Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC): como controlar as compulsões?

Pessoas com transtorno obsessivo-compulsivo sofrem para conseguir controlar as compulsões. Lavar as mãos até feri-las, girar a chave de casa 10 ou 20 vezes ou colecionar lixo são exemplos de manias exacerbadas. Tratamento une remédios e terapia.

Todo mundo tem suas manias. Não passar debaixo da escada, verificar o registro do gás antes de dormir ou colecionar coisas estão entre as mais comuns.
Entretanto, quando essas manias saem do controle, gerando angústia e ansiedade quando não praticadas, pode ser um sinal de transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), doença que, só no Brasil, atinge aproximadamente 4,5 milhões de pessoas, mas que pode ser controlada.

Não há nada de errado em lavar as mãos várias vezes, o problema é quando essa lavagens são tão frequentes e intensas que chegam a feri-las. Outras vezes, a compulsão por verificar se a porta está devidamente trancada faz uma pessoa ir e voltar do trabalho diversas vezes, simplesmente para se certificar de que a fechou corretamente.
Há ainda casos em que a mania de guardar coisas toma tal proporção que o espaço da casa fica tomado por objetos, muitas vezes inúteis, dos quais o colecionador não consegue se livrar.

De acordo com o psiquiatra e pesquisador da Universidade de Brasília (UnB) Raphael Boechat, o limite entre uma simples mania e o TOC está no quanto essas obsessões prejudicam a vida do paciente.
“Se a mania não gera nenhuma consequência ruim para a pessoa, tudo bem, mas quando o paciente não consegue levar uma vida normal caso não a realize, é hora de se preocupar”, explica o médico.

Segundo ele, os pacientes obsessivos-compulsivos, quando não podem realizar a sua compulsão, são tomados por uma ansiedade extrema, ficam nervosos e não conseguem se concentrar em outras atividades.
“Quando uma pessoa que tem TOC relacionado a lavar as mãos se vê em uma situação em que isso não pode ser feito, ela fica transtornada, muito ansiosa, e procura a qualquer custo realizar sua mania.
É algo incontrolável”, exemplifica.

Ainda não se sabe exatamente o que causa o TOC. Os médicos acreditam que o distúrbio possa estar ligado a fatores genéticos, já que é mais recorrente em indivíduos que possuem o histórico da doença na família, ou pode ser desencadeado por alterações químicas no sistema nervoso.
Podem haver ainda, causas sociais para o desenvolvimento de TOC, como a depressão, situações traumáticas – como criar obsessão por segurança, após ter a casa roubada, ou por ter recebido uma educação pouco, ou excessivamente severa.

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Incompreensão

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A estudante Ana Carla Viegas, 24 anos, sabe que tem TOC há pelo menos dois. Em seu caso, a obsessão é por conferir coisas.
Ana gasta boa parte do dia verificando, por exemplo, se as janelas estão fechadas, o gás, desligado e o ferro de passar, fora da tomada – além disso, não para de repassar mentalmente percursos e atividades que realizou durante o dia.
“A maioria das pessoas não consegue compreender como é angustiante sentir que você precisa desses rituais para ter um dia menos ruim”, desabafa.

Ela conta que o principal problema é dar às coisas o seu real valor. “Você supervaloriza certos detalhes, que, para a maioria das pessoas, não tem a menor importância. Me sinto uma pessoa excessivamente perfeccionista, mas procurei ajuda médica e estou tentando melhorar”.
Além de fazer terapia, Ana usa um medicamento para ajudar a diminuir a ansiedade, que aumenta sempre que ela não realiza os seus rituais diários de conferência.

Depois de se engasgar ao ponto de desmaiar, o estudante Marcelo Silva, 21 anos , desenvolveu o ritual de engolir várias vezes a saliva. Mesmo com a garganta inchada e dolorida, ele não consegue controlar o hábito. “Muitas vezes não consigo nem comer.
Depois que me engasguei, comecei a achar que a saliva iria me sufocar então passei a engoli-la várias vezes por minuto”, conta.

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Vergonha

O sentimento de culpa e a incompreensão são as reclamações mais comuns da maioria dos portadores do transtorno. “Morro de vergonha do que faço. Tento esconder ao máximo que tenho TOC. Muitas pessoas, ao saberem da doença, acham que é besteira, ou te olham como se você fosse maluco”, desabafa Marcelo.

O tratamento do transtorno obsessivo-compulsivo é feito por meio da associação do uso de medicamentos com a psicoterapia. “O objetivo da medicação é controlar a ansiedade. Em seguida, a terapia ajudará o paciente a identificar os rituais compulsivos e controlá-los”, explica Raphael Boechat.
Em casos extremos, existe ainda a possibilidade de intervenção cirúrgica.
“A operação só é utilizada em casos muito raros, quando a combinação de tratamentos falhou e o TOC é altamente prejudicial para o paciente”, completa.

Na cirurgia, conhecida como capsulotomia anterior, os médicos provocam uma pequena lesão na cápsula anterior, uma das regiões do cérebro responsável pela sensação de ansiedade. O objetivo é diminuir a atividade na região e, por consequência, minimizar a necessidade que o paciente tem de realizar seus rituais compulsivos.

