Saiba o que é Chikungunya, seus sintomas e tratamentos

Você deve estar se perguntando, afinal o que é chikungunya, não é mesmo? Como é feito o diagnostico, quais os sintomas de chikungunya e o tempo de incubação do vírus. E conheça como é feito o tratamento de chikungunya.

O que é Chikungunya?

A doença é causada por um vírus do gênero Alphavirus e transmitida por mosquitos do gênero Aedes, sendo o Aedes aegypti, transmissor da dengue, e o Aedes albopictus os principais vetores. Passados os sintomas, o paciente deixa de transmitir a doença para os vetores.
Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde, é raro um paciente morrer em decorrência da doença.
A mortalidade é menos frequente que nos casos de dengue. O tratamento é feito para combater os sintomas.

Com a aproximação do verão no Brasil, uma provável infestação do Aedes aegypti podem ser combinação perfeita para transmissão da dengue, o zika vírus (microcefalia), a febre amarela e também da chikungunya.

Quando estamos no inverno a população de Aedes aegypti – o mesmo transmissor da dengue – é reduzida e contribui para protelar a disseminação do vírus, originário da África. O Aedes albopictus também é transmissor e circula em território nacional.

Disseminação do Vírus da Chikungunya

A chegada do verão e principalmente do carnaval se torna a grande preocupação para os órgãos de saúde. “Muitas pessoas vêm pra cá a turismo e cria-se um cenário propício para disseminar a doença”, observa João Paulo.

Pedro Vasconcelos, chefe da seção de Arbovirologia e Febres Hemorrágicas do Instituto Evandro Chagas (IEC) lembra que a dengue dos tipos 1, 2 e 3 entrou no Brasil pelo Rio de Janeiro logo depois do carnaval. “Somente a do tipo 4 entrou por Roraima”, conta.

A Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais garantiu em nota que o “maior risco de aparecimento de casos e transmissão da doença ocorre no verão, com o período de chuvas e calor“.

“A dispersão do vírus muitas vezes depende mais da quantidade de transmissores do que necessariamente de infectados”, explica Socorro Azevedo, médica e pesquisadora do IEC, ao ser questionada se apenas uma pessoa contaminada seria capaz de tornar a doença endêmica no país.
“Se esse indivíduo estiver em um local com uma população expressiva de mosquitos em condição de disseminar o vírus para outras pessoas, a possibilidade de transmissão autóctone existe”, detalha.

Sintomas de Chikungunya

Dores nas Articulações são uns dos principais sintomas da Chikungunya. A semelhança do chikungunya com a dengue não se limita ao vetor de transmissão. Os sintomas e tratamento também são muito parecidos, o que, a princípio, pode dificultar o diagnóstico preciso.
“Inicialmente, podem ser confundidos os quadros, mas o que chama a atenção, no caso do chikungunya, é o comprometimento intenso das articulações”, alerta Socorro Azevedo, médica e pesquisadora do Instituto Evandro Chagas (IEC).

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Ao contrário da dengue, em que a dor muscular fica mais evidente, no chikungunya, as dores nas articulações dos dedos, cotovelo e tornozelo, por exemplo, podem se tornar incapacitantes. “Em alguns pacientes, principalmente idosos e crianças, considerados de idade extrema, os sintomas da chikungunya podem ser mais severos“, observa Socorro.
Em pessoas com doenças de base como diabetes e hipertensão também há maior risco de piora na evolução do quadro.

Já foram relatados casos em que essa dor pode evoluir para uma artrite e acompanhar o paciente por anos. Estudos na Índia revelaram que 49% dos pacientes apresentaram sintomas persistentes 10 meses depois do início da doença. Em casos extremos, pode ocorrer até mesmo deformidades nas articulações.
Apesar das sequelas preocupantes, o chikungunya tem poucos casos de letalidade, ao contrário da dengue.

Os sintomas da doença aparecem bruscamente depois de um período de incubação de três a sete dias e incluem:

  • febre alta
  • dores de cabeça
  • erupções na pele
  • dores musculares e nas articulações, que podem ser acompanhados de inflamação.

Especialista recomenda atenção aos sintomas de Chikungunya

Parecida com a dengue e com o mesmo vetor da doença que virou problema de saúde pública no Brasil, a febre chikungunya chegou ao país principalmente por militares e missionários brasileiros que voltaram de missão no Haiti.
A especialista do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, Jois Ortega, diz que as pessoas não devem ficar alarmadas com a doença, mas sim atentas.

“A complicação da artrite se torna o maior problema. Em casos mais graves, as dores articulares se assemelham ao reumatismo e podem persistir por meses”, afirma o infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein Artur Timerman.

Apesar do agravante, a doença dificilmente evolui para óbito, ao contrário da dengue. Também não apresenta um tratamento específico que atualmente consiste em atacar os sintomas. “É sintomático, para abaixar a febre e reduzir a dor”, reconhece o infectologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz Stefan Cunha Ujvari.

A Febre Chikungunya

Febre, dores nas articulações, mal-estar, sintomas já conhecidos por muitos brasileiros, também fazem parte da infecção pelo vírus causador da febre chikungunya. Segundo Jois, as dores nas articulações costumam ser mais intensas na febre chikugunya, mas normalmente a doença é mais branda do que a dengue.
Desde o começo do ano foram confirmados 20 casos de chikungunya, todos com origem fora do país.

