Inimiga do coração: hipertensão atinge um a cada quatro adultos e pode ser fatal

Domingo, 26 de abril, foi o dia nacional de combate e prevenção à hipertensão. Médicos tentam combater e alertar a população sobre a doença. A Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) reforça importância do diagnóstico correto, com avaliação da pressão arterial fora do consultório, complementando o diagnóstico de risco mais preciso.
O diagnóstico é feito a partir da medida da pressão arterial e deve ser realizada em toda avaliação de saúde.
Você sabe como está a sua pressão arterial?.

Um mal silencioso com consequências que podem ser fatais. No Dia de Combate e Prevenção à Hipertensão, os médicos alertam para o problema, que atinge um a cada quatro adultos. Reconhecida como inimiga do coração, é um perigo também para outras áreas do organismo altamente vascularizadas, como cérebro, rins e até mesmo os olhos.
A hipertensão arterial é considerada a partir de 140 por 90 milímetros de mercúrio (140mmHg por 90mmHg), ou, como se costuma dizer popularmente: 14 por 9.
Pode ser leve, moderada ou grave.
Mas, em qualquer um desses patamares, se não tratada, pode resultar em complicações para a saúde.
“É uma doença muito comum.
Como não tem sintoma nenhum, ao longo dos anos provoca lesões em órgãos nobres, como coração, rins, cérebro e as grandes artérias”, afirmou o cardiologista Thiago da Rocha Rodrigues, do Hospital Felício Rocho.

Hipertensão, usualmente chamada de pressão alta, é ter a pressão arterial, sistematicamente, igual ou maior que 14 por 9. A pressão se eleva por vários motivos, mas principalmente porque os vasos nos quais o sangue circula se contraem. O coração e os vasos podem ser comparados a uma torneira aberta ligada a vários esguichos.
Se fecharmos a ponta dos esguichos a pressão lá dentro aumenta.
O mesmo ocorre quando o coração bombeia o sangue.
Se os vasos são estreitados a pressão sobe.

A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) faz a campanha Quem se medica contra a hipertensão vive sem restrição para alertar para a importância de identificar a doença. Os números são preocupantes: a cada dois minutos, um brasileiro morre por causa de doenças cardiovasculares, 350 mil a cada ano.
Apesar dos números, as pessoas ainda não dão a devida atenção.
A hipertensão ou pressão alta é uma doença crônica que, depois de 10 e 15 anos, pode resultar em outras doenças, como hemorragia cerebral, acidente vascular cerebral (AVC), infarto, insuficiência renal e obstrução das artérias.
“É uma doença silenciosa e traiçoeira.
A hipertensão não tratada pode resultar em uma dessas catástrofes”, diz Thiago da Rocha.

Felizmente, é um quadro de fácil diagnóstico, que deve ser feito por um clínico ou cardiologista por meio da aferição.
“Basta uma medida simples da pressão, que deve ser feita em qualquer consulta de rotina, ou até mesmo por aparelhos digitais, que são muito comuns na atualidade”, afirma o cardiologista Marcus Bolivar Malachias, professor da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais e presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
A aferição deve ser feita em um momento em que o paciente estiver tranquilo.
“Quando a aferição é feita em um momento de estresse e irritação, a medida pode ficar momentaneamente elevada.
É bom que antes a pessoa fique de repouso por pelo menos cinco minutos”, sugere Thiago da Rocha.

O problema pode surgir em qualquer época da vida, mas é mais comum entre 40 e 60 anos de idade. Não há diferença na prevalência entre homens e mulheres. O tratamento é feito por meio de medicamentos, mas também são indicadas redução no consumo de sal e a prática moderada de exercícios físicos. “Dispomos de muitos medicamentos para hipertensão.
Temos diversas classes de remédios.
O paciente pode não se adaptar a um, mas temos alternativas.

Ao longo dos anos, os medicamentos passaram a ser mais tolerados, com menos efeitos colaterais, e são mais eficazes. Em cerca de 95% dos casos, a pressão alta tem causas genéticas. O sedentarismo, o alcoolismo e má alimentação podem potencializar o problema em pessoas que tenham predisposição genética.
“Quando pai e mãe têm pressão alta, as chances são maiores.
Mas não é 100% certo”.
É indicado que a pessoa faça um checape para avaliar a pressão.

