Segredos para criar uma rotina para o bebê dormir

Quando o bebê tem hora para dormir, comer e brincar, a vida de seus pais – e também a dele – fica muito mais fácil. Mas por onde começar? Veja aqui conselhos essenciais para estabelecer uma rotina que funcione.

Acostume o bebê desde cedo a seguir uma rotina para dormir

Para fazer o bebê entrar em um horário, o mais importante é a rotina noturna, dizem os especialistas. Quando o bebê tem um horário para dormir sempre igual, ele entra naturalmente na rotina durante o dia, e a maneira mais fácil de estabelecer esse horário é criando uma rotina noturna que você e o bebê possam seguir facilmente todas as noites.

Nos primeiros meses não tem muito como forçar uma rotina, mas você pode começar a treinar com seu bebê a partir dos 2 meses de idade.

A recomendação básica é que a rotina da hora de dormir seja simples: um banho quentinho, vestir um pijama, mamar e ir para a cama. Nos primeiros meses você pode deixar o bebê pegar no sono enquanto mama, mas os especialistas recomendam tentar colocar o bebê acordado na cama a partir dos 3 ou 4 meses para que ele aprenda a dormir sozinho.

Ajude seu bebê a perceber a diferença entre o dia e a noite

Nas primeiras semanas de vida, muitos bebês trocam a noite pelo dia, dormindo muito durante o dia e ficando totalmente acesos quando começa a escurecer. Um passo muito importante para que seu bebê entre na rotina é ajudá-lo a diferenciar o dia e a noite.

Durante o dia, mantenha a casa bem iluminada e com os ruídos normais (telefone, televisão, aspirador de pó), mesmo que o bebê estiver dormindo. Faça exatamente o contrário à noite.

Outra dica: procure não conversar muito com o bebê durante as mamadas noturnas para que ele aprenda que a noite é para dormir, e é de dia que conversamos e brincamos.

Aprenda a interpretar os sinais do bebê

Enquanto você procura a melhor maneira de estabelecer horários para o bebê, você encontrará ajuda em sites, livros, através do seu pediatra e também de outros pais. A melhor informação, no entanto, virá do próprio bebê. É ele quem vai lhe dizer exatamente o que precisa e quando, você só tem que aprender a ler os seus sinais.

Conforme os pais vão convivendo com o bebê, a informação que recebem é processada através de sua própria experiência. O “instinto” paterno e materno se desenvolve quando os pais começam a conhecer o temperamento da criança e a aprender o que funciona melhor com seu bebê.

Prestando bastante atenção aos gestos e sons do seu bebê, você aos poucos vai poderá antecipar suas necessidades e isso facilitará muito as coisas para todo mundo. Aprender a descobrir o que seu bebê precisa — e quando — exige dedicação e paciência, mas com o tempo você notará certos padrões de comportamento.

E, se você for do tipo organizado, pode anotar os horários em que ele dorme, come, brinca e assim por diante, usando um caderno, aplicativo ou computador, para depois usar essa tabela para determinar a rotina do bebê.

No começo, coloque a rotina do bebê em primeiro lugar

Se você quer motivar seu bebê a ter horários ou está observando seus padrões de comportamento para determinar sua rotina, dê prioridade a esse processo, pelo menos durante as primeiras semanas. Evite se desviar da rotina com refeições fora de casa, passeios que atrasem as sonecas e outras interferências.

Uma vez que você estabeleça um padrão de sono e alimentação, sair da rotina uma vez ou outra não vai desacostumar o bebê. Mas o melhor é manter os horários enquanto o bebê ainda está se acostumando à rotina.

Espere mudanças perto de surtos de crescimento

Você já pensou como seu filho muda no primeiro ano de vida? Ele quase triplica de peso e realiza grandes façanhas, como sentar sozinho, engatinhar e até andar.

Também há momentos ao longo do primeiro ano em que o bebê parece querer mamar mais: são os chamados surtos de crescimento, momentos em que o bebê muda de patamar na quantidade de leite que toma, para sustentar um rápido desenvolvimento.

Nesses períodos, e sempre que aprende algo importante, é comum o bebê fugir dos horários normais. Pode que ele tenha mais fome, precise dormir mais ou volte a acordar várias vezes no meio da noite. Aguente firme: logo ele vai voltar à rotina normal ou… essas mudanças podem ser um sinal de que está na hora de ajustar sua rotina.

