Menopausa e vida sexual prazerosa não são antagonistas

Acontece em Belo Horizonte o 7º Congresso Mineiro de Ginecologia e Obstetrícia entre 14 e 17 de maio no Minascentro. Entre os temas está a sexualidade na menopausa. A palestrante mostra que é possível viver essa fase com muita naturalidade.

A conotação negativa que ronda a menopausa é fundamentada principalmente por uma suposta queda no desejo sexual das mulheres nessa fase. No entanto, com a expectativa de vida crescente da população feminina brasileira, essa associação vem perdendo força, mesmo que a passos lentos.
Apesar de não se poder negar a diminuição da produção de hormônios como estrogênio e progesterona e contestar dados como o revelado no XI Congresso Mundial de Menopausa de que mais de 50% das mulheres de meia-idade sofrem com alguma a disfunção sexual nesse período, cada vez mais a forma como algumas delas encaram as alterações do corpo têm mostrado que é possível driblar aspectos negativos para uma sexualidade saudável.
E é sempre bom lembrar que a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera o sexo como um dos quatro pilares da qualidade de vida.

Funcionária pública federal, Lucy Bertolini, 63 anos, afirma que nunca se preocupou com o assunto, que sabia que o fim da menstruação chegaria e que se sentia preparada para as mudanças que viriam. Ela tem dois filhos e está no segundo casamento. “Sempre fui muito positiva, otimista. Nunca coloquei a menopausa em primeiro plano na minha vida.
Para falar a verdade, a única coisa que me incomodou de verdade foram as ondas de calor.
Algumas pessoas reclamam tanto que atraem sintomas para si”, acredita.

Lucy diz que tem desejo por sexo o tempo todo e brinca: “Basta ver um homem bonito”. No entanto, ela admite que essa vontade tem relação direta com a parceria sexual. “As preliminares são ainda mais importantes nessa fase e acho que meu entusiasmo é porque vivo uma comunhão de almas como meu marido”, conta.
Juntos há 24 anos, ela se diz apaixonada pelo companheiro.

A funcionária pública lembra da total ausência de educação sexual. “Era tudo muito reprimido, eu só sabia que tinha que me preservar”, recorda-se. Ela perdeu a virgindade aos 29 anos com o primeiro marido que é o pai de seus dois filhos.
Lucy Bertolini também credita o entusiasmo de sua vida à alimentação saudável e à prática de caminhada e musculação.
“Como de cinco a seis frutas por dia”, fala.

Sobre a secura vaginal, uma das principais queixas das mulheres com o fim da menstruação, a funcionária pública simplifica: “Às vezes acontece de a vagina estar mais seca, mas a gente lubrifica com saliva, com gel, com preliminares. Se acontece de machucar é só passar uma pomadinha”.

Personal sex trainer, Lu Brandão atua no mercado erótico há 8 anos. Ela é bailarina formada pelo SATED-MG e ministra cursos de danças sensuais e pompoarismo, palestras sobre sensualidade e sexualidade, e também vende produtos eróticos.
Para ela, as mulheres de 50 anos de hoje estão à procura de elevar a autoestima em todos os aspectos, inclusive no sexo.
“Elas procuram brinquedos eróticos, géis lubrificantes e o strip-tease para se soltarem mais.
E não é só as que têm parceiros mais jovens, mas também as casadas há muito tempo”, exemplifica.

Lu Brandão ressalta o alto interesse por gel lubrificante. “A grande maioria das mulheres que me procuram – seja para comprar produto ou fazer alguma aula – querem uma vida sexual mais ativa mesmo na menopausa”, diz.
A personal sex trainer ressalta a importância de um acompanhamento médico especializado e, em alguns casos, um psicólogo para auxiliar na adaptação da nova realidade.
Ela também indica a ginástica íntima vaginal (pompoarismo) para trabalhar a região do períneo.
“Notamos uma melhora comprovada da lubrificação vaginal com uma musculatura pélvica fortalecida.
Mas isso não só nas mulheres na menopausa, até nas mais novas”, afirma.

