Câncer de Pele – Tudo que precisa saber

Congênitos ou adquiridos, os nevos, popularmente conhecidos como pintas, podem ser sinais de doenças como o câncer de pele. É preciso ficar atento!

Nevos, do latim, defeito. Ou seja, antes de achar uma pinta (nevo) charmosa, tenha bem claro que ela é um alerta sobre uma deformidade, má-formação. Apesar de a maioria ser realmente uma charme – basta pensar em Angelina Jolie, Cindy Crawford, Elizabeth Taylor, Kate Middleton, Madonna, Marilyn Monroe.
Marcus Maia, coordenador do Programa Nacional de Controle do Câncer de Pele da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), avisa: “Temos chances de ter vários tipos de defeito.
Um nevo de qualquer linhagem celular.
A mancha vermelha no rosto, o hemangioma, é um nevo vascular e o defeito é da célula do vaso.
Há defeitos de outros tipos de células, manchas de cores diferentes, mas os que mais preocupam são os nevos melanocíticos, que são as pintas escuras”.

Os nevos escuros podem ser congênitos e adquiridos. Os primeiros estão presentes ao nascer ou próximo do nascimento. “É uma fatalidade. Não é genético e, sim, um defeito intraútero. De tamanhos variáveis, podem ser pequenos, médios e grandes. O grande, como se fosse um calção de banho, é raríssimo. O médio, de 3cm a 20cm, também é considerado raro.
Os pequenos são mais comuns e 5% nascem com este tipo.
A maior incidência são os menores de 3cm.

Já os nevos adquiridos aparecem durante a vida, são pequenos, as chamadas pintas comuns. E o que há de errado com elas? “Essas surgiram a partir de defeito da célula-tronco. De repente, a célula-tronco é atingida pela radiação ultravioleta solar e dá origem a pintas comuns, benignas.
Mas, por circunstâncias que desconhecemos, ela pode causar a pinta maligna, o melanoma”, explica Marcus Maia, que alerta: “Quem toma sol demais pode vir a desenvolver o melanoma (câncer de pele)”.

De acordo com o dermatologista, é fundamental que todos tenham consciência de que “é marcador de risco quem tem mais de 50 pintas pelo corpo. Então, quem tem uma área toda pintada, abra o olho”.
Ele acrescenta que pessoas de pele, cabelo e olhos claros estão dentro de um grupo com maior propensão a desenvolver o tumor da pele, assim como quem tem antecedentes familiares.
“A pinta faz parte de um contexto maior.
Quem tem mais de 100 pintas, estatisticamente tem mais chance de desenvolver câncer de pele, principalmente o melanoma.
Pinta é sinal de pele fraca e sensível por tomar sol com pouca ou nenhuma proteção.

O melanoma pode vir sozinho, do nada, ou dentro da pinta. “Por isso é importante examinar o território com o dermatologista periodicamente. Nevo é sinal de associação do melanoma. Uma pessoa pode ter, em média, de 30 a 400 pintas espalhadas pelo rosto e corpo.
O ideal é que pacientes com número excessivo de nevos façam visitas periódicas ao dermatologista.
O médico tem experiência e mecanismos para confirmar se está tudo bem, fazendo o exame de dermatoscopia, que fotografa as pintas para fazer o acompanhamento”, alerta o oncologista e diretor da Oncomed BH, Amândio Soares.

Ele explica a incidência dos casos de câncer de pele: o melanoma e o não melanoma. “O melanoma tem uma baixa incidência, cerca de três casos por 100 mil pessoas/ano, sendo mais agressivo, de crescimento rápido e com maior potencial de disseminação para outros órgãos.
O não melanoma é uma doença mais comum, com cerca de 70 casos por 100 mil habitantes/ano, de lento crescimento.
Apesar de muito prevalente, apresenta baixa taxa de mortalidade e menos de 4% dos pacientes vão a óbito devido a esse tipo da doença”, acrescenta Soares.

Amândio Soares compartilha uma regra – a ABCD usada para detectar sinais clínicos de uma pinta que faz mal. Então preste atenção na A (assimetria), B (borda irregular), C (cor diferente) e D (diâmetro), e se o sinal está crescendo.