Resfriados e doencinhas também jogam a rotina para o espaço. Espere o bebê melhorar e só então volte a estabelecer os horários para tentar reacostumá-lo.

Ajuste os horários do bebê conforme a idade dele

Quando o bebê finalmente entrar em um horário previsível, vai ser hora de mudar de novo! Conforme ele for crescendo, seu filho precisará de menos sonecas durante o dia e mais estímulos e brincadeiras. Ele também precisará de alimentos sólidos, começando com uma refeição por dia e aumentando gradualmente.

À medida que essas mudanças no desenvolvimento da criança acontecem, seus horários mudam também. Para ter uma ideia do que esperar, leia mais sobre o desenvolvimento do bebê e veja nossos exemplos de horários para bebês que só tomam leite, bebês que estão começando a comer outros alimentos e bebês que já almoçam e jantam.

Não espere perfeição

Algumas das rotinas guiadas pelos pais criam a expectativa de que o bebê funcionará como um reloginho.

É verdade que os bebês gostam de rotina, mas haverá mudanças diárias à medida que ele for crescendo. Às vezes, por um motivo ou outro, seu bebê vai pular uma soneca, ter mais fome ou acordar antes de o sol nascer.
A sua vida também continua, com férias, filhos mais velhos, planos com a família e amigos, coisas que você precisa fazer e outros fatores que alteram um pouco sua vida diária.

Não há problema nenhum em variar a rotina, desde que seu bebê esteja dormindo, brincando, se alimentando e recebendo todo o amor e carinho que precisa para crescer bem.

Rotinas e rituais para a hora de dormir. Por que criar um ritual para a hora de dormir?

Seguir um ritual sempre igual na hora de dormir sinaliza para o bebê que é hora de ir para a cama, coisa que talvez ele não saiba. “O bebê fica mais relaxado se souber o que vai acontecer”, diz a especialista em sono infantil Jodi Mindell.
“Quanto mais relaxado ele estiver, mais provável será que ele vá para a cama sem problemas e durma rápido.
”.

Não é preciso esperar muito: quando seu filho tiver entre 1 mês e meio e 2 meses já dá para começar a seguir sempre o mesmo ritual, toda noite. Logo o bebê vai gostar da previsibilidade da situação.

Você decide o que incluir na rotina. Pode ser um banho, seguido da troca, uma história e um pouco de chamego, ou uma brincadeira tranquila. Escolha alguma coisa que deixe a criança calma. E, apesar de o ritual poder começar em qualquer lugar, o ideal é que ele termine no quarto do bebê.

É importante que o quarto do seu filho seja um lugar agradável para ele, e não só o aposento em que ele é “abandonado” à noite para dormir. A rotina pode ser uma grande arma: se ela for gostosa, e seu bebê receber bastante atenção e carinho, ele logo vai adorá-la.
Caso o bebê reclame quando você sair do quarto, depois de dar boa noite, diga que volta dali a alguns minutos.
Se tudo der certo, ele já vai ter adormecido na hora em que você voltar.

Se conseguir, evite que a mamada seja a última coisa da rotina. Dê de mamar mais cedo – pode ser até antes do banho -, porque por vários motivos o ideal é que o bebê não associe a hora de dormir à comida. Muitas vezes, porém, será inevitável que o bebê caia no sono mamando.
Nesse caso, coloque-o no berço e faça os passos seguintes do ritual se ele acordar.
Ou tente acordá-lo um pouquinho só para dizer boa noite e pô-lo na cama semidesperto.

Ideias para rituais do sono

As idéias abaixo são sugestões enviadas por leitores do BabyCenter. Talvez a sua versão do ritual seja diferente. Vale a pena lembrar que a rotina do sono também é benéfica para os pais. É um tempinho especial dedicado ao seu filho.

Esgote as energias dele: Dependendo da criança, pode funcionar deixá-la descarregar toda energia que tiver sobrado do dia, para que depois ela consiga descansar mais tranquila. Você pode experimentar deixá-la pular, segurando nas suas mãos, ou fazer uma brincadeira mais agitada.
Depois, troque a atividade por alguma coisa bem mais calma, como um banho e uma história, para então colocá-la na cama.