Sintomas variam muito

Ginecologista, obstetra e vice-presidente da região Sul da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig) Tânia Mara Giarolla de Matos ressalta que a menopausa é apenas mais uma fase da vida feminina e o que ela significa de fato é a ausência da menstruação e o fim da fase reprodutiva.
“Há relatos de mulheres que apresentam até melhoria no desempenho sexual quando entram na menopausa”, afirma.

Para ela, é muito importante entender as mudanças que acontecem com o corpo e a mente para encarar esse período com mais leveza. A ginecologista diz que entre os principais medos da mulher estão a insegurança em não atender sexualmente o parceiro, perder a libido e não ser mais desejada.
“Apesar de ser uma fase que carece de cuidados, não há motivo para sofrimento”, diz.

Sobre a redução da lubrificação vaginal, apontada frequentemente como inimiga do desejo sexual, ela pondera: “Apesar das raízes físicas, a manifestação está relacionada com as mudanças psicológicas. O medo de envelhecer e encarar as mudanças corporais da pós-menopausa são pontos desfavoráveis no jogo sexual.
Entretanto, um bom relacionamento entre os parceiros colabora para a evolução dessa fase”, observa.

Tânia Mara explica que os sintomas da menopausa variam muito: “Algumas têm uma transição descompensada, com muita dor de cabeça, desinteresse sexual, desânimo, insônia e ondas de calor. Outras não sentem quase nada”. Para ela, a particularidade de cada caso requer avaliação individualizada de um especialista.

Segundo ela, o estilo de vida e a força emocional para enfrentar esse momento interferem diretamente nos sintomas. “Quem enxerga como uma fase negativa – envelhecimento, o fim da beleza, a incapacidade de gerar filhos, tornar-se descartável – vai sofrer mais.
Quem vivencia de forma natural e tem uma nova proposta para esse período da vida vai enfrentar sintomas menores”, exemplifica.
A condição da saúde, segundo a médica, também tem influência.
Tânia Mara diz que Mulheres diabéticas ou hipertensas terão mais sintomas em função da patologia concomitante à menopausa.

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O tratamento para minimizar os sintomas também diferem muito. “Para ajustar a vida, há aquelas que terão que fazer terapia hormonal e outras que conseguirão equilibrar o organismo apenas com a ajuda da alimentação”, diz. Uma sugestão certeira é a prática de uma atividade física para liberar mais endorfina.
“Participar de algum grupo focado na temática também auxilia”, sugere a ginecologista.

Para Tânia Mara, como a maternidade é culturalmente muito valorizada, a ideia de que “nunca mais poderei ser mãe” mexe muito com o psicológico da mulher. Para ajudar a entender quais são os sintomas físicos e o que é psicológico da menopausa, Tânia Mara faz antes uma observação: “Não somos só corpo e não somos só alma”.
No entanto, a ginecologista diz que a menor produção de estrogênio – por que esse hormônio não para de ser produzido pelo organismo da mulher como muita gente pensa – causa as ondas de calor, a vagina ressecada, pele seca e sensação de desânimo.
Os psicológicos são depressão, ansiedade e angústia.

Driblando os sintomas

Uma dica da especialista para minimizar a falta de lubrificação vaginal é uso de um creme de estrogênio que não é absorvido pelo organismo, mas mantém a elasticidade. Ela também indica plantas para ajudar a amenizar os sintomas. “A sálvia diminui a sudorese que vem com a menopausa.
O consumo de vitamina E e B5 também amenizam as ondas de calor”, explica.

Não é raro também o ganho de peso nessa fase. Por isso, é importante uma alimentação natural e balanceada. “Evite gordura e muito açúcar”, recomenda Tânia Mara. “Os citoestrogênios estão presentes na soja, na linhaça, na romã, na prímula. Esses alimentos naturais melhoram os sintomas da menopausa”, sugere.

