Varizes podem ocasionar insuficiência venosa. Como surgem? Como evitar?

Falta de atenção com varizes pode ocasionar de coceiras e úlceras a insuficiência venosa crônica. Apesar de serem frequentemente encaradas como um problema estético, as varizes devem ser analisadas por um angiologista. Como surgem? Como evitar?

Com o início do verão, abre-se, oficialmente, a temporada de busca por procedimentos de beleza. Na estação das pernas à mostra, um dos maiores incômodos, principalmente para mulheres, são os vasinhos e as varizes. Esses problemas, contudo, não devem ser encarados puramente sob a ótica da estética.
A dilatação das veias precisa ser avaliada por um médico, pois, quando há sintomas não tratados, surgem complicações que vão de coceira a úlceras na pele.
Além disso, quem tem varizes também pode sofrer de insuficiência venosa crônica, uma condição grave que afeta a qualidade de vida e é a 14ª causa de afastamentos do trabalho no Brasil.

Apesar de comum – 38% da população brasileira têm varizes, segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) -, o problema é cercado de desconhecimentos e mitos (leia o Tira-dúvidas).
O mais grave, na opinião do angiologista e cirurgião Antonio Carlos Souza, é justamente esquecer que, mais do que estética, essa é uma questão de saúde.
“Muitas vezes, os vasinhos são a representação de que pode existir alguma coisa mais séria.
Quem pode fazer essa avaliação é o médico”, afirma Souza, integrante da diretoria da SBACV.

O angiologista conta que é comum pacientes chegarem ao consultório com o problema agravado porque, em vez de recorrer a um médico, apelaram para clínicas de estética que não contam com esse especialista. “Isso é um crime. Os pacientes chegam sequelados, com manchas e feridas”, diz.
De acordo com Souza, profissionais não habilitados costumam usar qualquer tipo de laser para tratar os vasos e varizes, ou mesmo dar injeções que podem provocar ulcerações e até ocasionar reações anafiláticas.
“Aplicações dentro da veia podem gerar uma trombose venosa.
Nem mesmo os médicos de outras especialidades se arriscam a injetar substâncias na veia dos pacientes”, observa.

Há dois anos, a vendedora Helena (*nome fictício a pedido) adquiriu, em um site de compras coletivas, uma sessão de escleroterapia – injeção para “secar” os vasos -, a R$ 49,90. “Eu já tinha feito esse tratamento outras vezes, em outras clínicas. Então, sei como é.
Na hora, saiu muito sangue das minhas pernas e tenho certeza de que foi injetada alguma coisa muito estranha em mim”, conta.
Logo em seguida, apareceu o inchaço.

“Eu sabia que isso não estava certo, mas esperei até o dia seguinte. Só foi piorando”, lembra. Helena procurou o estabelecimento e, por uma atendente, soube que a pessoa que fez aplicação não era médica, mas técnica em enfermagem. “Estava tão chateada com isso que nem pensei em ir à polícia.
Eu escrevi para o site de compra coletiva, a clínica devolveu o dinheiro e ficou por isso.
Eu devia ter denunciado, imagine quantas pessoas foram lesadas”, acredita.
As pernas da vendedora, que trabalha em pé o dia todo, ficaram inchadas por dois meses.
“Era uma coisa horrorosa, parecia que tinha sido picada por várias abelhas.
Fui a um angiologista e tive de tomar anti-inflamatório”.

Sinais

Embora homens também possam sofrer do problema, ele é mais comum em mulheres devido aos hormônios femininos, que favorecem o espessamento das veias. Muitas vezes, não há sintomas, mesmo quando são bastante volumosas, explica o angiologista e cirurgião vascular Felipe Coelho.
“No entanto, mais comumente, os portadores de varizes queixam-se de dor nas pernas, sensação de peso, cansaço, queimação ou ardência”, diz.

O médico explica que parte das pessoas só apresentará vasinhos que não comprometem a saúde vascular. Contudo, sem tratamento, pode-se evoluir para quadros avançados. Nessas situações, o inchaço não melhora nem com repouso, e a pele escurece e engrossa. Também surgem feridas de difícil cicatrização, as úlceras venosas.
“A orientação é de que todos que apresentem varizes aparentes ou os sintomas como peso, cansaço, queimação ou inchaço nas pernas sejam avaliados por um cirurgião vascular, para iniciar o tratamento e prevenir os estágios avançados da doença varicosa”, recomenda.
Ele lembra que há como prevenir ou protelar o surgimento do problema: evitar longos períodos em pé ou sentado, fazer exercícios diariamente, controlar o peso e adotar uma dieta saudável.

Mesmo sem cura, as varizes podem melhorar bastante com os tratamentos. A angiologista e cirurgiã vascular Mariane Campaner, do Hospital Santa Lúcia, esclarece que a técnica utilizada vai depender do grau da doença.
No caso dos vasinhos e das veias mais finas, a indicação é a escleroterapia convencional ou a crioescleroterapia, que é feita com as mesmas substâncias, mas a uma temperatura bem abaixo de zero.
Esse procedimento, de acordo com estudos, promove resultados mais rapidamente, com menor número de sessões.
Já o laser tem uso restrito para membros inferiores, alerta a médica.
“As pessoas têm uma ideia de que o laser é o mais moderno, mas ele deve ser usado em casos e lugares selecionados porque pode deixar manchas”, diz.

