas. Em muitos casos derivados de problemas reumáticos, tais como artrite, fibromialgia e lombalgia, é possível ouvir do médico diagnósticos um tanto quanto diferentes: estresse ou ansiedade, dentre outros distúrbios psicológicos. Além das questões fisiológicas, tais como a má alimentação, esforços físicos excessivos e repetitivos ou até mesmo o fator genético, é preciso se atentar também aos sentimentos de cada um. Mas será mesmo que eles podem influenciar nas dores que o paciente sente, fisicamente? O psicoterapeuta Robby Ares tem a resposta: “Existem as questões relacionadas aos aspectos emocionais. As posturas comportamentais e mentais, refletidas no corpo físico, como a pouca flexibilidade, exercem forte influência, já que o corpo responde na mesma medida por meio de doenças como artroses, artrites e outras”, salienta.

Entenda a relação

Naturalmente o processo de dor faz com que os níveis de endorfina (hormônio responsável pelas sensações de prazer e bem-estar no organismo) diminuam, e isso pode fazer com que o paciente passe a apresentar quadros ansiosos ou até mesmo depressivos. “A falta desta substância provoca uma reação em cadeia no cérebro e esgota outras substâncias que controlam as emoções, em uma região do cérebro conhecida como giro do cíngulo”, aponta o neurocirurgião Eduardo Barreto. Muitas vezes, a pessoa que sofre com dores constantes passa a se sentir mais deprimida, devido ao grande incômodo que as doenças reumáticas proporcionam. Isso pede que não só o tratamento físico seja iniciado imediatamente, mas que a mente da pessoa também seja tratada adequadamente, por meio de visitas ao divã. “A pessoa que sofre com dores crônicas deve buscar apoio psicológico e psicoterapêutico, pois o auxílio poderá ajudá-la a aprender a conviver com a dor crônica, no caso da doença já estar manifestada fisicamente”, completa Eduardo.

Invertendo os papeis

A preocupação excessiva com as dores causadas pelo reumatismo também pode fazer com que o paciente sinta-se mais triste e estressado. Por isso, alguns distúrbios psicológicos têm origem neste tipo de incômodo, que insiste em lembrar ao seu portador sempre que uma crise resolve aparecer. “Independentemente da origem da dor crônica, ela pode sim gerar nervosismo excessivo devido à preocupação constante e por conta do desgaste e limitações físicas impostas pela dor, além da possível mudança de comportamento gerada pelo processo de conscientização e enfrentamento do processo”, explica Ares.

A palavra-chave é: prevenção!

Estar com as emoções sob controle proporciona não só um risco a menos para as doenças reumáticas, mas também faz com que a rotina seja muito mais leve e feliz. Por isso, prevenir os distúrbios psicológicos é uma atitude que deve ser colocada em prática diariamente. “Devemos prestar atenção no equilíbrio entre nossos pensamentos, sentimentos, palavras e atitudes, que devem ser coerentes e harmoniosos. O conflito entre essas partes, em especial entre os sentimentos e pensamentos, são sinais de conflitos internos que se manifestarão na maneira como nos expressamos em palavras e atitudes”, aconselha o psicoterapeuta Robby Ares.

Questão de hábitos: alguma atitudes que podem piorar o quadro das doenças reumáticas

O desenvolvimento do reumatismo, muitas vezes, não pode ser evitado. No entanto, com o surgimento do problema, existem alguns agravantes que devem ser prevenidos, a fim de garantir o sucesso do tratamento e mais qualidade de vida. A seguir, confira quais são e como eles estão relacionados aos distúrbios.

Cigarro

Considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a maior causa de morte evitável, o tabagismo mata cerca de 5 milhões de pessoas por ano. desenvolvimento de câncer, bronquite, envelhecimento precoce, entre outros, são alguns dos problemas acarretados pelo hábito de fumar. Como se não bastasse, o cigarro também é apontado como um dos fatores de risco para o desenvolvimento de doenças reumáticas. Um estudo chamado “As consequências de fumar para a saúde – 50 anos de progresso” realizado nos Estados Unidos, mostrou que o tabagismo tem influência sobre o processo inflamatório da artrite reumatoide, já que prejudica a função imunológica, além de inibir a ação de vários medicamentos. Por isso, quem sofre dessa doença, assim como quem preza por mais saúde, deve passar bem longe do cigarro.