Para melhorar o interesse sexual, a ginecologista indica a damiana, considerada uma planta afrodisíaca, e tríbulos terrestres para ajudar no orgasmo. “A mulher na menopausa tem orgasmos menos intensos e essa planta ajuda”, afirma a especialista. No entanto, para ela, não há nada mais afrodisíaco que um bom parceiro.
“A mulher precisa redescobrir novas maneiras de fazer sexo, de se posicionar diante desse novo fato.
Está demorando para ‘esquentar’? Aumenta as preliminares.
Nada que uma conversa franca com um ginecologista ou parceiro não resolva”, acredita.

A ginecologista Tânia Mara reforça que o sexo faz parte da qualidade de vida e não nega as alterações que vêm com a menopausa. “O clitóris atrofia e fica mais sensível ao toque.
É claro que isso influencia no orgasmo feminino, mas outras formas diferente de amar vão surgir e podem ser tão satisfatórias quanto antes, mas nem sempre tão freqüentes ou rápidas.
O importante é não tentar esconder as alterações e tentar fingir algo que a mulher não seja.
Com diálogo, amor, companheirismo e sinceridade tudo tem solução”, conclui.

Solange Junqueira Garcia Sartori, 53 anos, é secretária e mãe de uma mulher, de 27, e um homem, de 20, e exemplifica bem o quanto o apoio das pessoas próximas é importante. Ela diz que entrou na menopausa aos 49 anos e que, no início, ficou muito ansiosa e um pouco depressiva.
Por essa razão, fez uso de hormônio com acompanhamento médico durante três anos.
“Sou muito tranquila, nunca tive TPM, nunca tomei remédio para nada nessa vida.
Sem dúvida a menopausa traz mudanças, mas o marido envelhece também.
A gente fica mais exigente e quer mais qualidade na relação sexual”, diz.

A secretária conta que sempre gostou de ficar menstruada. “Eu esperava pela menopausa com a certeza de que não teria nada, assim como foi com a minha mãe. Como no início eu fiz a reposição hormonal não sentia a secura vaginal. Hoje, usamos lubrificante. A vida sexual não pode acabar por causa disso”, acredita.
Solange destaca a importância do companheirismo e diz que recebeu muito carinho do marido e dos filhos.
“Todos estão sempre muito atentos e toda vez que tem alguma campanha de saúde para a minha faixa etária me avisam”, relata.
Há mais de um ano ela está sem medicação e se diz satisfeita.

Não deixa a menopausa te derrotar

A cantora, compositora e pianista norte-americana Tori Amos, 50 anos, conhecida por não fugir de assuntos controversos, está com um trabalho novo intitulado ‘Unrepentant Geraldines’. Conhecida pelos improvisos e comentários excêntricos no palco, Tori supreendeu o público ao falar sobre a menopausa.
Antes de apresentar ‘Ribbons Undone’, cantou sobre o tema.
A interferência repercutiu na imprensa e, em entrevista ao The Huffington Post, declarou que tinha a missão de tornar a menopausa uma palavra “não tão suja”.
Acostumada a abordar temas como sexualidade, religião e feminismo em suas músicas, no novo trabalho ela se debruça sobre o envelhecimento.
“A menopausa é um assunto tabu”, afirmou ao portal de notícias.

Segundo ela, o desafio foi encontrar uma forma de abordar essa fase da vida da mulher sem ser do ponto de vista da vitimização. “Não é um caminho fácil. A menopausa é um caminho difícil e um professor difícil. Encontrar a auto-aceitação e a sensualidade dentro dela é desafiador.
Todas as músicas deste novo álbum foram escritas para lidar com essas coisas”, declarou.

Tori Amos começou a tocar piano aos 2 anos de idade. De ex-criança prodígio a artista consagrada, ela diz que a menopausa é uma luta. “É um pejorativo. Eu não estou aqui para tentar fazer como que a menopausa seja sexy, essa não é a minha mensagem. Minha mensagem é para a mulher se sentir habilitada a vivenciar todos os sentimentos dessa fase.
Não é sexy, mas você pode ser sexy.
E não deixe ela te derrotar”, provoca.

