Vítimas de enxaqueca têm duas vezes mais chances de sofrer paralisia facial

Tem crescido os caso de paralisia facial em pessoas que sofrem de enxaqueca crônica.

Pacientes que sofrem de enxaqueca, principalmente com as seguidas crises agudas de dor de cabeça apresentam maior risco de transtornos de ansiedade, depressão e até isquemia cerebral.

A enxaqueca é uma doença neurovascular crônica e incapacitante. Trata-se do distúrbio mais comum do sistema nervoso com base biológica e que acomete normalmente pessoas geneticamente predispostas. As causas, apesar dessa possível tendência hereditária, continuam indefinidas. No entanto, muitos são os problemas associados a ela. Pacientes que sofrem com as seguidas crises agudas de dor de cabeça apresentam maior risco de transtornos de ansiedade, depressão e até isquemia cerebral. Nova pesquisa publicada na versão on-line da revista Neurology, da Academia Americana de Neurologia, traz mais um fator a essa equação. A enxaqueca pode dobrar o risco de ocorrência da paralisia de Bell, também chamada de paralisia periférica facial.

A equipe liderada por Shuu-Jiun Wang, da Universidade Nacional de Yang-Ming e do Hospital Geral de Veteranos de Taipei, em Taiwan, acompanhou 136.704 pessoas com mais de 18 anos, divididas em dois grupos — com e sem enxaqueca — e acompanhadas por três anos em média. Nesse período, o diagnóstico de paralisia de Bell foi confirmado em 671 participantes enxaquecosos e em 365 do grupo controle.

Outros fatores que poderiam aumentar o risco de desenvolvimento do problema, como sexo, pressão alta e diabetes, foram considerados. Os números finais mostram que as pessoas com enxaqueca tinham uma propensão duas vezes maior para o desenvolvimento da paralisia. “A infecção, a inflamação ou os problemas cardíacos e vasculares compartilhados poderiam estar em causas originais para essas doenças”, explica Wang. “Se um elo comum é identificado e confirmado, mais pesquisa podem levar a melhores tratamentos para ambas as condições.” A maioria das pessoas que têm a paralisia se recupera após algumas semanas ou meses.

Para o secretário do Departamento Científico de Cefaleia da Academia Brasileira de Neurologia, Fernando Kowacs, a associação confirmada pelo trabalho de Wang não significa que a paralisa pode ocorrer durante as crises. “A informação não é de causa, mas de que é uma população com maior chances de paralisia. Ainda é difícil saber como seriam os mecanismos disso”, observa. Kowacs explica que, na enxaqueca, o trigêmeo é comprometido, um nervo sensitivo que está presente em uma das etapas finais do processo da dor. Para o especialista, o estudo de Taiwan precisa ser confirmado por outras instituições.

Outras complicações

Segundo Ann Scher, membro da Academia Americana de Neurologia, a enxaqueca tem sido associada, em outros estudos, com o acidente vascular cerebral e doenças cardíacas. Um trabalho conduzido por ela com pacientes de 33 a 65 anos indica que eles são mais propensos a desenvolver Parkinson e outros distúrbios do movimento.

Estudo publicado por Scher também na Neurology, em setembro, mostra que vítimas de enxaqueca com aura são duas vezes mais propensas a serem diagnosticadas com Parkinson. “A disfunção no mensageiro de dopamina cerebral é comum tanto ao Parkinson quanto à síndrome das pernas inquietas, e existe a hipótese de que alguns sintomas da enxaqueca, como excessivos bocejos, náuseas e vômitos, podem estar relacionados à estimulação dos receptores da dopamina.”

O que é paralisia facial?

A paralisia facial acontece unilateralmente nos músculos da face de forma súbita, parcial ou completamente. Esse comprometimento pode ocorrer no trajeto do nervo facial ainda dentro do cérebro, por um acidente vascular cerebral, por exemplo, ou fora dele. Quando ocorre fora, a paralisia é chamada de paralisia facial de Bell e acomete cerca de 20 em cada grupo de 100.000 pessoas, nos Estados Unidos, representando 55% a 80% dos casos de paralisias faciais periféricas.

O nervo facial é um nervo misto, motor e sensitivo, que parte do tronco cerebral e segue em direção ao osso temporal, passando por um canal ósseo próximo à orelha interna, de onde emerge junto à glândula parótida. Ele tem as funções de mobilidade dos músculos do rosto, de recolher a sensibilidade do canal do ouvido e de controlar as lágrimas e a saliva, além de ser responsável pelo sabor na parte dianteira da língua.

