Siringoma: Saiba o que é, sintomas e tratamentos

Siringoma é um doença ainda pouco conhecida e não tem grandes repercussões além do incômodo estético.

Uma doença dermatológica pouco conhecida entrou em foco recentemente, o siringoma. O problema estético se tornou tema de interesse quando uma participante de um reality show apareceu na tevê com olheiras grandes e que marcavam muito o rosto.

Alguns especialistas acreditam que a jovem sofra do problema, o que, segundo eles, ajuda a divulgar a doença ainda pouco conhecida. “Muitas pessoas podem ter esse problema e não saberem. Acham que é olheira e não procuram o tratamento adequado”, explica o dermatologista Abdo Salomão Júnior.

O siringoma é um crescimento anormal das glândulas sudoríparas que cria ondulações e manchas na região do rosto. Essas marcas podem ser confundidas com olheiras e rugas. O especialista explica que o problema acontece quando as células das glândulas responsáveis pela produção do suor começam a se multiplicar desordenamente, criando um tumor benigno.
Por causa desse crescimento, ela se calcifica e perde a função de secreção.
O processo não traz riscos sérios à saúde, mas esteticamente pode incomodar bastante.

O que é siringoma?

Siringoma é o nome de um tumor anexial (anexos da pele) intraepidérmico, benigno, do ducto sudoríparo (canalículo da desembocadura da glândula sudorípara na pele).
Caracteriza-se por pequenas elevações da pele, de dois a cinco milímetros, amareladas ou da mesma cor da pele, endurecidas, apresentando-se em pequeno ou grande número, raramente únicas e mais incidentes entre as mulheres adultas de pele clara.
Pode ter uma etiologia genética e acometer várias pessoas de uma mesma família.

Quando as lesões são pequenas e muito numerosas, a pele apresenta-se toda encaroçada, na região afetada. Como as lesões geralmente ocorrem em regiões muito visíveis, frequentemente na face, elas criam uma aparência bastante inestética. Por isso, embora o siringoma não represente um problema médico, seu tratamento tem importante finalidade estética.

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Como e onde ocorre?

Caracteriza-se por pápulas cor da pele, de um a 5 mm, em geral múltiplas e, as vezes, isoladas, assintomáticas e de ocorrência mais frequente em mulheres adultas. Ocorre predominantemente em indivíduos brancos, porem a ocorrência em mulher negra já foi descrita. A área mais acometida é a face, em particular as pálpebras e as regiões periorbitarias.
Apresentações atípicas na face são relatadas como lesões unilaterais múltiplas e confluentes formando placas.
O siringoma ocorre esporadicamente, mas existem formas familiares, com herança autossômica dominante, que afetam igualmente os dois sexos e parecem representar uma forma de mosaicismo.
Histologicamente, o siringoma consiste da proliferação de numerosos pequenos dutos, cujas paredes são revestidas usualmente por duas fileiras de células epiteliais achatadas, num estroma fibroso, localizadas na derme papilar e reticular superior.
As luzes dos dutos contem detritos amorfos.
Alguns dutos possuem pequenas caudas semelhantes a vírgulas, dando-lhes a aparência de girinos.
Ha, ainda, cordões sólidos de células epiteliais basófilas independentes dos canais.
Perto da epiderme podem haver luzes canaliculares císticas cheias de queratina, revestidas por células que contem grânulos de cerato-hialina, assemelhando-se a milio.
As vezes, essas estruturas se rompem, produzindo reação tipo corpo estranho

Quais são os sintomas do siringoma?

As áreas mais acometidas são as pálpebras e regiões periorbitárias, mas outras áreas também podem ser afetadas, tais como tórax, pescoço, regiões glútea, pubiana e vulvar. As lesões são assintomáticas, porém algumas vezes podem coçar.
Normalmente aparecem como lesões isoladas que vão aumentando em quantidade, porém pode acontecer a forma eruptiva, de início abrupto na adolescência, com grande número de lesões que se tornam disseminadas.
As lesões podem coalescer (se fundirem), criando placas.
Parece haver uma associação dessas lesões com a síndrome de Down porque elas são mais comuns nos indivíduos com essa condição.