Use o poder da água: Boa parte dos rituais do sono usados pelos pais apela para a ajuda da hora do banho. A imersão na água morna é gostosa e deixa seu filho limpinho e tranquilo para ir para a cama. O banho também é uma ótima chance de os papais participarem mais da rotina do recém-nascido.
Agora, se seu bebê fica agitado demais no banho ou simplesmente odeia a banheira, não use essa estratégia.
Em vez disso, dê o banho bem mais cedo, e no ritual noturno passe algum tempo juntinho dele ou leia uma história.

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Faça uma massagem: Antes ou depois do banho, você pode massagear seu filho com movimentos suaves e óleo ou hidratante especiais para bebê. Cada criança é de um jeito, e há algumas que simplesmente adoram massagem. Já outras ficam incomodadas. Veja nosso guia para uma massagem simples e relaxante.

Cuide da higiene: Se a rotina não incluir o banho, lave o rosto e as mãos do bebê, passe uma gaze ou uma fraldinha limpa na gengiva dele ou escove os dentes, troque a fralda e coloque o pijama. É bom já aderir ao hábito de escovar os dentes desde cedo, pois assim seu filho já se acostuma à rotina da higiene bucal.
E, mesmo para bebês pequeninhos, o pijama ajuda a estabelecer a sinalizar a hora de dormir e de acordar – para o bebê e para os pais.

Brinque um pouco: Fazer uma brincadeira calma na sala ou no chão do quarto do bebê é uma ótima maneira de se divertir com ele antes da hora de dormir. Pode ser uma brincadeirinha simples de esconder o rosto, qualquer coisa que distraia seu filho e não o deixe muito excitado.

Bata um papo: A hora de dormir é um bom momento para bater um papinho com o bebê. Pode ser que você não saiba bem como começar. Se tiver esse “branco”, experimente ir recapitulando o dia do seu filho.
Uma leitora conta que toda noite coloca o filho no berço e ou ela ou o companheiro sentam na cadeira de balanço, no quarto dele, com a luz apagada, e falam sobre como foi o dia.
Só não vale reclamar dos preços do supermercado!.

Dê boa noite para todos: Muitos bebês gostam de ser carregados pela casa ou pelo quarto dando boa noite para tudo e todos que encontrarem pela frente: “Boa noite, palhaço!”, “boa noite, bonequinho!”, “boa noite, Totó!”, “boa noite, papai!”, “boa noite, ursinho!” e assim por diante.

Leia uma história: Ler uma história é um jeito clássico de colocar uma criança para dormir. “Lemos entre dois e quatro livros para nosso filho toda noite”, diz uma leitora. “Fazemos isso desde que ele tinha 2 meses.
” A leitura vai ajudar seu filho a aprender novas palavras — estudos mostram que a exposição a um grande vocabulário é positiva para desenvolver habilidades linguísticas e até a inteligência – e ele vai adorar passar mais esse tempinho com você.

Ideal mesmo é estabelecer o tempo da história ou o número de livrinhos, em vez de ler até ele pegar no sono. Dessa forma, você dá a ele uma oportunidade de aprender a adormecer sozinho.

Cante para ele: Canções de ninar são um método infalível para fazer bebês dormirem – especialmente se acompanhadas de um bom balanço no colo. Se você gosta de ninar seu bebê no colo, cante algumas músicas segurando-o e depois o coloque no berço, de preferência ainda acordado, e cante mais um pouco.
“Toda noite escolho duas músicas e encerro com nossa canção de ‘boa noite’”, conta uma leitora.
“Meus filhos já sabem que ela será a última e é hora de dormir.
”.

Toque música: Ligue um aparelho de som no quarto do seu filho com canções de ninar, música clássica ou outro ritmo de que seu filho goste – e que não o deixe muito agitado -, e deixe tocando depois que você sair do quarto. Além de facilitar a chegada do sono, a música disfarça os ruídos externos.

Tente fazer com que o ritual não seja muito longo. Cerca de meia hora já é suficiente, sem contar o banho. Assim, você conseguirá repetir o processo todo dia, mesmo que tenha visitas em casa ou que esteja em outro lugar. A previsibilidade da rotina vai até ajudar a tranquilizar seu bebê se vocês estiverem num ambiente novo.

