Diabetes tipo 2: como descobrir que tenho a doença?

Milhões de brasileiros sofrem com a patologia cujos sintomas aparecem quando o nível de glicemia está além das taxas normais. A boa notícia é que, com acompanhamento especializado, a doença pode ser controlada.

Estima-se que mais de 13,4 milhões de pessoas convivem com o diabetes no país e, para os próximos 20 anos, esse número poderá atingir 19,6 milhões de indivíduos.
A patologia é consequência da falta de produção de insulina- necessária para que o açúcar chegue à célula – pelo pâncreas ou da insuficiência dela e resulta no aumento da glicemia, o açúcar no sangue.

Dos pacientes diagnosticados, 90% tem diabetes tipo 2 que ocorre devido a maus hábitos alimentares, sedentarismo, obesidade e estresse. Já o diabetes tipo 1, conhecido também como diabetes insulinodependente, o infantojuvenil e imunomediado tem origem autoimune e o corpo produz pouca ou nenhuma insulina.
A doença é diagnosticada na infância ou adolescência.
Considerando o grande número de pacientes com a enfermidade, Antonio Roberto Chacra, endocrinologista e diretor do Centro de Diabetes da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), aponta que a falta de sinais é o principal vilão da patologia.
“Quando os sintomas se manifestam, a doença está com o nível de glicemia muito alto”, diz.

Tipos de tratamento

Ao ser diagnosticado com a doença, o paciente deve, de imediato, seguir as recomendações médicas. Em pessoas com diabetes tipo 2, a medicação oral é a mais indicada.  Entre os pacientes com diabetes tipo 1, a prescrição é a injeção de insulina (mas os do tipo 2 poderão também ter que a utilizar).
Estão disponíveis no mercado alguns tipos, cujo efeito dependerá da dosagem individual, como a insulina de ação ultrarrápida (age de 3 a 5 horas), rápida (3 a 6 horas), regular (12 a 18 horas, lenta (6 a 23 horas) e a degludeca  ultralonga (até 42 horas), que acabou de ser lançada no Brasil.
A meta é manter o equilíbrio da substância circulante no organismo, evitando a hipoglicemia.

Insulina degludeca

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprovou, em fevereiro 2014,  o uso da insulina basal degludeca para o tratamento dos pacientes adultos com diabetes tipo 1 e tipo 2. Este último é o mais comum e corresponde a 90% dos casos da doença no mundo todo.
A nova insulina desenvolvida pela Novo Nordisk, laboratório líder mundial no tratamento do diabetes, será comercializada com o nome TresibaTM e representa um avanço para os pacientes por possibilitar uma expressiva melhora na qualidade de vida.

Entre os benefícios da degludeca está a duração de até 40 horas, o que traz mais conforto e flexibilidade ao paciente que utiliza insulina, pois não há obrigatoriedade de aplicar todos os dias exatamente no mesmo horário.
O uso de degludeca deve ser diário, porém, sempre que necessário, o paciente pode modificar o horário de sua aplicação e adequar mais facilmente o tratamento à sua rotina diária, sem que haja comprometimento do resultado do tratamento.

Além disso, a concentração da insulina degludeca no sangue é homogênea e estável, durante o dia todo, ou seja, sem picos. Assim, a insulina degludeca traz também o benefício de reduzir as taxas de hipoglicemia noturna, uma das grandes preocupações ao se iniciar um tratamento com as insulinas disponíveis no mercado atualmente.

Chacra, presente ao evento que anunciou a disponibilidade do fármaco de ação ultralonga, explicou que essa nova modalidade reduz em 25%,  o risco de hipoglicemia noturna – diminuição do nível de glicose – em pacientes com diabetes tipo 1 e em 43% nos pacientes com o tipo 2 da patologia, comparando as ações disponíveis no mercado.
Apesar do tratamento não ser disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o diretor do Centro avalia que é um avanço para quem convive com a patologia.