Quando as varizes são sintomáticas ou de calibre maior, a indicação é cirúrgica. De acordo com Mariane Campaner, muitas pessoas temem retirar as veias porque pensam que elas farão falta. Isso, contudo, é um mito. “As varizes são veias dilatadas com mau funcionamento”, lembra. Portanto, já não têm serventia alguma.
Mesmo quando a safena é extirpada, não há problema algum.
Por ser utilizada em cirurgias cardíacas, há quem ache que a safena fica no coração, mas, na verdade, ela é uma veia superficial dos membros inferiores, utilizada como substituta para a circulação quando se tem uma doença cardíaca.
Há, inclusive, outras veias que podem desempenhar o mesmo papel.

Apesar de considerada uma cirurgia de baixo risco, a retirada das varizes não é indicada para pacientes com idade avançada. “Quando a pessoa tem pressão alta, diabetes e já sofreu um infarto, por exemplo, os riscos são maiores que os benefícios, por isso o procedimento não se justifica”, diz Mariane Campaner.

Tira-dúvidas

Todo vasinho evolui para varizes?

Não. O tamanho das varizes depende do tamanho da veia que se tornou dilatada. Dessa forma, as varizes mais calibrosas são resultado da dilatação de veias de maior calibre. Pessoas podem ter muitos vasinhos e nenhuma variz calibrosa, assim como há pessoas com varizes muito calibrosas que não apresentam vasinhos.

Salto alto favorece o surgimento de vasos e varizes?

A panturrilha é o coração periférico. Tanto o calçado sem salto quanto o salto muito alto atrapalham o movimento dessa área, que favorece o retorno do sangue. O ideal é um salto estável intermediário. A altura do salto tradicional do homem é a mais adequada.

Fazer musculação pode desencadear o problema?

Não, desde que a atividade seja orientada e não aumente carga rapidamente. Os fisiculturistas normalmente não têm varizes; eles apresentam veias hipertróficas.

Cigarro é fator de risco?

Sim, o tabaco aumenta o risco de tromboflebite (formação de trombos dentro das varizes).

Existe risco de as varizes voltarem após a cirurgia?

Sim, mas não são as mesmas que retornam, e sim outras que aparecem. Não existe cura para varizes. Quem opera tem que fazer acompanhamento para manter sob controle.

Ter varizes predispõe a trombose?

Não. Contudo, as varizes são um fator de risco para trombose venosa profunda, e outros elementos propiciam o problema, como ficar em uma mesma posição por muito tempo.

Qualquer pessoa pode usar meias de compressão para prevenir varizes?

As meias elásticas de compressão são muito importantes tanto na prevenção quanto no tratamento, mas devem ser prescritas por um médico habilitado, pois para cada caso há uma medida de pressão da compressão específica e um comprimento determinado. Além disso, existem algumas contraindicações, como a doença arterial obstrutiva periférica.
É fundamental a avaliação médica especializada antes de se utilizar as meias.

Os tipos de Varizes

Existem dois tipos de varizes : as chamadas varizes primárias, que aparecem influenciadas pela tendência hereditária e as chamadas varizes secundárias que aparecem por doenças adquiridas no decorrer da vida e são de tratamento mais difícil.
As varizes primárias são as responsáveis pelas antiestéticas linhas vermelhas e azuis de diversos tamanhos na perna da mulher e também pelas varizes de maior calibre e são as mais frequentes.

As varizes secundárias são chamadas erroneamente de “varizes internas”. “Varizes internas” não existem. Mas, existem sim problemas sérios de doenças nas veias internas, que são as varizes secundárias, e estas varizes é que são muitas vezes popularmente chamadas de “varizes internas”.

Podemos também considerar as varizes, de uma maneira simplista, como leves ou graves.
As “leves” são as que, embora sejam uma doença, não causam um problema de saúde imediato causando mais preocupações estéticas, e as “graves”, são as que causam sérios problemas, como sangramentos, úlceras ( feridas), eczema, infecções, vermelhidão, manchas, espessamento da pele, dor, flebite e mesmo a embolia de pulmão, felizmente raro em varizes primárias, mas que põe em risco até a vida do paciente.

Os Tipos de Varizes segundo a Clínica Naturale

Existe uma classificação científica das varizes, chamada de CEAP, que é utilizada no mundo inteiro para as pesquisas científicas. Mas esta classificação é muito complexa, e não é utilizada na prática do atendimento de pacientes.
Em pesquisas científicas, lideradas por médicos da Clínica Naturale, foi desenvolvida uma nova Classificação Clínica, conhecida como Classificação Estético Funcional, ou “Classificação de Francischelli”, que divide os pacientes portadores de varizes em 4 Tipos ou Grupos.
Cada um dos grupos tem características comuns que permitem escolher os melhores tratamentos.

Tipo 1 – IVIPE: As varizes que são mais um problema estético. 

Chamamos de Tipo 1 ou IVIPE – Insuficiência Venosa de Importância Predominantemente Estética a presença de varizes pequenas que são as telangiectasias (vasinhos) e veias reticulares ( microvarizes).
As telangiectasias (vasinhos) são as pequenas veias da pele, da espessura de um fio de cabelo, avermelhadas ou um pouco maiores, azuladas, mas que estão na intimidade da pele.
Apresentam vários formatos, desde pequenos riscos, até grandes arborizações.
Podem estar presentes em todos os locais dos membros, atingindo, a coxa, a perna, o glúteo e em alguns casos até a região das costas.
As veias reticulares ( microvarizes), são maiores, e se apresentam como trajetos longos, azulados, e estão sob a pele, mas a ela intimamente relacionadas.
Estas veias estão freqüentemente ligadas as telangiectasias, É muito freqüente a associação de telangiectasias da face lateral da coxa, com estas veias reticulares que se estendem para a região lateral do joelho e atinge até a perna.
Apesar de ser um problema de saúde, uma doença, estas pequenas veias não causam riscos imediatos, sendo um problema que atinge mais a auto-estima do paciente.
Portanto, geralmente o paciente procura o médico pela questão estética, por isso chamamos este tipo de IVIPE: “varizes de importância predominantemente estética”.
A IVIPE – são então as varizes pequenas, da pele como as telangiectasias (vasinhos) e sob a pele como as veias reticulares (microvarizes).
Embora não seja um problema de saúde no curto prazo, ainda é uma doença a longo prazo, porque alguns raros problemas podem acontecer, como sangramentos.