Dê uma naninha para seu filho (que não seja você!): “Naninhas” são objetos de estimação que transmitem segurança ao bebê. Pode ser uma fraldinha, um bonequinho ou bichinho de pelúcia. O ideal é que seja um objeto que “more” no berço. Ao se encontrar com ele, o bebê sabe que é hora de dormir.

O cuidado a se tomar é o de não virar você a naninha do seu filho. Ou seja: ele só dorme se estiver com você. O objetivo do ritual e da naninha é ensinar o bebê a adormecer sozinho, porque sempre que ele despertar no meio da noite precisará voltar a dormir, de preferência sem a sua ajuda.

Faça o ritual do sono com todo o carinho, mas tenha sempre em mente que sua meta é fazer seu filho se sentir seguro e amado para dormir tranquilo quando você não estiver ao lado dele, coisa que, em algum momento da vida, inevitavelmente vai acontecer.

Como, quando e por que criar uma rotina diária para o bebê

Quais as vantagens de criar uma rotina para o bebê? As necessidades de um bebê não são nada complicadas, e poderiam ser resumidas em alimentação, sono, carinho e brincadeiras. Só que às vezes fica difícil saber de que exatamente seu filho precisa, em que momento e em que quantidade.
Sem falar que você precisa equilibrar as necessidades do bebê com as suas próprias e as do resto da família.

Para muitos pais, organizar o dia numa rotina diária facilita muito a vida com o bebê. É como criar um manual de instruções personalizado para o cuidado do bebê. A vantagem é que você terá um padrão previsível de atividades e horários, e seu bebê saberá o que esperar ao longo do dia.
Por exemplo: depois da soneca da manhã vem a mamada, depois um pouco de brincadeira e um passeio.

Os pediatras garantem que os bebês gostam de saber que certas coisas acontecerão em determinados horários. Um bebê descansado e sem fome é uma criança muito mais contente. Além disso, dizem os especialistas, um bebê mais satisfeito está no seu melhor estado mental e físico, pronto para aprender e explorar o mundo ao seu redor.

Tem ainda outra vantagem: quando você precisar deixar seu bebê com a babá, avó ou cuidadora, a transição será muito mais fácil. A manutenção da rotina que ele já conhece deixará seu bebê mais tranquilo, e a pessoa que estiver cuidando dele poderá prever melhor os horários de fome, sono ou vontade de brincar e passear.

Preciso mesmo criar uma rotina?

Não existe nenhuma obrigatoriedade de criar uma rotina para o bebê. Tudo vai depender do seu temperamento, do modo como sua casa funciona e da sua personalidade como mãe (ou pai).

Mas é muito provável que, mesmo sem querer, você acabe se vendo mais ou menos seguindo uma rotina depois de algum tempo com o bebê. Afinal, mesmo para as pessoas mais livres de espírito e menos metódicas do mundo, é difícil escapar da repetição e da sequência de algumas atividades, como café da manhã, almoço, jantar e hora de dormir.

Neste texto oferecemos algumas opções de rotina, mas elas servem apenas de exemplo. No final, a decisão sobre como cuidar do seu bebê é sua, e apenas sua.

Quando posso começar com a rotina?

As opiniões dos especialistas sobre quando, como e até sobre a necessidade ou não de se estabelecer ou não uma rotina para o bebê variam. Muitos pediatras, porém, pensam que os bebês estão prontos para começar a entrar em uma rotina mais geral entre os 2 e os 4 meses de idade.

Os padrões de sono da maioria dos bebês começam a se firmar a partir dos 3 ou 4 meses, e é então que você pode aproveitar a oportunidade e ajudar o seu bebê a ter um horário mais definido.

Há crianças que, por natureza, mostram padrões previsíveis muito antes disso, às vezes já no primeiro mês de vida. Nesse caso você já pode começar delicadamente a incentivar seu bebê a ir entrando em uma rotina.

Comece a prestar atenção aos horários em que seu bebê come, dorme e fica mais acordado. Assim você irá entendendo melhor seus ritmos naturais e terá uma ideia dos padrões que começam a se desenvolver.
Logo nos primeiros dias após o parto, muitos pais já começam a perceber que o bebê tem horários para comer, fazer cocô e xixi, dormir, e assim por diante.

Você pode guardar os horários na cabeça ou, se achar mais fácil, anotá-los em um caderno, no computador ou em aplicativos especiais para isso.