Obesidade

Estar acima do peso, além de favorecer o desenvolvimento de doenças como diabetes, colesterol alto e hipertensão, pode ser um fator primordial para a evolução das doenças reumáticas. Isso porque o excesso de peso tende a causar uma sobrecarga sobre o corpo, acelerando o processo de degeneração das articulações. Por isso, conservar o ponteiro da balança dentro do recomendado é primordial.

Sem ficar parado

Manter a mesma posição por muito tempo, como ficar sentado, é uma atitude que agrava os sintomas das doenças reumáticas. Quando a pessoa fica parada por um longo período, há um grande acúmulo de líquido no interior da articulação inflamada, favorecendo a dor. Mesmo em pé, podemos ter problemas de posicionamento, o que afetará a coluna e causará dor. Para amenizar o problema algumas atitudes podem ser tomadas:

  • Se você trabalha em frente ao computador, faça pequenos alongamentos de tempos em tempos e tente não ficar o tempo todo sentado.
  • Se for viajar de carro, faça paradas no caminho para fugir da mesma posição
  • O famoso espreguiçar ao acordar é fundamental após uma noite inteira no mesmo lugar.
  • Mesmo sentado, faça movimentos. Quando se tem muito trabalho, às vezes não sobra tempo para fazer uma pausa para o cafezinho. Nessas situações, a pessoa deve se movimentar mesmo sentado. Sempre que possível, mexa e estique os joelhos para evitar problemas na região a longo prazo. Gire os pés e tornozelos para os dois lados, faça movimentos para cima e para baixo com as mãos e alongue braços, ombros e pescoço. Por fim, procure arrumar sua postura todas as vezes que se lembrar
  • Lavar louças: para que a coluna não seja prejudicada, a pia deve se manter na altura do umbigo. O ideal é que ela esteja cerca de 90 cm do chão. Caso o contrário, você pode contar com ajuda de um banquinho na hora de lavar a louça, mas lembre-se de manter a coluna sempre ereta.
  • Passar roupa: Ajuste a tábua em uma altura confortável para evitar que você fique se curvando. Ombros e pescoço devem sempre ficar relaxados. Deixe um banquinho mais baixo por perto e apoie um dos pés nele de vez em quando, conforme sentir cansaço.
  • Carregar peso: Se você precisa pegar um objeto no chão, o ideal é flexionar os joelhos e manter a coluna o mais reta possível. Mantenha os cotovelos encostados no tronco ao máximo ao pegar peso. Levante o peso usando os músculos das pernas e do bumbum e carregue caixas com as duas mãos.

Mudanças já!

Um dos fatores de risco para o início das doenças reumáticas é o avanço da idade. Neste período, algumas atividades rotineiras, como abaixar para pegar algo no chão ou descer uma escada, podem se tornar extremamente desgastantes. Assim, fazer pequenas mudanças dentro de casa (como adaptadores para utensílios domésticos e a colocação de barras no banheiro, para ajudar no apoio do paciente) se tornam importante, a fim de evitar que o quadro da dor seja agravado.

Ajuda da alimentação

Assim como é fundamental evitar os hábitos abordados acima, também é essencial adequar a alimentação, incluindo nutrientes que podem amenizar os danos causados pela doenças reumáticas, caso da vitamina D. “Ela está relacionada com diabetes, doença celíaca, vitiligo, artrite reumatoide e esclerose múltipla. Em muitos pacientes, quando suplementados com vitamina D (ou até mesmo estimulando a produção da vitamina por meio da exposição solar), consegue-se um resultado satisfatório no tratamento dessas doenças”, destaca a nutricionista Camila Borduqui. Além disso, a vitamina está diretamente ligada à melhor absorção de cálcio, nutriente que fortalece a estrutura óssea, evitando o desenvolvimento de osteoporose.

Quantidade ideal: 5 microgramas de vitamina D por dia é o ideal para obter benefícios.

