Saiba o que é esclerose múltipla, sintomas e tratamentos

Uma doença autoimune ocorre quando o sistema imunológico de uma pessoa reconhece como inimigo e passa a atacar o seu próprio organismo. No caso da esclerose múltipla, o sistema de defesa do paciente provoca danos ou a destruição da mielina, uma substância que envolve e protege as fibras nervosas do cérebro, da medula espinhal e do nervo óptico.
Quando isso acontece, são formadas áreas de cicatrização (ou escleroses) e aparecem diferentes sintomas sensitivos, motores e psicológicos, que vão desde dormência nos membros até paralisia ou perda da visão.
A doença prejudica a condução das mensagens que controlam todos os movimentos conscientes do organismo.

O que é

É uma doença inflamatória crônica que afeta o sistema nervoso central. Esse processo se inicia no linfócito (célula de defesa), que é ativado por algum estímulo imunológico, como no ataque de um vírus, por exemplo.
A esclerose múltipla ocorre quando o organismo ataca de forma anômala uma fração da mielina, proteína que compõe o sistema nervoso central, causando a desmielinização focal (A desmielinização é característica de muitos distúrbios neurológicos e poderão produzir-se lesões locais, isquemia, tóxicos ou alterações metabólicas).

A esclerose múltipla (EM) é uma doença inflamatória que não tem cura e extremamente invasiva. Atinge as fibras nervosas responsáveis pela transmissão de comandos do cérebro a várias partes do corpo, provocando um descontrole interno generalizado.
Muitas vezes o termo esclerosado é usado para as pessoas que perdem a memória ou apresentam outras confusões mentais quando vão envelhecendo.
Não tem nada a ver! A esclerose múltipla não tem nenhuma relação com as limitações que surgem com o envelhecimento.
Trata-se de um problema comum em adultos jovens, na faixa de 20 a 40 anos.
O maior pico é por volta dos 30 anos.
Raramente pessoas na terceira idade desenvolvem a doença.

A esclerose múltipla não é um processo degenerativo contagioso e, na maioria dos casos, não é fatal. Apesar de não ser herdada, atinge pessoas geneticamente predispostas a doença e se manifesta de diferentes modos. Atualmente, há cerca de 35 mil brasileiros que sofrem deste mal.
E, em geral, as mulheres são as mais atingidas (na proporção de duas mulheres para um homem).

Como se desenvolve

Cerca de 80% dos casos evoluem com a sucessão dos episódios da doença. Estes surtos, inicialmente, costumam se reverter por intervenção médica ou espontaneamente. São casos conhecidos como surto-remissivo, que não deixam sequelas.
O passar do tempo e a repetição dos episódios, entretanto, são fatores que diminuem gradativamente a capacidade cognitiva dos pacientes.
O restante dos casos é diagnosticado como primariamente progressivos desde seu início, forma mais agressiva e pouco responsiva às terapias atualmente disponíveis.

A esclerose múltipla pode se manifestar de 4 formas:

  • Remitente-recorrente: é a manifestação clínica mais comum, caracterizada por surtos que duram dias ou semanas e, em seguida, desaparecem.
  • Progressiva-primária: apresenta uma progressão de sintomas e comprometimentos (sequelas) desde o seu aparecimento.
  • Progressiva-secundária: pacientes que evoluíram da forma remitente-recorrente e vão piorando lenta e progressivamente.
  • Progressiva-recorrente: do tipo progressiva com surtos.
    Desde o início da doença, mostra a progressão clara das incapacidades geradas a cada crise.

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A ciência ainda não descobriu a causa da doença nem sua cura (atribui-se à doença a uma reação auto-imune do organismo, que em algum momento e por algum motivo, começa a atacar o Sistema Nervoso Central). Acredita-se que o motivo mais provável seja um vírus não identificado até o momento.

