DTM – Disfunção nas articulações Temporomandibulares

DTM, disfunção nas articulações mandibulares, doença da modernidade que  cresce 2% ao ano. Causados muitas vezes por estresse e ansiedade, os casos de disfunção nas articulações mandibulares já atingem quase 40% da população.

Essa articulação situa-se logo à frente do ouvido e é responsável pelos movimentos mandibulares. O principal indicativo de uma alteração na ATM é o estalido (clique) normalmente acompanhado de dor que se manifesta na cabeça, face, pescoço e região dos olhos e dentes.
Entre as faces articulares dos ossos que compõe a ATM (osso temporal e côndilo da mandíbula), existe uma estrutura fibrocartilaginosa chamada disco articular, cujas principais funções são amortecer e amoldar as superfícies ósseas incongruentes da articulação, evitando traumas e desgastes prematuros.
Quando o disco articular se desloca de sua posição fisiológica, acontece o estalido (clique), notado nos movimentos mandibulares, tais como: falar, mastigar, cantar, bocejar, etc.
O estalido, por si só, já traduz problemas na ATM.

As disfunções da ATM podem ainda resultar em dores de cabeça, que em geral, não são propriamente da cabeça, mas sim nos músculos que a envolvem.
Posições posturais viciosas, relacionamento dental inadequado, apertamento e/ou ranger dos dentes, associados ao “stress”, normalmente culminam em quadros crônicos de dores nos músculos da face, cabeça e pescoço.
O estresse e a ansiedade geram a descarga em nosso corpo de substâncias que atuam como estimulantes para tensão muscular, ativação do sistema nervoso e do sistema de secreção (endócrino), o que leva o individuo a ter certas reações, como o apertamento dos dentes que é muito comum nessa condição de estresse e uma das causas mais frequentes de dores musculares na face e na articulação.
A proximidade entre a ATM e o ouvido pode ocasionalmente confundir o paciente sobre o local da origem da dor, sugerindo uma dor de ouvido quando na verdade a dor é na ATM.

A principal causa da disfunção da ATM, acredita-se ser a maloclusão (relacionamento inadequado entre os dentes da maxila e mandíbula) associada ao stress, hábitos parafuncionais ou algumas doenças sistêmicas capazes de contribuir, modificar ou perpetuar o seu aparecimento.
Contudo, sabe-se que a ordem dos fatores principais e secundários pode alterar-se.
O tratamento indicado para as articulações Temporomandibulares visa promover uma oclusão dentária que permita um bom relacionamento entre as estruturas da ATM e remover os fatores que possam estar associados ao problema.

A disfunção temporomandibular é uma doença, que depois de instalada, é quase sempre progressiva. O que não se consegue determinar com exatidão é a sua velocidade de progressão e as suas consequências, assim como o prognóstico do tratamento. O ideal é o tratamento precoce, melhorando as soluções e os resultados.

Entre as doenças das últimas décadas, está a disfunção nas articulações temporomandibulares (DTM).
Uma das suas características é a ligação ao agitado modo de vida moderno – ansiedade, estresse e tensão estão diretamente relacionados a ela e podem ser o estopim para grande incômodos, como dores, estalos na mandíbula e, em casos extremos, impossibilidade de abrir ou fechar a boca.
De tão moderna que é a doença, apenas em 2002 foi criada a especialidade disfunção temporomandibular e dor orofacial pelo Conselho Federal de Odontologia.
“No Brasil, de 37% a 40% das pessoas apresentam, pelo menos, algum sinal de DTM, apesar de nem sempre se tratar do problema.
E os casos aumentam cerca de 2% por ano”, afirma o ortodontista e mestre em disfunção temporomandibular Marley César Lacerda Barbosa.
De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Dor Orofacial, entre todos os casos, 70% são em mulheres, mas os motivos dessa maior incidência ainda não estão completamente esclarecidos.