Corpo saudável: as atividades físicas promovem grandes mudanças no corpo, dentre elas, a prevenção e o tratamento de doenças reumatológicas.

A grande relevância que os exercícios físicos têm na saúde é algo indiscutível. Responsáveis por controlar o peso corporal, aumentar a disposição e muitos outros benefícios superimportantes, nunca é tarde demais para começar a se mexer, principalmente quando se está tratando uma doença reumatológica. “Atualmente, não basta viver muito em termos de quantidade. É preciso que esses anos tenham qualidade e que proporcionem independência. Para que isso possa acontecer, são necessários hábitos saudáveis, dentre eles, a prática regular de atividades físicas”, aconselha o educador físico e especialista em fisiologia do exercício Rodrigo Luiz Vancini.

Veja também:   Balão intragástrico - Como Funciona

Bate-papo no consultório

Embora os benefícios proporcionados pelos exercícios sejam considerados indispensáveis para todos que buscam por maior qualidade de vida, é preciso aconselhar-se com o médico antes de tomar qualquer decisão. Isso porque caso o paciente esteja em tratamento de alguma doença reumática, é de extrema importância a realização de exames para saber o grau no qual o distúrbio se encontra. Em casos mais avançados de certas doenças, alguns exercícios podem não ser recomendados, pois poderiam resultar em uma piora do quadro. Sendo assim, a informação médica deve prevalecer em primeiro lugar: seja em caso de fibromialgia, artrites, artroses, tendinites, lombalgias ou qualquer outra doença, é preciso antes de tudo, conhecer os estágios nos quais elas se apresentam para não sofrer com consequências negativas. “O exercício é fundamental devido à sua capacidade de aumentar a massa muscular e óssea, assim como ganho de mobilidade e força muscular que, ao longo da vida, vamos perdendo”, esclarece Thiago Martinez, educador físico.

Contra as dores

Embora existam alguns incômodos na hora de colocar os exercícios em prática, quem possui qualquer tipo de doença reumática não deve poupar esforços para abandonar o sedentarismo. Quanto mais tempo as articulações ficam paradas, elas acabam “enferrujando”, o que cria uma certa rigidez. Quando são realizadas atividades físicas, existe uma melhora significativa das dores, além de fortalecer o corpo para evitar com que outros males possam aparecer. Mas atenção: um acompanhamento especializado é indispensável para manter a saúde em ordem. Com base nos exames realizados, o educador físico responsável poderá criar um plano de exercícios adequado para a limitação em questão, fazendo com que nenhuma articulação seja prejudicada pelo esforço, mas sim, fortalecida. “O corpo humano é uma máquina que, se não for colocada para funcionar, enferruja. A inteligência pode aumentar com o passar dos anos e nada impede que a condição física possa aumentar também”, diz Marcos Paulo Rosmaninho, personal trainer.

Ossos frágeis?

No caso da osteoporose, existem sempre grandes dúvidas sobre os exercícios físicos que podem ser desempenhados pelos portadores da doença. É importante resultar que eles podem sim ser feitos por quem convive com a doença, porém, com cautela. “O imobilismo torna deficitários dois mecanismos importantes de regulação do metabolismo ósseo: a contração muscular e a descarga de peso sobre os ossos. Com a contração muscular, durante os exercícios, há o estímulo à formação do osso pela ativação das células osteoblásticas e da entrada de cálcio”, salienta a educadora física Arinda Cerqueira. Sendo assim, quando a contração da massa muscular está escassa no organismo, é possível que se desenvolva uma perda significativa de massa óssea.

O importante é se mexer!

Seja por meio de atividades aeróbicas ou que exijam força, o essencial mesmo é não ficar parado. “A prática de atividade física aeróbica trabalha a resistência cardiorrespiratória, enquanto os exercícios de força muscular trabalham a aptidão musculoesquelética. Os dois se mostram importante para um envelhecimento com qualidade, minimizando perdas funcionais e fisiológicas nos diferentes sistemas do organismo que, por ventura, possam acontecer ao longo dos anos”, salienta Vancine.