Centros de ajuda especializados

Como o diabetes é um tipo de doença crônica, o paciente precisa de apoio familiar e acompanhamento médico especializado para o restante da vida. Já que os sintomas da doença podem ser silenciosos, muitas vezes só se descobre o problema em uma emergência.
Aí o paciente geralmente é encaminhado para os vários centros especializados existentes em algumas regiões do país.
Além de tratar as diversas formas de diabetes: tipo 1, tipo 2, diabetes gestacional e infantojuvenil, os centros oferecem informações para que o paciente possa se adaptar a um novo estilo de vida, que requer cuidado diário com a dieta e o uso de medicamentos.
Sem falar na constante orientação sobre os riscos da descontinuidade do tratamento: complicações renais e do pâncreas, entre outras.
Como se trata de centros de excelência, as equipes que lá trabalham estão equipadas para a pesquisa e o teste de novos fármacos.
Em São Paulo, o Centro de Diabetes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) é um exemplo desses postos e atende em média 600 pessoas por dia, tendo 13 mil pacientes cadastrados, todos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Para evitar o diabetes

Apresentar níveis de glicose acima do normal no sangue não é sentença de que se vai desenvolver a doença. Há muito que pode ser feito para frear o processo.

Cada dia mais pessoas engrossam um número que não trás orgulho para sistema de saúde algum: A quantidade de indivíduos com diabetes no Brasil cresceu de 5,5% da população em 2006 para 6,9% em 2013. Esses são os dados da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde.
É um mal que cresce com a idade – entre 18 e 24 anos, 0,8% é diabético, enquanto depois dos 60 anos esse número chega a 22,1%.
Como a população está cada dia envelhecendo e engordando, não é de se estranhar que esse número aumente tanto.
Mas uma quantidade significativa de pessoas não contabilizadas está em situação limítrofe, a chamada pré-diabetes.

O que é ser pré-diabético

“Um indivíduo é classificado pré-diabético quando tem glicemia de jejum entre 100 e 126 mg/dl, ou seja, são pessoas que têm uma quantidade de açúcar no sangue acima da considerada ideal, mas ainda não precisam tomar medicamentos”, explica a endocrinologista Mariana Narbot (SP).
Estamos falando aqui basicamente do diabetes tipo 2 (o tipo 1 é uma doença autoimune em que as células do pâncreas são destruídas) que, apesar do componente genético, está muito mais relacionado aos maus hábitos.

Progresso lento e perigoso

O tipo 2 é uma doença de instalação lenta e progressiva. Começa com uma dificuldade na ação da insulina – hormônio que permite que o açúcar seja absorvido pelas células, que vai progredindo para uma falha na produção do hormônio, quando o diabetes 2 realmente se instala. A alimentação contribui para isso.
Alguns alimentos fazem com que a taxa de açúcar no sangue suba muito.
Os doces estão no topo da pirâmide, pois são ricos em glicose.

Mas outros alimentos são transformados em açúcar e devem ser evitados. “Para reverter o quadro de pré-diabetes, deve-se escolher alimentos com mais quantidades de fibras, como verduras e legumes. Evite carboidratos refinados, preferindo pães e arroz integrais.
alimentos menos calóricos, com menos quantidade de gordura trans e saturadas, devem ser privilegiados porque não contribuem para o ganho de peso”, fala o endocrinologista Paulo Rosembaum, do Hospital Albert Einstein (SP).

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Os exercícios também contribuem para reverter o quadro. “Os mais indicados são os aeróbicos, embora os que trabalham os músculos também sejam benéficos. Essas práticas reduzem a resistência à insulina, ajudam na perda de tecido adiposo e ganho de massa muscular”, diz Rosembaum.

A seguir, entrevista com Dr. Antônio Roberto Chacra, endocrinologista e diretor do Centro de Diabetes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp):

Como em geral os pacientes descobrem que têm a doença?

