Solidão leva pessoas a usarem a internet de forma compulsiva

Levantamento britânico aponta mulheres solteiras, desempregadas e na faixa entre 45 e 55 anos como mais propensas a esse tipo de dependência. Mas não são somente nessa faixa etária. As novidades tecnológicas são atrativas especialmente aos jovens, que já nascem cercados de novos aparelhos.
O resultado é a maior facilidade em manusear e até mesmo a necessidade de estar em contato com diversos dispositivos.
Basta circular na hora de almoço por um shopping para notar adolescentes reunidos, cada um com um aparelho, compartilhando fotos ou comentando nas redes sociais.

“Os jovens têm o contato com a tecnologia muito cedo e se familiarizam muito rapidamente com o uso, surpreendendo os familiares, que, extasiados com a facilidade, fornecem a eles mais opções e não estabelecem os limites de uso.
Com isso, a tecnologia passa a ser algo que cresce com eles, adquirindo ao longo do tempo um valor inestimável em detrimento das experiências reais”, alerta a psicóloga Sylvia van Enck.

A popularização tecnológica entre os jovens pode ser verificada em um levantamento da ConsumerLab, instituto de pesquisa da empresa Ericsson. O estudo mostra que entre as crianças e os adolescentes nascidos após 1990, 90% têm celular.
A mesma pesquisa aponta ainda que cerca de metade dos jovens entrevistados passa mais de três horas conectados, e 83% deles enviam mensagem pelo celular todos os dias.

Tiago* não está nem na escola nem no trabalho. Ele está on-line, nas redes sociais e em salas de bate-papo, ambientes com os quais ficou conectado durante toda a madrugada. A cena já se repetiu muito na vida do estudante de psicologia de 24 anos. “Mesmo quando saía de perto do computador, estava conectado.
Passava o dia inteiro assim, dentro de casa”, conta o jovem, hoje recuperado do vício em internet.

A onipresença do universo on-line pode ter consequências muito negativas, revelam estudos científicos. Casos em que a internet é o principal meio de contato com o mundo são cada vez mais comuns.
Mas, afinal, quem são os dependentes da rede e o que os leva experimentar a vida por trás das telas? Uma das análises mais recentes sobre o assunto, publicada na revista Computers in Human Behavior, revela que os usuários adultos compulsivos costumam se descrever como “ansiosos” e “pessoas que se chateiam facilmente”.

O trabalho dos pesquisadores da Universidade de Northampton, no Reino Unido, foi realizado com 516 homens e mulheres, de idades entre 18 e 65 anos. Precisamente 63,4% dos entrevistados demonstraram usar a internet compulsivamente, com a tendência sendo observada mais nas mulheres.
Elas afirmaram que recorrem mais à rede para controlar mudanças de humor e se mostraram especialmente vulneráveis ao exagero quando estão desempregadas e têm entre 45 e 55 anos.
 “As mulheres registraram mais comportamentos compulsivos por estarem sem trabalhar e solteiras, o que indica que elas estavam sem muitos recursos para sair e socializar.
Na internet, esses usuários encontram excitação em conhecer pessoas de diversos fusos horários”, afirma Nada Korak-Kakabadse, um dos autores do estudo.
“A faixa etária de 40 a 49 anos é a que tem a maior frequência de divórcios, de acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas do Reino Unido.
Assim, as redes sociais on-line podem parecer uma boa opção nesse período de transição”, acrescenta a coautora Cristina Quiñones-García.

Isolamento

A solidão parece um ingrediente fundamental na relação pouco saudável com o universo virtual, como mostra uma análise realizada por duas universidades chinesas. “Tomados como um todo, os resultados demonstram um círculo vicioso preocupante entre a solidão e a dependência de internet”, resume Mike Z. Yao, da City University of Hong Kong.
“Outros estudos descobriram que 8% de estudantes de graduação nos Estados Unidos estavam envolvidos em uso patológico da internet e experimentavam um maior grau de solidão”, acrescenta.
Para ele, o isolamento é a causa e o efeito da dependência exagerada.