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Tipo 2 – IVIFE: As varizes que são tanto um problema de saúde (funcional) como um problema de aparência (estético).

Chamamos de Tipo 2 ou IVIFE – Insuficiência Venosa Funcional e Estética a presença de veias de médio e grande calibre. Já é uma doença que envolve alguns riscos e problemas para o paciente, e por isso deve ser tratada, entretanto, pode estar presente também a preocupação estética.
Neste caso os dois problemas devem ser considerados, a doença (funcional) e a estética.
A IVIFE – Insuficiência Venosa Funcional e Estética, acontece quando o paciente que apresenta a doença varizes, que necessita tratamento para evitar complicações, também está preocupado com a aparência.

É importante reconhecer estas duas condições: a doença (funcional) e a aparência ( a estética), porque durante o tratamento o médico deve corrigir a doença, mas também utilizar técnicas estéticas para que atenda o desejo de melhor aparência das pernas do paciente.
De nada adiantaria um espetacular tratamento médico, mas que deixa as marcas de cicatrizes enormes, e também não é interessante, cuidar da estética e deixar de resolver a doença.
Um perfeito equilíbrio entre os dois fatores é desejável no tratamento.
Este tipo de varizes é muito frequente, e são utilizadas em seu tratamento as técnicas estéticas e funcionais, para que a doença seja corrigida e ao mesmo tempo um resultado estético seja também obtido.
Por esta característica dupla, este tipo de condição necessita uma atenção própria por parte do médico, e assim é classificada em um grupo a parte.

Tipo 3 – IVFA : As Varizes que são um problema de saúde (funcional) sem que o paciente tenha preocupações estéticas e que ainda não apresentaram complicações

Chamamos de Tipo 3 ou IVFA – Insuficiência Venosa Funcional Assintomática, todas as situações onde se apresentem varizes, sem que a questão estética esteja envolvida. Neste caso a doença (funcional) está presente, sem que o paciente esteja preocupado com a aparência (estética).
Em alguns casos as varizes podem atingir grandes dimensões antes de apresentar complicações.
O tratamento, neste caso é voltado mais para as questões funcionais da doença venosa, embora os cuidados com manchas e cicatrizes sempre sejam tomados pelos médicos mais cuidadosos.

Tipo 4 – IVFS: As varizes que são um problema de saúde (funcional) e que já apresentam complicações.

Chamamos de Tipo 4 ou IVFS – Insuficiência Venosa Funcional Sintomática, todas as situações onde se apresentem varizes, sem que a questão estética esteja envolvida, e já aconteceram complicações.
As complicações mais frequentes são as Tromboflebites, as Úlceras de perna, as Hiperpigmentações, o Eczema Venoso, as Hemorragias, a Fibrose, a Dermatite Ocre, as Infecções e o quadro de Dor, e a temível, Embolia de Pulmão.
Neste caso a doença (funcional) está presente, sem que o paciente esteja preocupado com a aparência (estética) .
Geralmente são pacientes onde o problema está presente há longo tempo, sem tratamento, e que já apresentam complicações.
Neste caso, o médico deve se concentrar mais na questão da doença, que é muito grave podendo causar sérias restrições para o paciente.

Os diversos tipos seguem um grau de evolução, não significando que um grau necessariamente passará ao outro. As varizes sempre pioram, mas cada paciente terá sua história, e não significa, embora seja possível, que o tipo 1 vá virar tipo 4.
A doença é crônica e sempre deve ser acompanhada por seu cirurgião vascular de confiança que saberá escolher as melhores alternativas de tratamento.

Quais os Tratamentos que existem?

Crioescleroterapia: É a mais nova técnica para tratamento das telangiectasias e microvarizes de pequeno calibre e extensão. Foi criada na Espanha e desenvolvida na Universidade estadual de Campinas por pesquisadores da Universidade e da Clínica Naturale. Apresenta os melhores resultados atuais no tratamento destes tipos de casos.
O tratamento é realizado com menor número de sessões e com menor dor, apresenta menor incidência de hematomas, se permitindo fazer o tratamento mesmo no verão, com menor restrição de sol, e sendo liberado os exercícios físicos após poucas horas do tratamento.

A Crioescleroterapia, um método muito engenhoso, utiliza os mesmos produtos (esclerosante) da escleroterapia normal, mas um equipamento diminui a temperatura do produto injetado para 40 graus abaixo de zero.
O esclerosante a essa temperatura, além de seu efeito normal, passa a ter um efeito físico adicional e destrói, pelo frio e pela maior viscosidade , a parede interna do vasinho, eliminando-o com mais facilidade.

O esclerosante (glicose hipertônica a 75%) que é submetido a frio intenso e é muito concentrado , quando circula pelo corpo após agir nos pequenos vasos, perde a temperatura e a concentração e se transforma num produto inócuo, sem riscos de alergia ou de complicações mais sérias.
Portanto é um método muito elegante : sendo  muito potente nos pequenos vasos onde é aplicado e inócuo para o restante do corpo.
 A Crioescleroterapia oferece um alto poder esclerosante e um baixo risco de complicações.

