Câncer infantil: os tipos mais comuns da doença entre os pequenos

Câncer infantil: os tipos mais comuns da doença entre os pequenos

O câncer pediátrico representa a primeira causa de óbito por doença tanto nos países desenvolvidos quanto no Brasil, entre as crianças com idade entre 1 e 19 anos. Por isso, o diagnóstico precoce é a melhor arma na luta contra a enfermidade, que pode ter sintomas semelhantes a outros problemas comuns da infância.

Cerca de 12 mil novos casos de câncer infantil são registrados no Brasil a cada ano, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca). O número é alto, mas não deve ser motivo para alarde. Isso porque, segundo Cecília Lima da Costa, diretora da Oncologia Pediátrica do A.
Camargo Cancer Center, o câncer em crianças e adolescentes é considerado uma doença rara – no mundo, apenas 3% do total de casos de neoplasias malignas acometem jovens de 0 a 15 anos e a maioria deles acontece na primeira infância.
Dados do Inca também apontam que, a cada um milhão de crianças de 0 a 5 anos, temos 200 casos; na faixa dos 5 aos 10, a média cai para 100.

Além disso, de acordo com o superintendente médico do GRAACC, Sérgio Petrilli, a taxa média de cura do câncer pediátrico no Brasil é de cerca de 70% – alguns tipos da doença chegam a ter índices ainda mais elevados.
No entanto, para obter esses números, é essencial que o diagnóstico seja feito precocemente, com um tratamento realizado em centros especializados.
O problema é que nem sempre a doença é descoberta no seu estágio inicial, principalmente porque alguns sintomas – como febre persistente, manchas rochas pelo corpo, gânglios e dores nos ossos ou no abdômen – podem se confundir com os de outros males muito comuns na infância.
“O importante é ficar atento caso o problema não desapareça uma semana após a visita ao pediatra”, reforça o superintendente médico do GRAACC.

Origens da doença

As causas do câncer infantil não são totalmente conhecidas. O que se sabe é que ele é causado por alterações em células embrionárias primitivas e imaturas, isto é, ainda em fase de crescimento, o que faz com que a evolução da doença geralmente ocorra de forma mais acelerada nos pequenos do que em indivíduos mais velhos.
“O tumor no adulto pode demorar anos para crescer”, esclarece Teresa Fonseca, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (Sobope).
Nesta fase mais avançada da vida, em geral, o surgimento de neoplasias está associado ao estilo de vida e a fatores de risco ambientais, ao contrário do que ocorre com o câncer pediátrico.
Entre as crianças, na maioria das vezes não há uma causa hereditária para a doença.
“Mas existe um componente genético nas células do organismo daquele indivíduo que predispõe ao aparecimento do câncer”, afirma Teresa.
 Os cânceres infantis são muitas vezes o resultado de alterações no DNA das células que ocorrem muito cedo, às vezes até antes do nascimento.
Ao contrário de muitos cânceres em adultos, o câncer infantil não está ligado ao estilo de vida e a fatores de risco ambientais.

Tratamento promissor

O diretor médico do Hospital de Câncer Infantojuvenil de Barretos, Luiz Fernando Lopes, destaca que a escolha do tratamento depende do grau de evolução da doença, do tipo de tumor e da idade do paciente.
“Pode ser quimioterapia, radioterapia ou cirurgia, combinados ou não, mas a radioterapia é bem pouco usada em crianças, pois produz mais efeitos colaterais a longo prazo”, afirma.

Lopes explica que, como os tecidos do organismo da criança afetados pelo câncer ainda estão em fase embrionária, elas respondem melhor à quimioterapia – o tratamento mais usado nos mais novos – e são mais tolerantes a ela. “Por isso, podem receber doses altas e se recuperam bem mais rapidamente”, diz.
Vale destacar que, com a diminuição da toxicidade da quimioterapia e a evolução dos remédios usados para diminuir seus efeitos colaterais, hoje as crianças sofrem muito menos com o tratamento e os efeitos tardios são muito menos frequentes do que eram antigamente.