Em busca de alívio

A fisioterapia apresenta resultados confiáveis diante das dores causadas pelo reumatismo. A principal função da fisioterapia é atuar na prevenção e tratamento de distúrbios que prejudicam os movimentos do corpo, o que acaba acontecendo com os portadores de artrite, artrose, osteoporose, fibromialgia, tendinites, bursites e demais males que compreendem as doenças reumáticas. “Estima-se que existam no Brasil mais de 15 milhões de pessoas acometidas por doenças reumáticas, acarretando, além de um sofrimento pessoal, uma grande sobrecarga socioeconômica para o país”, ressalta a fisioterapeuta Fernanda Mexas.

Ferramentas fisioterapêuticas

A fisioterapia dispõe de diferentes técnicas para tratar o reumatismo. Cada uma delas com um foco diferente e que será empregada ou não conforme o caso. “As doenças reumáticas possuem necessidades especiais nas suas diferentes etapas. Um paciente em uma fase aguda de processo inflamatório deve ser tratado diferente daquele que apresenta uma doença crônica, sem inflamação, mas com atrofia muscular. O fisioterapeuta fará uma avaliação completa e de acordo com o quadro clínico, idade e fase da doença, os recursos utilizados serão eleitos. As contraindicações irão depender do paciente”, complementa Fernanda.

Estão entre os principais recursos disponíveis de fisioterapia:

Crioterapia: consiste no uso sobre a pele de sacos de gelo ou bolsas de gel resfriadas, com o objetivo de estimular os vasos sanguíneos a se contraírem, diminuindo o fluxo de sangue que passa por eles. Embora a queda de temperatura dificulte a realização de movimentos, ela também tem como resultado a diminuição do processo inflamatório.

Ultrassom: as ondas emitidas pelo aparelho provocam compressão e expansão do tecido, deixando as membranas das células mais permeáveis, o que facilita a troca de substâncias entre elas. O método favorece a circulação sanguínea, o relaxamento muscular e a capacidade regenerativa dos tecidos. Pode ser associada com a crioterapia.

Diatermia: diferentes tipos de eletrodos ondas de curta frequência que elevam a temperatura do local de aplicação, o que, por sua vez, aumenta o fluxo sanguíneo e o metabolismo. Ocorre uma diminuição da rigidez das articulações, além de uma melhora na reparação dos tecidos. O resultado é o alívio da dor e de espasmos musculares. No entanto, o método é contraindicado para grávidas.

Infravermelho: funciona com lâmpadas de filamentos de materiais especiais, que emitem um determinado tipo de radiação, capaz de provocar um aquecimento intenso e rápido. O local escolhido recebe mais oxigenação e ocorre uma ação sedativa sobre os nervos. Pode ser usado antes da condução elétrica da diatermia para aumentar sua velocidade. Porém, não deve ser aplicado em feridas abertas, pois desidrata os tecidos.

Massoterapia: compreende técnicas de massagem que atuam sobre a circulação sanguínea e o sistema linfático (rede de vasos e nódulos que transportam fluidos de um tecido para outro), removendo produtos tóxicos da fadiga e inflamação. Ainda apresenta efeitos benéficos na hora de lidar com a ansiedade.

Cinesioterapia: são os movimentos realizados pelo próprio paciente, ou contração muscular voluntária. Além de proporcionarem força muscular também favorecem a reparação dos tecidos. Nesse caso, é normal uma certa ardência, que deve cessar tão logo termine o exercício. Devem ser executados com consciência e controle da respiração, o que garante a longo prazo flexibilidade muscular e estabilidade para as articulações.

Hidroterapia: os princípios da cinesioterapia também podem ser aplicados em uma piscina. As propriedades diferentes da água interferem nos movimentos e dão ao paciente uma sensação de leveza e facilitam a execução dos movimentos, além de estimularem o equilíbrio corporal e a noção de espaço. A água quente aumenta as frequências cardíaca e respiratória.