É corriqueiro que aqueles que apresentam o problema digam que têm ATM. Na realidade, a sigla não é uma doença, ela se refere apenas às duas únicas articulações móveis na cabeça humana, localizadas pouco à frente dos ouvidos, uma em cada lado.
Complexas e sustentadas por músculos e ligamentos, elas são responsáveis por mastigação, deglutição, fala e todo o movimento feito com a abertura da boca.
A DTM é a disfunção nessas articulações e, portanto, afeta drasticamente a rotina de uma pessoa, tanto pelas dores que provoca quanto pela limitação de movimentos.
Quando algo não vai bem, como dentes tortos, por exemplo, essa articulação pode ser sobrecarregada e desencadear a DTM (disfunção temporomandibular).

Mas o que é ATM?

ATM significa Articulação temporo-mandibular.  Existem duas ATMs: uma do lado direito e outra do lado esquerdo, em frente a cada ouvido. Cada vez que se fala, mastiga ou deglute, a ATM se movimenta. Observe o movimento: ao abrir a boca, você está usando suas articulações.
Ponha seus dedos à frente do ouvido, abra e feche a boca, ou fale: você sentirá o movimento da ATM.

DTM (Disfunção Temporomandibular)

Muitas pessoas sofrem de dores de cabeça, de ouvido, músculos da face, pescoço e costas. Estas pessoas podem estar sofrendo de desordem temporo-mandibular ou dor oro facial, pois os músculos e as articulações não funcionam em harmonia, resultando em dores e espasmos.
O ato de falar, mastigar, deglutir exige o trabalho de toda a articulação temporomandibular, que envolve músculos, tendões, ligamentos e cartilagens.
Com o excesso de trabalho, ela pode sofrer traumas, apresentar processos inflamatórios, infecciosos, autoimunes e malformações.
A disfunção temporomandibular atinge com mais frequência mulheres de 20 a 50 anos.
Pode ser muscular, articular, mista ou reumatológica.
A muscular é a versão mais clássica da DTM.
Caracteriza-se por um excesso de tensão na musculatura.
Na articular, são malformações e desgastes que comprometem a articulação.
Os casos de DTM Mista, segunda forma mais comum do problema, envolve tanto o músculo como a articulação.
Já a reumatológica, é rara, causada por uma degeneração do disco e da articulação temporomandibular.
O disco articular é responsável por diminuir o atrito do movimento de abrir e fechar a boca.

De acordo com o Instituto Nacional de Saúde dos EUA, mais de dez milhões de americanos sofrem de Disfunções/Desordens da ATM. Esta é a estimativa mais conservadora que encontramos.
As Desordens Temporomandibulares se referem a um conjunto de condições médicas e odontológicas, que afetam a articulação temporomandibular (localizadas na frente dos ouvidos e que conectam a mandíbula ao crânio) e/ou os músculos da mastigação, como também estruturas da face, relacionadas ao complexo maxilomandibular.
Podem manifestar-se através de um simples estalo articular e desconforto moderado na frente dos ouvidos a um completo bloqueio da mandíbula e dor severa.

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O disco é um tecido similar ao menisco do joelho, posicionado junto à cabeça da mandíbula (côndilo mandibular) e age como um amortecedor, entre o crânio e o côndilo. Quando intactas, são as únicas articulações no corpo humano que trabalham juntas (bilateralmente) como uma unidade.
Estas articulações nos permitem executar funções como abrir e fechar a boca, mastigar, deglutir, respirar, falar e etc.
Os problemas que podem acontecer com a articulação temporomandibular são artrites, traumas, tumores, deslocamentos do disco, perfurações, travamento mandibular e queixo caído.
Outro componente frequente destas Disfunções/Desordens articulares são os músculos da mastigação, diagnosticado como Disfunção Dolorosa Miofacial.
Você pode já ter sentido problemas articulares, musculares ou ambos.