De qualquer forma, como a quimioterapia diminui a concentração das células de defesa do corpo, durante o tratamento a criança não deve comer comidas cruas, nem usar a piscina ou tomar muito sol.
“Uma gripezinha ou infecção que podem ser simples de curar para uma criança em condições normais, é bem mais complicada para quem está com as defesas do corpo baixas”, avisa Sérgio Petrilli.
A quantidade de plaquetas, que são os componentes sanguíneos que ajudam a conter sangramentos, também cai, mas cerca de três semanas após o término do tratamento o indivíduo já pode voltar a levar uma vida normal.

Outro fator que conta a favor dos pequenos é que, diferentemente dos adultos, é rara a ocorrência de comorbidades, como diabetes, hipertensão e obesidade, que prejudicam a evolução do tratamento. Por outro lado, o grande problema é que não é possível fazer uma prevenção primária do câncer infantil.
“Os adultos podem, por exemplo, evitar o cigarro e a exposição excessiva ao sol, que estão entre os causadores de alguns dos principais cânceres na fase adulta, mas as chances de influências ambientais ocasionarem um câncer infantil são muito menores”, conta Luiz Fernando.

Com algumas exceções, os cânceres infantis tendem a responder melhor a tratamentos como a quimioterapia. O organismo de uma criança também tende a lidar melhor com a quimioterapia do que o organismo de um adulto.
Entretanto, os tratamentos, como quimioterapia e radioterapia, podem causar efeitos colaterais a longo prazo, de modo que as crianças possam precisar de uma atenção especial para o resto da vida.

O ideal é que a criança possa ser tratada em centros especializados de atendimento infantil. A grande vantagem desses centros é terem equipes de profissionais que conhecem as necessidades específicas das crianças e adolescentes com câncer.
Estas equipes geralmente incluem oncologistas pediátricos, cirurgiões, radioterapeutas, patologistas, enfermeiros pediátricos, psicólogos, assistentes sociais, nutricionistas e fisioterapeutas.

Como identificar

A seguir, saiba quais são os principais tipos de câncer que acometem crianças e adolescentes e conheça os sinais de alerta de cada doença – inchaços na região abdominal, perda de peso, falta de ar, palidez, dor óssea, vômito de manhã, caroços sem febre, além de alterações oculares, como pupilas brancas, estão entre eles.

Leucemia

O que é: É o câncer mais frequente em crianças e consiste no acúmulo de células imaturas do sangue na medula óssea – característica das leucemias agudas, que podem ser subdivididas em linfoide e mieloide.
Como é na medula que as células do sangue são formadas, a doença prejudica seu crescimento e funcionamento, podendo atingir gânglios linfáticos, baço, fígado, sistema nervoso central (cérebro e coluna vertebral), testículos e outros órgãos.

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Tipos de leucemia: Existem diversas formas de leucemia, mas as principais são classificadas em quatro categorias:

Leucemia mieloide aguda (LMA): é um câncer que se inicia na medula óssea e por sua vez, invade o sangue periférico.
A LMA se caracteriza pela rápida proliferação de células anormais e malignas (blastos) que não amadurecem, não desempenham sua função e ainda se acumulam na medula óssea, interferindo na produção normal de outras células sanguíneas.

Leucemia mieloide crônica (LMC): é um câncer que se inicia na medula óssea e invade o sangue periférico. É um câncer adquirido envolvendo o DNA na medula óssea, portanto não presente no momento do nascimento.

A leucemia mieloide crônica é caracterizada pela proliferação de células da linhagem granulocítica sem a perda de capacidade de diferenciação. É um tipo de doença mieloproliferativa característica por uma aberração citogenética ocasionada por uma translocação entre cromossomos, que resulta no cromossomo Filadélfia (cromossomo Ph1).
 A maioria dos casos de leucemia mieloide crônica ocorre em adultos, mas muito raramente também ocorre em crianças.

leucemia linfoide aguda (LLA): é um câncer dos leucócitos caracterizado pela produção maligna de linfócitos imaturos (linfoblastos) na medula óssea.