Antônio Roberto Chacra – O diabetes pode ser assintomático – sem sintomas – e o paciente o descobre através de exames de rotina, nos quais é solicitada a dosagem da glicose sanguínea. O exame é simples.
Geralmente o teste é solicitado a pessoas com sobrepeso ou que vão passar por uma cirurgia e mulheres grávidas, mas o próprio paciente pode pedir ao seu médico.
Em campanhas de detecção de diabetes ou numa consulta normal os médicos fazem quatro perguntas que ajudam a identificar um paciente que possa ter diabetes: Você tem excesso de peso? É sedentário? Tem mais de 40 anos? Tem histórico de diabetes na família?

Em quais casos aparecem os sintomas e quais são eles?

Quando os sinais aparecem é porque o nível de glicemia está muito alto. Os sintomas podem ser excesso de urina, boca seca, muita vontade de tomar água, prurido vaginal nas mulheres ou irritação no pênis no caso dos homens, visão embaçada, perda ou ganho de peso espontâneo.

Quando a pessoa busca ajuda, qual é o nível de glicemia apresentado?

Há pacientes que apresentam nível de glicemia entre 120 e 140, assim como outros entre 200 e 300. O normal é entre 75 e 99.
Em pacientes com diabetes é aceitável até entre 110 e 120 e para acompanhar os níveis se faz também o exame de hemoglobina glicada A1c realizado a cada três meses – o teste mede a quantidade de glicemia ligada à proteína.
O resultado é em porcentagem, sendo de 4% a 6% normal, 6% a 7% moderadamente controlado e maior que 7% mal controlado -, em pacientes com diabetes o ideal é abaixo de 7%.

A insulina será sempre a primeira opção de tratamento?

Para os pacientes com diabetes tipo 1 é a primeira opção, já quem tem diabetes tipo 2 começa com o tratamento via oral. O medicamento deve ser tomado todos os dias, entre uma e três vezes, dependendo do caso.

Em geral, é fácil a adesão à terapia indicada pelo médico?

Os pacientes que tomam insulina, que são os do tipo 1, têm uma adesão muito boa porque sabem que se não a ingerirem, o diabetes poderá subir e levá-los ao coma. No caso dos paciente com diabetes tipo 2, nos quais a ingestão do remédio é via oral, a adesão tende a ser menor devido à negligência do paciente que acaba esquecendo o medicamento.
Isso acontece principalmente entre os idosos.

Mas eles agem assim mesmo sabendo das complicações?

O paciente tem que fazer o tratamento da forma correta, isso é importante reforçar, porque as consequências são o desenvolvimento de distúrbio visual, doenças do coração, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência renal, o que o levará à necessária diálise ou até o transplante renal, bem como a impotência sexual no caso dos homens, além dos sintomas já conhecidos da patologia.
O paciente com diabetes que não faz o tratamento, se ferir o pé, por exemplo, poderá vir a ter uma gangrena e, em alguns casos, será necessário amputar o dedo ou o pé.
Mas se controlar o diabetes, conforme orientação médica, essas complicações não ocorrerão.

Por que existe um rodízio do local de aplicação da insulina?

A insulina pode ser aplicada nas coxas, abdome ou braços. É uma agulha pequena e os pontos de aplicação devem ser revezados para evitar a formação de caroços, onde, nesse caso, a insulina não será bem absorvida.

O que seria ideal em relação às expectativas futuras?

Antônio Roberto Chacra – O paciente deve seguir as recomendações médicas, faça exercícios e mantenha o peso para não ter complicações. A expectativa é que as pesquisas cheguem à cura do diabetes do tipo 1 e tenhamos novos fármacos para o diabetes tipo 2.