Versátil

Uma das vantagens da fisioterapia é poder ser adaptada para qualquer tipo de paciente. No entanto, sozinha, ela não obterá os melhores resultados. “O indivíduo deve controlar a doença com terapia medicamentosa também, pois a fisioterapia não trará a cura, mas irá prepará-lo para enfrentar seus sintomas melhorando a capacidade funcional e propiciando qualidade de vida”, garante a fisioterapeuta Gabriela Cristina Raggi. A indicação médica não é obrigatória, porém, o diálogo entre profissionais de diferentes áreas faz muita diferença. “Como a fisioterapia é somente um dos recursos de tratamento, é muito importante que a pessoa acompanhe o caso com um reumatologista e que ele e o fisioterapeuta conversem sobre o seu tratamento”, destaca Gabriela.

Adeus inflamações

Contar com a ajuda da alimentação é uma ótima ideia quando se trata de prevenir e amenizar as crises de doenças reumáticas. Inimigos de inflamações e inchaços, uma vasta lista de alimentos considerados funcionais pode agir contra os efeitos negativos do reumatismo. “De maneira geral, os alimentos funcionais são considerados promotores de saúde e podem estar associados com a diminuição dos riscos de algumas doenças crônicas”, conta a nutricionista Carolina marques. A seguir, é possível conferir alguns alimentos com propriedades anti-inflamatórias, tais como suas outras ações em prol da saúde:

Abacate

Muito rita nutricionalmente, a fruta desempenha um poderoso papel anti-inflamatório no organismo. Além de contar com a presença de ômega 3 em sua composição, ácido graxo essencial que combate os sintomas da artrite reumatoide por conta de seu potencial anti-inflamatório, o abacate ainda é rico em fitoesteróis e outras substâncias que auxiliam no combate a inflamações.

Alho

O bulbo é famoso por proporcionar benefícios ao sistema cardiovascular, ou seja, combate a pressão alta e desempenha poderosas ações antioxidantes, por meio de um composto chamado alicina. “o alho contém alicina e quercetina, substâncias que desempenham ações imunoestimulantes, antibacterianas, antivirais e anti-inflamatórias, além de reduzir o colesterol e os triglicerídeos”, conta a nutróloga e médica ortomolecular Tamara Mazaracki.

Azeite

Excelente anti-inflamatório e antioxidante, ele é um acompanhamento ideal para saladas e outros pratos. “O azeite também auxilia na neutralização dos radicais livres, ajudando a combater o envelhecimento das células e diminuindo as chances de desencadear alguns tipos de doenças como o câncer”, explica a nutricionista Luana Vasconcelos.

Batata-doce

O alimento conhecido por integrar dietas fitness também possui vantagens contra as doenças reumáticas. Rica em vitamina A, a batata-doce tem uma grande participação na regeneração celular, além de contribuir para a boa atuação das defesas corporais, o que potencializa o sistema imunológico. Mas um de seus principais benefícios contra o reumatismo é a capacidade de manter um crescimento ósseo saudável e evitar a degeneração das articulações, já que a deficiência da vitamina no organismo pode culminar nesses dois problemas.

Brócolis

Além de ser muito saboroso e conter uma vasta lista de qualidades nutricionais, o brócolis também possui ação contra as inflamações, devido à presença de sulforafanos, fitoquímicos que inibem o seu desenvolvimento. Além disso, a presença de cálcio, em altas concentrações, auxilia na saúde dos ossos e atua na prevenção de uma das mais perigosas doenças reumáticas: a osteoporose. “O brócolis possui substâncias antioxidantes e´e rico em fibras, atuando na redução da hipertensão e combatendo a prisão de ventre. É fonte de cálcio, atuando na prevenção da osteoporose e na formação dos ossos e dentes, sendo importantes para idosos, crianças, adolescentes e gestantes”, ressalta a nutricionista Tereza Labanca.

Chá verde

A concentração de catequinas, polifenóis que atuam contra as infecções e inflamações de doenças com poder degenerativo, faz do chá verde um grande aliado na luta contra o reumatismo. “O chá verde é antioxidante e possui capacidade de desintoxicar o organismo, pois ativa enzimas do fígado que eliminam as toxinas. A bebida ainda é rica em polifenóis, como as catequinas”, completa a nutricionista Greice Caroline Baggio.