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Diagnóstico

O diagnóstico do siringoma é clínico e histológico e geralmente não são necessários outros exames laboratoriais. Histologicamente, o siringoma consiste da proliferação de numerosos pequenos ductos das glândulas sudoríparas acometidas.

Um diagnóstico diferencial normalmente precisa ser feito com o xantelasma (conjunto de pequenas bolsas amareladas ligeiramente salientes, situadas nas pálpebras) e com o milium (pequenos elementos duros e esbranquiçados, de localização mais superficial que resultam da proliferação de células da epiderme dentro da derme, também chamado brotoeja).
No entanto, é comum a associação de lesões de siringoma, xantelasma e milios nas regiões periorbitarias.

Tratamento para Siringoma

O siringoma não exige tratamento por razão médica; o objetivo é somente estético. Raramente, o prurido exige o uso de alguma medicação. O tratamento do siringoma depende do volume, quantidade e extensão das lesões e visa a destruição e remoção das lesões, tornando a pele mais lisa.
Pode ser feito por meio de uma pequena cirurgia, normalmente feita com o uso de um anestésico tópico sob a forma de cremes ou pomadas.
Apenas em alguns casos, em que a lesão é maior, precisa-se fazer um anestésico local injetável.
Outras técnicas de tratamento são a eletrocauterização, a dermoabrasão, a aplicação de laser ou de técnicas que combinam o uso do ácido tricloroacético e o laser de CO².

São indicadas modalidades terapêuticas que visam a destruição ou remoção cuidadosas e efetivas das lesões, buscando evitar recidivas e/ou cicatrizes inestéticas desnecessárias.
Assim, a literatura inclui técnicas variadas, tais como: eletrocauterizacão ou eletrodissecção, excisão cirúrgica, aplicação de alguns tipos de laser ou de técnicas que combinam o uso do acido tricloroacético e o laser de CO².

A literatura recente sobre o tratamento dos siringomas múltiplos aborda, com maior frequência, a utilização de diferentes modalidades de laser para a destruição das lesões.
A modalidade mais citada é o laser de CO² pulsado, que diminui o risco de cicatrizes, proporcionando resultados estéticos excelentes e pode ate ser realizado sem anestesia ou apenas com anestesia tópica.

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É citada também a utilização do laser de erbium e do alexandrite, que requer tatuagem previa. Tratamentos que combinam a aplicação do acido tricloroacetico 50% antes ou apos o uso do laser de CO² pulsado são relatados como vantajosos.

A técnica combinada permite reduzir o numero de passadas do laser, com menor risco de dano térmico tanto na lesão como na pele ao redor, alem de remover células do siringoma mais profundas, evitando cicatrizes e recidivas.

O uso do laser tem algumas vantagens, porém o custo é elevado, há baixa disponibilidade do método, particularmente em instituições publicas, além da necessidade de profissionais bem treinados, ambientes e medidas adequadas de proteção, já que as lesões predominam nas áreas perioculares, as quais limitam muito sua utilização.

Como evolui o siringoma?

O siringoma normalmente aparece na adolescência, mas lesões subsequentes podem se desenvolver mais tarde. A forma eruptiva, em geral, tem inicio abrupto na adolescência, com grande numero de lesões que se tornam disseminadas, surgem em surtos e representam um desafio terapêutico.
São citadas associações de siringomas localizados ou da forma eruptiva com a síndrome de Down.
Existe uma proposta de classificação para as variantes clinicas do siringoma em quatro formas: localizada, familiar, generalizada (inclui a forma eruptiva) e associada a síndrome de Down.
Outras variantes tem sido relatadas, sugerindo a necessidade de ampliar essa classificação.

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