Falta de informação agrava casos de diabetes no país

Muitos pacientes descobrem ter a doença em estágio avançado. A falta de informação sobre o diabetes continua a ser uma agravante da doença no país. É o que médicos alertam no Dia Mundial de Controle da Diabetes celebrado em 14 de novembro.
O diretor científico da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), Vasco Lauria, disse que mesmo com campanhas, internet e outros meios de comunicação, ainda há muitos pacientes que descobrem ter a doença em estágio avançado.
“Evoluímos muito no acesso à informação e à conscientização, mas ainda temos muitos pacientes que chegam pela primeira vez [no consultório] e não sabem da gravidade da doença, muitos sequer sabem que têm a doença.
Aparecem com ferida no pé ou uma infecção e aí fica difícil salvar o membro do paciente”, comentou ele.

Lauria lembrou que o controle do diabetes exige disciplina, já que a dieta desregrada e a falta de cuidados diários podem acarretar consequências graves como: gangrena, doença vascular periférica e derrames. O tabagismo e a pouca ingestão de água são alguns maus hábitos que devem ser evitados, ressalta ele.

A professora Rosemary Ribas de Azevedo, 49 anos, convive com a doença há 15 anos. A mudança de hábitos alimentares para ela é um desafio que a acompanha até hoje. “É impossível, é difícil demais viver de dieta, abstinência de tudo. De vez em quando eu furo”, disse ela.
“Mas não me tornei dependente da insulina, pois tomo o cuidado de não misturar alimentos, evito produtos industrializados, usar qualquer tipo de sapato, para não machucar os pés”, declarou.

Diabetes gestacional

A falta de informação também é um problema para muitas grávidas que acabam desenvolvendo diabetes gestacional, afirmou que o ginecologista obstetra do Hospital Universitário Antônio Pedro e do Hospital Federal dos Servidores do Estado, no Rio de Janeiro, Antonio Paulo Stockler.
Ele explicou que a doença não costuma apresentar sintomas e pode acabar colocando em risco a vida da mãe e do bebê.

Precisamos ter uma divulgação melhor das doenças que podem surgir durante a gravidez para as mães participarem mais. Se conseguirmos levar essa informação de que é uma doença importante, conseguiremos fazer um diagnóstico mais precoce”, comentou ele.

Stockler lembrou que também há vários casos de mães diabéticas que por não saberem da doença ou das consequências que ela pode trazer ao bebê acabam tendo complicações na gestação. “Uma mulher bem orientada vai procurar atendimento precoce e seguir as orientações dietéticas de forma mais rigorosa.

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De acordo com a Federação Internacional do Diabetes, existem hoje 12 milhões de diabéticos no Brasil e 5 mil novos casos são diagnosticados por ano.

Em cada duas pessoas que têm diabetes, uma não sabe que tem a doença

Mais conhecimento sobre técnicas simples de alteração do estilo de vida poderia amenizar o quadro de diabéticos no mundo.

No dia 14 de novembro, comemora-se o Dia Mundial de Controle da Diabetes, iniciativa da Federação Internacional de Diabetes (IDF, na sigla em inglês). O principal objetivo é incentivar campanhas de educação e prevenção de uma doença, que atinge mais de 380 milhões de pessoas no mundo – quase 12 milhões somente no Brasil.
A ação é organizada no país pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).
A gravidade da doença pode ser facilmente medida pelos números: estima-se que, se continuar crescendo nos níveis atuais, até o ano de 2035 cerca de 592 milhões de pessoas de todos os continentes terão diabetes; um em cada 10 adultos.
Até lá, serão 10 milhões de novos casos por ano, ou seja, três novos diagnósticos a cada 10 segundos.
O que mais assusta: 62% dos brasileiros têm, pelo menos, um fator de risco para o desenvolvimento do diabetes e 45% das pessoas desconhecem as mais simples práticas de controle do pré-diabetes e diabetes, segundo a SBD.

A doença, chamada nos meios acadêmicos como Diabetes mellitus (DM), ocorre porque o pâncreas não consegue produzir o hormônio insulina na quantidade suficiente para suprir as necessidades do organismo. Ou, então, porque esse hormônio não consegue agir adequadamente (resistência à insulina).
Assim, a insulina provoca redução da glicemia ao permitir que o açúcar que está presente no sangue penetre nas células para ser utilizado como fonte de energia.
Se faltar esse hormônio, ou se não agir corretamente, haverá aumento de glicose no sangue e, consequentemente, a diabetes.