O pesquisador menciona outra pesquisa, feita com 8.941 adolescentes de Taiwan, que também encontrou a depressão e a falta de contato com a família como gatilhos para uso extremo da internet. Padrões semelhantes foram encontrados na China, na Coreia do Sul, na Noruega e no Irã.
Pessoas com transtornos psicopatológicos, como depressão, solidão, ansiedade social e dependência de substâncias, seriam propensas a manter comportamentos inadequados diante da web.
 “Elas preferem as interações mediadas por computador em vez da comunicação face a face, pois o anonimato e a ausência de comunicação não verbal fazem o contato parecer menos ameaçador”, analisa Yao, que entrevistou 361 estudantes universitários de Hong Kong com idade entre 18 e 37 anos.
Foram realizadas duas sessões de perguntas separadas por um intervalo de quatro meses.
Altos níveis de uso da internet foram encontrados: 89% dos participantes acessam a rede diariamente e 62% deles passam mais de três horas conectados.

“O uso patológico da rede é uma má adaptação do comportamento com o objetivo de reduzir sentimentos negativos, tais como a solidão, a depressão e a ansiedade social. Portanto, o vício em internet seria um resultado e não a causa de outros problemas psicológicos”, sugere Yao. “A interação on-line, contudo, aumenta o vício.
É um círculo vicioso”, complementa.
Tiago ilustra bem o que o pesquisador descreve.
O jovem conta que já tinha dificuldades de relacionamento social, por se sentir mal com o excesso de peso.
Aos poucos, a internet se tornou a forma de interação mais constante, principalmente em uma época em que ficou desempregado, fazendo apenas bicos no comércio do pai, mesmo lugar onde morava sua família.
“A internet aproxima as pessoas que estão longe, mas nos afasta daquelas que estão perto”, diz o rapaz, que procurou ajuda depois que começou a estudar psicologia.

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Prazer

Aderbal Vieira Jr., professor do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), acredita que as pessoas podem ficar dependentes de qualquer coisa que causa prazer ou alívio.
“No caso de drogas como a cocaína, esse estímulo é mais forte e modifica estruturas do cérebro, mas no vício comportamental não há nenhuma substância de fora do organismo.

O comportamento doentio diante da dependência da internet, do sexo ou de relacionamentos afetivos, segundo o médico, “é basicamente a sensação subjetiva da perda de liberdade e do poder de escolha”. “A pessoa não age assim porque ela quer, mas porque ela foi escolhida para fazer”, completa.
Atualmente, Vieira assiste dependentes que recorrem ao Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad) da Unifesp.

Ele conta que há três tipos de dependência à internet, sendo o primeiro caracterizado pelo simples fato de a pessoa passar muito tempo navegando. O segundo é o caso do paciente que já é frágil e acaba desenvolvendo algum transtorno psiquiátrico em decorrência do empobrecimento da vida social.
“Já o terceiro caso é o daquela pessoa que sofre com a síndrome do pânico ou agorafobia e não consegue sair de casa.
Esse e o segundo caso podem necessitar de medicação para o tratamento.
Já o primeiro deve ser tratado com psicoterapia.

Mariana Matos, pesquisadora do Departamento de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), acrescenta que é importante saber diferenciar o que é vício do que é a dependência normal. “Hoje, somos dependentes de várias tecnologias que já foram incorporadas à nossa vida, como energia e água encanada.
Então, depender, não configura vício.
Os casos mais extremos são de pessoas com algum problema anterior e que certamente teriam um comportamento parecido para realizar outras coisas, como jogar xadrez, se não existisse a internet.
É perigoso dizer que a web gerou tudo isso”, alerta.

Três perguntas para…

Mike Z. Yao, pesquisador do Departamento de Mídia e Comunicação da City University of Hong Kong

A internet torna as pessoas infelizes?

Há muitos estudos que ligam o uso excessivo a problemas psicológicos. No entanto, há também evidências empíricas para contrariar tal visão.
Fica a pergunta: “O relacionamento social on-line nos dá o mesmo tipo de apoio e felicidade que as relações off-line?” Pessoalmente, acho que a comunicação virtual pode fazer algumas pessoas felizes, porém não todas.
Em nosso estudo, uma das principais conclusões é que esses indivíduos que mantêm uma vida social ativa off-line são menos propensos a se sentirem solitários , mesmo se são “viciados” em internet.
É a forma como usamos a internet que interessa.