Se você tem DTM, pode ter gasto anos de sua vida sendo encaminhado de um médico a outro em busca de alívio. Esses profissionais podem ter mencionado loucura, necessidade de melhorar sua ansiedade ou que você não tem dor. E, depois que você gastou milhares de reais em tratamentos, o abandonou alegando não existir mais nada a ser feito por você.
Se isto lhe soa familiar, você não está só e nem louco, e principalmente não deve culpar-se por não ter melhorado.
É possível que tenha recebido um ou muitos dos mais de 52 tratamentos recomendados aos pacientes com disfunção de ATM neste país, pois a maioria é recomendada com base na preferência do profissional ou experiência pessoal.

Por isto, é importante que o Cirurgião atualize constantemente seus recursos humanos e materiais na busca da excelência de seus serviços de saúde, desenvolvendo-os com eficiência e principalmente transmitindo e oferecendo segurança aos seus clientes.
Sua experiência pessoal pode mostrar que há muita discordância entre os profissionais sobre a maioria dos aspectos das Disfunções/Desordens da ATM.

Como Chamamos esta Doença?

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Atualmente, os pesquisadores e a comunidade científica denominam este problema de Disfunção de ATM ou Desordens Temporomandibulares (DTM ), dependendo de quem a está discutindo, podendo ser chamada por um grande número de nomes (Desordens TemporoMandibulares, DTM, Disfunção de ATM, Síndrome de Costem, Síndrome da dor miofascial).
De fato, a confusão que gira em torno destes nomes simplesmente reflete a dificuldade de tratamento nestas articulações, fator que contribui para a padronização do atendimento.

Sintomas

Os sintomas mais comuns são:

  • Dores na face e nos maxilares
  • Dificuldade para mastigar ou falar
  • Ruídos ou estalos ao abrir e fechar a boca
  • Travamento da abertura ou fechar da boca
  • Pressão atrás dos olhos
  • Vertigem, dor ou zumbido nos ouvidos
  • Sentir o ouvido tampado
  • Dor de cabeça/enxaquecas (tipo tensão)
  • Inchaço na lateral do rosto
  • Problemas para dormir
  • Dor constante com períodos de piora no decorrer do dia
  • Desvio da mandíbula para um lado
  • Abertura limitada ou inabilidade para abrir a boca confortavelmente
  • Surdez momentânea
  • Perturbações visuais

Diagnóstico

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O diagnóstico de DTM está baseado em vários sintomas, testando a amplitude dos movimentos mandibulares, auscultando os ruídos articulares, examinando o engrenamento dos dentes, apalpando as articulações como também os músculos da face e cabeça.
Geralmente o cirurgião oral, pergunta ao paciente em busca de informações que causam a dor e outros sintomas, traumas, hábitos orais, tratamentos médicos e dentais prévios.

Instrumentos de diagnóstico

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Os mais comum são:

Radiografias Convencionais (radiografias planas, inclusive panorâmica): são rápidas e relativamente baratas. Porém, elas mostram somente a estrutura óssea da articulação, sendo geralmente úteis para avaliar mudanças morfológicas e processos degenerativos da doença.

Tomografia Linear ou Planigrafia: este exame mostra “fatias” da articulação. Quando realizadas corretamente e com precisão, permitem melhor visualização que nas radiografias convencionais.
As principais desvantagens da tomografia são o tempo e o custo elevado e, como as radiografias convencionais mostram somente o osso.

Tomografia Computadorizada: mostra os mínimos detalhes do osso, com uma dose mínima de radiação. Os custos são bastante altos e oferecem uma visão limitada do disco articular e dos tecidos moles.

Ressonância Magnética: produz imagens detalhadas e precisas do tecido mole e é considerado o melhor método para estudar a ATM. Nenhuma radiação é usada, mas como o equipamento é sofisticado os custos são altos; às vezes, acima de R$ 1.000,00 para ambos os lados da articulação.

Artrotomografia: permite o estudo posicional e funcional da articulação, inclusive do disco articular. O procedimento é realizado pela injeção de um material de contraste na articulação, seguida por radiografias ou tomogramas, vídeo ou uma combinação.
Um profissional qualificado é um imperativo para interpretação do exame, o procedimento pode ser muito incômodo, mas quando feito corretamente, a artrografia pode ser uma ferramenta de diagnóstico extremamente precisa.