Menopausa e vida sexual prazerosa não são antagonistas

Menopausa chega antes dos 40 anos para 1% da população feminina adulta

Irregularidade menstrual, ondas de calor, alteração no humor e insônia, em mulheres antes dos 40 anos, podem sinalizar que o fim da fase reprodutiva chegou antes do esperado. Toda mulher sabe que o fim da fase reprodutiva vai chegar. Difícil é aceitar quando os ovários param de funcionar antes do esperado.
Estima-se que 1% da população feminina adulta entre em menopausa antes dos 40 anos, o que caracteriza a falência ovariana prematura.
O prejuízo é certo para quem ainda planejava ter filhos, mas as consequências vão além da infertilidade.
Por causa da baixa produção de estrógeno – hormônio protetor do coração e dos ossos -, aumenta-se o risco de doenças cardiovasculares e osteoporose, assim como o envelhecimento precoce.
Especialistas garantem que a reposição hormonal, quando não for contraindicada, ajuda a mulher a passar por essa fase com tranquilidade.

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Primeiro vem a irregularidade menstrual, depois podem surgir os mesmos sintomas da menopausa na idade normal, que ocorre entre os 40 e 58 anos, como ondas de calor, alteração de humor e insônia. O problema é que dificilmente uma jovem vai associar os sinais com a falência ovariana prematura.
Por isso, mulheres com menos de 40 anos que estão sem menstruar há pelo menos quatro meses devem procurar um médico o quanto antes.
Para chegar ao diagnóstico, é necessário fazer a dosagem de hormônios, principalmente o FSH (ver arte), em dois meses consecutivos.
Também é usual confirmar a suspeita com ultrassonografia, que mostra o volume dos ovários.
Como entram em processo de atrofia, já que param de trabalhar, os órgãos diminuem tanto de tamanho que quase não são visualizados.
 “É imperativo que a menopausa precoce seja tratada para prevenir as complicações, que também podem aparecer antes da hora”, alerta a chefe da clínica de endocrinologia da Santa Casa de Belo Horizonte e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), Maria Regina Calsolari.
Durante a fase reprodutiva, o hormônio feminino impede que os ossos esfarelem e ajudam a proteger o sistema cardiovascular.
Além de afastar a possibilidade de osteoporose, infarto e acidente vascular cerebral, o tratamento vai reverter o quadro de atrofia genital, em que a vagina fica seca com a perda de estrogênio e progesterona, responsáveis pela lubrificação.

Para tratar a falência ovariana prematura, Maria Regina indica a reposição hormonal, que influencia também no bem-estar e sexualidade da mulher. Não há confirmação científica de que repor hormônios por um período mais longo pode aumentar o risco de câncer de mama. O que se sabe é que em alguns casos a terapia não pode ser usada.
Mulheres sedentárias, com diagnóstico de câncer, histórico familiar de infarto precoce ou pressão, colesterol e triglicérides altos devem ser orientadas a seguir outro tipo de tratamento.
“O médico tem que estar atento para reverter isso de outra forma, incentivando a paciente a fazer exercício físico para trabalhar o aparelho cardiovascular e repor cálcio e vitamina D na ingestão de alimentos ou com uso de medicamentos”, esclarece a endocrinologista.

Dúvidas e sonho adiado

Em média, a menopausa chega aos 51 anos, mas independentemente da idade ela representa uma transição marcante na vida da mulher. Será que a pele vai ficar ressecada? Posso ter dificuldade para dormir ou sentir menos apetite sexual? Tenho mais chance de desenvolver depressão? Cheias de dúvidas, muitas têm receio de parar de menstruar.
“Quando descobrem o diagnóstico aos 30 anos, é desesperador.
Chegam ao consultório com 10 dosagens do hormônio FSH, porque não se conformam com o fato de que os ovários pararam de funcionar.
Elas acham que a vida acabou” relata a médica do Instituto Paulista de Ginecologia, Obstetrícia e Reprodução Assistida (IPGO), em São Paulo, e membro da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) Amanda Barreto Volpato Alvarez.

