Passo certo: exames específicos ajudam a detectar se a pessoa está pisando de forma correta

Caminhar não é apenas uma marcha automática que permite que o indivíduo se desloque de um ponto ao outro. O movimento dos pés é resultado de uma leitura delicada de informações enviadas ao sistema nervoso central por fontes neuroreceptoras. Problemas nesse sentido podem resultar em dores e danos musculares.

Alguns desses sensores ficam na planta dos pés. Qualquer falha nesse sistema ou descompensação muscular, ainda que imperceptível, pode resultar em uma caminhada errada, com consequentes dores e comprometimentos musculares.
 Por isso, existe a podoposturologia, ciência que estuda, entre outras coisas, como os pés são importantes para manter a postura do corpo.
Para ajudar nessa pesquisa da pisada mais próxima da perfeição, exames como a baropodometria e a estabilometria analisam no computador a maneira de andar de cada indivíduo.

Passo certo: exames específicos ajudam a detectar se a pessoa está pisando de forma correta

Tempo de uso do tênis é mais importante que pisada para evitar lesões

Ao acompanhar 927 corredores, pesquisadores da Suécia concluíram que, até 500 quilômetros, todos foram protegidos igualmente contra lesões usando o mesmo calçado. O resultado sinaliza que o tipo de pisada não precisa ser requisito obrigatório na compra do sapato ou do tênis de corrida.

O tipo de pisada não é o principal fator a ser considerado ao se comprar um tênis de corrida. Especialmente para os iniciantes, que, a princípio, sofreriam um maior risco de lesões. Essa é a conclusão de um estudo conduzido por pesquisadores do Departamento de Saúde Pública e de Ciência do Esporte da Universidade de Aarus, na Suécia.
A escolha correta do calçado com base no tipo de pé tem sido, há mais de três décadas, considerado um forte fator de prevenção contra contusões.
Desde 2009, cientistas de todo o mundo apontam que não há qualquer evidência científica para a prescrição de um tipo de calçado baseado na postura do pé.
A investigação liderada pelo cientista Rasmus Nielsen pretende colocar um ponto final na discussão.

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Durante cerca de um ano, os pesquisadores acompanharam 927 corredores iniciantes saudáveis. Foram analisados 1.854 pés. Houve casos de voluntários com dois tipos de pronação – uma em cada membro. Cinquenta e três pés eram altamente supinados; 369, supinados – postura em que os membros fazem uma curvatura para fora -; 1.
292, neutros; 122, pronados – quando a pisada faz uma rotação para dentro- ; e 18, altamente pronados.
Todos os voluntários receberam o mesmo modelo de tênis de corrida, indicado para pisada neutra, e foram monitorados por um relógio com GPS para quantificar a distância percorrida em cada treino.
De acordo com o artigo publicado no British Journal of Sports Medicine, em um ano, eles correram 326.
803 quilômetros e 27% deles sofreram algum tipo de lesão.

Os resultados das análises de sobrevivência a lesões realizadas nos primeiros 50, 100, 250 e 500 quilômetros de cada corredor não mostraram diferenças estatisticamente significativas entre os tipos de pisadas quando comparadas às de pés neutros. No entanto, os pés pronados apresentaram um número significativamente menor de lesões nos primeiros 1.
000 quilômetros de corrida que os neutros.
O dado contraria o mito de que corredores com alterações posturais sofreriam um maior risco de lesões e, por esse motivo, necessitariam de um calçado especial.

Passo certo: exames específicos ajudam a detectar se a pessoa está pisando de forma correta

Exagero mercadológico

“Existe uma hiper indicação até mercadológica de uma questão que nem tem suporte na literatura científica. Isso porque a maioria das pessoas tem ‘deformidades’ discretas e muitas delas não necessitam de um tipo de tênis especial, o tênis neutro é o suficiente.
Elas não precisam de um calçado pronador ou supinador porque não são desvios significativos.
Quando esse desvio existe, é preciso precisa fazer uma avaliação com o médico antes para ver se há mesmo a necessidade de um tênis especial.
Nesse caso, quando o desvio é significativo, ele pode alterar a biomecânica de todo o membro inferior da corrida.
Porém, tem muita gente que tem um pé mais alto e outro mais baixo, mas que são variações normais.
Os pés não são totalmente iguais.
Eu acredito que existe um exagero mercadológico nessa questão, veio para ajudar, mas está sendo exageradamente indicado.

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Ivan Pacheco, especialista em medicina do esporte e diretor da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte.

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