Foram desenvolvidas uma variedade de outras técnicas para diagnosticar DTM, inclusive para localizar as contrações musculares, chamada de eletromiografia de superfície, sonografia (SonoPak), termografia e cinesiografia. São exames que detalham com precisão as estruturas afetadas.

A Conferência de Tecnologia do Instituto Nacional de Saúde dos EUA fez observações e comentários sobre estes métodos de diagnóstico.
Os fabricantes desses dispositivos de instrumentação diagnóstica argumentam que “são métodos clinicamente úteis e objetivos que servem para quantificar os componentes físicos de DTM em pacientes que estão em tratamento”.
Os oponentes ao uso rotineiro desses aparelhos dizem que “nenhum dos instrumentos oferecem mais informações e nenhum deles provou a validade diagnóstica ou utilidade clínica, a não ser o seu uso em pesquisas”.
Estes exames podem ter um custo muito elevado.

Tratamento

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Apenas 5% a 10% dos que apresentam sintomas necessitam de tratamento médico; nos demais casos eles regridem espontaneamente. Os tratamentos variam. Compressas, fisioterapia podem ajudar alguns casos. Os analgésicos são indicados para os momentos de crise. Há pacientes que precisam de cirurgia.
Para os que sofrem de bruxismo – quem aperta os dentes excessivamente durante o sono -, as placas de acrílico são indicadas.
Devem ser feitas sob medida pelo cirurgião-dentista.

Há várias opções de tratamento e uma variedade de termos usados para descrever estes diferentes métodos de tratamento.
Porém, a maioria dos cuidados que seu cirurgião oral oferecerá vão incluir no mínimo, quatro ou mais dos seguintes tratamentos:

  • Educação do paciente e auto-cuidado
  • Modificação do comportamento, incluindo técnicas de relaxamento e cuidados com o estresse
  • Medicamentos
  • Terapia física
  • Terapia de aplicação ortopédica (placa estabilizadora)
  • Terapia oclusal (ortodontia, reabilitação oral, etc…), às vezes, necessária
  • Cirurgia
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Os objetivos do tratamento são:

  • Reduzir a dor
  • Restabelecer função mandibular confortável
  • Limitar a recorrência da dor
  • Restabelecer o padrão de vida normal, o mais rapidamente possível.

Recomendações de tratamento

Frequentemente, somado à dor física, existe o estigma que muitos cirurgiões maxilo-faciais ou médicos impõem aos seus pacientes de ATM, que seu problema é psicológico e não desejam melhorar ou não podem corrigir o estresse.
Sabemos que o tratamento farmacológico, que se utiliza para aliviar as dores persistentes relacionadas com DTM/ATM, são iguais aos tratamentos de outras condições de dores crônicas.

Opiáceos e AINEs (medicamentos anti-inflamatórios não esteroidais) são analgésicos e deveriam ser implementados proporcionalmente à intensidade da dor apresentada pelo paciente.
Podemos presumir que, com estas recomendações, a dor relacionada à ATM seja adequadamente controlada, portanto, os pacientes poderiam desfrutar de uma melhor qualidade de vida, cessando a sua desesperada busca por um tratamento mágico para aliviar sua dor.
Recentemente, houve uma explosão de pesquisas científicas, que estão ampliando a compreensão dos mecanismos de neurofisiologia da dor, seus neurotransmissores e sistemas nervosos periférico e central.

Auto-ajuda para disfunção e/ou desordens da ATM

Se você acha que tem um problema de DTM, primeiro consulte um médico, para descartar doenças ou problemas que possam imitar ou expressar sintomas semelhantes aos das doenças de DTM. Muitas pessoas que sofrem de DTM têm grandes chances de melhorar com tratamentos reversíveis. Às vezes, o problema melhora gradualmente.