Entendendo o desenvolvimento da esclerose múltipla

Ainda não se sabe o porquê do ataque ao Sistema Nervoso Central, que é dirigido à mielina – uma substância gordurosa que cobre as fibras nervosas do cérebro e facilita a comunicação entre as células. Esse ataque acontece silenciosamente e recebe o nome de desmielinização (o processo de destruição das camadas da mielina).
Uma vez que as camadas da mielina vão sendo destruídas, as mensagens que saem do cérebro são atrasadas ou bloqueadas de vez, alterando, assim, o funcionamento da região que esperava um comando de ordem.
Onde quer que a camada protetora seja destruída, forma-se um tecido parecido com uma cicatriz.
Daí o nome esclerose.
E é múltipla, pois atinge várias áreas do cérebro e da medula espinhal .
A gravidade de cada caso está relacionada com a área afetada.
Se atinge a medula, o paciente geralmente manifesta fraqueza, dormência ou paralisia dos braços e pernas.
Não se tem como avaliar o desgaste da mielina; por isso, o diagnóstico é basicamente clínico, baseado nas queixas dos pacientes, em seu histórico médico, na avaliação dos sintomas e na existência de sinais neurológicos (através de testes para avaliação de coordenação, reflexos e sensibilidades).
Exames como ressonância magnética, avaliação do líquido da medula espinhal (líquor) e potencial evocado também são fundamentais neste momento.

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O que fazer para ajudar

  • A atenção da família e de pessoas próximas é essencial ao doente. Como o indivíduo perde a capacidade de fazer coisas simples, o apoio familiar ajuda a manter sua vida quase normal e sua saúde mental em melhor condição.
  • É importante controlar o estresse físico e emocional.
  • Sessões de fisioterapia auxiliam no tratamento.
  • Procurar reduzir o excesso de peso e praticar algum tipo de atividade física (caminhada, hidroginástica, por exemplo).

Principais sintomas

A fase inicial da esclerose múltipla é bastante sutil. Os sintomas são transitórios, podem ocorrer a qualquer momento e duram aproximadamente uma semana. Tais características fazem com que o paciente não dê importância às primeiras manifestações da doença que é remitente-recorrente, ou seja, os sintomas vão e voltam independentemente do tratamento.

Os sinais (surtos) da esclerose múltipla dependem da localização da lesão inflamatória no sistema nervoso central. Os sintomas da doença podem variar desde uma alteração visual, fraqueza ou dormência muscular, distúrbios de linguagem, alterações de equilíbrio e da sensibilidade em um momento ou mesmo em uma metade corporal.

A pessoa pode passar dois ou três anos apresentando pequenos sintomas sensitivos, pequenas turvações da visão ou pequenas alterações no controle da urina sem dar importância a esses sinais, porque, depois de alguns dias eles desaparecem.
Com a evolução do quadro, aparecem sintomas sensitivos, motores e cerebelares de maior magnitude representados por fraqueza, entorpecimento ou formigamento nas pernas ou de um lado do corpo, diplopia (visão dupla) ou perda visual prolongada, desequilíbrio, tremor e descontrole dos esfíncteres.

Febre, banhos quentes, exposição ao sol e estresse podem desencadear ou piorar os ataques. É comum que a doença retorne (recaída). Contudo, a doença pode continuar a piorar sem períodos de remissão.
Como os nervos de qualquer parte do cérebro ou da medula espinhal podem ser danificados, os pacientes com esclerose múltipla podem ter sintomas em muitas partes do corpo.
Sintomas musculares:

  • Perda de equilibrio
  • Espasmos musculares
  • Dormência ou sensação anormal na zona
  • Problemas para movimentar braços e pernas
  • Dificuldade para andar
  • Problemas de coordenação e para fazer pequenos movimentos
  • Tremor em um ou mais membros
  • Fraqueza em um ou mais membros

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Sintomas da bexiga e do intestino

  • Constipação e incontinência fecal
  • Dificuldade para começar a urinar
  • Necessidade frequente de urinar
  • Forte vontade de urinar
  • Incontinência urinária

Sintomas nos olhos:

  • Visão dupla
  • Incômodo nos olhos
  • Movimentos rápidos dos olhos incontroláveis
  • Perda de visão (geralmente afeta um olho de cada vez)

Dormência, formigamento ou dor

  • Dor facial
  • Espasmos musculares dolorosos
  • Formigamento ou ardência de braços e pernas

Outros sintomas nervosos ou do cérebro:

  • Atenção e capacidade de julgamento diminuídas, perda de memória
  • Dificuldade para raciocinar e resolver problemas
  • Depressão ou sentimentos de tristeza
  • Tontura e problemas de equilíbrio
  • Perda de audição

Sintomas sexuais:

  • Problemas de ereção
  • Problemas com a lubrificação vaginal

Sintomas da fala e de deglutição:

  • Fala arrastada ou difícil de entender
  • Dificuldade para mastigar e engolir

A fadiga é um sintoma comum e incômodo à medida que a esclerose múltipla progride. Muitas vezes piora no fim da tarde.