Na maioria dos casos, a leucemia linfoide aguda invade o sangue com razoável rapidez e pode se espalhar para outras partes do corpo, como os gânglios linfáticos, fígado, baço, sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal) e testículos (em homens).

Ao contrário de outros tipos de câncer, a disseminação da LLA para outras partes do corpo não significa que o câncer está em estágio avançado, já que a leucemia aguda, quando diagnosticada, é geralmente encontrada em todo o corpo..

leucemia linfoide crônica (LLC): é um câncer dos linfócitos, e o tipo mais comum de leucemia em adultos, com idade superior a 50 anos, raramente ocorre antes dos 40 anos. A leucemia linfóide crônica aguda afeta o linfócito B, que se origina na medula óssea e está presente nos linfonodos.
Os linfócitos B são células envolvidas no combate às infecções.

A leucemia linfoide crônica resulta de uma lesão adquirida no DNA de uma única célula, que danificada, prejudica a sua função e leva a um aumento desordenado na sua produção. A doença não está presente ao nascimento.

Os termos mieloide e linfoide indicam a linhagem do glóbulo branco. As leucemias agudas são casos abruptos, que requerem tratamento imediato e as leucemias crônicas, têm uma evolução bem mais lenta, com tratamento mais brando ou, às vezes, nem precisa de tratamento. Além dos quatro principais tipos, há vários subtipos.

Sintomas: A suspeita de leucemia surge quando a criança apresenta uma palidez progressiva, um cansaço além do normal e infecções de repetição. A confusão com a anemia é comum, mas quando ela vem acompanhada de febre intermitente deve ser investigada.
Outros sintomas são sangramentos vivos (na urina e no vômito) e sangramentos subcutâneos.
Manchas roxas merecem atenção, principalmente se aparecerem em locais onde as crianças não costumam sofrer traumas durante as brincadeiras – as pancadas são mais comuns nos membros superiores, porque a criança tende a usá-los para proteger outras regiões, como a barriga, por exemplo.
Dores ósseas, especialmente as que chegam a fazer a criança parar de brincar, também podem sinalizar que algo não vai bem.
Vale ficar atento se não houver nenhum relato de trauma no local.
Quando, na ocorrência de outros sintomas, há também o aumento de gânglios linfáticos – que, no pescoço, podem estar associados a dores de garganta – a hipótese de leucemia também deve ser levantada.

Diagnóstico: Quando há suspeita de leucemia a partir do quadro clínico, o médico deve pedir um hemograma – que avalia as células do sangue – e, para confirmar a hipótese, um mielograma, que examina a medula óssea.
 Nesse exame, retira-se menos de um mililitro do material esponjoso de dentro do osso e examina-se as células ali encontradas.

Tratamento: No passado, a doença era quase sempre fatal. Hoje se cura grande parte das leucemias. Em geral, o tratamento é feito apenas com quimioterapia. Pode levar até dois anos, mas costuma ser mais intenso nos seis primeiros meses, podendo exigir internações.
Depois disso, o mais frequente é que a criança não precise ficar no hospital.
Após o término do tratamento, o paciente passa a realizar exames periódicos para controle, mas, depois de cinco anos, a chance de a doença voltar é bem pequena.

Cada tipo de leucemia tem um tratamento:

Como cada caso é um caso, o paciente deve procurar orientação médica específica sobre o tipo da doença que o aflige:

Leucemias agudas: inicialmente o paciente faz quimioterapia. Depois, se necessário, indica-se o transplante de medula óssea.