Qual a diferença entre TOC e mania? Tire dúvidas sobre o problema

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Um dos sintomas do Transtorno Obsessivo compulsivo é organizar e alinhar objetos. Bater três vezes na madeira sempre que falar sobre a morte, lavar as mãos o tempo todo e enfileirar objetos.
Tudo bem, cada um tem suas manias, mas quando isso passa a ser frequente e interferir na rotina, pode ser um problema conhecido como Transtorno Obsessivo Compulsivo, ou TOC.
Afinal, quem não se lembra do ator Jack Nicholson evitando pisar nas linhas das calçadas em Melhor É Impossível, filme indicado ao Oscar de 98.
O transtorno vivido pelo personagem Melvin Udall é um problema real para milhares de pessoas e pode se manifestar de várias formas.

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Sempre ligado a pensamentos negativos, os sintomas podem aparecer com obsessão por limpeza, acúmulo de objetos, repetições de atitudes e palavras, contagens ou até insegurança. “O caso mais grave que já presenciei foi um paciente que tinha compulsão por limpeza e tomava cerca de 40 banhos por dia com inúmeros sabonetes.
Ele acreditava que o ar estava contaminado, então saia do chuveiro e já entrava de novo.
A pele começou a rachar e sangrar”, conta a psicanalista Priscila Gasparini.

Mas afinal, qual a diferença de TOC e mania? O que causa o problema? O transtorno tem tratamento? Para responder essas e outras perguntas, contamos com a ajuda de Priscila e da psiquiatra Ana Gabriela Hounie, do Programa Transtorno Obsessivo Compulsivo do Instituto de Psiquiatria do Hospital do Coração, e tirou as principais dúvidas sobre o TOC.
Confira a seguir.

 – O que é o Transtorno Obsessivo Compulsivo?

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É um transtorno de ansiedade que vem acompanhado de alterações de comportamento, preocupações excessivas e medo. “As obsessões são ideias que surgem na mente e as pessoas não conseguem tirar por mais absurdas que sejam. Já as compulsões são medidas que elas tomam para afastar essas ideias. O TOC é a união das duas.
Por exemplo, para evitar que alguém morra, o paciente fecha a torneira oito vezes, mesmo que isso não faça o menor sentido”, explica Ana.

 – Qual a diferença entre TOC e mania?

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Podem parecer iguais, mas TOC e mania agem de maneiras diferentes. As manias são comportamentos repetitivos, gerados por crenças ou superstições. Segundo Priscila, é normal ter algumas manias e elas até ajudam a organizar a rotina.
“O problema, porém, é quando os sintomas se agravam e viram um TOC, caracterizado pela presença de obsessões ou compulsões recorrentes e tão severas para fazer com que o paciente passe a ocupar boa parte do tempo com elas, causando muito desconforto e comprometimento de seu cotidiano”.

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 – É comum ter TOC?

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Sim, o problema é mais comum do que se imagina. De acordo com Priscila, em média, um em cada 50 indivíduos apresentam TOC. No Brasil, estima-se que existem 3 a 4 milhões de portadores, mas muitos ainda não foram diagnosticados ou tratados, apesar de terem suas vidas e rotinas comprometidas gravemente.

 – Quais são as causas do TOC?

As causas da doença ainda são estudadas por especialistas, mas ela pode surgir por vários motivos, como fatores genéticos, psicológicos e culturais. “O TOC aparece com mais frequência em pessoas que já tiveram casos na família, principalmente de parente próximos. Além disso, também pode ter um fator ambiental.
Por exemplo, se criança tem uma mãe com TOC, o filho tende a aprender e copiar o comportamento”, declara Ana.

 – Existe uma idade em que o problema aparece com mais frequência?

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Sim. O TOC aparece com mais frequência durante a infância e anos, depois, na vida adulta. “O TOC muitas vezes se inicia entre 9 e 11 anos, mas a frequência maior se dá principalmente em indivíduos jovens até os trinta anos, podendo durar a vida toda”, afirma a psicanalista.
Também vale lembrar que o problema é mais comum em homens.

 – Quais são os sintomas mais comuns?

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Os sintomas do TOC são comportamentos voluntários e repetitivos executados em resposta a regras criadas pelo paciente, que devem ser seguidas rigidamente.
De acordo com as especialistas, os exemplos mais comuns são lavar as mãos, fazer verificações, contar, repetir frases ou números, alinhar, guardar ou armazenar ou repetir perguntas.

“As compulsões aliviam momentaneamente a ansiedade, levando o indivíduo a executá-las toda vez que sua mente é invadida por uma obsessão acompanhada de aflição. Nem sempre têm conexão realística com o que desejam prevenir.
Por exemplo, alinhar os chinelos ao lado da cama antes de deitar para que não aconteça algo de ruim no dia seguinte”, avalia Priscila.

 – Como é feito o diagnóstico?

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Assim que o paciente notar alguns sintomas da doença, deve procurar um psicólogo para avaliar o grau do transtorno.

 – Tem tratamento? Como é feito?

Sim, o TOC tem tratamento e é feito com uma combinação de medicamentos antidepressivos e psicoterapia. O tratamento começa a fazer efeito entre um e três meses e pode durar por anos, dependendo da gravidade do caso.
Para alguns pacientes, com obsessões e compulsões mais graves, as medidas devem ser administradas por toda a vida.

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