Formas de diagnosticar

A avaliação deve ser realizada por um neurologista especializado, pois é necessário uma extensa rotina de testes para que se obtenha um diagnóstico minucioso. A bateria de exames para detectar a doença inclui análise neurológicas e paraclínicas (líquido cefalorraquidiano, eletrofisiologia, potenciais evocados visuais e ressonância magnética).

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O diagnóstico não é simples e pode levar alguns anos para ser feito corretamente, pois os sintomas se assemelham, em alguns casos, com outros tipos de doenças do sistema nervoso (devido aos sintomas iniciais, muitas vezes o paciente nem procura orientação médica).
Entre os principais sintomas da doença estão alteração no controle de urina e fezes, comprometimento da memória, depressão, dificuldades de movimentos, fala e deglutição, dores articulares, dormências, fadiga intensa, mudanças de humor, paralisia total ou parcial de uma parte do corpo, perda da visão em um ou ambos os olhos, queimações, sensações de formigamento.
tremores e tonturas.
Segundo o neurologista Dagoberto Callegaro, “estes sinais podem levar horas ou dias para aparecer.
Em média, a doença inicia com um surto por ano ou um a cada dez meses.
Chamamos de surto um novo sintoma neurológico que provoca uma alteração sensitiva ou motora”.

A forma mais comum de esclerose múltipla é a recorrente-remitente (quando os surtos podem deixar sequelas ou não). A primário-progressiva é a pior forma de esclerose, onde a evolução da doença é galopante. A rápida progressão pode causar paralisia dos membros, perda da visão ou demência se não for tratada a tempo.

O tratamento

Não há tratamentos preventivos para a esclerose múltipla. Os imunomoduladores são medicamentos usados para reduzir o impacto dos surtos.
Porém, um recente estudo clínico, chamado Benefit, feito com 468 pacientes, revelou que a intervenção precoce com betainterferona – quando surgem as primeiras queixas de memória e sinais como fadiga excessiva – é capaz de melhorar a função cognitiva de pacientes com até dois anos de diagnóstico da doença.

O tratamento da esclerose múltipla (EM) tem por objetivo diminuir a atividade do sistema imunológico e evitar que este destrua ainda mais a mielina. É por isso que são utilizados corticoides e imunomoduladores (interferon-b).
Além disso, o tratamento irá melhorar a qualidade de vida do doente através da redução dos distúrbios (motores, incontinência urinária, reeducação por cinesioterapia).

Corticoides: os corticoides são geralmente administrados por perfusão em um meio hospitalar. Mas eles também podem ser tomados por injeção intramuscular e por via oral.

Interferons-b : O interferon-b é uma proteína que possui propriedades antivirais e imunomoduladoras. Sua ação é importante na esclerose múltipla, doença de caráter auto-imune. Os doentes devem injetar o medicamento por via sub-cutânea. O medicamento é indicado para reduzir as fases de surtos.

O acetato de glatiramer: Trata-se de um imunomodulador.

Reeducação por cinesioterapia: o doente sofre frequentemente com distúrbios motores. Uma reeducação é geralmente necessária e pode melhorar a sua qualidade de vida. Além disso, o médico poderá prescrever baclofeno para reduzir os episódios espásticos.

É claro que este tipo de medicação implica em um rigoroso acompanhamento médico.

A luz no fim do túnel

Atualmente não existe a cura para a doença. Entretanto, como vimos, as pesquisas não param. Existem avanços na área e novos medicamentos que possam, pelo menos, tornar os efeitos da esclerose múltipla menos agressivos. É o caso dos remédios chamados imunomoduladores e imunossupressores (capazes de aliviar ou reduzir os sintomas da esclerose).

O acompanhamento terapêutico também é fundamental ao paciente de esclerose múltipla, cuidar da mente é tão importante quanto tomar a medicação correta. O neurologista Cícero Galli Coimbra afirma que, “O sistema imunológico é ativado toda vez que enfrentamos uma situação de estresse grave.
Avisado de que algo está errado em nosso organismo, ele começa a vasculhá-lo na tentativa de identificar ‘invasores’ como vírus e bactérias.
Por fim, acaba atacando a bainha de mielina que envolve os neurônios.
Com a estabilidade emocional, 85% dos surtos podem ser reduzidos.
Psicoterapia e terapia ocupacional são indicadas para organizar os pensamentos e as atividades”.