De acordo com o endocrinologista Paulo Augusto Carvalho Miranda, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional Minas Gerais (SBEM), a DM se apresenta de formas diferentes.
Na diabetes tipo 1, que ocorre em cerca de 5% dos pacientes, o pâncreas perde a capacidade de produzir insulina devido a um defeito do sistema imunológico.
Isso faz com que nossos anticorpos ataquem as células que produzem esse hormônio.
Já na do tipo 2, mais comum e que atinge cerca de 90% dos pacientes, há uma combinação de dois fatores – a diminuição da secreção de insulina e um defeito na sua ação, conhecido como resistência à insulina.

No geral, a diabetes tipo 2 pode ser tratada com medicamentos orais ou injetáveis. Porém, com o correr do tempo, a doença pode agravar.
“Há, ainda, a diabetes gestacional, que apresenta alteração da glicemia durante a gestação (cerca de 17% das gestantes apresentam o problema), sendo que em 95% dos casos a glicose do sangue retorna ao normal após o parto; e outros tipos de diabetes mais raras com etiologias variadas.

O endocrinologista revela que a diabetes é a maior causa de amputação não traumática de membros inferiores. Somente nos Estados Unidos, que tem em torno de 29 milhões de portadores da doença, foram 73 mil amputações no ano de 2010.
“A DM é também a maior causa de cegueira adquirida no mundo, uma das principais causas de disfunção erétil e a terceira maior causa de indicação de diálise no Brasil.
Um outro dado importante é que metade das pessoas que têm diabetes não sabem disso, o que faz com que a prevenção das complicações não seja feita em tempo adequado”, avisa.

Diante de tanto risco e possibilidades de sofrimento, a prevenção é o melhor remédio para combater o mal.A pré-diabetes é um termo usado para indicar que o paciente tem potencial para desenvolver a doença, como se fosse um estado intermediário entre o saudável e a diabetes tipo 2. No caso do tipo 1, não existe a pré-diabetes.
Já se sabe que a forma mais comum da doença, o tipo 2, está associada a obesidade, fatores genéticos, sedentarismo e dietas inadequadas.

A DM já é conhecida há mais de 2 mil anos. Desde a descoberta da insulina, em 1921, e sua primeira utilização como medicação, feita pelos canadenses Frederick Grant Banting e Chales Best, muito se aprendeu sobre a etiologia e prevenção das suas complicações.
“Vários estudos conduzidos desde a década de 1980 nos mostraram que o bom controle da glicose realmente previne o aparecimento das consequências da doença.
Outro estudo de grande importância, do final da década de 1990 e início dos anos 2000, mostrou que a prática de atividade física e mudança dos hábitos alimentares previne a progressão da pré-diabetes para a diabetes”, informa o médico.

Dessa forma, segundo ele, percebe-se que a base da prevenção da diabetes é a mudança dos hábitos de vida. Uma alimentação saudável associada à prática de atividade física são os primeiros passos para o sucesso no controle da glicose.
“Muito se tem investido na formação de equipes multidisciplinares para auxiliar a educação do paciente sobre os temas de importância, para que ele adquira autonomia no seu tratamento.
Isso, inclusive, motivou a criação do primeiro mestrado profissional em educação em diabetes na Santa Casa de Belo Horizonte”, revela.

A pré-diabetes serve, portanto, de alerta para evitar a progressão da doença. Ela pode ser identificada num simples exame de sangue, onde se observam os níveis de glicose no sangue ainda em jejum.
A pessoa é considerada pré-diabética quando os valores da sua glicemia, em jejum, variam entre 100mg/dl e 125mg/dl; e é considerado diabético se esse valor atingir os 126mg/dl.
Caso não faça uma alteração na sua dieta e no seu estilo de vida, em pouco tempo poderá ser portadora de diabetes tipo 2, que não tem cura e afeta órgãos importantes, como a visão e o coração.