Escleroterapia: É uma técnica mais antiga, e ainda eficiente. Apresenta bons resultados , mas  foi substituída pela Crioescleroterapia que se mostrou melhor.

Laser para vasos: O Laser para tratamento das telangiectasias é uma técnica derivada do grande desenvolvimento tecnológico da Medicina . O Laser é utilizado de forma complementar, combinado com a Crioescleroterapia em casos selecionados.

Microcirurgia: A Microcirurgia com microincisões é a melhor técnicas para tratar as microvarizes, os trajetos azulados sob a pele. Pode ser utilizado anestesia local ou peridural, dependendo da quantidade de microvarizes apresentada.
Pequenas incisões puntiformes são aplicadas e os vasos são retirados sem cortes maiores, com microganchos.

Cirurgia a Laser: O EVLT, Endovenous Laser Treatment, ou Laser Endovascular, é um a técnica mais atual de tratamento das veias de maior calibre. A principal vantagem é a redução do tempo de pós-operatório, permitindo que o paciente retorne antes para as atividades normais.
Pesquisas realizadas pelos médicos da Clínica Naturale, demonstraram a vantagem desta técnica quando estão presentes grandes varizes e alterações das veias safenas .

Cirurgia: A Cirurgia de varizes tem utilização nas veias de maior calibre. Dependendo do quadro do paciente, as veias safenas podem necessitar tratamento, quando são responsáveis pelos problemas. As alterações das safenas são avaliadas pelo exame de ultra-som, ou exame clínico.
Quando as safenas não estão doentes, podem ser preservadas e neste caso retiramos apenas as grossas veias colaterais.
A cirurgia deve ser feita com técnicas estéticas, com micro-incisões e pontos internos de cirurgia plástica quando são necessários.
Estas técnicas oferecem resultados para o controle da doença, mas também procurando sempre devolver a aparência estética da pele dos membros .

*Clique na imagem abaixo para aumentar o tamanho do texto, casos seja necessário.

Escolha entre sete tratamentos para vasinhos e varizes

Pequenos filamentos arroxeados ou vasos grossos e sinuosos claramente visíveis na pele: assim são os vasinhos e varizes.
A diferença entre eles, segundo o angiologista Celso Bregalda Neves, secretário-geral da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, é que os vasinhos (tecnicamente chamados de telangiectasia) ficam nas camadas da pele e têm no máximo um milímetro de diâmetro, já as varizes têm diâmetro superior a um milímetro e estão localizadas embaixo da pele.
É comum que as varizes passem a ter um trajeto sinuoso, formando curvas principalmente nas pernas.

O principal fator para o aparecimento de vasinhos e varizes é a hereditariedade. “A deficiência de proteínas, como a elastina e o colágeno, é passada de pai para filho”, explica Celso Bregalda. “Sem essas substâncias na quantidade ideal, a parede do vaso torna-se mais frágil e suscetível ao alargamento”.
Além disso, existem fatores desencadeantes hormonais – como a gestação, o uso de pílula anticoncepcional e a reposição hormonal – e causas mecânicas – como sedentarismo e obesidade.

O angiologista conta que na maioria das vezes as varizes e os vasinhos são tratados puramente por estética. No entanto, há casos em que alteração pode significar um problema mais sério de circulação e resultar na formação de feridas que não cicatrizam e no aparecimento de inchaço e dor. Além disso, há uma forte relação dessas alterações com trombos.
“Um paciente que teve trombose profunda terá um bloqueio à passagem do sangue de volta para o coração, tornando necessário o retorno de sangue por outros vasos e causando a sobrecarga”, explica o angiologista.
“Por outro lado, quando uma variz causa lentidão da passagem do sangue, há maior facilidade para formação de coágulos”.

Uma vez que uma veia é tratada, dificilmente ela voltará a aparecer. O que pode acontecer é a formação de novos vasos para dar conta do retorno do sangue ao coração. Por isso, a mudança de hábitos é fundamental para que o sangue transite de maneira adequada e não dilate outras veias.
Entre as mudanças positivas estão: uso de meia elástica compressiva indicada pelo médico, perda de peso, prática de exercício físico e ingestão adequada de água.
Agora que você já sabe tudo sobre vasinhos e varizes, veja quais são os possíveis tratamentos e acabe de uma vez por todas com eles.

 – Escleroterapia com espuma

A espuma é o polidocanol – em concentrações de 1 a 3% – misturado ao ar. Dessa mistura resulta a substância que é injetada em vasos de até quatro milímetros de diâmetro.
“Ainda não existem estudos suficientes que comprovem a eficácia e a segurança do uso do polidocanol em veias maiores”, explica o cirurgião vascular Renato Minoru Ishii, do hospital Santa Cruz, de São Paulo.

O polidocanol é um medicamento antigo, no entanto, sua ação era prejudicada na forma líquida devido à rápida absorção pelo vaso sanguíneo. Por ser mais densa, a espuma age por mais tempo na veia. Ela causa um processo inflamatório na parede interior do vaso que leva a um fechamento da via, impedindo a circulação de sangue.
Sem sangue, o vaso perde a coloração e passa a ser invisível a olho nu.
É necessária apenas uma aplicação para se ter esse efeito.
 ”O risco do procedimento é muito baixo, mas existem alguns casos relatados de trombose”, explica o cirurgião.
Ele pode ser realizado no consultório médico, sem necessidade de anestesia, e pode ser um pouco dolorido em função da picada da agulha.
Ele dura cerca de 30 minutos.
O número de sessões varia de acordo com a quantidade de vasinhos.
É recomendado um intervalo mínimo de cinco dias entre elas.