As crianças têm contato com ambientes on-line cada vez mais cedo e crescem em um mundo competitivo. Qual o impacto que essa realidade pode ter?

Eu não acho que podemos impedir que as crianças usem as tecnologias. Para cada impacto negativo que a internet traz, há provavelmente 10 positivos. A internet e suas tecnologias estão aqui para ficar e provavelmente vão se tornar onipresentes. Ao contrário do uso de drogas, a internet é uma força global positiva na nossa sociedade.
Ele faz nossa vida melhor em muitos aspectos.
A solução é implementar a tecnologia e a educação da informação o mais cedo possível.

Qual é o impacto de celulares smartphones, iPads e outros dispositivos móveis no vício em internet?

Muitos pesquisadores têm argumentado que “vício” é um termo exagerado para descrever o fenômeno. Muitos preferem “dependência tecnológica”. Eu acho que ele é a melhor maneira de descrever o impacto da computação móvel. As pessoas ficam “viciadas” em internet por várias razões.
Pessoalmente, eu acho que, no mundo moderno, as pessoas não conseguem ficar sem fazer nada.
Temos um medo geral de “estarmos entediados”.
A tecnologia da computação móvel pode efetivamente nos dar a ilusão de que estamos constantemente fazendo algo ou sendo informados (IO)

O que é ciberpsicologia?

O campo de desenvolvimento da Ciberpsicologia engloba todos os fenômenos psicológicos que estão associados com ou afetadas pela tecnologia emergente. Cibernético vem da palavra cibernética, o estudo da operação de controle e de comunicação; psicologia é o estudo da mente e comportamento.
Ciberpsicologia é o estudo da mente humana e seu comportamento no contexto da interação humana e comunicação de ambos homem e máquina, expandindo ainda mais seus limites com a cultura dos computadores e realidade virtual que ocorrem na internet.
No entanto, estudos de investigação tradicionais parecem centrar-se sobre o efeito da Internet e do ciberespaço sobre a psicologia dos indivíduos e grupos.
Alguns tópicos quentes incluem: identidade online, relacionamentos on-line, tipos de personalidade no ciberespaço, a transferência para computadores, vício em computadores e Internet, comportamento regressivo no ciberespaço, online sexo comutação, etc.

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Embora a pesquisa estatística e teórica nesta área baseia-se em torno do uso da Internet, ciberpsicologia também inclui o estudo das implicações psicológicas de cyborgs, inteligência artificial e realidade virtual, entre outras coisas.
Embora alguns destes tópicos podem parecer coisa de ficção científica, que estão rapidamente se tornando um fato científico como evidenciado por abordagens interdisciplinares envolvendo os campos da biologia, engenharia e matemática.
O campo de ciberpsicologia permanece aberta ao refinamento, bem como novos, incluindo fins de investigação da natureza das tendências atuais e futuras de doença mental associada a avanços tecnológicos.

Era por volta da virada do milênio que as pessoas nos Estados Unidos quebrou a marca de 50 por cento na utilização da Internet, o uso do computador pessoal, e uso do telefone celular.
Com uma exposição ampla para computadores e seus monitores, nossas percepções vão além de objetos e imagens em nosso ambiente natural e agora inclui os gráficos e imagens na tela do computador.
À medida que as sobreposições entre homem e máquina se expandir, a relevância da interação humano-computador (HCI) pesquisa no campo da ciberpsicologia se tornará mais visível e necessária para compreender os estilos de vida modernos atuais de muitas pessoas.
Com o número crescente de internet e usuários de computadores ao redor do mundo, é evidente que os efeitos de computador de tecnologia sobre a psique humana continuará a significativamente moldar tanto nossas interações uns com os outros e as nossas percepções do mundo que é, literalmente, “em nossas mãos.

Quando a internet é um vício

Terapia comportamental pode ajudar quando o uso constante de uma nova tecnologia passa a ser compulsão. Uma das cenas mais comuns atualmente é ver as pessoas absortas ao celular, passeando pelas páginas do Facebook, conferindo emails constantemente, desconectados do mundo real a seu redor.
Qual seria a medida que separa o uso constante da internet do vício e da compulsão?.