Leucemia linfoide crônica: costuma aparecer mais em idosos e, normalmente, não precisa ser tratada por ser assintomática; ou é tratada com quimioterapia ou imunoterapia, se houver sintomas ou aumento muito grande da quantidade dos glóbulos brancos.

Leucemia mieloide crônica: foi o primeiro tipo em que a ciência determinou que um fator genético não hereditário era o causador da doença. “Ela é tratada por uma medicação chamada de terapia-alvo: a pessoa toma um comprimido por dia que age diretamente no alvo, corrigindo o defeito genético”, explica o hematologista.

Incidência: Mais frequente na faixa etária que vai dos 2 aos 5 anos, representa 30% dos casos de câncer pediátrico no Brasil. Em crianças, a leucemia mais frequente é a aguda do tipo linfoide. Isso é uma constatação. A leucemia linfoide aguda tem dois picos de incidência: um na infância e outro quando o indivíduo é idoso.

É bom lembrar que não há como prevenir nem diagnosticar precocemente a leucemia. Os casos crônicos, às vezes, não são nem acompanhados por um quadro clínico. O indivíduo faz um checkup, é detectada uma alteração no sangue, mas ele não tem sintoma algum.

A leucemia é relativamente rara. A incidência de todos os tipos somados está em torno de 4 casos por 100 mil habitantes”,

Taxas de cura: Pelo menos 80% dos casos de leucemia em crianças – quando diagnosticados precocemente – são curados, especialmente entre os maiores de 1 ano. Isso porque a leucemia é uma doença que apresenta sintomas mais rapidamente, o que eleva os índices de cura.

Tumores cerebrais

O que é: Tumores cerebrais são células alteradas que crescem em diferentes partes do cérebro, podendo comprometer os tecidos do órgão, mesmo se forem benignos.

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Sintomas: Os tumores cerebrais podem produzir sintomas diversos, que variam de acordo com a área onde estão alojados. Entre os possíveis sinais, estão o choro excessivo, a sonolência, a apatia e as dores de cabeça.
Claro que esses sintomas, quando surgem de forma isolada, não precisam ser motivo de preocupação, mas os pais devem ficar alertas se não houver melhora mesmo quando as recomendações do pediatra são seguidas à risca e, principalmente, se os incômodos estiverem associados a outros sinais, como vômitos com pressão (jatos), comprometimento da marcha, perda de equilíbrio, convulsões e paralisia de um lado do corpo.
As cefaleias – inicialmente diagnosticadas como sinusite ou enxaqueca, por exemplo – se não melhorarem com os respectivos tratamentos, demandam uma investigação mais apurada.
A queda no rendimento escolar e a falta de atenção também podem estar relacionadas a um tumor cerebral, dependendo da região que foi afetada.
Em alguns casos, a criança passa a ter dificuldades visuais ou mesmo um desvio no olho.

Diagnóstico: Geralmente, é feito através de tomografia e ressonância magnética.

Tratamento: Dependendo da região atingida pelo tumor e do seu estágio de crescimento, pode ser necessário realizar uma cirurgia para a sua retirada. Na maioria das vezes, a quimioterapia também é feita, mas a escolha do tratamento dependerá das particularidades de cada caso.
Devido aos efeitos de longo prazo da radioterapia, não é recomendado que crianças muito pequenas sejam submetidas a esse procedimento.

Incidência: Tumor sólido mais comum na infância, compreendem de 15 a 20% de todos os cânceres que acometem a faixa etária pediátrica no país.

Taxas de cura: As taxas de cura de tumores cerebrais variam de acordo com a idade do indivíduo, a parte do cérebro que foi afetada e o estágio de evolução da doença.

Linfomas

O que é: Doenças neoplásicas que atacam os gânglios linfáticos, pequenas estruturas que atuam na defesa do organismo. Podem ser de dois tipos: os linfomas de Hodgkin e os linfomas não-Hodgkin – neste caso, atinge qualquer parte do corpo, principalmente tórax e abdômen.