Tratamento de Chikungunya

O tratamento de Chikungunya também se baseia em medicamentos sintomáticos, ou seja, que vão combater os sintomas, que além de febre alta e súbita incluem mialgia (dor muscular), cefaleia (dor de cabeça) e artralgia (dor nas articulações).
“Hidratação e repouso são fundamentais. Para a artrite, podem ser associados anti-inflamatórios”, observa João Paulo Campos, médico infectologista do Grupo Hermes Pardini.

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O ácido acetilsalicílico, grande vilão nos casos de dengue, também deve ser evitado mesmo que as consequências para a evolução da doença não sejam tão preocupantes. “Não chega a evoluir para hemorragia, mas pode reduzir as plaquetas e piorar o quadro de lesão cutânea por exemplo”, alerta João Paulo.

OMS considera grave situação da febre Chikungunya nas Américas

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considerou  que a situação epidemiológica da febre Chikungunya nas Américas é “grave”. “A situação na região é realmente grave.
Muitos dos países da região estão registrando casos”, disse em Havana a diretora-geral da OMS, Margaret Chan.

De acordo com Chan, sempre que há movimentação de pessoas, bens e serviços, é possível que na bagagem, por exemplo, seja transportado o vetor, ou seja o mosquito Aedes Aegypti.

Mosquito da chikungunya

Originário da Tanzânia e amplamente disseminado entre países africanos e asiáticos, o vírus chikungunya fez as primeiras vítimas em solo caribenho e acendeu o sinal de alerta ao longo de toda a América do Sul.
Muito parecida com a dengue – inclusive o vetor de transmissão, o mosquito Aedes aegypti, é o mesmo -, a doença também acarreta febre, dor de cabeça e fadiga.
A grande diferença está nas dores articulares, que podem acompanhar o paciente por meses.
Nos casos mais agudos, essas dores se assemelham à artrite reumatoide e em situações extremas podem levar a deformidades.
Os primeiros casos registrados foram todos importados por meio de turistas picados em países onde a doença é endêmica. Inclusive, no Brasil foram identificadas, em 2010, três situações como essa. Na época, os viajantes já chegaram infectados vindos da Indonésia e da Índia.

Produção de antígeno para o vírus chikungunya

O Instituto Evandro Chagas é o único laboratório da América Latina a possuir o vírus Chikungunya para produção de antígeno e anticorpos utilizados no diagnóstico da patologia. “Foi firmado um acordo entre o governo brasileiro e dos Estados Unidos para que recebêssemos esse material e pudéssemos realizar a produção local.
Desta forma, não dependemos do fornecimento externo”, observa Pedro Vasconcelos.
O vírus chegou no Brasil em 2002 e desde então o antígeno e os anticorpos estão sendo elaborados.

Cuidados para afastar o inseto incluem repelente e roupas

As ilhas caribenhas estão no topo da lista dos destinos turísticos mais desejados entre os brasileiros. Por isso, vale um alerta para quem pretende visitar regiões onde já foram confirmados casos da febre do chikungunya. “O uso de repelente adequado e roupas são as principais formas de evitar o contágio. Para as praias do Caribe é difícil a adesão a essas medidas de controle, mas os viajantes precisam ficar atentos”, orienta o infectologista responsável pelo checape do viajante do Laboratório Fleury Medicina e Saúde, Jessé Alves.
Sem vacina, assim como a dengue, a única forma de impedir a transmissão do vírus é evitando a picada do mosquito.
Telas nas janelas, ar-condicionado e mosquiteiro compõem a ação preventiva.

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Na praia, o repelente deve ser usado sempre depois do protetor solar. “Dê preferência a produtos que tenham a menor quantidade possível de perfume. Aliás, os cheiros, principalmente florais, devem ser evitados, já que podem atrair os mosquitos”, lembra Jessé. Depois do mergulho, o produto deve ser reaplicado.
“O ideal é buscar um repelente com concentração alta da substância ativa. Complexo B e até pílula de alho, que muitos acreditam proteger, são grandes mitos”, alerta o infectologista.

Tempo de incubação e atuação do vírus chikungunya

A fase de incubação do vírus (entre a picada e os primeiros sintomas) pode ser de dois a 12 dias, mas o mais comum é que os primeiros sinais de contágio surjam ainda na primeira semana, a partir de terceiro dia de contágio.
Em uma semana, grande parte dos pacientes já apresenta melhoria do quadro, mas não são raros os casos que evoluem e podem prolongar as dores nas articulações.

Segundo o especialista, durante a fase de infecção, em que a pessoa apresenta o sintoma de febre, aumentam as chances de contágio do mosquito que venha a picar o paciente. “Basta que uma pessoa esteja contaminada e que um mosquito a pique para que a doença inicie seu processo de propagação.

Caso como esse aconteceu na Itália, quando apenas um turista voltou contaminado e, depois dele, surgiram vários outros casos”, afrima Stefan.

Dados das primeiras contaminações

1952 – ano em que o vírus foi registrado pela primeira vez na Tanzânia

1951 casos registrados nas ilhas caribenhas desde a confirmação das primeiras vítimas  – 1 morte confirmada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na ilha Saint Martin.

Desde 2004, o vírus foi identificado em 19 países. Porém, só no fim de 2013 foi registrada a transmissão dentro de países mais próximos do Brasil, como os do Caribe, e em março de 2014, na República Dominicana. Até então, só a África e a Ásia tinham a circulação do vírus.

Em 2010, o Brasil registrou três casos importados da doença, e o Ministério da Saúde passou a acompanhar a situação do vírus causador da febre chikungunya, orientando as secretarias de Saúde sobre o diagnóstico.

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