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Alimentação

A alimentação pode ser uma importante aliada no combate à hipertensão. Além da redução do consumo de sal, a ingestão de alguns nutrientes auxilia na redução de pressão arterial.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) indica o consumo de cinco gramas de sal por dia, mas estudo da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2014) demonstrou que os brasileiros consomem até 2,5 vezes mais, cerca de 13g diários.
De acordo com o nutricionista Lupércio Farah, beterraba, melancia, alimentos verde-escuros, castanhas, nozes e chocolate amargo podem ajudar a reduzir a pressão.
Ele também aconselha o consumo de uma taça de vinho ou de suco de uva integral como forma de combater a hipertensão.
“Basta sermos criativos.
Com o que temos à mão, podemos fazer boas saladas e sucos saborosos”, ensina.

Um estudo publicado no British Journal of Nutrition, em 2012, comparou o efeito de 100g de extrato de beterraba roxa e branca sobre a pressão arterial de pessoas normais. Os resultados mostraram que o nitrato, presente em abundancia na beterraba, foi responsável pela redução da pressão arterial de forma significativa, de 15 por 9 para 13 por 7.
Outro estudo conduzido na Itália publicado no American Journal of Clinical Nutrition mostrou que o chocolate amargo reduziu a pressão arterial de 11 por 8 para 10 por 8.

Para combater o sódio, vilão da hipertensão, a dica é apostar no verde. A clorofila (pigmento verde encontrado nos vegetais) é uma das maiores fontes de magnésio que encontramos na natureza.
Em níveis normais na corrente sanguínea, o magnésio ajuda na excreção do sódio, responsável por aumentar o volume de líquido nos vasos sanguíneos e, consequente, a pressão arterial.
Conduzida por pesquisadores do Departamento de Medicina do Centro Médico Albert Einstein, na Philadelphia (EUA), o estudo demonstrou que a suplementação de magnésio, de três a 24 semanas, resultou na diminuição da pressão arterial.

Quais são as conseqüências da pressão alta?

A pressão alta ataca os vasos, coração, rins e cérebro. Os vasos são recobertos internamente por uma camada muito fina e delicada, que é machucada quando o sangue está circulando com pressão elevada. Com isso, os vasos se tornam endurecidos e estreitados podendo, com o passar dos anos, entupir ou romper.
Quando o entupimento de um vaso acontece no coração, causa a angina que pode ocasionar um infarto.
No cérebro, o entupimento ou rompimento de um vaso, leva ao “derrame cerebral” ou AVC.
Nos rins podem ocorrer alterações na filtração até a paralisação dos órgãos.
Todas essas situações são muito graves e podem ser evitadas com o tratamento adequado, bem conduzido por médicos.

Quem tem pressão alta?

Pressão alta é uma doença “democrática”. Ataca homens e mulheres, brancos e negros, ricos e pobres, idosos e crianças, gordos e magros, pessoas calmas e nervosas.

A Hipertensão é muito comum, acomete uma em cada quatro pessoas adultas. Assim, estima-se que atinga em torno de, no mínimo, 25 % da população brasileira adulta, chegando a mais de 50% após os 60 anos e está presente em 5% das crianças e adolescentes no Brasil.
É responsável por 40% dos infartos, 80% dos derrames e 25% dos casos de insuficiência renal terminal.
As graves conseqüências da pressão alta podem ser evitadas, desde que os hipertensos conheçam sua condição e mantenham-se em tratamento com adequado controle da pressão.

10 Mandamentos contra a pressão alta

  • Meça a pressão pelo menos uma vez por ano.
  • Pratique atividades físicas todos os dias.
  • Mantenha o peso ideal, evite a obesidade.
  • Adote alimentação saudável: pouco sal, sem frituras e mais frutas, verduras e legumes.
  • Reduza o consumo de álcool.
    Se possível, não beba.
  • Abandone o cigarro.
  • Nunca pare o tratamento, é para a vida toda.
  • Siga as orientações do seu médico ou profissional da saúde.
  • Evite o estresse.
    Tenha tempo para a família, os amigos e o lazer.
  • Ame e seja amado.
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Fatores de risco das doenças cardiovasculares

Existem diversos fatores de risco que contribuem para o desenvolvimento das DCV. Estes podem ser chamados de fatores de risco modificáveis e fatores de risco não modificáveis.

Fatores de Risco Não Modificáveis

  • Hereditariedade
  • Idade
  • Gênero (masculino e feminino)

Fatores de Risco Modificáveis

  • Tabagismo
  • Colesterol alterado
  • Hipertensão arterial
  • Inatividade física ou sedentarismo
  • Sobrepeso ou obesidade
  • Elevada circunferência abdominal
  • Presença de diabetes
  • Alimentação inadequada

Dos 11 Fatores de Risco acima apenas 3 não podem ser controlados! Prevenir as doenças cardiovasculares é fácil! Basta seguir as orientações e adotar hábitos de vida saudáveis!