A dependência de internet preocupa pais e profissionais da saúde. Na Coréia do Sul, por exemplo, o governo considera o exagero no uso da internet como problema de saúde pública grave e estima que 210 mil crianças e adolescentes (2% do total de jovens) precisam de tratamento específico, que inclui psicoterapia e até medicação.

Alguns psiquiatras sugeriram a inclusão do vício em Internet no DSM-V, última atualização do Manual de Diagnóstico das Doenças Mentais, também conhecido como uma “bíblia” da psiquiatria. A alteração não foi acatada.
Indo para a área psicológica, o uso excessivo da internet é considerado sintoma, manifestação de problemas psicológicos mais enraizados, chamados basais.

Ansiedade e aflição

Zygmunt Bauman, sociólogo polonês referência na reflexão da modernidade, considera os tempos atuais como a Era da Ansiedade. O excesso de possibilidades e a vertiginosa velocidade com que as informações são atualizadas tem a angústia como efeito colateral.

“Modernidade líquida” é o termo cunhado por Bauman para designar o espírito dos tempos atuais. O mar de estímulos e de informações proporcionados pela internet é uma das facetas mais características do espírito dos tempos atuais.
 Excesso de atividade online pode levar a estados de aflição doentios, pois a maré contínua de informações que o mundo online provê supera a capacidade humana de processamento.

A leitura compulsiva de e-mails é um dos sintomas de uso excessivo da internet apontados pela psicóloga comportamental Kimberly Young

Abuso é sintoma de um distúrbio psicológico

Abuso de internet não é considerado doença pelos médicos. É um sintoma de problemas psicológicos já instalados. O mesmo ocorre com televisão e videogame. O vício em internet é uma compulsão como jogar e beber, um sintoma, uma manifestação de algum distúrbio psicológico de base.
 Por ser uma ferramenta relativamente nova, é normal que várias suspeitas sobre o uso da rede fiquem no ar.
Por que ficar 16 horas online é diferente de passar o mesmo tempo lendo? A reflexão está não apenas no quanto, mas para que o lugar que a rede ocupa na subjetividade de cada um.

Como tratar

Na ausência de algum desequilíbrio mental mais sério, o abuso de internet pode ser tratado com terapia breve, indicada para resolução de problemas focais. Este tipo de terapia trabalha apenas um problema, sem se aprofundar em outras questões. É feita em um número de sessões pré-determinadas e com objetivo também definido de antemão.
Não visa trabalhar profundamente a personalidade.

Há casos que requerem cuidados mais prolongados. É quando a compulsão, inclusive por internet, interfere no cotidiano e na vida social da pessoa. Nestes casos, a suspeita é de transtornos depressivos e de ansiedade, por sinal, muito comuns em viciados em jogos.
Se realmente constatado o distúrbio, psicoterapia é o indicado, inclusive por psiquiatras.
Somente nos casos mais graves há necessidade medicação em paralelo à terapia.

Viver em rede foi sempre aspiração humana. O Facebook faz online aquilo que nossos antepassados faziam nas rodas em torno da fogueira: atualizar-se sobre as notícias da tribo. É possível dizer que as escritas das pirâmides egípcias são bem parecidas com os sites de hoje: imagens e letras em uma tela disponível para todos e para sempre.
Entre a tábula dos dez mandamentos e o iPad, mudaram a dinâmica e a tecnologia, já as aspirações, não.

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O mau uso da internet existe, portanto, mas vale a avaliação caso a caso. Passar dias na rede estudando para concursos não é doença, pode ser necessidade. Isto sem falar em quem trabalha diretamente com a internet.

Dispersão x atenção

A dispersão é um efeito colateral da internet combatido por escolas e empresas, muitas delas restringem o uso de celular nas salas de aula e durante o expediente. Por outro lado, as novas gerações demonstram alguma adaptação cognitiva aos novos tempos.
Entrevistas com primeiros colocados nas melhores universidades brasileiras apontam nesta direção: os estudantes dizem que ouviam música, viam TV ou liam atualizações nas redes sociais enquanto se debruçavam sobre algoritmos e mitocôndrias.