A paralisia facial é dita central ou periférica, conforme se origine respectivamente em doenças do sistema nervoso central ou em doenças do próprio nervo facial.

Quais são as causas da paralisia facial?

A paralisia facial pode ser causada por vários fatores, como mudanças bruscas de temperatura; estresse; traumatismos ou acidente vascular cerebral (AVC); cirurgias da glândula parótida (glândula da salivação); otites; infecções; alterações circulatórias ou tumores próximos ao nervo facial ou no próprio nervo, entre outras causas.

Na paralisia de Bell, assim chamada quando uma causa não é conhecida, acredita-se que haja um mecanismo inflamatório no nervo facial como resposta a uma infecção viral, uma compressão ou uma ausência de irrigação sanguínea. Este é o tipo mais comum de paralisia facial.

Os diabéticos têm uma probabilidade aumentada de desenvolver uma paralisia facial quando comparados à população geral, o que também ocorre com gestantes no último trimestre da gravidez ou em pacientes imunodeprimidos. Infecções virais ou bacterianas e doenças autoimunes também aumentam o risco de paralisia facial.

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Quais são os principais sinais e sintomas da paralisia facial?

A paralisia facial, embora de surgimento geralmente súbito, pode desenvolver-se progressivamente. Antes do desenvolvimento da paralisia costuma aparecer uma dor no pescoço, ouvido ou região retroauricular, mas essas queixas não são reconhecidas como uma prévia da paralisia facial.

A paralisia de Bell afeta os músculos faciais, especialmente os inervados pelo oitavo par craniano, mas os doentes devem igualmente efetuar uma avaliação dos outros nervos cranianos.

A paralisia facial pode ser máxima desde o início ou instalar-se aos poucos, durante alguns dias. Alguns doentes queixam-se de uma sensação de “adormecimento” da face e outros de vertigens e otalgia (dor nos ouvidos). Outros, ainda, queixam-se de um lacrimejamento aumentado (lágrimas de crocodilo, não acompanhadas de emoção) ou, inversamente, de diminuição do lacrimejamento.

Na paralisia estabelecida os sintomas mais comuns são:

  • Boca torta, repuxada para o lado não paralisado.
  • Boca seca.
  • Falta de expressividade em um dos lados da face.
  • Impossibilidade de fechar completamente um dos olhos e de franzir a testa.
  • Dor de cabeça ou na região cervical.
  • Dor na mandíbula.
  • Ausência de sabor na ponta da língua.
  • Hiperacusia (aumento da sensibilidade ao som) em um dos ouvidos.
  • Dificuldades para assoviar ou para reter a saliva dentro da boca.

A paralisia facial central geralmente compromete somente a parte inferior da face, com preservação do olho e da fronte do lado acometido, mas também ocasionando desvio da boca para o lado contrário.

Como o médico diagnostica a paralisia facial?

O diagnóstico da paralisia facial é essencialmente clínico, feito através da observação do paciente. Contudo, para certificar-se de que não há nenhuma outra patologia subjacente, pode-se recorrer a exames de imagens neurológicas como, por exemplo, à ressonância magnética e a análises do líquor ou a outros exames laboratoriais. A eletroneuromiografia pode dar uma ideia da afetação dos músculos e das fibras nervosas, ajudando no estabelecimento de uma estimativa prognóstica.

Como o médico trata a paralisia facial?

A não ser que haja outra patologia subjacente, caso em que ela deve ser tratada pelos meios adequados, o tratamento da paralisia facial é sintomático e deve ser feito com corticoides, uso de colírios, medicamentos antivirais e fisioterapia. O uso de colírios é essencial para manter hidratado o olho afetado e diminuir o risco de lesões na córnea. Massagens nos músculos da face e outros recursos fisioterápicos são essenciais para prevenir hipotrofias musculares. Ao dormir, pode-se usar uma venda e/ou aplicar uma pomada de maior duração.

Deve-se iniciar a fisioterapia o quanto antes, para conseguir melhores resultados. Cabe ao fisioterapeuta identificar os músculos comprometidos. Além dos exercícios, gelo é utilizado para estimulação. Aparelhos de eletroestimulação podem servir para nutrição do nervo e diminuição da dor. Dados comprovam que quando o tratamento é iniciado nos primeiros dias o paciente pode recuperar-se em aproximadamente 1 mês, se realizar pelo menos 3 atendimentos de fisioterapia por semana com duração de 45 minutos cada.

Como evolui a paralisia facial?