Sintomas: O traço mais característico dos linfomas é o surgimento de nódulos de aumento progressivo em áreas como as axilas e virilhas, na região supraclavicular, no pescoço, tórax e abdômen. Febre recorrente também pode estar associada ao quadro.
O linfoma abdominal pode ser confundido com uma parasitose, por conta do inchaço da barriga.
Assim, se após o tratamento contra vermes a região continuar distendida e a criança tiver dor e dificuldades para evacuar, é necessário averiguar com cautela.
O mesmo vale para as amigdalites que não desaparecem com a medicação prescrita.
A confusão também pode acontecer quando há inchaço nos gânglios da região torácica, acompanhado de falta de ar e tosse seca, pois estes também são indícios de diferentes problemas respiratórios.

Diagnóstico: Um simples exame de sangue não é suficiente para diagnosticar o linfoma. Por isso, quando há a suspeita da doença, o médico deve encaminhar o paciente a um profissional especializado ou a um hospital aparelhado para realizar testes mais específicos. O diagnóstico do linfoma depende da realização de uma biópsia do tumor.
além disso, outros exames são necessários: raios-X, tomografia computadorizada e ressonância magnética.

Tratamento: O mais indicado é a quimioterapia, pois os linfomas são muito sensíveis a esse tipo de tratamento. Cirurgias são recomendadas apenas em casos emergenciais.

Incidência: Os linfomas correspondem a aproximadamente 15% dos casos de câncer pediátrico no Brasil. Os linfomas de Hodgkin acometem principalmente os adolescentes, enquanto os não-Hodgkin costumam afetar crianças com idade entre 4 e 12 anos.

Taxas de cura: Mais de 70% dos casos de linfomas em crianças e jovens têm cura quando o diagnóstico é feito no estágio inicial da doença.

Neuroblastoma

O que é: Tumor maligno de evolução rápida, que acomete o sistema nervoso simpático – agente de ações que mobilizam energia, permitindo a elaboração de respostas às situações de estresse, tais como o aumento da pressão arterial e a aceleração dos batimentos cardíacos.
A maioria dos neuroblastomas se forma na glândula suprarrenal e nos gânglios simpáticos da linha média do abdômen, podendo afetar o fígado, os ossos e a medula óssea.

Sintomas: Febre, emagrecimento, aumento do abdômen – que não deve ser confundido com verminoses – e manchas no corpo e no rosto podem ser indícios da ocorrência de um neuroblastoma.
A doença também costuma ser marcada por dores ósseas, perda do controle da eliminação de fezes e urina, irritabilidade da criança e, em casos mais avançados, paralisia.

Diagnóstico: A biópsia é o único procedimento capaz de fazer o diagnóstico definitivo da doença.

Tratamento: O tratamento geralmente é à base de quimioterapia e cirurgia para a extração do tumor. Em alguns casos, pode ser indicado o transplante de medula.

Incidência: O neuroblastoma é mais frequente nas crianças menores de 5 anos e corresponde a cerca de 7% dos casos de câncer infantil.

Taxas de cura: É um tumor muito agressivo, mas os índices de cura são superiores a 45%.

Tumor de Wilms

O que é: é o tumor renal maligno mais frequente em crianças. A faixa etária de aparecimento é entre 2 a 4 anos. Frequentemente o tumor aparece apenas em um rim. Em cerca de 5% dos casos pode haver tumor bilateral, comprometendo os dois rins.

Sintomas: Embora o tumor de Wilms não provoque nenhuma sensação na criança, este é um câncer que costuma ser detectado precocemente. A principal evidência é uma protuberância na barriga, o que não costuma passar despercebido pelos pais, já que o contato é muito intenso na faixa etária mais afetada, entre 0 e 4 anos.
O aumento da região abdominal também pode estar associado a doenças mais recorrentes na infância, como as verminoses.
Assim, para não haver equívocos no diagnóstico, é importante relatar ao médico a ocorrência de qualquer sinal diferente.
Sintomas menos frequentes que o surgimento dessa massa são a presença de sangue na urina e o aumento da pressão arterial.