Como a gravidez passa a ser um sonho cada vez mais adiado, o diagnóstico de menopausa precoce vira um drama na vida da mulher atual. A falência dos ovários realmente é um processo irreversível, mas os médicos podem encontrar uma solução para a maternidade quando o diagnóstico chega a tempo.
Se os exames mostram que ainda há uma reserva de óvulos, a paciente vai ser orientada a engravidar com urgência ou considerar a possibilidade de congelar as células reprodutivas, com o objetivo de preservar a fertilidade.
Amanda pontua, no entanto, que na maioria das vezes a mulher com falência ovariana prematura recorre ao tratamento de fertilização in vitro com óvulos de doadora para ter filhos.

A ginecologista Ana Lucia Valadares, membro da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig), explica que a menopausa precoce pode ter causa primária ou secundária.
Do primeiro grupo fazem parte os casos relacionados a doenças autoimunes (hipotireoidismo autoimune e lupus sistêmico levam os anticorpos a destruir precocemente os ovários), doenças crônicas como insuficiência renal, endometriose, além de origem genética.
Entre as causas secundárias estão radioterapia, quimioterapia e tabagismo.
Segundo Ana Lucia, existe a suspeita de que outras substâncias tóxicas, como pesticidas encontrados nos alimentos, também podem levar a uma destruição dos ovários.
O mais comum, na verdade, é a falência ovariana prematura ter causa indefinida.
 Na maioria dos casos, não há como evitar que a menopausa chegue antes da hora, mas a ginecologista da Sogimig aponta uma medida que pode retardar o processo de atrofia dos ovários.
“A prevenção mais fácil é parar de fumar”, destaca.

Menopausa e vida sexual prazerosa não são antagonistas

Sempre há esperança

Ana, de 32 anos. Nome fictício. Ela prefere não revelar a identidade. Recentemente diagnosticada com falência ovariana prematura, a paulista de 32 anos teve um caminho difícil nos últimos 15 anos. Aos 17 anos, descobriu que tinha endometriose e passou por seis cirurgias.
A última, em agosto do ano passado, foi feita para tirar um ovário, duas trompas e 20 centímetros de intestino.
Por isso, sempre soube que teria dificuldade para engravidar.
“Os médicos sempre me disseram que endometriose é a maior causa de infertilidade, mas nunca deixei de acreditar.
Mesmo tendo a comprovação no exame antimulleriano, não perdi a esperança.
Continuava acreditando que poderia ocorrer um milagre”, conta Ana.
Apesar de ter demorado para aceitar a menopausa precoce, ela não desistiu de ser mãe e viu nos óvulos de uma doadora desconhecida a oportunidade de superar o problema e realizar seu maior sonho: ter um bebê.
“Já passei por muita dor, chorei muito, conversei com Deus de diversas maneiras.
Ficava depressiva, irritada e feliz no mesmo dia, passei por muito estresse mesmo”.
Ela conseguiu o que mais queria, engravidar, mas perdeu a criança, no início da gestação.
Sem perder as esperanças, diz que vai tentar novamente.
E também considera a possibilidade de adotar uma criança.

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Reposição hormonal não funciona em mulheres que não sentem ondas de calor

A descoberta poderá ajudar na prescrição de tratamentos individualizados. Ao entrar na menopausa, muitas mulheres começam a sofrer com sintomas como insônia, fadiga e alteração do humor. Um dos problemas mais conhecidos nesse período são as ondas de calor.
Pesquisadores da Finlândia, porém, descobriram que o temido incômodo pode ser explorado de uma forma positiva.
Segundo eles, a ocorrência dos fogachos funciona como indicativo da necessidade da também famosa reposição hormonal.
A descoberta, publicada no jornal North American Menopause Society, pode auxiliar na escolha de terapias mais individualizadas.

Tomi Mikkola, principal autor do estudo e professor do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Universidade de Helsinki (Finlândia), explica que as ondas de calor – causadas por uma desregulação no hipotálamo em decorrência da redução de níveis de estrogênio – foram sempre o sinal mais conhecido do início da menopausa.
“Há uma crença de que os outros sintomas são fenômenos secundários.
Entretanto, as mulheres mostram diferenças na capacidade de tolerar as ondas de calor.
Algumas são perturbadas por mudanças de temperatura que são facilmente aceitável por outras.