Prevenção em 6 passos

Confira alguns passos que podem ser seguidos para garantir o controle dos fatores de risco para as doenças cardiovasculares (DCV):

Lembre-se: dê um passo de casa vez.
Inicie com o item que julgar mais fácil e vá incorporando novos hábitos com o tempo! Pequenas mudanças fazem grande diferença!

Passo  – Tenha uma alimentação saudável

  • Inimiga do coração: hipertensão atinge um a cada quatro adultos e pode ser fatal

    Procure realizar entre 5 e 6 refeições ao dia, ao dia: café da manhã, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e ceia.
    Dependendo da sua rotina, evite “beliscar” entre as refeições.

  • Mastigue bem os alimentos
  • Aumente o consumo de fibras
  • Coma diversas frutas e, sempre que possível, coma o bagaço ou a casca.
    Varie também o consumo de legumes e vegetais
  • Prefira, na medida do possível, alimentos integrais, que mantém a saciedade por mais tempo.
  • Consuma alimentos com baixo teor de gordura saturada e que contenham gordura trans em sua composição
  • Prefira leite e iogurte desnatados, queijos brancos e light, opte por alimentos grelhados, cozidos ou assados
  • Consuma alimentos com baixo teor de sódio (sal) – a ingestão diária deverá ser de até 5g de sal, o que equivale à 3 colheres rasas de café
  • Prefira temperos naturais (salsinha, cebolinha, coentro, orégano, manjericão, alho, cebola, alecrim, gengibre, hortelã, etc.
    ), além de azeite de oliva, limão e vinagre, que não influenciam na pressão arterial e ainda realçam o sabor natural dos alimentos
  • Evite produtos em conserva e enlatados, frios e embutidos, molhos e temperos prontos, alimentos congelados, salgadinhos, etc.
  • Consuma alimentos fonte de potássio (feijão, folhas verde-escuras, melão, abacate, ameixa, abóbora, batata, tomate, iogurte), magnésio (banana, uva, beterraba, grão-de-bico, ervilha, mandioca, quiabo, espinafre, couve, granola, aveia), cálcio (leite, queijo, iogurte, brócolis, espinafre, sardinha, soja, linhaça, aveia, chia, grão-de-bico), alimentos fonte de ômega-3 (peixes – atum, sardinha, tilápia, salmão, cavalinha, além de linhaça, chia, rúcula, azeite de oliva, espinafre, brócolis, soja e nozes), antioxidantes (canela em pau, açafrão, frutas vermelhas – morango, melancia, uva) frutas cítricas (laranja, limão, goiaba, abóbora, mamão, damasco), flavonóides (chá verde, brócolis, salsa, suco de uva integral, nozes, chocolate amargo) que auxiliam no controle dos níveis de pressão arterial, colesterol e glicemia no organismo.
  • Tenha uma alimentação equilibrada e sempre busque as opções mais saudáveis.

Passo  – Não fique parado, movimente-se!

  • Inclua atividades físicas em sua rotina.
    Vá ao trabalho de bicicleta, se for de ônibus desça dois pontos antes do destino final, prefira as escadas ao invés do elevador, caminhe durante seu horário de almoço.
     Com 30 minutos de atividade física todos os dias você diminui os riscos de ataques cardíacos e derrames.
    O bem-estar é acumulativo e existem diversas atividades gratuitas espalhadas pela cidade!
  • Diminua o tempo em frente à televisão.
    Faça atividades que distraiam e que exijam movimentação como passeios a um parque, passeios de bicicleta, visitas a um museu ou o futebol com os amigos.

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Inimiga do coração: hipertensão atinge um a cada quatro adultos e pode ser fatal

Passo  – Livre-se do cigarro!

  • Se você fuma, abandone o vício. Procure seu médico e adote medidas para auxiliá-lo.
  • Se você não fuma, proíba que fumem em sua casa ou no seu ambiente de trabalho. Insista em um ambiente saudável e livre do tabaco. Encoraje familiares e amigos e ajude-os a parar de fumar.

Passo  – Mantenha um peso saudável!

A manutenção do peso ideal diminui o risco de doenças cardiovasculares, pois ajuda a manter a pressão arterial, colesterol e glicose em níveis normais. A alimentação saudável e a prática de exercícios físicos ajudam no controle do peso.