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Alguns especialistas, como a autora britânica Gina Ford, que escreveu “O Livro do Bebê Feliz” (disponível em português de Portugal pela editora Bertrand), sugere iniciar uma rotina com horários específicos a partir da primeira semana de vida do bebê.
E Tracy Hogg, a “encantadora de bebês”, defende uma rotina definida pelo bebê, que os pais podem iniciar logo após o nascimento.

O mais importante, independentemente de sua escolha, é dar prioridade ao bem-estar do bebê. Isso significa seguir os conselhos do pediatra, além de sua intuição e bom senso, na hora de determinar o que o seu bebê precisa e quando, não interessa o que está escrito na rotina, no livro ou no site.

É essencial, por exemplo, que o recém-nascido receba leite materno (ou fórmula láctea, se é o que ele toma) em quantidade suficiente, para evitar que ele deixe de ganhar peso ou tenha uma desidratação. Quando você achar que seu bebê está precisando mamar ou dormir, nunca adie só com base na explicação de que “ainda não está na hora”.

Os pais precisam seguir seus instintos com relação ao que a criança está tentando comunicar, dizem os especialistas. Por exemplo, se o bebê mamou há uma ou duas horas e já está fazendo aquele choro característico de quando tem fome, fazendo biquinho e procurando com a boca, você deve alimentá-lo.

E se “está na hora” de dormir, mas seu bebê está mais choroso do que o normal e precisa de um colinho prolongado antes de deitar, você deve acalmá-lo. Nenhum horário ou rotina deve desbancar as necessidades do bebê.

Quais são as opções de rotina?

Há vários métodos para criar uma rotina para o bebê. Para facilitar a escolha, apresentamos alguns deles aqui, classificados conforme os três estilos principais de rotina: dirigida pelos pais, dirigida pelo bebê e mista.

Rotinas dirigidas pelos pais

As rotinas dirigidas pelos pais são as mais rígidas. Algumas chegam a especificar exatamente quando (e até quanto) o bebê deve comer, dormir, brincar, passear e assim por diante.
Os horários podem ser determinados por você, com base nos ritmos naturais do bebê, ou obedecer a uma rotina sugerida por um especialista; porém, uma vez estabelecidos, são seguidos à risca — inclusive em termos de minutos – diariamente.

Entre os defensores mais conhecidos deste método estão a autora britânica Gina Ford e o especialista Gary Ezzo, um dos autores do livro “Nana, Nenê: Como cuidar de seu bebê para que ele durma a noite toda de uma forma natural” (ed.
Mundo Cristão), além da dupla Eduard Estivill e Sylvia de Bejar, autores de um outro “Nana Nenê” (WMF Martins Fontes).

Um dos métodos recomendados por eles é o controverso “deixar chorar” para ensinar a adormecer sozinho.

Atenção

Não existe nenhuma obrigatoriedade de criar uma rotina para o bebê. Tudo vai depender do seu temperamento, do modo como sua casa funciona e da sua personalidade como mãe (ou pai). Os tipos de rotinas apresentados são filosofias diferentes de criação, e cabe somente a você escolher uma delas ou não adotar nenhuma.

O que são as rotinas definidas pelos pais?

As rotinas definidas pelos pais são aquelas em que os pais impõem a agenda do dia do bebê, com horários bem específicos para a alimentação, brincadeiras e sonecas. Os pais que escolhem este tipo de rotina raramente permitem que o bebê saia dos horários.

Muitos acreditam que planejar os horários das atividades do bebê e seguir à risca a rotina estabelecida ajuda a criança a regular seu relógio biológico e cria a estrutura que ela precisa para um desenvolvimento saudável.

Qual é a lógica por trás das rotinas definidas pelos pais?

Os especialistas que recomendam as rotinas definidas pelos pais dizem que elas foram criadas após anos de observações dos ritmos naturais dos bebês, e que são adequadas ao desenvolvimento do bebê durante várias etapas de crescimento.

Quando o dia a dia do bebê é totalmente estruturado e previsível, dizem os que defendem este tipo de rotina, o bebê logo adota padrões regulares de atividade, e passa a dormir a noite toda mais cedo.