A recuperação de uma paralisia facial depende da sua causa, mas a maioria (mais da metade) dos pacientes se recupera integralmente. Outros se recuperam apenas parcialmente, ficando com sequelas residuais e há aqueles que não têm nenhuma recuperação. A recuperação completa parece ocorrer mais frequentemente nas paralisias parciais e numa idade inferior a 40 anos. Quando há restabelecimento da função, o tempo para isso é variável, de duas semanas a alguns meses. Normalmente, as crianças tendem a se recuperar bem.

Consumo excessivo de chiclete pode provocar enxaqueca

Por mascarem muito chiclete, os jovens sobrecarregam a articulação da mandíbula com o crânio, o que pode provocar dor de cabeça.

Uma das guloseimas favoritas dos adolescentes e crianças pode estar dando muita dor de cabeça em seus adoradores. Literalmente. O chiclete foi apontado por estudo israelense como o motivo de enxaqueca diagnosticada em jovens com idade entre 6 e 19 anos. A suspeita principal é de que a goma de mascar cause um certo estresse na articulação temporomandibular — onde a mandíbula encontra o crânio —, levando à cefaleia. O experimento feito com 30 jovens foi publicado na revista científica Pediatric Neurology e pode ajudar no tratamento de inúmeros casos de enxaqueca tensional em adolescentes, eliminando até a necessidade de testes ou medicação.

“Todo médico sabe que o uso excessivo dessa articulação vai causar dores de cabeça”, garante o líder do trabalho, Nathan Watemberg, da Universidade de Tel Aviv, filiado ao Centro Médico Meir. “Eu acredito que é isso que acontece quando as crianças e adolescentes mascam chiclete em excesso”, completa. Segundo Watemberg, o estudo foi motivado por observações clínicas feitas por ele. Muitos pacientes que tinham as dores de cabeça eram mascadores diários de chiclete. Apoiado por estudos odontológicos anteriores, é conhecido que os pacientes adolescentes estão entre os mais ávidos mastigadores.

Quando Watemberg sugeriu que eles parassem com o chiclete por um período curto, avanços substanciais foram percebidos. “Dos nossos 30 pacientes, 26 relataram melhora significativa e 19 tiveram resolução completa da dor de cabeça.” Depois de um mês sem goma de mascar, 19 dos 30 pacientes relataram que as dores de cabeça foram embora inteiramente e sete relataram uma diminuição na frequência e na intensidade do problema. Para testar os resultados, 26 voluntários concordaram em retomar o uso de goma de mascar durante duas semanas. Todos reapresentaram os sintomas da enxaqueca em poucos dias.

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As dores de cabeça são comuns na infância e se tornam mais frequentes durante a adolescência, especialmente entre as meninas. Há ainda poucas pesquisas na área e os principais gatilhos para o problema apontados pelos especialistas eram estresse, cansaço, falta de sono, calor, ruído, luz solar , tabagismo, falta de refeições e o período menstrual. Um estudo recente, porém, apontou o aspartame como possível explicação da relação entre o chiclete e a dor de cabeça. A substância é usada como adoçante artificial na maioria das gomas de mascar.

Watemberg, porém, descarta essa possibilidade. “Chiclete só é saboroso por um curto período de tempo, o que sugere que não contém muito aspartame. Se causou dores de cabeça, não seria muito diferente de bebidas dietéticas e produtos adoçados artificialmente”, argumenta. Além disso, reforça o pesquisador, as pessoas continuam mascando o chiclete mesmo ele não tendo mais gosto, colocando um peso significativo sobre a articulação temporomandibular.

Conheça as substâncias e alimentos que provocam e evitam dor de cabeça

Refeição pode desencadear ou agravar diferentes tipos de dor de cabeça em pessoas suscetíveis ao problema. Existem pessoas que acreditam ser normal sentir uma dorzinha de cabeça após um dia cansativo, mas não sabem que essa patologia pode ser causada por determinadas substâncias contidas em alguns alimentos. “A refeição pode desencadear ou agravar diferentes tipos de dor de cabeça em pessoas suscetíveis ao problema. Essa interferência alimentar que causa as aflições só ocorre de acordo com a correlação entre quantidade, temporal e digestão”, explica o neurologista Deusvenir de Souza Carvalho, membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBC).

Nos casos de enxaqueca, o médico afirma que o paciente pode ter uma crise causada por um alimento e não por outro. “Não dá para generalizar. Cada pessoa tem uma reação. Por exemplo, alguém pode sentir dor de cabeça quando ingere chocolate e outra quando come queijo. É uma questão personalizada.”