Em 2001, um médico italiano chamado Lorenzo Tessari descreveu uma técnica em que os líquidos esclerosantes eram misturados ao ar através de duas seringas conectadas por uma torneirinha, formando uma espuma. O objetivo do Dr. Tessari era produzir um esclerosante que fosse mais eficaz, tratando as varizes de forma simples, barata e sem cirurgia.

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A espuma pode ser feita com dois tipos de esclerosantes: o tetradecil sulfato de sódio (Sotradecol®) e o polidocanol. O mais utilizado no Brasil é o polidocanol.

Benefícios e riscos da espuma para o tratamento das varizes

Você deve estar pensando: Nossa, que maravilha! Isso é o fim da cirurgia para varizes! Para que operar se você pode apenas injetar uma espuma no interior da veia e está tudo resolvido! Porém, como todo tratamento, a espuma tem seus problemas.

A grande vantagem desse procedimento é justamente evitar uma cirurgia. Ele pode ser realizado no próprio consultório do médico Cirurgião Vascular sob anestesia local, e não requer os cuidados que uma cirurgia de varizes necessita.
Porém, a efetividade do tratamento para varizes com espuma não é tão boa quanto à cirurgia, seja a cirurgia tradicional ou os métodos mais recentes como laser e radiofrequência.

Um estudo realizado com 500 pacientes na Dinamarca, publicado em 2011 no British Journal of Surgery  mostrou que, após 1 ano, o refluxo da veia safena voltou em 16,3% dos pacientes tratados com espuma.
Esse resultado foi significantemente pior do que o da cirurgia de termoablação de safena com laser e com radiofrequência, em que a taxa de insucesso foi de 5,8 e 4,8% respectivamente.
Em outras palavras, existe uma chance de mais ou menos 16% do tratamento não dar certo.

Além disso, o tratamento das varizes com espuma pode levar a complicações como trombose venosa profunda, embolia pulmonar, flebites, manchas escuras na pele e feridas. As complicações mais graves, relacionadas a trombose são muito raras, menores do que 1%.
Já a hiperpigmentação (manchas escuras) é bem mais comum, causando um incomodo estético ao paciente.

Sendo assim, a recomendação é que o tratamento para varizes com espuma seja realizado quando o paciente não pode operar, não quer operar ou se a cirurgia para varizes não está disponível.

 – Escleroterapia com glicose

“A principal vantagem da glicose é o fato de ser uma substância muito bem tolerada pelo organismo: não gera efeitos colaterais, alergias, coceira ou irritação”, explica o angiologista Celso.
Ela age de forma semelhante à espuma: em concentrações altas (75%), causa reação inflamatória no vaso, que encosta e funde suas paredes internas, impedindo a passagem do sangue.

A glicose também pode ser administrada em concentração de 50% e misturada com outras substâncias, como Polidocanol, Etamolin, Glicerina cromada, Sotradecol e Variglobin, com os mesmos efeitos. A escolha entre as duas apresentações depende do médico e de sua experiência com eles.

Esse tratamento pode ser realizado no consultório. A picada e a introdução da glicose geram um pouco de dor, mas é suportável, podendo ser usado anestésico tópico. O método deve ser evitado por portadores de diabetes, uma vez que o método pode causar picos de glicemia. A principal indicação é para vasinhos com menos de dois milímetros.
O número de sessões também varia de acordo com a quantidade de vasinhos e devem ser realizadas com intervalo médio de 15 dias, sendo o mínimo de 5 dias.

 – Escleroterapia a laser

Varizes podem ocasionar insuficiência venosa. Como surgem? Como evitar?O laser aplicado sobre a pele age da mesma maneira que a glicose e a espuma, mas através de energia luminosa. “O feixe de laser aquece o vaso distendido e gera uma inflamação que une suas paredes e uma vez fechado, esse vaso pode até ser reabsorvido pelo próprio organismo”, explica o angiologista Celso.
“O método está indicado para veias de pequeno calibre, pois o uso em vasos maiores exigiria uma energia muito alta, que poderia manchar a pele”.

Ao contrário do que se pensa, a aplicação de laser também dói, assim como a injeção. Pode doer até mais, pois são necessários vários disparos de luz, enquanto as injeções pedem apenas uma picada. O valor da escleroterapia com laser também costuma ser maior que a escleroterapia química (com glicose ou espuma), por isso a luz é menos utilizada.

O número de sessões é variável de acordo com o número de vasinhos. “Há pacientes cujo caso é resolvido com uma única aplicação, outros precisam de mais sessões, não há um limite máximo”, explica Celso Bregalda. O intervalo entre as sessões deve ser de pelo menos cinco dias.

 – Cirurgia com endolaser

Por ser mais complexa, a cirurgia com endolaser deve ser realizada em centro cirúrgico hospitalar. A duração média do procedimento é de duas horas e o paciente pode deixar o hospital no mesmo dia.
Os principais riscos dessa cirurgia são a queimadura de tecidos e nervos próximos ao vaso, para evita-los é usada a técnica de tumefação, em que é injetado soro fisiológico para separar a veia dos tecidos circundantes.

A cirurgia é realizada com a introdução de uma sonda na veia a ser ressecada. Está sonda disparará a energia luminosa, cauterizando o vaso.

Segundo o cirurgião vascular Renato Minoru, em alguns casos o vaso pode voltar a se abrir, caso a veia não seja totalmente ressecada. O método é indicado para varizes calibrosas, como a da veia safena. É feita apenas uma aplicação.

Em geral, é possível voltar ao trabalho de dois a três dias após o procedimento, mas caso o vaso seja mais calibroso, a indicação de tempo de repouso pode chegar a 15 dias.