Os defensores desse tipo de rotina dizem que, na verdade, são um meio-termo entre aquelas recomendações antigas e super rígidas, que só permitiam alimentar o bebê de quatro em quatro horas, e as recomendações de hoje em dia, em que os pais devem alimentar o bebê sob livre demanda.

Para os adeptos da rotina rígida, alimentar o bebê em livre demanda é problemático porque pais e mães inexperientes podem interpretar qualquer chorinho do bebê como sinal de fome, em vez de procurar outras possíveis causas para o desconforto.

O resultado, segundo eles, é uma rotina exaustiva em que os pais alimentam constantemente o bebê, e que acaba se prolongando muito além das primeiras semanas de vida.

No fim, afirmam os defensores da rotina rígida, ao ser amamentado a toda hora, o bebê acaba sempre “beliscando” em vez de mamar de verdade, não só mamando mal, mas deixando de receber o leite do final da mamada, que é muito mais rico em gordura e deixa o bebê mais satisfeito.
(Observação: os que defendem as rotinas definidas pelo bebê dizem exatamente o contrário.

Para os autores que defendem a rotina rígida, se amamentado a toda hora o bebê também poderia dormir menos, porque acorda mais seguido para mamar, e a mãe, exausta, pode acabar desistindo de amamentar.

Outra preocupação deles é que o bebê que só é alimentado quando “pede” poderia não mamar o suficiente, porque os mais dorminhocos não acordam sozinhos para mamar.

Deixar chorar

As diretrizes da rotina rígida dizem também que os pais devem estabelecer os horários de sono do bebê. Você segue um método específico para decidir quando o bebê deve dormir e o coloca na cama ainda acordado para que ele aprenda a adormecer sem ajuda. Nesse método, as sonecas diurnas não são opcionais, mas sim obrigatórias.
Quando chega a hora de dormir, os pais colocam o bebê na cama e pronto.

Esses especialistas aconselham evitar fazer o bebê dormir dando o peito ou ninando no colo. Segundo eles, o bebê precisa aprender a dormir sozinho. Eles recomendam que o bebê durma no seu próprio quarto, e não no quarto dos pais, embora alguns afirmem que você pode trazer o bebê para sua cama depois das 22h para facilitar as mamadas noturnas.

Por que as rotinas definidas pelos pais são polêmicas?

As principais organizações pediátricas são contra os horários rígidos de alimentação que esse tipo de filosofia prega. A recomendação da maioria dos profissionais de saúde hoje em dia é que o próprio bebê quem determine estes horários.
Ou seja, o bebê deve ser alimentado sempre que mostrar sinais de fome: fica mais alerta ou ativo, chupa as mãozinhas ou vira a boquinha procurando o peito.

O choro é um “indicador tardio” da fome, dizem os pediatras. Além disso, a recomendação geral é que o recém-nascido mame de oito a 12 vezes cada 24 horas, e não fique mais de 4 horas sem mamar, mesmo que os pais tenham que acordá-lo.

É seguro adotar uma rotina rígida?

Não há problema em adotar uma rotina rígida, desde que você dê prioridade ao bem-estar do bebê. Nas primeiras semanas, é importante estabelecer um padrão de alimentação que garanta o aumento de peso do bebê, e uma rotina rígida demais poderia aumentar o risco de uma desidratação ou de um ganho insuficiente de peso.
Por isso, se seu filho está dando sinais de fome, nunca atrase a alimentação do bebê simplesmente porque “ainda não está na hora”.

Se você seguir esse conselho, junto com as recomendações do pediatra e usando seu próprio instinto e o bom senso em relação às necessidades do bebê, uma rotina rígida pode funcionar para sua família.

Como fazer para adotar uma rotina rígida

O principal é estabelecer um horário. Os especialistas que defendem esse método dizem que isto deve ser feito muito cedo, ainda nos primeiros dias de vida do bebê. A partir daí, os pais devem seguir religiosamente a rotina, todos os dias, até que ela “pegue”.

Tudo na vida do bebê terá um horário pré-determinado: acordar, dormir, mamar, brincar, tomar banho, ir para a cama, e assim por diante. A rotina vai mudando à medida que o bebê cresce, mas é sempre bem específica.

Uma das maiores promotoras da rotina rígida é a escocesa Gina Ford, muito influente no Reino Unido, com seu livro “The contented little baby” (“O livro do bebê feliz”, disponível em português pela editora portuguesa Bertrand).