Substâncias e alimentos que provocam dor de cabeça:

Aminas: Substância presente em queijos, chocolate, cerveja, vinhos, entre outros, que altera a calibração e dilatação dos vasos sanguíneos, contribuindo para a dor de cabeça.

Cafeína: Presente no café, chás pretos e refrigerantes. Eleva a pressão arterial por meio da contração dos vasos sanguíneos e pode desencadear a dor

Lipídeos: Manteiga, carnes gordas, queijos, frituras, doces, requeijão, leite integral, entre outros alimentos contêm esse tipo de substância que apresenta proteína alergênica e, por consequência, a dor de cabeça é um dos sintomas

Histamina e tiramina: Presentes em bebidas alcoólicas, como cervejas e vinhos. Por essa razão, o álcool é associado à dor de cabeça

Nitratos e nitritos: Substâncias presentes no salame, presunto, peixes, camarão, salsicha, carnes vermelha e branca. Como a amina, altera a calibração e a dilatação dos vasos sanguíneos e contribuem para a dor

Existem as substâncias e alimentos que podem diminuir e aliviar esse incômodo que é a dor de cabeça:

Magnésio: Presente em vegetais folhosos, nozes, arroz integral, pão integral, aveia, entre outros. Reduz o espasmo dos vasos arteriais e relaxa a musculatura tensionada. Normalmente, quem tem enxaqueca apresenta falta de magnésio.

Triptofano: Encontra-se em verduras, feijão, ovos, carnes, aves, pescados etc. Este aminoácido é um neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar, além de reduzir a ansiedade, auxiliando no processo. Se você sofre com dor de cabeça, guarde essa dica

Ômega 3: Presente na linhaça, peixes e ovos, é um tipo de gordura ‘boa’ e que tem ação anti-inflamatória.

Alimentos antioxidantes: Cenoura, gengibre, maçã e kiwi, que contribuem para bloquear as prostaglandinas, substâncias responsáveis pelos processos de inflamação. Ou seja, ótimos aliados contra a dor de cabeça

Alimentos e excesso de exercícios podem piorar a dor de cabeça

Será que há alguém no mundo que nunca tenha sentido dor de cabeça ou não vá sofrer com uma? Improvável. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cefaleia, 95% da população no país apresentará uma dor de cabeça ao longo de sua vida. Cerca de 70% das mulheres e 50% dos homens terão pelo menos um episódio de cefaleia ao mês. A enxaqueca ocorre em até 20% das mulheres e entre 5% e 10% da população masculina. No Brasil, um total de 13 milhões de pessoas vão encarar a dor de cabeça pelo menos 15 dias por mês, a chamada cefaleia crônica diária. Números considerados alarmantes.

Uma classificação internacional indica que há mais de 150 tipos de cefaleias, sendo as mais comuns a cefaleia tensional e as enxaquecas. A primeira é considerada a mais frequente, apresenta-se com dor leve a moderada, geralmente em pressão em toda a cabeça, com duração de uma hora até vários dias. Ela é desencadeada principalmente por cansaço e estresse emocional. Já a enxaqueca tem vários subtítulos e é marcada por intolerância do paciente a luz, cheiros, barulhos e movimentos.

Segundo Célia Roesler, da Sociedade Brasileira e Internacional de Cefaleia e membro titular da Academia Brasileira de Neurologia, a enxaqueca é um tipo de cefaleia e não é a mais comum. A diferença, de acordo com Célia, é que a enxaqueca ocorre em um ou ambos os lados da cabeça, predominando a dor latejante e pulsátil, podendo durar de quatro até 72 horas, acompanhada de náuseas e/ou vômito.

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A sensação de quem sofre da enxaqueca é a de não ter escapatória. No entanto, a presidente da Sociedade Mineira de Neurologia, Rosamaria Guimarães, enfatiza que quando o paciente tem consciência de seus hábitos é possível identificar os gatilhos da dor de cabeça. Às vezes não é preciso sequer tomar remédio, mas mudar de comportamento. “Quer dizer, se a privação do sono é que vai desencadear a dor, procure dormir bem.”