 – Cirurgia tradicional

Nesse procedimento é realizada a retirada do vaso. “O cirurgião realiza duas microincisões – uma no tornozelo e uma na virilha – e insere um fleboestrator, um cabo que passa por dentro da veia, e a retira”, explica o cirurgião vascular Renato.

A cirurgia tradicional tem dois objetivos: primeiramente, acabar com os refluxos tronculares, originados por safenas incompetentes ou por perfurantes (veias que comunicam o sistema profundo e o superficial); em segundo lugar, retirar as veias já dilatadas, originadas em razão desses refluxos tronculares.

No caso da incompetência das safenas, elas devem ser obrigatoriamente tratadas, pois se isso não é feito ocorre, em um período de tempo variável, depois da cirurgia, o aparecimento de novas varizes.

O tratamento tradicional consiste no feitio de duas incisões na pele, uma na região da virilha e o outro ou na parte interna do joelho ou, mais raramente, na parte interna anterior do tornozelo. Após, a safena é identificada e isolada, introduzindo-se internamente, por toda a extensão da veia, um fino cabo de aço.
O cabo é amarrado à veia e então é procedido ao ‘arrancamento’ da mesma.
Uma compressão demorada do sítio da safena extirpada é realizada imediatamente.

As complicações desse método são a formação de hematomas no sítio da ablação (arrancamento), a lesão de nervos que acompanham a veia, resultando em parestesias (dormências) permanentes de certas regiões do membro, e lesões linfáticas que podem levar a um edema pós-operatório.

A cirurgia é realizada no hospital, em centro cirúrgico e dura, em média, duas horas. São necessários 15 dias de repouso e evitar exercícios físicos por pelo menos um mês. Também é indicado evitar o sol e usar por três meses meias elásticas de compressão recomendadas pelo médico.
Os riscos relacionados à cirurgia são, principalmente, a trombose venosa profunda e embolia pulmonar.

 – Radiofrequência

A radiofrequência também é um método cirúrgico indicado para vasos mais calibrosos. “É inserida uma fibra ótica dentro do vaso, sua extremidade emite energia que queima o vaso por dentro”, explica o angiologista Celso.
“O uso da radiofrequência está crescendo, no entanto, por ser relativamente recente, ainda não é a primeira recomendação médica”.
Essa técnica também exige a tumefação (separação do vaso das estruturas circundantes através de injeções de soro fisiológico).
Só é necessário se submeter ao tratamento uma vez para resolver o problema.
Como não retira a veia, a escleroterapia com radiofrequência dura menos tempo – em média uma hora – e pede tempo menor de repouso – cerca de dois dias.
Além disso, as chances de transtornos da circulação são menores, uma vez que a manipulação também é menor.

 – Cremes, loções e pomadas

O angiologista Celso Bregalda explica que cremes, loções e pomadas ajudam a tratar apenas os sintomas: o inchaço e a dor. “Nenhum vasinho ou variz desaparecerá com o uso desses produtos”, explica.
A recomendação do especialista nesse caso é usar meias elásticas de compressão, que otimiza a circulação e evita o aparecimento e a piora da dilatação dos vasos.
Segundo o especialista, o nível de compressão e a medida da meia dependem de cada caso e a meia deve ser indicada pelo médico, que realizará as medidas do paciente e a análise do problema.
“Pacientes mais jovens que não têm varizes em geral precisam da meia com baixa compressão, quem já tem varizes deve usar a de média compressão e quem tem inchaço crônico a de alta compressão”, explica Celso.

Sete perguntas para um especialista

Dr. Ary Elwing, especialista em angiologia e cirurgia vascular periférica, é médico dos hospitais Albert Einstein e São Luiz, em São Paulo

Vasinhos: arme-se contra eles. O problema atinge 80% das mulheres e surge por razões como a predisposição genética, gravidez, obesidade e sedentarismo. A boa notícia é que não são sinal de doença séria e podem ser facilmente tratados.

 – O que são?

Eles surgem quando vasos muito finos, localizados na parte mais superficial da pele, são submetidos a alguma pressão e suas paredes se dilatam. Desse processo resultam ramos avermelhados ou arroxeados.
Como têm a espessura de um fio de cabelo – portanto, a parede deles é praticamente transparente de tão fina -, a cor que vemos sob a pele é a do sangue que ficou retido ali.
Os vasinhos, conhecidos também como telangiectasias, costumam aparecer em diferentes locais do corpo (face, colo, seios, abdômen, costas, pernas e pés), mas não interferem na circulação sanguínea nem causam problemas mais sérios de saúde.
O principal desconforto é mesmo estético.

 – O que provoca seu aparecimento?

Os vasinhos, microvarizes e varizes são problemas hereditários. Estudos mostram, aliás, que, em relação às varizes, a predisposição genética é uma das principais causas, sendo responsável por 80% dos casos. Mas os vasinhos podem aparecer também por vários outros motivos.
Dentre eles, os principais são: problemas hormonais, como excesso de progesterona (este hormônio feminino favorece a dilatação do sistema vascular), gravidez (o crescimento do útero eleva a pressão sobre as veias das pernas), pílula anticoncepcional (elas contêm progesterona sintética, que prejudica os vasos), obesidade (estar acima do peso exige um esforço extra dos membros inferiores, que ficam sobrecarregados), tabagismo (o cigarro deixa as paredes das veias mais frágeis) e vida sedentária (a falta de atividade física atrapalha a circulação sanguínea).
E mais: o uso constante de sapatos com saltos muito altos e atividades que obriguem a pessoa a ficar longos períodos de pé ou sentada.