Diagnóstico: É feito com exames de imagem (ultrassom) e biópsia. Na maioria dos casos as crianças não apresentam nenhum sintoma, sendo o tumor descoberto quando a mãe ou outro familiar nota o aumento da barriga da criança e percebe a tumoração.
Outras vezes a criança é levada ao pediatra para exames de rotina e ele identifica o tumor ao examinar a criança.

Tratamento: O tratamento recomendado é a quimioterapia, mas pode ser necessária a remoção do rim afetado. Somente em casos mais avançados utiliza-se a radioterapia. Em pacientes com doença avançada há indicação de radioterapia concomitante (junto com a quimioterapia).
A intensidade do tratamento quimioterápico depende da extensão da doença.

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Dessa forma, pacientes que têm tumor pequeno e localizado recebem menor intensidade de quimioterapia, enquanto os que têm doença disseminada precisam receber tratamento quimioterápico mais intenso.
Entretanto, o tumor de Wilms é um tumor muito sensível à quimioterapia e à radioterapia, o que permite grande possibilidade de cura, mesmo em pacientes com doença avançada.

Incidência: O tumor de rim representa cerca de 5% das neoplasias infantis e aparece predominantemente nos menores de 4 anos de idade. Na maioria dos casos de crianças que tem Tumor de Wilms não são identificados fatores de risco.
Entretanto, em crianças que têm síndromes genéticas como hemihipertrofia (um lado do corpo maior que o outro), má formação do aparelho urinário e/ou genital e aniridia (ausência da íris) a chance de aparecimento deste tumor é maior.

Taxas de cura: Um dos tumores com as mais altas taxas de cura, chegando a 95% quando não há metástase.

Tumores de partes moles

O que é: Tumores que surgem em tecidos localizados entre a pele e os órgãos internos, como músculos, tendões e gorduras. São mais comuns nos músculos da cabeça e da região gênito-urinária, podendo afetar bexiga, próstata, vagina e locais próximos ao testículo.
O rabdomiossarcoma é o sarcoma de partes moles mais frequente entre crianças e adolescentes.
Pode ocorrer em várias regiões, sendo que as mais comuns ocorrem nos músculos da região da cabeça e da região gênito-urinária, especialmente nos músculos da bexiga, próstata, vagina e próximos ao testículo.

Sintomas: Os sintomas dependem da região em que o rabdomiossarcoma aparece. Tumores na musculatura da cabeça podem crescer para dentro do cérebro e o paciente pode apresentar dores de cabeça, estrabismo (desvio dos olhos), vômitos e obstrução nasal.

Pacientes que têm rabdomiossarcoma no músculo que envolve o olho geralmente apresentam protrusão do globo ocular (olho saltado).

Já o rabdomiossarcoma primário de bexiga ou próstata pode causar dificuldade para urinar, sangue na urina e dor na parte baixa do abdômen. Meninas que têm rabdomiossarcoma de vagina apresentam inicialmente corrimento, que algumas vezes tem sangue. Já em uma fase mais adiantada podem apresentar sangramento intenso pela vagina e até a saída do tumor.
Meninos com comprometimento do testículo apresentam aumento e endurecimento do testículo acompanhado ou não de dor local.

Diagnóstico: Pode ser feito com exames de imagem e biópsia.

Tratamento:  O tratamento consiste em cirurgia para remoção do tumor, quando é possível. Na maioria dos casos não é possível fazer a cirurgia na fase inicial do tratamento devido à localização ou ao tamanho do tumor.
Nesses casos, o tratamento é iniciado com quimioterapia com a finalidade de reduzir o tumor e permitir sua remoção em uma fase posterior.

Incidência: Aproximadamente 6% dos casos de câncer infantil são tumores de partes moles.