Algumas técnicas de auto-ajuda podem aliviar os sintomas:

Calor úmido: O calor reduz a inflamação e melhora a função. Use uma bolsa ou uma garrafa de água quente ou uma toalha morna embrulhada ao redor do rosto, com cuidado para não se queimar;

Gelo: O gelo tem o mesmo efeito que o calor e também aumenta o fluxo de sangue, promovendo o relaxamento muscular. Se você for usar uma bolsa de gelo, embrulhe-a em um pano e coloque-a no rosto, por no máximo 10 minutos para não danificar sua pele;

Dieta macia: As comidas brandas temporariamente podem ajudar ao permitir que a mandíbula e músculos circunvizinhos descansem. Evite especialmente comidas duras, crocantes ou trituráveis, que possam traumatizar a articulação ou que lhe exijam abrir a boca amplamente, como uma maçã ou uma espiga de milho. Não mastigue chicletes;

Uso de analgésicos: Talvez você tenha que experimentar vários analgésicos, até encontrar um que melhor se adapte ao seu organismo. Acetominofen, como Tylenol, ajudam algumas pessoas, outros encontram alívio com o uso da Aspirina ou Ibuprofen. Alguns medicamentos necessitam de prescrição.
Confira com seu cirurgião oral antes de tomar qualquer tipo de medicamento;.

Exercícios mandibulares: Exercitar a mandíbula, abrir e fechar lentamente sua boca, mover a mandíbula para os lados; isto, às vezes, melhora a mobilidade. Exercícios que causam um aumento da dor ou da deficiência devem ser descontinuados;

Técnicas de relaxamento: Há evidências de que técnicas de relaxamento diminuem o sofrimento em casos de dor crônica. Respire lenta e profundamente, enrijeça e relaxe seus músculos alternadamente. A ioga e/ou hipnose são úteis para algumas pessoas.

Se Você foi Diagnosticado “Disfunção de ATM”

Auto-educação: Um paciente bem informado pode tornar melhores as difíceis decisões relativas às opções de tratamento e discuti-la com o profissional. Aprenda, tanto quanto possível, lendo e falando com outras pessoas que sofrem de ATM.

Assim como a causa da DTM é multifatorial, seu tratamento deverá ser em muitos casos multi-disciplinar, ou seja, envolver dentistas, médicos psiquiatras, médicos acupunturistas, otorrinolaringologistas, fisioterapeutas e em casos extremos cirurgiões buco-maxilo faciais.

Dúvidas

Por que o problema de ATM pode causar dor de cabeça?

As dores de cabeça provenientes das disfunções da ATM, em geral, não são propriamente de cabeça: são dores nos músculos que envolvem a cabeça.
Posições posturais viciosas, relacionamento dental inadequado, apertamento e/ou ranger de dentes, associados ao “stress”, normalmente culminam em quadros crônicos de dores nos músculos da face, da cabeça e do pescoço.

Por que o problema de ATM pode causar dor de ouvido?

A proximidade entre a ATM e o ouvido pode ocasionalmente confundir o paciente sobre o local de origem da dor. Na realidade, a dor de ouvido é diferente da dor de ATM.
Como diagnóstico diferencial, as disfunções da ATM não manifestam febre, não eliminam secreção pelos ouvidos e não são acompanhadas por quadros infecciosos das vias aéreas superiores.

Qual é a principal característica de um paciente que tem problemas de ATM?

O principal indicativo de uma alteração na ATM é o estalido (clique), normalmente acompanhado de dor que se manifesta na cabeça, face, pescoço, olhos e dentes. A ausência de dor não é sinal de normalidade. O estalido (clique), por si só, já traduz problemas na ATM.

Existe relação entre dentes e ATM?

Sim. O “encaixe dental” (oclusão) é responsável pela posição do côndilo (cabeça da mandíbula) dentro da articulação. Ocluir os dentes mais para frente, para trás ou para os lados traz conseqüências para as ATM.
O ideal é que a oclusão tenha um relacionamento adequado, para manter côndilo e disco articular harmônicos e bem posicionado entre si, a fim de que a articulação seja saudável.