Mundo real x virtual

Priorizar as relações virtuais ao contato presencial com pessoas é um dos sintomas que os pesquisadores usam para identificar um possível vício em internet. No campo afetivo, os benefícios da rede são incontestáveis: as agências de namoro virtual com foco em grupos específicos se consolidaram.
O número de casamentos iniciados online cresce, para a felicidade dos tímidos, grandes beneficiados por esse tipo de agenciamento.
Pessoas com preferências semelhantes buscam seus iguais, familiares e amigos distantes têm recursos de vídeo para manterem contato.
Em alguns presídios, o Skype é ferramenta de ressocialização.

As carências humanas não mudaram com a Internet. A necessidade de inclusão em algum grupo social e de alívio para a solidão permanecem. Nesse sentido, as redes sociais atuam como paliativo, mais ainda nas cidades grandes, onde é mais fácil ter uma comunidade virtual do que pertencer a algum grupo que frequentemente se encontre.

Comunidades virtuais não substituem a necessidade humana de contato pessoal. Conviver não se aprende online, implica em negociar preferências, há perdas e ganhos. Bauman, em entrevista ao programa “Fronteiras do Pensamento”, acredita que boa parte do sucesso do Facebook está na facilidade de se excluir, e não na inclusão, um amigo virtual.
Completa dizendo que romper com alguém na vida real pode envolver dor, mentiras e culpa.

Solidão das grandes cidades

Cada vez mais pessoas moram sozinhas nas metrópoles e o tempo para convívio em grupo é raro. As atividades são realizadas em espaços fragmentados geograficamente. As comunidades virtuais são o caminho mais fácil para o desejo humano de conexão, o mesmo que formou as primeiras tribos, comunidades e, por fim, as grandes cidades.
O sucesso das redes sociais com os mais distintos objetivos só ocorre por coincidir com o desejo de pertencimento.
O Facebook não cresceria sem demandas sociais.
Escapar à solidão é uma delas.

O isolamento é um das principais causas do adoecer psíquico e aí mundo virtual encontra mercado amplo na impossibilidade de encontro humano. Paradoxalmente, a internet conecta digitalmente, ao mesmo tempo em que mantém a distância física, a fragmentação, mantendo o problema da carência inalterado.

Alternativas

O imediatismo do mundo online não coincide com as necessidades da vida real. Não há saúde psíquica que dê conta da ansiedade de ler as atualizações de centenas de amigos virtuais, contínuas.
 A reflexão sobre o uso compulsivo da internet recai sobre o papel do mundo online na vida de cada um, da negação de contato com o mundo real e de possíveis problemas psicológicos de base.
Mesmo que através de terapia, o questionamento passa pelo contato pessoal.
Pela inserção de uma outra pessoal real no cotidiano do sujeito.

Dicas para evitar o vício em internet

A psicóloga comportamental Kimberly Young é considerada referência nas consequências do mau uso da internet para a saúde mental. Em seus estudos, ela aponta algumas medidas para evitar que a rede tome lugar excessivo na vida da pessoa.

A primeira medida é praticar o oposto, ou seja, tentar relacionar-se com pessoas no mundo off-line. Outra medida, no caso da leitura compulsiva de e-mails antes do café da manhã, por exemplo, é determinar metas e horários. Interromper a rotina online disfuncional é fundamental.
Um sintoma que pode indicar vício em internet, segundo Kimberly Young, é verificar emails e atualizações das redes sociais antes do café da manhã.

Usar os finais de semana para atividades sociais off-line é outra sugestão. A abstinência da internet favorece outros aspectos da vida.
Muita gente não percebe o tempo que a internet ocupa em suas vidas, daí a estudiosa sugerir que inventários pessoais, ou seja, a reflexão apurada dos hábitos cotidianos, possam ser úteis na identificação de potenciais malefícios do mundo online na vida de cada um.

Young indica ainda terapia pessoal e familiar, além da participação em grupos de apoio como medidas para os que suspeitam estar com a vida comprometida pelo uso abusivo da internet.

Ainda não inventaram um equivalente virtual ao beijo, ao abraço, à serenidade de estar em companhia de alguém que amamos.

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