Longevidade e o filtro solar

Apesar da atenção redobrada com as peles claras, as morenas também têm de se cuidar. “A fotossensibilidade é quanto a pele aguenta de sol, se é ou não resistente. Apesar de seguir pela cor do olho, da pele, do número de pintas, é bom lembrar que a pele morena também tem riscos”, acrescenta Maia.
A recomendação básica é usar filtro solar, sem que o sol seja totalmente proibido.
“Ele tem três etapas.
A luz, que enxergamos e não faz mal.
O infravermelho, que é calor, e não é prejudicial.
E o ultravioleta, que não vemos, nem sentimos, e é o grade problema.
Temos de nos proteger e bloqueá-lo”, diz Marcus Maia.
Sobre a sarda, ele explica que ela é a pinta que surge por queimadura de sol.
“Não é nevo, é um distúrbio de pigmento em cima da queimadura solar”, mas que também requer cuidado.

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De todas as informações, Maia alerta sobre a principal: “Ter pintas é sinal de risco. Procure um dermatologista. O câncer de pele aumenta no mundo todo. No Brasil, foram 182 mil casos de não melanomas em 2013, números do Inca (Instituto Nacional de Câncer), e mais 8 mil de melanomas. Números absurdos. Nos EUA, há 1,5 milhão por ano.
No Brasil é 10 vezes menor.

E será que as pessoas estão se protegendo? “Discussão atual levantada é que o aumento de casos recai sobre a longevidade de uma geração que tomou sol a vida toda e pouco se protegeu. É um dado para pesquisar. As novas gerações têm mais consciência e já não se expõem tanto”. A luta da classe médica é pela uso do filtro solar.
Há pouco tempo, a recomendação tem sido adotar protetores com filtros mais altos.
A explicação, conforme Marcus, é simples: “Acaba sendo um discurso da indústria.
Um filtro de 30 só será de 30, se a pessoa passar 2mg por cm2.
Um adulto de 70 quilos terá de passar 40ml, ou seja, praticamente metade de um tubo do produto.
E se pensar na mulher, filhos e na reaplicação a cada uma hora e meia, quanto a família vai gastar com o filtro solar? Sem falar que os produtos de maior proteção são mais caros e menores, geralmente para pequenas áreas.
O que importa é que cada um precisa se cuidar.
Proteção solar é um conjunto de atitudes.
Não coloque toda a responsabilidade no filtro”.
Tem ainda os óculos, o chapéu, o guarda-sol e até camisetas para fugir dos raios ultravioleta.

Vitamina D

Sobre a onda de informações e conversas de botequim do aumento do uso da vitamina D pelo brasileiro (em muitos tem sido detectada a deficiência do mineral), Marcus Maia é categórico: “Absurdamente tem se questionado o uso do filtro solar como barreira para o sol, responsável pela aquisição da vitamina D pelo homem.
Como o brasileiro não pratica a fotoproteção correta ou nem usa (a maioria), é impossível que alguém tenha deficiência da vitamina D devido ao uso do filtro solar.
Estamos sendo acusados indevidamente.
É balela e o mundo dermatológico até gostaria que fosse verdade.
Só determinamos a proteção absoluta para quem é do grupo de risco, geralmente para peles claras, que precisam de cinco minutos de sol, com 15% da área corporal exposta para ganhar 1.
000 unidades internacionais de vitamina D, sendo que precisa de 400.
Não admitimos interferência na consciência pública no combate ao câncer de pele combatido com a prevenção primária”.

Bruno Côrtes Aragão, oncologista e diretor do Cetus Hospital Dia

O sr. poderia falar das diferenças entre câncer de pele melanoma e não melanoma?

São os dois tipos de câncer de pele. O não melanoma é o câncer mais comum e, normalmente, o grupo de risco é formado por pessoas brancas, tendo como causa principal o sol. A maioria dos casos é tratada com cirurgia e há possibilidade de cura.
O risco é deixar grandes cicatrizes, geralmente, na face, pescoço ou tronco, os mais expostos, por ter tratado tardiamente.
A mutilação pela retirada de lesão é menor quanto mais precoce for diagnosticada.
Não precisa nascer a pinta, basta observar a pele irritada, inflamação, sangramento, lesão crescendo.
Já o melanoma normalmente ocorre nas pintas da pele.
Nele se usa a regra do ABCD (assimetria, borda, cor e diâmetro).
Ele pode invadir outros órgãos e dar metástase.
Pode surgir em lugares escuros, como as mucosas, boca, língua, olho, ânus, cérebro.
É raro.
O sol é um dos causadores desse tipo mais genético de tumor.