Como os músculos da mastigação e as articulações funcionam?

As estruturas que possibilitam a abertura e fechamento da boca são muito especializadas e trabalham juntas quando mastigamos, falamos e engolimos. Essa estrutura inclui músculos, ligamentos e ossos. A ATM é a articulação mais complexa do corpo.
Os discos articulares permitem vários movimentos da boca como aberturas em diferentes graus e deslizamento.
Muitos são os músculos que permitem abrirmos e fecharmos a boca, controlando os movimentos para frente e para trás, para os lados e fechamento.
A articulação também está envolvida nesses movimentos.

Novo tratamento: solução para quem tem disfunção da ATM

Um novo tratamento tem dado esperança a quem sofre com o problema. A artroscopia, já conhecida na área de ortopedia para tratamentos de articulações como o joelho, vem sendo adaptada para ser usada nos casos de DTM. Essa técnica traz avanços tanto no diagnóstico quanto no tratamento da disfunção.
No aparelho pode ser acoplada uma câmera para investigar possíveis áreas ‘doentes’ da articulação, assim como pode receber pontas e microtesouras para solucionar o problema.
Essas pequenas cirurgias são minimamente invasivas e podem substituir as que precisavam de um corte a frente da orelha.
“É necessário apenas um dia de internação e o pós-operatório é muito simples, se comparado à cirurgia tradicional”, diz José Flávio Torezan, especialista em cirurgia bucomaxilofacial que atua nos hospitais Sírio Libanês, São Luiz, Hospital Israelita Albert Einstein, entre outros.
Segundo Torezan, o procedimento é feito em ambiente hospitalar, sob anestesia geral.

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Avaliando sua necessidade para tratamento das ATMs

Quando os sintomas das disfunções das ATMs aparecem, seu Cirurgião Bucomaxilofacial deve ser consultado. Cirurgiões Bucomaxilofacais são especialistas nas áreas da boca, dentes, maxilares e estruturas associadas e podem diagnosticar problemas nas ATMs por meio da utilização de uma variedade de ferramentas e técnicas.

Quando você chegar ao consultório do Cirurgião Bucomaxilofacial, esteja preparado para completar um longo histórico médico incluindo informações referentes ao seu estilo de vida e ao nível de stress que experimenta em seu dia a dia. Seu Cirurgião examinará fisicamente as áreas de sua cabeça e de seu pescoço incuindo as ATMs.
Uma variedade de testes podem ser utilizados para confirmar ou eliminar um diagnóstico de disfunção das ATMs.
Estes testes podem incluir raios-x padrão ou estudos de imagens mais sofisticados como ressonâncias magnéticas para produzir imagens do tecido mole e/ou tomografia computadorizada ou escaneamento do osso.
Testes de laboratório para confirmar a presença ou ausência de artrites podem ser necessários para alguns pacientes.
Seus dentes também serão examinados e modelos e moldes poderão ser feitos para ajudar o Cirurgião determinar se sua mordida está contribuindo para o seu problema nas ATMs.
Se necessário, será sugerido encaminhamento a outros dentistas e especialistas médicos, como ortodentistas, dentistas especialistas em restauração dentária, fisioterapeutas, neurologistas, rematologistas ou psicólogos.
Quando você discutir sua estória com seu Cirurgião Bucomaxilofacial, não deixe de comunicar detalhes específicos referentes ao seguinte:

  • Origem do problema
  • Duração, caráter e localização de qualquer dor que esteja sentindo
  • Consciência de que seu maxilar esteja sendo cerrado ou triturado durante a noite e/ou dia
  • Se você acorda de manhã com o maxilar rígido
  • Sintomas que se intensificam quando está sob estado de maior stress
  • Histórico de artrite em outra parte do corpo
  • Histórico familiar de algum problema similar
  • Histórico de traumas no maxilar, na cabeça ou no pescoço
  • Ruídos nas articulações (como cliques, estalos ou chiados)
  • Limitações nos movimentos do maxilar inferior
  • Qualquer desconforto relacionado
  • Tratamentos atuais ou anteriores