 – Quem tem mais propensão a desenvolver o problema?

Por questões hormonais, as mulheres estão mais sujeitas a ter vasinhos – em uma proporção de cinco para cada homem afetado. Segundo estudos, a partir dos 50 anos, o problema é comum em 80% delas.

 – Qual a diferença entre vasinhos, as microvarizes e as varizes?

Veja também:   Refluxo: em adultos e bebês. O que fazer?

Primeiro, o calibre deles. Os vasos medem entre 0,1 mm e 1 mm de diâmetro, as microvarizes, de 1,1 mm a 3 mm, enquanto as varizes têm mais de 3 mm. As microvarizes, de cor azul ou azul-esverdeada, e as varizes, azuladas, surgem especialmente nas pernas e pés e podem causar dores, trombose ou feridas de difícil cicatrização.
Mais graves que os vasinhos, são causadas por problemas circulatórios.
É fácil entender esse mecanismo.
O sangue desce pelas artérias e retorna ao coração pelas veias, acionado pela contração dos músculos.
Para driblar a força da gravidade, há dentro dos vasos pequenas válvulas que se abrem para o sangue passar e se fecham para impedir que retorne.
Se acontecer algum problema nesse trajeto, as válvulas não trabalham com eficiência e o sangue se acumula no local, dilatando as veias e fazendo surgir as varizes.

 – Quando os vasinhos começam a preocupar?

Na maior parte das vezes, dá para conviver pacificamente com eles. Afinal, são indolores, não causam outros problemas nem são sinal de qualquer complicação de saúde. Em casos esporádicos, podem surgir ondulações azuladas, principalmente nos tornozelos e pés – um local que favorece o atrito com calçados.
Essas pequenas veias podem se romper, provocar sangramentos ou mesmo feridas que demoram para cicatrizar.
Se acontecer, é bom conversar com um especialista para escolher o tratamento mais indicado.
Além disso, a mulher que realmente estiver se sentindo incomodada com sua aparência, deve procurar seu médico.

 – O vasinho volta depois do tratamento?

Vasinhos, microvarizes e varizes são problemas crônicos que provocam a dilatação das veias. Todos os métodos usados tratam essas veias definitivamente. Porém, a hereditariedade e os outros fatores que desencadeiam o problema podem fazer com que o quadro se repita, mas sempre em outros vasos.

 – Quais são os tratamentos mais eficientes?

Para os localizados em áreas como face, colo, seios, abdômen e costas, o único tratamento é o raio laser. Funciona da seguinte forma: um aparelho emite flashes intensos de luz sobre a região afetada que atravessam a pele e atingem os vasos superficiais a uma temperatura suficiente para queimá-los e destruí-los.
Há uma certa ardência na hora, mas não ficam manchas ou hematomas.
Já os vasinhos que estão localizados em outras regiões devem ser combatidos com uma associação de laser e crioesclerose ou laser e esclerose com “espuma”.
O primeiro método consiste na aplicação, por injeção, de um produto em baixa temperatura que irrita e lesiona a parede interna do vaso, secando-o.
Já a esclerose com “espuma” se parece com a técnica anterior, com a diferença de que o produto injetado é misturado ao ar, formando uma espuma densa.
Além de irritar a parede da veia, essa “espuma” coagula o sangue que, posteriormente, é absorvido pelo organismo.

Porque as Varizes aparecem ?

O defeito nas veias das pessoas que têm varizes está nas válvulas e nas paredes das veias.
Existem dois tipos de veias nos membros inferiores, as veias superficiais que ficam sob a pele, na camada de gordura e que podem ser visíveis e existem as veias profundas que ficam no meio da musculatura da perna e não são visíveis, e existem ainda as veias comunicantes, que ligam as veias superficiais e profundas.
As válvulas orientam o sangue nas veias dos membros, sempre da veia superficial para a profunda, através da veia comunicante, e impedem que o sangue faça o caminho errado, descendo pelas veias, quando a pessoa está de pé ou sentada.

As artérias levam o sangue do coração para todo o corpo. O sangue então, depois de oxigenar e alimentar as células, retorna para o coração através das veias. Quando a pessoa está em pé ou sentada, o sangue vai para o pé com facilidade, porque o coração impulsiona e, além disso, para baixo é mais fácil.
Mas, como o sangue retorna, se na perna não há coração? – Quando se está em pé parado ou sentado, existe mesmo uma certa dificuldade para o sangue voltar para o coração.
Nas pessoas em que as veias têm válvulas e paredes normais o sangue aguarda a oportunidade de voltar, sem causar nenhuma alteração.
Nas pessoas em que as válvulas estão doentes acontece, então, uma inversão no caminho do sangue, que passa a ir de cima para baixo e da veia profunda para a superficial.
Este fato provoca um aumento do volume sanguíneo dentro da veia superficial, ocorrendo o processo de dilatação e aparecimento das varizes.
O sangue volta para o coração através do coração periférico, que na verdade, existe.
É a musculatura da panturrilha (“batata da perna”).
Mas este coração só funciona quando nos movimentamos, contraindo e relaxando o músculo da perna.
Quando os músculos se contraem, impulsionam o sangue para cima realizando a circulação.

O Papel das Veias Safenas

Nós possuímos 4 veias Safenas, 2 em cada membro, a Safena Magna e a Safena Parva. A Safena Magna é uma veia que vai desde a parte interna do tornozelo até a virilha, correndo pela parte de dentro da perna e coxa. A Safena Parva vai desde a parte lateral do tornozelo, até o joelho, correndo pela parte posterior da perna.
Esta veia ficou famosa pela chamada operação de “ponte de safena”, que é uma cirurgia do coração, que nada tem a ver com as varizes.
As veias safenas são pouco importantes para a circulação normal da perna, e por isso podem ser retiradas sem problemas.
Mas como são veias superficiais, de fácil acesso, extensas, e de bom calibre, com paredes espessas, são retiradas para substituir outros vasos ocluídos, como as coronárias, artérias principais do coração.
As safenas são então uma espécie de “estepe” de vasos do corpo.

