Gripe – Mata mais 500 mil pessoas por ano no mundo

Quando as temperaturas caem é dado o sinal de alerta para os cuidados com a saúde. A vilã do período é a gripe causada pelo vírus influenza, doença altamente contagiosa, que afeta nariz, garganta e pulmões, e pode se manifestar de forma severa e causar até a morte.
A transmissão ocorre por meio de gotículas expelidas pelas pessoas infectadas, quando espirram, tossem ou falam.
Pode-se contrair também ao se tocar superfície ou objetos contaminados levando a mão à boca, olhos e nariz.
Portanto, é hora de ligar o sinal de alerta e estar vigilante para amenizar uma enfermidade tão comum nesta época do ano.

No Brasil, por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI), da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, a campanha de vacinação começou de 15 a 26 de abril com prioridade para os grupos de risco: crianças entre seis meses e dois anos, gestantes, maiores de 60 anos, profissionais da saúde, indígenas e população prisional.
Este ano as mulheres em puerpério (45 dias após o parto) também estão inclusas na campanha e devem ir aos postos.
A parcela restante da população que quiser se proteger terá de procurar uma clínica particular.

A gripe atinge até 15% da população mundial, o equivalente a mais de 600 milhões de pessoas, causando até 500 mil mortes, principalmente de idosos e portadores de doenças crônicas (asma, diabetes, angina, enfizema, doença renal crônica etc.), e milhões de internações, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Ou seja, um grande problema de saúde pública.

Recentemente, um evento em São Paulo reuniu especialistas para tratar do tema, com o intuito de esclarecer a população sobre os perigos da gripe.
Reunidos na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, os médicos debateram sobre o quadro encarado desde novembro de 2012 pelos Estados Unidos, que enfrentam a pior epidemia de gripe dos últimos quatros anos.
Tanto que os estados de Nova York (mais de 19 mil novaiorquinos) e Pensilvânia declararam estado de emergência.
A doença já infectou mais de 27 mil norte-americanos.

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A médica Nancy Bellei, professora da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, onde coordena o programa de pós-graduação de viroses respiratórias, explica que “a chegada antecipada do influenza coincidiu com a circulação de outros vírus, como o sincicial e o parainfluenza, atingindo a população em cheio”.
Um sinal vermelho e tanto para o Brasil, já que os números voltaram a crescer depois da pandemia de 2009, quando foram mais de 50 mil casos documentados.
No ano passado, o H1N1 provocou 2.
614 internações, contra 181 registradas ao longo de 2011.
Entre os estados mais afetados está Minas Gerais, com 134 casos.
Os piores cenários foram de Santa Catarina (743), Paraná (621), Rio Grande do Sul (520), São Paulo (370), Mato Grosso do Sul (60) e Ceará (53).

De acordo com a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, as internações por essa cepa – vírus A/H1N1 – representaram 65,5% das 4.016 causadas pela gripe.
O quadro de mortes de pessoas com diagnóstico positivo para o vírus também piorou: os números subiram de 21 em 2011 para 351 em 2012, com ocorrências principalmente em Santa Catarina (76), São Paulo (73), Rio Grande do Sul (68), Paraná (45), Minas Gerais (44), Goiás (12) e Ceará (11).
“Em 2012, a maior taxa de óbito foi na população jovem e é preciso ter atenção com os portadores de asma, doença subestimada de risco para o Influenza”, destaca Nancy.
Ela enfatiza o valor da vacina: “Em 2010, foram 88 milhões de pessoas vacinadas pela campanha, o maior índice.
Mas é preciso que saibam que depois de 14 meses ninguém mais tem anticorpos.
Precisamos do nível alto que ocorre em torno de oito meses, pico máximo de proteção.
É importante vacinar todo ano porque o vírus é mutante.
A recomendação dos EUA é universal para que todos se vacinem”.
E reforça: “A gripe causada pelo influenza é uma doença social.
A tendência é imprevisível e depende de múltiplos fatores”.

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Mitos

A médica Lúcia Bricks, diretora de saúde pública do laboratório Sanofi Pasteur, desmente alguns mitos que circulam entre a população e, muitas vezes, impedem a vacinação correta: “A vacina não causa gripe. Às vezes, ao administrá-la, o vírus já está circulando e é preciso duas semanas para produzir anticorpos. As reações são transitórias, leves.
O profissional da saúde que reclama de febre e dor está errado porque impacta negativamente sobre os demais.
As exceções e reações alérgicas são pouco comuns, casos da rara doença Guillain-Barré e alergia a ovo.
A recomendação é discutir o risco e benefício e aplicar a dose num lugar próprio e cuidadoso”.

A vacina é a forma mais eficaz para a prevenção da gripe e suas complicações. As doses aplicadas no Brasil estão atualizadas para proteger as pessoas com as três principais cepas em circulação no Hemisfério Sul: H1N1, H3N2 e o influenza B. As crianças são as principais transmissoras e os idosos morrem mais.
Por isso a importância da proteção indireta, que reduz o risco de infecção para os contatos de pessoas vacinadas e não apenas para os vacinados.
Quanto maior a proporção de pessoas vacinadas, menor a circulação do vírus na comunidade.

Tanto é verdade que pesquisadora do Instituto Butantan Vera Gattás revelou que vacina contra a gripe em escolares protege seus familiares não vacinados. “A meta é a homogeneidade de cobertura. Ou seja, mais de 80% da população-alvo e mais de 5 mil municípios brasileiros.
Todos têm acesso à vacina e nossos índices do programa de vacinação são invejados pelo mundo”, destaca o médico José Cássio de Moraes, professor adjunto da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
Em 2012, o Brasil imunizou 26.
956 pessoas ou 86% do público-alvo, formado por 30.
550 de brasileiros, resultado parcial do Ministério da Saúde.
A novidade de 2013 é que os seis milhões de portadores de doença crônica vão ter mais facilidade para se proteger, já que poderão receber a dose em 35 mil salas de vacina do Sistema Único de Saúde (SUS).
Até o ano passado, esse grupo tinha de vacinar nos centros de referência de imunização especial (Cries).

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