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Ford recomenda que os pais não se desviem nem meia hora dos horários estabelecidos: “Você não precisa seguir rigorosamente os horários, mas uma variação de meia hora pode afetar o resto do dia do bebê, e, inclusive, a noite”, afirma.

Ela defende horários de alimentação bem controlados desde o início, dizendo que ajudam o bebê a começar a dormir a noite toda mais cedo. Segundo ela, até os recém-nascidos podem entrar na rotina e mamar de três em três horas (contadas do início de uma mamada até o início da próxima), desde que sejam saudáveis e tenham nascido com mais de 2,700 kg.

Para o final da segunda semana após o nascimento, Ford acredita que os bebês precisam mamar apenas uma vez no meio da noite (entre meia-noite e 6h), desde que estejam se alimentando bem durante o dia, fazendo a última mamada entre as 22h e as 23h, e que tenham nascido com pelo menos 3,175 kg.
Outro grande defensor das rotinas definidas pelos pais, Gary Ezzo, autor do livro “Nana nenê: Como cuidar do seu bebê para que ele durma a noite toda de forma natural” (editora Mundo Cristão), relativizou suas orientações com relação aos horários de alimentação, defendendo as rotinas mistas nesse aspecto.

O conselho de Ezzo para criar uma rotina de alimentação é ignorar o relógio durante os primeiros 7 a 10 dias de vida do bebê e se preocupar mais com que o bebê faça uma “refeição completa” cada vez que mama.
Se você fizer isso, garante Ezzo, o bebê entrará naturalmente em um ritmo de alimentação a cada duas e meia a três horas (contadas do início de uma mamada ao início da próxima).
Hoje ele recomenda que os pais priorizem sempre os sinais de fome do bebê.

Assim como Tracy Hogg, a “Encantadora de bebês” (quem defende as rotinas mistas), Ezzo recomenda acostumar o bebê a uma rotina consistente de alimentação, seguida de um tempinho acordado e depois de uma soneca — sempre nessa ordem.

Vantagens das rotinas definidas pelos pais

A rotina rígida impõe uma certa ordem e ritmo que acalma e dá segurança ao bebê, assim como aos pais e cuidadores. Para os pais de primeira viagem, as rotinas definidas pelos pais oferecem a promessa de que o bebê dormirá, comerá e brincará o suficiente, e seus pais terão horários previsíveis de sono e descanso.

Os defensores da rotina estruturada também afirmam que o bebê tem mais chances de dormir a noite toda mais cedo.

Desvantagens das rotinas definidas pelos pais

Os horários rigorosos das rotinas rígidas às vezes amarram demais para os pais. Para que o bebê durma no berço várias vezes ao dia e siga horários religiosos de sono e atividades, você vai precisar passar a maior parte do tempo perto de casa.

As rotinas definidas pelos pais também são complicadas para quem tem filhos mais velhos, já que tudo gira em torno da rotina do bebê.
Além disso, se o bebê está acostumado a fazer as mesmas coisas todos os dias, no mesmo lugar e na mesma hora, isso pode ser problemático quando, por algum motivo, você precisar mudar a rotina – você vai viajar ou seu filho vai começar a frequentar a creche.

A autora Gina Ford recomenda usar cortinas tipo blackout no quarto do bebê para criar um ambiente completamente escuro, melhorar o sono noturno e evitar que o bebê acorde cedo demais. O problema é que um bebê acostumado a dormir na escuridão total terá dificuldade para dormir em locais sem essas condições ideais.

Outro problema bem mais sério é o fato de que, ao seguir uma rotina rígida demais, os pais podem deixar de prestar atenção às necessidades individuais do bebê. “Obedecer à rotina” não deve nunca se antepor à saúde e o bem-estar do bebê.

Livros que podem ajudar

“O livro do bebê feliz”, de Gina Ford (Editora Bertrand — Portugal)

“Nana nenê: Como cuidar do seu bebê para que ele durma a noite inteira de forma natural”, de Gary Ezzo e Robert Bucknam (Editora Mundo Cristão)

Rotinas dirigidas pelo bebê

As rotinas guiadas pelo bebê são as menos definidas. Você segue, literalmente, os sinais do bebê. Ou seja, procura nele indicações do que precisa em vez de impor horários para comer, dormir ou brincar.
Isso não significa que seus dias vão se tornar completamente imprevisíveis, já que depois da primeira semana de vida, a maioria dos recém-nascidos começa a entrar naturalmente em um ritmo regular de sono, brincadeira e alimentação.