Chia

A semente é muito poderosa, pois promove ganhos importantes à saúde. “A chia é uma das melhores fontes vegetais de ômega 3. Ela é considerada um superalimento por conter muitos benefícios à saúde e, em particular, pela presença de ômega 3, que combate as inflamações do organismo”, explica a nutricionista Robena Molinari. Além disso, a chia mostra-se eficaz na prevenção de doenças cardiovasculares, diabetes e até mesmo em alguns tipos de câncer.

Couve

A hortaliça faz parte da lista de alimentos anti-inflamatórios por possuir um alto potencial antioxidante, que auxilia o organismo a combater os radicais livres e a fortalecer as defesas do corpo, desempenhando ações preventivas contra agentes invasores que possam desenvolver uma possível inflamação. “O poder antioxidante da couve se deve ao seu elevado teor de vitamina C. Por ser antioxidante, seu consumo reduz risco de câncer e de doenças cardiovasculares, além de contribuir para a saúde da pele”, acrescenta a nutricionista Analuiza Nogueira dos Santos.

Gengibre

A característica mais marcante da raiz, sem dúvida, é a sua picância. A substância responsável pelo sabor exótico é denominada gingerol, que traz consigo uma qualidade muito importante: a de prevenir as inflamações. “O gengibre apresenta uma substância chamada gingerol, dotada de propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias que protegem o organismo de bactérias e fungos”, salienta o nutrólogo André Veinert.

Linhaça

A semente, em si, já promove grandes benefícios ao organismo, como a regulação do intestino e o combate ao colesterol ruim (LDL) por meio da alta concentração de fibras. Já quando ela é consumida em forma de óleo, os ácidos graxos são mais aproveitáveis, o que se torna um prato cheio contra as inflamações. “No óleo, é possível encontrara ácidos graxos que atuam de maneira benéfica na inflamação, na redução do colesterol e na saúde do coração. Portanto, quando se consome o óleo da semente de linhaça, seus benefícios serão garantidos com maior efetividade”, esclarece a nutricionista Lilian Speziali.

Mamão

Conhecido por facilitar o trânsito intestinal, a fruta é rica em papaína, uma enzima que desempenha grandes benefícios na melhora de áreas inflamadas. “O mamão contém papaína, enzima que facilita a digestão. Quando a fruta é ingerida em jejum, também é eficaz contra o diabetes”, complementa a nutricionista Daniela Jobst.

Morango

De família das frutas vermelhas, possui ácido elágico que, além de antioxidante, ainda desempenha ações anticancerígenas. “As frutas vermelhas também são ricas em antocianinas, substâncias com ação antioxidante e anti-inflamatória, que combatem o envelhecimento precoce e previnem doenças”, explica Carolina.

Nozes

A oleaginosa é altamente eficaz contra as inflamações, já que contém ômega 3 e demais substâncias essenciais ao organismo. “Todas as oleaginosas Contêm altas concentrações de ácidos graxos essenciais, mono e poli-insaturados, e diversas vitaminas e minerais, destacando-se as do complexo B, folato, vitamina E, magnésio, potássio, cobre, cálcio, ferro, manganês e selênio”, finaliza a nutricionista Isabel Jereissati.

É preciso evitar

Para prevenir as doenças reumáticas ou aliviar seus sintomas, os alimentos considerados pró-inflamatórios (aqueles que facilitam o processo de inflamações no organismo) devem ser retirados do cardápio. Alguns exemplos são:

  • Carne suína
  • Alimentos processados (como pratos congelados)
  • Embutidos (salsichas, salame, mortadela)
  • Farinha branca
  • Refrigerantes
  • Bebidas alcoólicas
  • Frituras

Você sabia?

Foi descoberto mais um alimento que auxilia (e muito!) no controle e prevenção de inflamações no intestino. De acordo com uma pesquisa realizada em 2014 pelo Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu (SP), a farinha de banana verde pode ser eficaz contra inflamações crônicas. Além disso, a iguaria ainda promove uma ajuda e tanto na prevenção do diabetes.