Para entender a fundo o sintoma, os pesquisadores realizaram um experimento com 150 mulheres, divididas em dois grupos: 72 relataram ter sete ou mais ondas moderadas de calor por dia, 78 apresentaram três ou menos ondas leves ou nenhuma.
Os pesquisadores trataram metade das mulheres de cada grupo com hormônios e a outra com placebo (veja infográfico), e detectaram os melhores resultados naquelas que mais sofriam com os fogachos e foram submetidas à reposição hormonal.
“Nossa combinação de hormônios aliviou as ondas de calor e melhorou a qualidade de vida.
Porém, o uso de terapia hormonal não conferiu uma vantagem para as mulheres sem as ondas mais fortes”, destaca Mikkola.

O pesquisador acredita que o novo indício de falta de eficácia da reposição hormonal pode ajudar a aperfeiçoar tratamentos que buscam, em primeiro lugar, proporcionar o bem-estar às pacientes. “Com um número crescente de mulheres na pós-menopausa e com o aumento da expectativa de vida, a qualidade de vida tornou-se o foco de intensa pesquisa.
Apesar de precisar de mais estudos nessa área, nossos dados já podem fornecer informações importantes para as mulheres, considerando o início do tratamento hormonal.

Menopausa e vida sexual prazerosa não são antagonistas

Discussão recorrente

Para José Carlos de Lima, professor adjunto do curso de ginecologia da Universidade Federal de Pernambuco, a pesquisa analisou um número pequeno de mulheres, mas, ainda assim, mostra uma suspeita que já existia na área. Os médicos têm cada vez mais discutido a importância de não generalizar a reposição hormonal.
“A ideia de tratamento com hormônios não quer dizer que a paciente vá ter uma melhora nos sintomas que a incomodam.
Até porque o conceito de qualidade de vida, que é o que o tratamento da menopausa busca, é algo muito subjetivo.
Acredito que não podemos nem subestimar conceitos como esse do estudo nem superestimar.
Devemos avaliá-los do melhor modo para utilizá-los no consultório”, defende.

Sueli Cardoso, ginecologista do Laboratório Exame, também acredita que a pesquisa mostra uma tendência no tratamento da menopausa e ressalta a importância de não só considerar os sintomas desse período, mas também o histórico clínico da paciente, como taxa de colesterol, ocorrência de diabetes e hipertensão.
“Consideramos sempre os calores como um indício forte, por ser um dos problemas que mais incomodam, mas existem outros fatores que podem piorar a situação.
Não ter o peso ideal, por exemplo, é um fator que pode influenciar negativamente (a terapia) e que também deve ser tratado”, complementa.

Cardoso ressalta que o uso de hormônios é uma preocupação que vai além das mulheres que vivem o fim do período fértil. As mais jovens têm recorrido à fórmula para, por exemplo, retardar o processo de envelhecimento. “Os hormônios também são muito utilizados para quem tem falta de lubrificação vaginal, conhecido como vagina seca.
Mas, hoje, temos cremes que podem tratar o problema sem precisar da ingestão dessas substâncias, evitando uma sobrecarga de medicamentos”, complementa a ginecologista.

José Carlos de Lima ressalta que a relação com os cânceres, principalmente o do mama, também tem levado à redução do uso de hormônios. “A premissa de um tratamento eficaz é fazer com que a mulher tenha saúde física, familiar, social e sexual. Esses são os pilares para a avaliação e o diagnóstico”, defende.
“O bem-estar sempre é o fator a ser levado em conta para que a menopausa seja tratada da melhor forma possível, ainda mais se pensarmos que esse período está ficando cada vez maior por conta do aumento de expectativa de vida”.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres que nasceram neste ano no Brasil viverão 78,5 anos.
A menopausa acontece por volta dos 50 anos de idade.

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