Entretanto, as veias safenas têm ligação com todas as veias da superfície da perna, e frequentemente estão envolvidas na doença varizes. Quando isto ocorre, elas ficam muito dilatadas, e necessitam ser retiradas.
O médico tem sempre o cuidado de não retirar todas as quatro, retira apenas as mais doentes, deixando algumas, que estão perfeitas, ou pouco doentes, para a eventualidade de ser necessário em cirurgias cardíacas, ou mesmo para substituir um outro vaso importante do corpo que esteja alterado, ou que sofreu um corte como em um acidente, por exemplo.

Todas as veias dos membros estão interligadas. É como se fosse uma árvore, onde as safenas são as raízes , os seus ramos são os troncos, as microvarizes, são os galhos , e os vasinhos são as folhas .

No tratamento é importante identificar onde está o problema, e tratar todas as áreas que estão envolvidas, para se obter um resultado prolongado. Se forem só os vasinhos, as “folhas” que estão acometidos, então só eles serão tratados.
Se as microvarizes, “os galhos”, também estão, então devem ser também tratados, do contrário nascerão novas folhas.
Se as “raízes”, as safenas estão doentes, ou estão seus ramos os “troncos”, então todos devem ser tratados.

Por este motivo, um exame clínico detalhado deve ser feito pelo médico especialista na consulta inicial, que vai determinar os caminhos que o sangue segue, e conhecendo o tipo das varizes, vai propor o tratamento melhor.
Se necessário o médico vai solicitar ultra-som, pletismografia ou mesmo radiografias ou angioressonância para bem avaliar as alterações e programar o tratamento.
Mas os médicos mais experientes, com o simples exame clínico, já diagnosticam e sabem exatamente o que fazer para melhorar, tanto os problemas estéticos, como a doença.

Ficar em pé e sentado são as posições que mais favorecem o aparecimento de varizes

As posições que favorecem o aparecimento de varizes são ficar em pé parado ou sentado. Como já vimos, nestas posições existe dificuldade para a circulação de retorno e é justamente quando as varizes aparecem.
Estando em movimento fazemos funcionar o coração periférico, que impulsiona o sangue para cima evitando o aparecimento de varizes e quando estamos deitados o coração fica no mesmo nível da perna, o que facilita o retorno do sangue, se estivermos com os pés elevados, o coração fica para baixo e os pés para cima e o retorno sanguíneo então é muito favorecido.

Porque aparecem veias de vários tamanhos desde os vasinhos da pele até as grossas veias

Quando as veias maiores da superfície se dilatam, temos o aparecimento das grandes varizes, chamadas de grosso calibre. Quando são ramos destas veias que se dilatam, ou na fase inicial da doença, temos as chamadas microvarizes, que são trajetos azulados vistos sob a pele.
Quando são as veias da própria pele que se dilatam, temos os vasinhos, cujo nome técnico é telangiectasia.
Telangiectasia significa: tele é longe, angio é vaso e ectasia é dilatação, portanto, dilatação do vaso distante.

As veias safenas são as veias superficiais principais, e estão envolvidas no processo de aparecimento de varizes. Como já vimos existem duas em cada perna, a safena magna e a safena parva.

Existe comunicação entre as varizes, microvarizes e “vasinhos”, tudo ocorre como se fosse uma rede, que transmite a pressão do volume de sangue.
Quem dilata primeiro é que recebe maior volume de sangue no sentido errado (de cima para baixo e de dentro para fora, o inverso do normal, de baixo para cima e de fora para dentro), ou onde o sangue fica mais represado.
A veia da pele gera o “vasinho”.
Quando se dilatam as microveias, aparecem as microvarizes e quando se dilatam as veias superficiais maiores levam ao aparecimento das varizes.
Se o refluxo (caminho inverso do sangue) ou o acúmulo de sangue atinge só uma parte das veias, só estas se dilatarão, se atinge todas, todas dilatarão.

Se o refluxo ocorre só na pele, teremos os vasinhos, então para tratar, basta cuidar destes pequenos vasos. Mas se uma veia provoca refluxo para a pele, esta cria os vasinhos para acomodar o sangue. O tratamento então é retirar os vasinhos, mas também a veia que provoca o refluxo ou acúmulo.
Este quadro é chamado de “telangiectasias combinadas”, que são os vasinhos ligados a uma veia, e os dois com alterações.
Este processo é muito amplo nos membros, podendo haver acúmulo e refluxo atingindo vários tipos de vasos, ao mesmo tempo ou isoladamente.
Assim uma safena pode provocar refluxo para as veias da pele, ou refluxo para as colaterais, e dependendo do que dilatar teremos os diversos tipos de varizes.

É muito importante um exame inicial cuidadoso do médico, antes de qualquer tratamento, porque ele vai identificar pelo exame clínico ou com aparelhos de ultra-som estes caminhos que acontecem na árvore venosa, identificar se há problemas nas safenas (raízes), nas colaterais (troncos), nas reticulares ou microvarizes (galhos) e nas telangiectasias ou vasinhos (folhas).
Uma vez identificado, vai propor as melhores opções de tratamento, considerando a doença e a estética.

Assista o vídeo abaixo para saber mais sobre varizes e os tipos de tratamentos

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