Conheça os mitos e verdades sobre o reumatismo

Você acha que as doenças reumáticas atingem apenas à terceira idade e que todo mundo quando ficar velho vai sofrer desse tipo de doenças? Pois esse é um dos preconceitos mais banais e infundados sobre o reumatismo. Confira, você vai chegar à conclusão de que muito do que se ouve por aí não passa de mito. Informe-se para acabar de vez com os preconceitos!

As doenças reumáticas podem afetar os olhos?

Verdade. Pessoas que sofrem dessas doenças podem apresentar sintomas como olho seco (moderado ou severo) e uveíte, uma inflamação ocular interna. Desta forma, ao ser diagnosticado com alguma doença reumática, é fundamental procurar um oftalmologista.

É possível prevenir o reumatismo?

Verdade. Manter uma alimentação saudável, com nutrientes ricos em cálcio, praticar atividades físicas e evitar os maus hábitos, como fumar e consumir bebidas alcoólicas, podem prevenir os distúrbios reumáticos. No entanto, existem alguns casos em que o problema é genético. “Não existe uma forma útil para se prevenir das doenças reumáticas. Isso porque, para algumas, existe um padrão genético herdado, que favorece o desenvolvimento do problema”, afirma a reumatologista Elisa Terezinha Hacbarth.

Quanto mais cálcio se toma durante a vida, mais protegido se está da osteoporose?

Verdade.  A ingestão deficiente de cálcio ao longo da vida é um fator que pode contribuir para o desenvolvimento da osteoporose. A osteoporose se caracteriza pela perda da massa óssea, sendo o cálcio um importante componente para sua formação. Os ossos estão constantemente sendo desgastados e remodelados ao longo da vida. Quando o desgaste supera a remodelagem, tem-se a perda de massa óssea e a idade é o fator que mais influencia para esse resultado. A densidade óssea aumenta até os 30 anos de idade e, posteriormente, começa a cair. Entre os 30 e os 80 anos, o cálcio total diminui aproximadamente em 20%, esta diminuição é maior nos ossos da coluna, onde pode alcançar até 60%. Por essa razão, a quantidade de cálcio recomendada para ingestão durante a vida depende da idade. De 31 a 50 anos, a quantidade recomendada é de 1000 mg por dia. Para pessoas com mais de 50 anos, a quantidade recomendada é de 1200 mg por dia. Apenas para ter uma ideia, um copo de leite tem em torno de 300 mg.

Quem sofre de reumatismo não pode levantar peso

Verdade. De uma forma geral, pacientes que têm reumatismo sofrem com uma dor intensa, impedindo o esforço para pegar peso.

Quem durante a vida carregou muito peso, certamente desenvolve sintomas reumáticos durante a velhice

Mito. Essa afirmação não necessariamente é verdade. Algumas doenças reumáticas, tais como a artrose e as lesões por esforços repetitivos (LERs) realmente podem ter como origem determinados hábitos tais como má-postura recorrente, levantamento de peso em excesso, esforços repetitivos. A maior parte das doenças reumáticas, porém, são autoimunes e não tem causa conhecida. Quem carrega peso em excesso pode até eventualmente sofrer de artrose, porém, o mais provável é que desenvolva dores lombares, que podem sim causar extremo incômodo e devem ser investigadas pelo profissional especializado (no caso, o médico reumatologista).

O reumatismo só aparece em pessoas velhas?

Mito. O termo reumatismo contempla mais de cem tipos de doenças reumáticas conhecidas e elas têm características distintas, os grupos de risco para cada uma dessas doenças também são diferentes dependendo da doença. Assim, a febre reumática atinge principalmente crianças e adolescentes, a artrite reumatoide atinge em sua maior parte adultos de, em média, 40 anos, a gota atinge mais os homens e o lúpus eritematoso atinge mais as mulheres. No geral, a doença reumática que mais atinge as pessoas idosas é a artrose, ou osteoartrite.

Clima mais frios acentuam a dor do reumatismo?

Verdade. “O principal sintoma do reumatismo ´a dor prolongada que sensibiliza os nervos e provoca distúrbios da condução dos estímulos elétricos, fazendo com que a pessoa tenha mais dificuldade em regular a temperatura das áreas mais periféricas do corpo, como as pernas e as mãos”, salienta o reumatologista José Ribamar Moreno. Desta forma, a exposição ao frio colabora (e muito) para a intensificação das dores.