Mas os horários podem variar de um dia para o outro, porque com esse método você vai responder aos sinais que observa no bebê. Entre os que apoiam as rotinas dirigidas pelo bebê estão os gurus da teoria do apego na criação de bebês (em inglês “attachment parenting”), como os médicos e autores norte-americanos conhecidos como Dr.
Sears e Dr.
Spock.

Rotinas mistas

As rotinas mistas reúnem elementos das rotinas dirigidas pelos pais e das dirigidas pelo bebê. Nesta alternativa você cria um horário para que o bebê coma, durma e brinque, e segue uma rotina semelhante todos os dias, só que com mais flexibilidade.

A soneca pode ser adiada, por exemplo, se o bebê ainda não parece estar cansado, e o almoço pode esperar se a ida ao supermercado demora mais do que o previsto.
Especialistas que apoiam esse estilo incluem a “supernanny” original, Jo Frost, a “supernanny” brasileira Cris Poli, a “encantadora de bebês”, Tracy Hogg, e Harvey Karp, autor de “O Bebê Mais Feliz do Pedaço”.

Faz mal deixar o bebê chorar para aprender a dormir sozinho?

Não é prejudicial ao bebê deixá-lo chorar por algum tempo, seja durante a noite ou durante o dia. É normal, por exemplo, que um bebê de 6 meses de idade chore uma hora por dia. E a maior parte desse choro costuma acontecer na hora de dormir.

É verdade sim que bebês que vivem em culturas onde eles são carregados o tempo todo e dormem junto com as mães choram menos, mas não há comprovação científica de que isso os torne mais saudáveis ou mais felizes. Por outro lado, também não é verdade que chorar bastante faça bem para os pulmões do bebê.

Ensinar o bebê a adormecer sem ajuda será muito útil para ele, não só na hora de ir para a cama, mas todas as vezes em que ele acordar durante a noite. Para todo mundo, as noites de sono são formadas por entre quatro e seis ciclos de sono profundo e superficial, e os despertares acontecem.
É importante saber se confortar sozinho para voltar a dormir.

Quando o bebê não sabe o que fazer para voltar a adormecer, ele acaba despertando completamente e pedindo a ajuda de alguém (normalmente da mãe, e normalmente chorando). Por outro lado, se ele souber se confortar sozinho, voltará a dormir antes mesmo de acordar totalmente.

Bebês e crianças pequenas precisam de um ritual na hora de dormir. Com o ritual, a criança se sente segura porque sabe o que vai acontecer, e deixa o sono se aproximar sem resistir tanto.

Se você ainda não criou uma rotininha para a hora de dormir, comece já. Não precisa de muita coisa: um banho, uma musiquinha, um aconchego, um boa noite para todos e pronto, hora de ir para o berço.

O segredo é que a parte final da rotina não envolva alguma coisa que o bebê não será capaz de fazer sozinho se acordar no meio da noite. Se você cantar até ele dormir, no meio da madrugada ele vai precisar convocar você para cantar de novo.

Cantar para o bebê é uma delícia, e é claro que você pode fazer isso. Só não é bom que o bebê fique dependente do canto (ou da história, ou do carinho, ou da mão dada, ou do colo) para adormecer.

Caso seu filho já esteja acostumado a dormir só com a sua ajuda, a melhor saída é ir desfazendo o hábito aos pouquinhos. Vai demorar, e você vai ficar triste quando ele chorar pedindo você, mas as mudanças, feitas devagar e com carinho, funcionam, e ele só terá a ganhar se conseguir se acalmar por si só.

Se você decidir adotar o método de “deixar chorar”, saiba que não estará fazendo mal ao bebê, desde que fique por perto e volte ao quarto de tempos em tempos.

Um objeto de estimação como um bonequinho ou bichinho de pelúcia podem ser úteis, porque estarão ali, ao lado da criança, sempre que ela acordar. Manter o quarto bem escuro também ajuda.

Um bebê que durma a noite inteira terá pais que dormem a noite inteira. E pais descansados e felizes fazem muito bem para qualquer criança. Com ou sem rotina!

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