Mentoplastia – Cirurgia no queixo

Procedimento é simples, mas os resultados definitivos são percebidos três meses após a intervenção.

A medicina propõe soluções para quase tudo, inclusive partes do corpo que não saíram muito ao gosto do paciente. Há correção para seios pequenos ou grandes demais, flacidez, formato do nariz… A mentoplastia – cirurgia do mento, o osso do queixo – é o remédio para quem busca fazer as pazes com o perfil.
Essa intervenção pode ter fins puramente estéticos ou funcionais (por exemplo, como complemento da cirurgia ortognática, que corrige a posição da mandíbula).
“O indivíduo com queixo retroposicionado (para trás) costuma ter flacidez na laringe.
Isso leva à apneia e ao ronco.
Às vezes, basta reposicionar o queixo que os sintomas melhoram”, explica George Soares Santos, cirurgião bucomaxilofacial do Hospital Anchieta.

Na maioria dos casos, no entanto, o fim é puramente estético e a cirurgia é indicada como retoque de outro procedimento: a rinoplastia. “Muita gente procura o consultório se queixando do tamanho do nariz e, quando se faz uma avaliação cuidadosa do perfil, o problema é o tamanho do queixo”, explica o cirurgião plástico Alderson Pacheco.
É uma questão de equilíbrio.

O procedimento é considerado rotineiro e de baixa complexidade – é feito em ambulatório, com anestesia local e sedação, e o paciente volta para casa no mesmo dia. Em menos de uma semana, pode retomar as atividades normais. Passados três meses da cirurgia, vê-se o resultado definitivo.
“Muitos pacientes me contam que não tiravam foto de perfil de jeito nenhum antes da cirurgia”, complementa Pacheco.

Cirurgia do queixo – Mentoplastia

O mento (queixo) e os malares (maçãs do rosto) são estruturas ósseas proeminentes que contribuem marcadamente para os traços da face. A projeção e forma destas estruturas podem ser modificadas. As alterações realizam-se ou pela manipulação do próprio osso do doente ou pela colocação de implantes faciais apropriados.

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O mento é uma estrutura fundamental no equilíbrio e harmonia estética da face. Também desempenha um papel funcional decisivo, quer como ponto de ancoragem mediano de estiramento dos tecidos moles – pele, tecido celular subcutâneo, músculos e fáscias, quer para a postura e função labial inferior.
E não só do lábio inferior, já que a função deste influencia a do lábio superior porque formam uma unidade funcional.
Na cirurgia da face e em particular dos maxilares o mento deve ser tido como um elemento autônomo da mandíbula.

Podemos detectar anomalias do mento nos três planos do espaço: o mento pode estar muito proeminente ou recuado (independentemente da posição sagital da mandíbula), pode ser muito alto (longo) ou baixo (curto), pode ser muito largo ou estreito e pode estar desviado ou “torcido”. A percepção das anomalias do mento nem sempre acontece.
Ao espelho, os adultos olham mais para o tamanho e para a forma do nariz e das orelhas, procuram as rugas peribucais e os “papos” nas pálpebras, estiram os tecidos submentonianos tentando disfarçar uma eventual e arreliadora papada, mas não reparam no mento.

A primeira sugestão da necessidade de alterar o tamanho e ou a forma do mento vem muitas vezes do cirurgião que se procurou para modificar o nariz. É comum recomendar-se a cirurgia do mento simultânea com a do nariz quando se percebe que as proporções e harmonia facial terão maior benefício.
A cirurgia não é complicada e o resultado pode ser muito melhor.

São reconhecidas como inestéticas as assimetrias (queixo torto), o mento agudo e saliente (queixo de rebeca), as proeminências e excessos de altura associadas quase sempre a avanços da mandíbula. Curioso é notar que os déficits, excepto quando exagerados (micrognatismos), não são reconhecidos ou são bem tolerados.
É comum que o recuo da mandíbula e do mento não sejam reconhecidos durante a infância e adolescência.
Estas anomalias de posição, quando associadas a uma altura reduzida do mento contribuem para dar à cara um aspecto mais infantil e por isso aceitável.

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Contudo, estes déficits de crescimento são, quase sempre, confundidos pelos pais com excessos de crescimento do maxilar superior, subvertendo por completo a realidade. Pensa-se que só em cerca de 5% das situações clínicas, o maxilar superior está verdadeiramente avançado.
O pior, é que muitos dentistas também fazem a mesma confusão, aplicando aparelhos e extraindo dentes no maxilar que nada tem de anormal, o superior.
É claro que os resultados dentários destes tratamentos até podem ser “aceitáveis”.
O pior, são os resultados estéticos, não durante a adolescência, mas, mais tarde, nos adultos – flacidez, enrugamento, linhas de marioneta, papada, envelhecimento precoce, roncopatia acentuada e eventual apneia do sono.

Um mento pequeno e recuado, não só altera a harmonia facial como contribui para o aparecimento prematuros de sinais de envelhecimento facial e de distúrbios graves associados ao sono – roncopatia e apneia obstrutiva do sono.
É tradicional a preocupação das senhoras relativa ao aparecimento da “papada”, duplo queixo por redundância dos tecidos moles, na região submentoniana.
Muitas procuram na lipoaspiração a solução, outras no “lifting” cervicofacial.
Ambas as soluções são inadequadas em presença de um recuo mentoniano ou mandibular.
O tratamento adequado passará sempre pelo reposicionamento anterior do mento, recorrendo a mentoplastia com osteotomias, associado ou não à lipo ou ao “lifting”.

Na cirurgia de avanço do mento, só se recorre a implantes se os avanços forem muito acentuados (mais de 8-12 mm. É sempre possível, por via intra-oral, avançar o mento recorrendo a uma osteotomia para-basal do próprio (vide radiografias acima), fixando, depois do avanço programado, os segmentos entre si.
Os implantes mentonianos, pré-formados, são colocados, ou através de uma incisão feita no vestíbulo bucal ou por via cutânea, submentoniana.
Esta cirurgia pode executar-se a partir dos 16 anos.

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O que você deve saber:

  • O problema da utilização dos materiais sintéticos é sempre a possível infecção pós-operatória.
  • Os implantes malares podem ser colocados por via intraoral ou por via cutânea, através de uma incisão na pálpebra inferior.
  • A colocação de implantes malares faz-se habitualmente para dar à face uma melhor proporção do seu 1/3 médio e, assim, refinar os resultados.
  • Estas cirurgias podem ser realizadas simultaneamente com a cirurgia do nariz, tendo em vista melhorar todo o contorno facial ou com o “lifting” facial.
  • Os cuidados pós-operatórios incluem dieta mole durante uma semana e 48 horas de repouso relativo.
  • A cirurgia pode realizar-se sob anestesia local com sedação, não necessitando de internamento.
  • A atividade normal pode ser retomada, normalmente, ao fim de 10 dias.
  • Uma cirurgia facial bem sucedida é o resultado de um bom entendimento entre o doente e o seu cirurgião.
  • Nas consultas prévias à cirurgia desenvolver-se-á a confiança, baseada em expectativas realísticas e no reconhecimento da exigente perícia do cirurgião.

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