Como é a remoção das pintas?

Cirúrgica. Ela é tranquila e com anestesia local. Depois da incisão da pinta, ela é enviada para biópsia para termos o diagnóstico. Se a margem não for adequada, novo material é coletado, em uma nova intervenção.

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A pessoa tem várias pintas e não sente nada, nenhum incômodo, ou não percebe alteração. Mesmo assim é preciso consultar o médico?

A orientação da American Academy of Dermatology é que o paciente faça uma visita anual ao dermatologista. Pinta todos têm e é nossa obrigação prestar atenção. Se ela é congênita ou adquirida no decorrer da vida, não importa. É preciso observar sempre.
A maioria é benigna, apenas um agrupamento de melanina, mas acompanhá-la para ver se há alteração é fundamental.
Digo sempre que o companheiro é o maior aliado para checar as costas um do outro.
E, se possível, filmar ou fotografar para comparar a evolução das pintas.
A gravidade de se expor ao sol só aumenta: a incidência dos raios ultravioleta está cada vez mais agressiva e, por isso, a proteção com filtro é inquestionável.
O problema é que ele é usado de maneira errada, só uma vez por dia, e, por parte dos homens, ainda existe o tabu do ‘creminho’.
Todos precisam se cuidar porque o câncer de pele não é o que mais mata, mas é o de maior incidência.

Médicos defendem uso diário e obrigatório de protetores para evitar possíveis cânceres de pele

A geografia privilegiada do Brasil, próxima aos trópicos, significa também um risco maior à saúde da população. O Brasil soma mais de 9 mil quilômetros de litoral, pelos quais se espalham cerca de 2 mil praias. Dos 365 dias no ano, 280 deles são ensolarados.
Os números, de fato, confirmam que o país tem posição privilegiada, apreciada por aqueles que amam o sol e o mar.
Mas a proximidade dos trópicos também apresenta perigos.
Somos tão abençoados geograficamente quanto vulneráveis aos riscos da radiação solar.
Na prática, aqui, registram-se índices de radiação ultravioleta no inverno mais altos do que aqueles aferidos durante o verão em outros continentes, como a Europa.
Isso quer dizer que, no Brasil, o prazer é garantido para curtir a praia, mas o cuidado com a pele é uma obrigação.

O tema foi destaque do 68º Congresso da Sociedade Brasileira de Dermatologia, ocorrido em setembro 2013 e sediado em Brasília . Dermatologistas, pesquisadores e farmacêuticos se reuniram para mostrar estudos que convencessem a população de que a exposição ao sol exige muita precaução.
Os especialistas ainda apresentaram as novidades em fotoproteção e falaram das formas de se prevenir e diagnosticar precocemente o câncer de pele.
“A fotoproteção é um conjunto de atitudes”, alerta o médico Marcus Maia, coordenador do Programa de Combate do Câncer de pele, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
Ele quer dizer que é preciso mudar de hábitos.
Isso inclui passar mais tempo na sombra, mas, se a exposição for inevitável, fuja dos horários de maior insolação, entre as 9h e as 15h.
Além disso, use roupas adequadas, chapéu, boné, óculos escuros e, claro, aplique protetor solar.
“É uma proteção eficiente que pode ser usada em qualquer época do ano.

Até aí, a cartilha é a mesma repetida todos os anos. O que se apregoa cada vez mais, porém, é que se escolha produtos com fator de proteção solar mais alto, que pode chegar a 100.
“Se as pessoas passassem a quantidade adequada de protetor, um produto de fator de proteção 30 seria suficiente, mas um pequeno erro de aplicação reduz muito o tempo de proteção do indivíduo”.
Pesquisador em fotoproteção e coordenador do Departamento de Fotobiologia da SBD, o dermatologista Sérgio Schalka explica que os estudos mais recentes apontam que, na hora de aplicar o protetor solar, as pessoas usam só um terço do recomendado.
O problema é que a quantidade reduzida diminui a eficácia da proteção e um filtro com FSP 20 passaria a ter, na verdade, a ação de um de 7.
“O ideal seria usar de um terço a um quarto de um frasco de protetor de 120ml a cada aplicação, mas sabemos que isso é demais na prática.