As doenças reumáticas não têm cura?

Verdade. Não há cura para as doenças reumáticas, todavia, existem tratamentos que podem amenizar a dor, proporcionando melhor qualidade de vida.

A artrite reumatoide é uma doença que gera incapacidade?

Mito. A doença pode se tornar incapacitante, se for diagnosticada quando já está avançada. Do contrário, o tratamento efetivo com medicamentos e fisioterapia tende a evitar que isso aconteça.

Dor nas articulações só acontecem com as doenças reumáticas?

Mito. Esse problema não acontece só com doenças reumáticas, já que a dor articular é uma manifestação clínica como outra qualquer, e pode ser sintomas de outros distúrbios.

Apenas o reumatologista pode fazer o diagnóstico da doença?

Verdade. O reumatologista é o médico capacitado para identificar, diagnosticar e oferecer as melhores formas de tratamento para o problema.

Existe reumatismo no sangue

Mito. O termo foi criado justamente pelos médicos para aqueles pacientes que possuem alguma dor e tiveram alterações nos exames de sangue.

Portadoras de doenças reumáticas não podem fazer exercícios físicos

Mito. As atividades físicas podem (e devem) ser feitas por quem sofre da doença. Entretanto, é necessário realizar o acompanhamento com o médico e o fisioterapeuta, para que eles indiquem os exercícios específicos para cada doença. Os exercícios com orientação adequada ajudam no fortalecimento do tônus muscular, no fortalecimento dos ossos e das articulações.

Apenas idosos reumáticos sentem dores na juntas?

Mito. As dores nas juntas podem ser provenientes de diversas causas, não apenas de doenças reumáticas. Algumas doenças infecciosas tais como a dengue e a hepatite podem desencadear tais sintomas. Além disso, mesmo as doenças reumáticas podem atingir diversas faixas etárias e não apenas os idosos.

Quem chega à terceira idade ativo, tendo praticado exercícios durante a vida, tem menos chance de ser acometido por osteoporose

Verdade. As chances de ser acometido por osteoporose são menores para aqueles que possuem maior preparo físico e exercitaram seus músculos e ossos durante a vida. Uma das consequências da velhice é a perda do tônus muscular, o que acaba propiciando a perda de massa óssea. Exercícios que colocam uma carga extra sobre os ossos também acabam estimulando-os e deixando-os mais fortes. Os exercícios mais recomendados usualmente são a caminhada, corrida, dança. É muito importante conversar com seu médico sobre o assunto é ele quem vai determinar qual o exercício mais adequado para seu caso.

É comum sentir dores quando se chega à velhice?

Verdade. As dores, com o passar da idade, são comuns, e não deve ser negligenciadas já que podem ser o primeiro sinal de doenças mais graves. No caso das doenças reumáticas, não se deve esquecer que, quanto mais cedo ocorrer o diagnóstico, maiores as chances de controlar o mal e ganhar em qualidade de vida.

São as mulheres idosas quem mais sofrem de osteoporose?

Verdade. A idade avançada é certamente um fator de risco para a osteoporose. A osteoporose se caracteriza pela perda da massa óssea, mais precisamente quando o desgaste supera a remodelação dos ossos. Isso acontece já a partir dos 30 anos aproximadamente. Por isso, recomenda-se não descuidar da ingestão de cálcio e da prática de exercícios físicos. No caso das mulheres, a menopausa também contribui para a manifestação da doença, já que o baixo nível de estrógeno colabora para que o cálcio não consiga se fixar adequadamente nos ossos.

Idosos estão mais propensos a sentir dores causadas pela osteoporose

Mito. Na verdade, a osteoporose é uma doença silenciosa. Ela não apresenta sintomas externos. O desgaste na massa óssea, se não detectado e tratado, provavelmente causará fraturas e, consequentemente, a dor, o incômodo e a perda da mobilidade. Dependendo da predisposição à doença, alguns especialistas recomendam a realização da densitometria óssea (exame para detectar a osteoporose) já a partir dos 50 anos de idade.

Artigos Relacionados

Saúde Próspera