Passo  – Conheça seus números

Consulte um profissional da saúde que meça sua pressão arterial, seus níveis de colesterol e glicose, que verifique o valor da sua circunferência abdominal e seu índice de massa corpórea (IMC). Conhecendo seu risco geral, você pode desenvolver um plano específico para melhorar a saúde do seu coração.

Passo  – Limite a ingestão de álcool.

Restrinja a quantidade de bebida alcoólica que você consome: para homens, deverá ser de no máximo 2 latas (350 ml cada) de cerveja, ou 2 taças de vinho (150 ml cada) ou 3 doses de destilados (30 ml cada); já para as mulheres, deverá ser a metade desses valores.
O excesso de álcool pode fazer sua pressão, seu peso, seu colesterol e triglicérides aumentarem.

Saiba que a hidratação é importantíssima para o correto funcionamento do organismo; ingira ÁGUA e evite substituir por refrigerantes, porque mesmo os diet, light ou zero açúcar, não possuem a mesma capacidade de hidratação devido a presença do gás.

A prevenção das DCV em números

Quase metade dos que morrem devido a doenças cardiovasculares (DVC) estão no período mais produtivo da vida – entre 15 e 69 anos de idade.

Pelo menos 80% das mortes prematuras podem ser evitadas por meio de dieta saudável, atividade física regular, restrição ao tabaco e ao álcool e pelo controle efetivo da pressão arterial.

A pressão alta é o principal fator de risco para as doenças cardiovasculares. Cerca de 80% das pessoas que sofrem derrame são hipertensas. 40 e 60% dos pacientes com infarto apresentam hipertensão associada.

Veja como o controle de alguns fatores de risco diminui as chances de ocorrência das DCV’s:

Controlando o colesterol

  • Menos 20% de risco de derrame
  • Menos 25% de risco de morte
  • Menos 33% de risco de infarto

Controlando a pressão arterial

  • Menos 15% de risco de infarto
  • Menos 42% de risco de derrame

Parando de fumar

  • Menos 50% de risco de infarto
  • Menos 70% de risco de morte

Perdendo peso e praticando exercícios físicos

  • Menos 25% de risco de diabetes

Hipertensão na Mulher – Fatores de Risco

Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) ou Pressão Alta ocorre quando a pressão que o sangue faz na parede das artérias para se movimentar é muito forte, ficando acima dos valores considerados normais.
 Segundo dados de pesquisa (Vigitel) feita em todo o Brasil, no ano de 2012, a frequência de diagnóstico para HAS alcançou 24,3%, sendo maior em mulheres (26,9%) do que nos homens (21,3%).
As frequências mais elevadas de HAS foram encontradas na população mais velha (acima dos 50 anos) e com baixa escolaridade (menor tempo de estudo).

A mulher apresenta algumas diferenças, em relação ao homem, no desenvolvimento da HAS, principalmente relacionadas ao período de gravidez e da menopausa.
As alterações da pressão arterial na gestação estão associadas a um maior risco tanto para a mãe quanto para o feto, e a HAS ainda é, na atualidade, a principal causa de mortalidade materna, sendo também responsável por um grande número de internações.

A menopausa ocorre quando há a diminuição dos hormônios como estrógeno. Não há estudos que mostrem que a menopausa pode agir isoladamente para o desenvolvimento da HAS, porém, pesquisas indicam o aumento de risco para doenças do coração à partir desse período da vida da mulher.

Sinais e Sintomas

Normalmente não existem sintomas na fase inicial da doença e, por isso a hipertensão é chamada de “inimiga silenciosa”. A única forma de detectar a sua presença é medir frequentemente a pressão arterial.
 Alguns sintomas podem indicar a presença da doença:

  • Tontura
  • Falta de ar
  • Palpitação
  • Enjoos e náuseas
  • Dor de cabeça frequente
  • Cansaço inexplicável
  • Problemas cardíacos
  • Alterações na visão.

Diagnóstico e Tratamento

Somente o médico pode diagnosticar a doença e indicar o tratamento adequado, portanto, é imprescindível ter um médico de confiança realizar exames periódicos, manter acompanhamento adequado e seguir as recomendações prescritas. É comum observar o abandono do paciente ao tratamento, muitas vezes por achar que está “curado”.
Porém, o tratamento deve feito por toda a vida.

A melhor forma de prevenir a hipertensão arterial é unânime para qualquer faixa etária: mudanças no estilo de vida – prática de atividades físicas, alimentação balanceada, controle do estresse e evitar ou abandonar o uso de tabaco e álcool, além de manter avaliações médicas periódicas.

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