Opções cirúrgicas para as ATMs

Se a posição do maxilar estiver incorreta, cirurgia para correção dos maxilares para reposicionar o maxilar superior e/ou inferior poderá ser indicada. Para restaurar balanço e potecialmente ajudar a resolver a disfunção. Estas são opções de cirurgias que seu Cirurgião Bucomaxilofacial poderá discutir com você:

Artrocentese: Remoção de aderências por artrocentese e lavagem com medicamentos é um procedimento minimamente invasivo usado para diminuir dores na articulação e aumentar a amplitude de movimentos. Líquido estéril é introduzido por duas entradas na articulação para eliminar líquido estagnado e estender gentilmente a articulação.
Este processo reverte pressões negativas que interferem na mobilidade do disco da articulação assim como mediadores químicos que causam dores e inflamações.
No final do procedimento, medicamentos que lubrificam ou ajudam a reduzir inflamação poderão ser colocados nas ATMs.
Artrocentese poderá ser realizada no consultório do Cirurgião Bucomaxilofacial ou num centro cirúrgico ambulatorial com anestesia local, sedação IV ou anestesia geral.

Artroscopia: Artroscopia é uma cirurgia minimamente invasiva bem na articulação que emprega um instrumento parecido a um telescópio miniatura chamado artroscopia através do qual o conteúdo das ATMs pode ser visualizado.
Similar ao instrumento usado por Cirurgiões Ortopédicos nas articulações dos joelhos, este artroscopia especial é pequeno o suficiente para penetrar nas ATMs de modo que o Cirurgião possa ver a articulação, diagnosticar o problema e realizar os procedimentos cirúrgicos necessários.
A remoção das aderências (cicatrizes) e/ou fragmentos de cartilagem poderão restaurar uma grande amplitude de movimentos e diminuir o nível da dor.
A Artroscopia poderá ser realizada em um hospital ou em um centro cirúrgico ambulatorial sob anestesia geral, utilizando as mesmas condições esterelizantes e cirúrgicas que outros tipos de cirurgias de articulações.

Artroplastia: Artroplastia é usada para reparar a porção interna das ATMs e para reposicionar e/ou reconectar um disco deslocado. O procedimento poderá aliviar dor, cliques e recorrente travamento do maxilar.
Deslocamento do maxilar pode ser tratado comprimindo os ligamentos internos e tecnologia laser poderá ser empregada para auxiliar as manobras cirúrgicas.

Artrotomia: Artrotomia é uma cirurgia de articulação aberta durante a qual uma pequena incisão é feita para expor as ATMs. Essa abordagem é usada quando artrocentese or artroscopia não permitem acesso o suficiente para um procedimento cirúrgico mais complexo.
Artrotomia pode ser apropriado para reposicionamento e fixação de disco deslocado, remoção e modelagem de osso degenerativo e posicionamento de mantenedores de espaço.

Cirurgia de reposicionamento de articulação: Cirurgia de reposicionamento de articulação envolve substituição de parte da ATM. Este procedimento é reservado para casos severos onde outras opções não tenham sido capazes de restaurar a função.
Técnicas incluem o uso de autogeno (envolvendo o tecido do próprio paciente) ou material aloplástico (sintético).
Recentes avanços na tecnologia providenciam partes específicas da articulação feitas sob medida para o paciente.
O procedimento é realizado no hospital sob anestesia geral e internação é geralmente exigida.
Em certos casos, gerenciamento de dor de longo prazo é providenciado por um centro da dor.

Cirurgia de correção dos maxilares (cirurgia ortognática): Em alguns casos as disfunções das ATMs podem ser tratadas operando o maxilar para alterar sua posição de modo que a anatomia interna das ATMs funcionem melhor.

Assista o vídeo abaixo para ter mais informações sobre ATM/DTM:

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