Patrícia Ruffo, gerente científica de negócio nutricional da Abbott, empresa global de cuidados para a saúde, informa que pesquisa realizada em 2013 pela companhia, em parceria com a Sociedade Brasileira de Diabetes, mostrou que, para a maioria dos diabéticos entrevistados (60%) ou pessoas do grupo de risco para a doença, mudar a maneira de se alimentar é o desafio mais difícil de incorporar à rotina.
Por isso, os suplementos especializados para o controle glicêmico podem ajudar nesse processo da reeducação alimentar.

Para tratar a pré-diabetes e evitar a progressão da doença, o caminho reto, portanto, é controlar a alimentação, diminuindo a ingestão de gorduras, do açúcar e do sal, atentar para a pressão arterial e fazer alguma atividade física, como caminhar diariamente.
Adicionar à rotina alimentos como a farinha de maracujá e comer diariamente folhas verde-escuras são também ótimas formas de combater o excesso de açúcar no sangue.
As fibras também ajudam a reduzir o índice glicêmico.
Ingerir alimentos crus ou com casca é também uma recomendação importante.

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Pesquisa norte-americana se aproxima de cura para a diabetes

Os dias de injeções de insulina para pessoas com Diabetes Tipo 1 podem estar próximos do fim. Cientistas norte-americanos da Universidade de Harvard garantem estar “à um passo pré-clínico de distância” da cura da doença.
A partir de células-tronco, o grupo conseguiu desenvolver células beta – responsáveis pela produção de insulina no organismo – em quantidade suficiente para realizar transplantes de células ou para fins farmacêuticos.

Ao contrário da diabetes Tipo 2, em que as condições desfavoráveis criadas por nós facilitam o aparecimento da doença, a Tipo 1 se desenvolve, na maior parte da vezes, durante a infância e é caracterizada pela destruição das células beta do pâncreas.

Essa não é a primeira tentativa de recriar esse tipo de célula a partir de células-tronco. Também nos Estados Unidos, uma equipe dos Institutos Gladstone, na Universidade da Califórnia em São Francisco, testou uma técnica que se mostrou capaz de repor as células destruídas pelo diabetes.
O experimento foi aplicado em ratos e publicado no início deste ano.

Contudo, o doutor Doug Melton, que conduziu os estudos em Harvard, insiste que nenhum outro grupo conseguiu produzir células beta maduras adequadas para o uso em humanos. “A maior dificuldade tem sido alcançar a sensibilidade à glicose, células secretoras de insulina, e foi isso o que nosso grupo fez”, explica.

A técnica desenvolvida por Melton já foi testada em camundongos diabéticos e as células geradas em laboratório funcionaram normalmente e praticamente curaram os animais da doença. “Nós demos às células três desafios com glicose em camundongos separadamente e elas responderam apropriadamente. Isso foi muito empolgante”, conta.

Novos testes estão sendo feitos em macacos e ainda não há previsão para testar a possibilidade em humanos, o cientista espera, contudo, que em poucos anos o transplante já esteja disponível para portadores da doença.

Entenda

A insulina é o hormônio utilizado pelo corpo para promover a entrada de glicose nas células. Essa, por sua vez, é a composição formada pela digestão dos açúcares no organismo. Após o contato com a insulina, a glicose é absorvida pelo sangue e usada como energia pelos tecidos. Daí, a importância dela para o funcionamento do corpo.

No Tipo 1, a produção de insulina é insuficiente, pois as células sofrem destruição autoimune. Por isso, os pacientes precisam de injeções diárias de insulina mimetizada para suprir essa carência.

Já a diabetes Tipo 2 está relacionada à obesidade, maus hábitos alimentares, sedentarismo e estresse. Apesar de ter sido por muito tempo ligada à pacientes obesos acima dos 40 anos, ela é cada vez mais identificada em jovens. Os pacientes produzem insulina, mas a ação da substância é dificultada.
Isso causa resistência insulínica, que ocasiona a hiperglicemia.