De olho nos gatilhos

Rosamaria enumera vários gatilhos com os quais lidamos no dia a dia e que podem provocar a dor de cabeça. Conhecê-los é fundamental para evitar o que afeta seu bem-estar. Um dos gatilhos está no que você come. Então, ela recomenda: “Se você come alguma coisa e sente dor de cabeça na sequência, passe a observar mais sua alimentação. Queijos defumados, amarelos, comida chinesa (por causa do glutamato monossódico), embutidos, enlatados (por causa dos conservantes, estabilizantes e aromatizantes), alimentos gordurosos e chocolate estão nessa lista”, indica. Há ainda as bebidas alcoólicas, principalmente o vinho tinto, além de bebidas com cafeína, como café, chá (preto e mate) e a Coca-Cola. “A cafeína trata, mas também dá dor de cabeça”, diz. Tem ainda o grupo dos odores, com os perfumes, cigarros e produtos de limpeza.

Célia Roesler enfatiza que “os gatilhos são para a enxaqueca. O paciente enxaquecoso pode estar sem dor, mas se exposto a eles vai senti-la.” E os gatilhos para os quais ela chama a atenção, além dos já citados pela colega Rosamaria Guimarães, são molhos vermelhos, shoyu, fritura de modo geral, muitas horas sem se alimentar ou comer muito, mudança brusca de temperatura e calor excessivo, estresse físico e emocional, dormir pouco ou muito, nervosismo, cansaço, muita euforia, tristeza demais… “Não é receita de bolo. Cada pessoa é diferente. Nem todas vão ter dor de cabeça com chocolate. Para quem tem enxaqueca, o importante é não sair da rotina. A recomendação é ter dieta leve, horário regular de sono, fazer atividade física, já que aumenta a endorfina, nosso analgésico natural (se estiver com dor, fique em repouso porque qualquer esforço vai piorar).”

A neurologista Rosamaria ressalta ainda que há outros desencadeadores da dor. “Exercício físico extenuante, tiaras e rabo de cavalo apertados (por causa da tensão da musculatura, que vai gerar contração e a dor), remédios de pressão arterial (efeito colateral) e pílulas anticoncepcionais. Pessoas com bruxismo às vezes não sabem que têm o problema na articulação temporo-mandibular e acordam de manhã com a dor. Há ainda relatos da dor de cabeça sexual (enxaqueca por coito).” Rosamaria lembra que a dor ataca mais as mulheres por questões hormonais. “Ela é 10 vezes mais comum que no homem. E tem tendência a desaparecer com a menopausa.” Ela chama atenção também para a cefaleia crônica. “Essa é caracterizada pela dor que ocorre mais de 15 dias por mês, por três meses.”

Automedicação não deve ser adotada

A médica Célia Roesler enfatiza que o grande erro para tentar tratar as cefaleias é a automedicação. O maior desencadeador da dor crônica diária é o uso abusivo de analgésicos por causa do chamado efeito rebote. “O cérebro produz a endorfina, mas, quando o paciente passa a tomar analgésico demais, ele se acomoda, para de produzi-la e fica querendo cada vez mais o remédio.” Por outro lado, ela explica que, se a dor se instalou, é preciso medicação ministrada pelo médico. “É ele quem vai tratar a dor de cabeça adequadamente. Falamos que a dor é como um incêndio: se começou, tem de apagar. Mas é fundamental que seja com o remédio certo para aquela dor, para que, com o passar do tempo, o paciente possa até suportar uma dor menos intensa até ela passar, sem tomar o medicamento.”

Cefaleia em Salvas

Como se não bastassem tantos desencadeadores, há a temida e pouco conhecida cefaleia em salvas. Célia explica se tratar da pior dor de cabeça que existe, sendo mais comum nos homens, principalmente, os fumantes. “Ela já foi chamada de cefaleia suicida. Ela não melhora com repouso, silêncio, ambiente sem luz. A pessoa, de tanta dor, chuta e dá murro na parede. A sensação é de um ferro em brasa perfurando o cérebro.”

A neurologista ensina que a cefaleia em salvas ocorre, geralmente, uma vez por ano ou a cada dois, três anos. É sazonal. E pode durar até três meses. O paciente pode ter até oito crises por dia com essa intensidade.” A dor tem controle, mas não tem cura e pode durar de 15 a 180 minutos. O médico indica o tratamento mais adequado, já que o sofrimento é muito grande.” Muitos chegam a pensar que estão com tumor”, diz.

Conforme a neurologista, a dor de cabeça “tem cura medicamentosa e melhora a qualidade de vida social.” Célia alerta sobre as crianças que também têm muita dor de cabeça. “É preciso acreditar nelas e buscar ajuda. Muitas vezes a dor aparece no intervalo entre o almoço e o recreio (índice de hipoglicemia) ou em quem não gosta de tomar café da manhã (falta de alimento). Os pais têm de dar atenção a esses casos.”

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