Taxas de cura: As chances de cura ultrapassam os 60%.

Osteossarcoma

O que é: O tumor ósseo maligno mais frequente em crianças e adolescentes, com pico de incidência entre a segunda e terceira décadas de vida que geralmente afeta ossos longos, como o fêmur e a tíbia. 

Sintomas: Passível de confusão com a dor de crescimento característica da adolescência, com a osteomielite – uma infecção do osso que causa febre – e até com problemas reumatológicos, o osteossarcoma provoca dor, vermelhidão, inchaço e aumento de temperatura.
Muitas vezes, a família do jovem relaciona os sinais a uma pancada ocorrida no local, mas, se eles não regridem, é imprescindível procurar ajuda médica porque o trauma, na verdade, pode ter ajudado a evidenciar o tumor.

Diagnóstico: Raio-x, tomografia, ressonância e biópsia são os exames que podem ajudar a detectar o osteossarcoma.

Tratamento: Normalmente, o tratamento do tumor ósseo é feito com quimioterapia e cirurgia. Em casos mais raros, realiza-se a radioterapia.

Incidência: 5% dos tumores pediátricos afetam os ossos. Os osteossarcomas geralmente surgem na adolescência, já que nessa fase os ossos crescem muito rapidamente. Meninos e meninas têm uma incidência similar desse tumor até o final da adolescência, época em que o sexo masculino começa a predominar no diagnóstico da doença.
A causa específica do osteossarcoma ainda não é conhecida e há evidências que o esta doença pode ocorrer em famílias.

Taxas de cura: O diagnóstico precoce aumenta as chances de cura para até 70% e, por conta da evolução das técnicas de cirurgia e do refinamento dos exames, que agora permitem um tratamento mais específico, a necessidade de amputação hoje é muito menor do que há 20 anos.

Retinoblastoma

O que é: Tumor ocular mais comum na infância, que se origina na retina e afeta a visão do pequeno.

Sintomas: O chamado reflexo do olho do gato é o sinal mais característico do retinoblastoma. Ele pode ser percebido na presença de um feixe de luz artificial ou de um flash – se a criança estiver sadia, o reflexo será vermelho.
O tumor pode ocasionar aumento do olho (como se ele estivesse crescendo para fora), desvio (estrabismo), diminuição do campo visual, dificuldade para enxergar.
 Outros sinais encontrados são: sangramento de alguma parte do olho, perda de visão, vermelhidão dos olhos, heterocromia (um olho de cada cor) e glaucoma (doença que atinge o nervo óptico) secundário.

Diagnóstico: Para a confirmação da existência de um tumor na retina, é necessário realizar um exame de fundo de olho. Como forma de prevenção, o ideal é que todo bebê faça esse exame a cada seis meses, principalmente nos primeiros dois anos de vida.
Como alguns retinoblastomas são hereditários, se já houver casos na família, a criança deve ser examinada desde a hora do nascimento.
 Ele afeta 80% das crianças abaixo de 3 a 4 anos, sendo que a média de idade do diagnóstico é 2 anos.
Além de não haver predisposição para sexo ou raça, o diagnóstico de retinoblastoma em crianças maiores que 6 anos é rara.

Tratamento: Em geral, combina-se a quimioterapia com tratamentos oftalmológicos. O tratamento do retinoblastoma é programado de acordo com a extensão da doença, se o tumor está apenas dentro do olho (intra-ocular) ou atingindo nervo óptico, se acomete apenas um ou dois olhos, assim como se apresenta metástases ou não.

Incidência: O retinoblastoma ocorre geralmente em crianças com idade entre 6 meses a 2 anos de vida, correspondendo a cerca de 3% dos casos de câncer pediátrico.

Taxas de cura: O tratamento do retinoblastoma evoluiu tanto nos últimos anos, que hoje o percentual de pacientes que perdem a visão não chega a 10%.

Assista aos três vídeos abaixo para saber mais!