Médicos alertam sobre excesso de peso e sedentarismo

Especialistas alertam no Dia Mundial do Diabetes que o excesso de peso e o sedentarismo são as principais causas do diabetes tipo 2, que atinge 90% das pessoas com problemas em metabolizar a glicose. De acordo com a Federação Internacional do Diabetes, existem hoje 12 milhões de diabéticos no Brasil e 5 mil novos casos são diagnosticados por ano.

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, João Eduardo Salles, desfaz o mito de que só os doces contribuem para o diabetes. “Não é o fato de comer doce que leva ao diabetes, é sim o fato de engordar e ser sedentário, independentemente de comer doce.
Se está engordando o risco de diabetes é maior”, ressaltou Salles, ao acrescentar que com a idade o risco aumenta.
Quem tem muita gordura concentrada na barriga também deve ficar atento e fazer exames, pois este é outro fator de risco.
Nesta sexta-feira, a entidade promove ações de conscientização em todo o país.
 Segundo o especialista, o diabetes é uma das maiores causas de cegueira, de insuficiência renal, além de aumentar em até quatro vezes o risco de doenças cardiovasculares.
“Quem se cuida não tem estas complicações”, frisou Salles.

Os alimentos são digeridos no intestino e parte deles se transforma em açúcar (glicose), que é enviada para o sangue para se transformar em energia. Só que para transformar a glicose em energia, o organismo precisa de insulina, uma substancia produzida nas células do pâncreas.
No diabético, a glicose não é bem aproveitada pelo organismo devido à falta ou insuficiência de insulina, o que causa o excesso de glicose no organismo, a hiperglicemia.

Enquanto o diabetes é uma doença crônica sem cura, o pré-diabetes é um estágio anterior da doença em que ainda há como reverter o quadro.
“Isso ocorre quando os níveis de açúcar no sangue já estão acima do considerado normal, mas a reversão do quadro ainda é possível, por meio de mudanças no estilo de vida, o que inclui adotar uma alimentação mais saudável, deixar de fumar e praticar exercícios físicos de forma regular”, explicou a gerente científica do Negócio Nutricional da Abbott, Patrícia Ruffo.
Quem faz exames periódicos de glicemia pode constatar antes o pré-diabetes e se esforçar para reverter o caso e assim evitar a doença, que não tem cura.

Levantamento feito em parceria entre a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e a Abbot, empresa de saúde global que conduz pesquisas e desenvolve produtos para a área, apontam que 45% da população não sabem que práticas como o controle de peso e exercícios regulares podem ser parte do controle tanto do pré-diabetes quanto do diabetes.
“A falta de informação preocupa, já que o pré-diabetes é uma condição que permite a reversão do quadro a partir de medidas simples no cotidiano”, avaliou Patrícia.

Estudos da Associação Americana de Diabetes mostram que uma pessoa pode reduzir as chances de desenvolver o diabetes tipo 2 em 58% dos casos, ao perder 7% do seu peso corporal e fazer 30 minutos de atividades físicas diariamente.
Enquanto isso, a pesquisa da SBD com a Abbott mostrou que a mudança de alimentação é o passo mais difícil de ser incorporado à rotina para 60% das pessoas entrevistadas, mas é também o mais importante para o controle da doença e do pré-diabetes, na opinião dos médicos.

Segundo João Eduardo Salles, o tratamento da doença é baseado em uma mudança de estilo de vida. “Perder peso, fazer exercício e comer adequadamente”, lista ele. Além disso, o uso correto e continuo dos medicamentos é essencial, quando necessários. ” A maioria das pessoa começa a tomar o remédio e para.
Diabetes não tem cura, mas tem controle, mas as pessoas não podem deixar de tomar os medicamentos.
Tem que tomar o medicamento a vida toda e ser acompanhado pelo médico a vida toda.

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