Assim, a compensação do prejuízo seria usar um filtro de FSP mais alto. Isso porque os filtros de maior proteção, de fato, diminuem os riscos. Funciona assim: um filtro de fator 100 barra 99% da radiação solar, enquanto um de 50, filtraria 98%. Parece pouco, mas na verdade a proteção é dobrada quando se escolhe o de FSP maior.
“Essa pequena dose de radiação que passa e fica acumulada vai virar uma conta muito alta para se pagar no futuro, já que os efeitos do sol são cumulativos”, afirma.

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Segundo Nilo Cobeiros, cientista da Johnson & Johnson, que lançou durante o Congresso o Minesol Actif Unify – FSP 80, muita gente tem resistência a usar produto com fator de proteção maior porque, em geral, esse produto tem mais óleo na composição. O resultado é que se torna mais espesso e de aplicação menos agradável.
“Por isso, enfrentamos o desafio de criar um produto de alta proteção e cosmeticidade mais leve”, acrescenta o cientista.

Os efeitos nocivos

Pesquisa da Johnson & Johnson aponta que as brasileiras se expõem ao sol, todos os dias, um pouco mais que uma hora, independentemente de irem ou não à praia. O maior problema é que a geografia brasileira, próxima dos trópicos, apresenta um nível de radiação UV muito alto durante o ano inteiro.
“A radiação ultravioleta aqui chega a 14, o que não ocorre nos EUA e na Europa, por exemplo”, afirma Marcelo Corrêa, especialista em meteorologia física e coordenador da Universidade Federal de Itajubá (MG).
Ele ainda alerta que, no verão, dependendo da localidade e do horário, com apenas duas horas e meia no sol, a pessoa recebe uma quantidade de radiação 52 vezes maior do que a dose diária recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
“Em dias de céu claro, inclusive, banhos de sol antes das 10h, que é o recomendado pelos médicos, podem ter seis vezes radiação do que o indicado pela OMS.

E são justamente os raios ultravioletas que provocam mutações nas células, que, a longo prazo, podem se transformar em câncer. No Brasil, os números preocupam. O país é o que apresenta o recorde de crescimento de casos de câncer de pele.
Marcus Maia, coordenador do Programa de Combate do Câncer de Pele da SBD, conta que são estimados 140 mil novos casos todos os anos.
O melanona, a manifestação mais grave da doença, corresponde a 6 mil casos e pode levar a 1,2 mil mortes anualmente.

Mortes que poderiam ser evitadas com prevenção e diagnóstico precoce. Como não dá para evitar o sol completamente e, tampouco, existem planos de adiar as férias na praia, a dica é se prevenir. A mesma pesquisa da J&J aponta que apenas 31% da consumidoras usam protetor solar diariamente.
A proteção é essencial, especialmente para o grupo considerado de risco, como os de pele e olhos claros; pessoas que não se bronzeiam, só ficam com a pele vermelha; quem já teve queimaduras ou câncer de pele.
Quem tem muitas pintas pelo corpo, identificou uma ferida que não cicatriza ou pinta com bordas irregulares deve procurar um dermatologista.
Esses podem ser os primeiros sinais do câncer de pele.

A confirmação do diagnóstico de câncer, em geral, é pela biópsia comum. Porém, aparelhos cada vez mais modernos ajudam a detectar a doença mais cedo. Um deles acaba de chegar a Brasília – é o segundo do Brasil – e foi apresentado no evento. O exame de microscopia confocal reflectante permite aumentar em até 400 vezes o tamanho da lesão suspeita.
Em 68% dos casos, evita anestesia, cortes e cicatrizes desnecessárias se a lesão for benigna.
“A técnica é uma espécie de biópsia virtual e permite analisar a epiderme e a derme superior, camadas mais superficiais da pele, onde estão localizadas as alterações da maioria dos cânceres de pele e de muitas doenças dermatológicas”, explica o dermatologista Leonardo Spagnol Abraham, um dos responsáveis por trazer o aparelho para a capital.
“Mas é um exame de confirmação e não de rastreamento da doença.

Com a ajuda de um laser de baixa potência, é possível identificar com mais precisão uma célula mutada, indicativo de câncer. No entanto, todos os médicos são unânimes em reforçar que o câncer de pele é o único que você pode impedir que aconteça. Basta se cuidar.

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