Não há como prevenir a esclerose múltipla. Nem se pode afirmar quem ou não é propenso à doença. A recomendação é manter uma dieta equilibrada. E para aqueles que já foram atingidos pelo mal, uma dieta adequada é recomendada:

  • As fibras presentes em cereais integrais e leguminosas ajudam a fazer a digestão.
  • Dietas de baixo teor de gorduras saturadas (presente em produtos de origem animal) e ricas em ômega 3 podem retardar a evolução da doença (baseado em estudos realizados).
  • Evite ingerir alimentos duros, pois são difíceis de digerir e podem provocar engasgos.
  • Refeições pastosas ou líquidas (purês e/ou sopas) são as mais recomendadas.
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Cientistas testam novo tratamento contra esclerose múltipla

Cientistas testam nova abordagem para tratar o problema que, ao contrário das terapias atuais, não danifica o sistema imunológico do paciente. Primeira fase de testes clínicos da terapia experimental mostrou que abordagem é segura e, diferentemente dos tratamentos disponíveis hoje, não debilita o sistema imunológico do paciente

Uma equipe internacional de cientistas está testando uma nova abordagem para tratar pessoas com esclerose múltipla, uma doença autoimune cuja causa é desconhecida e para a qual não existe cura.
Os resultados da primeira fase dos testes mostraram que a terapia experimental é promissora por atenuar os sintomas da doença sem que o sistema imunológico do paciente seja debilitado, o que é um efeito adverso dos tratamentos disponíveis atualmente.
Os responsáveis por essa pesquisa acreditam que a terapia também poderia ser aplicada para tratar outras doenças autoimunes e alérgicas.
O estudo completo foi publicado na revista Science Translational Medicine.

Essa nova pesquisa foi desenvolvida por pesquisadores da Alemanha, Áustria, Suíça e Estados Unidos. A primeira fase dos testes clínicos (ao todo, são necessárias três etapas para que um tratamento se prove eficaz) foi realizada na Alemanha, com nove pacientes que apresentavam esclerose múltipla.

A equipe usou células de glóbulos brancos dos participantes para “injetar” bilhões de antígenos de mielina em seu organismo. O objetivo era que o sistema imunológico dos pacientes os reconhecesse como inofensivos e desenvolvesse uma tolerância.
O tratamento conseguiu reduzir a reatividade do sistema imunológico à mielina de 50% a 75%.

De acordo com o estudo, os participantes que receberam a dose mais alta de células de glóbulos brancos com o antígeno tiveram a maior redução na destruição da mielina. Os resultados mostraram que o tratamento é seguro e bem tolerado.
A injeção intravenosa não provocou efeitos adversos e os pacientes não tiveram uma recaída, e sua imunidade a patógenos não foi afetada.

“Nosso enfoque deixa intacta a função do sistema imunológico normal. O tratamento detém a resposta autoimune que já está ativada e previne a ativação de novas células autoimunes”, diz Stephen Miller, professor de microbiologia e imunologia da Escola de Medicina da Universidade Northwestern, Estados Unidos, e um dos autores do estudo.

Segundo os cientistas, porém, é preciso lembrar que o número de pacientes nesse teste foi pequeno e ainda não é possível determinar se o tratamento previne, de fato, a progressão da esclerose múltipla. Por esse motivo, é preciso que sejam concluídas as próximas etapas da pesquisa clínica.
De acordo com o pesquisador, estudos não clínicos (feitos com animais ou culturas de células) anteriores apontaram que a terapia também é eficaz no tratamento do diabetes tipo 1, da asma e da alergia ao amendoim.

Novo Medicamento

Há um novo medicamento contra a esclerose múltipla: o Fingolimod (nome da molécula), disponível no Brasil. Este medicamento desenvolvido pelo laboratório farmacêutico Suíço Novartis seria de acordo com eles 52% mais eficaz do que os medicamentos convencionais, tais como o interferon.

O mecanismo de ação desse medicamento é diferente dos tratamentos existentes até hoje no mercado, tais como o interferon. Para simplificar o Fingolimid impede a liberação de células de defesa que atacam a bainha de mielina (ver definição de esclerose múltipla).

No entanto, este medicamento também pode causar sérios efeitos colaterais, especialmente ao nível cardíaco. Este medicamento deve ter uma reforçada monitorização cardíaca no prazo de 24 horas após a primeira dose, de acordo com a Agência francesa de medicamentos (Afssaps).

Buscando ajuda médica

Ligue para seu médico se:

  • Você desenvolver sintomas da esclerose múltipla.
  • Os sintomas piorarem, mesmo com o tratamento.
  • A doença piorar na medida em que o cuidado doméstico deixe de ser factível.

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