Tratamentos para artrite reumatoide

Autoimune, doença tende a progredir para deformidades nas articulações. Nova droga tem como desvantagem o alto custo. Mas há esperança de que seja distribuída gratuitamente pelo governo.

Entre 0,5% e 1% da população mundial sofre de artrite reumatoide, uma doença autoimune, crônica e sistêmica caracterizada, principalmente, pela inflamação das juntas. No Brasil, os especialistas calculam que exista 1,3 milhão de pacientes e, embora a maioria seja de mulheres, os homens também são acometidos pela doença.

O diagnóstico é difícil e, diante da demora, o indivíduo se resignava com o uso de analgésicos e de cadeira de rodas. Sem tratamento, a doença tende a progredir para deformidades nas articulações.
“O paciente que chega ao consultório já deformado teve, em algum momento, a oportunidade de ser diagnosticado”, observa o reumatologista Ricardo Xavier, um dos especialistas brasileiros presentes no American College of Rheumatology Meeting – congresso ocorrido no mês passado, em San Diego, Estados Unidos.
“Com certeza, antes de apresentar as deformidades, essa pessoa teve algum sintoma, procurou um médico e não teve o encaminhamento adequado”, complementa.

Felizmente, com o avanço da medicina, a qualidade de vida dos doentes hoje pode ser bem próxima à de pessoas saudáveis. Nos últimos 30 anos, os pacientes tiveram acesso a novas drogas, como o metotrexato, ainda hoje a primeira escolha de muitos médicos, ou os chamados “modificadores do curso da doença”.
Mais recentemente, foram os biológicos, cujo mecanismo de ação é bem mais específico, diretamente nas citocinas que desencadeiam a reação inflamatória, que trouxeram novo fôlego ao tratamento da artrite reumatoide nos casos em que os modificadores não surtem efeito.

Agora, médicos, cientistas e pacientes comemoram uma nova alternativa de tratamento. O tofacitinib, já em uso em diversos países e em vias de ser aprovado no Brasil pela Anvisa, é considerado um medicamento alvo específico, assim como os biológicos.
A diferença é que, por ser uma molécula menor, ele consegue entrar na célula em vez de agir do lado de fora dela.
Além disso, o fato de que o novo tratamento pode ser ministrado via oral, em comprimidos, facilita muito.
“Tomar um comprimido é diferente de se deslocar até um centro médico para tomar a medicação na veia.
Muda a qualidade de vida do paciente, a aderência ao tratamento e até a percepção de gravidade da doença dele”, enumera a imunologista Maysa Silva, gerente médica da Pfizer.

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Embora animadora, a novidade custa caro: nos Estados Unidos, por exemplo, uma caixa, suficiente para um mês, sai por US$ 2.055 (cerca de R$ 4. A esperança é de que o governo distribua o medicamento gratuitamente para a população.
“O entendimento é de que bancar o tratamento e garantir uma vida mais saudável e produtiva para o paciente custa para o governo menos do que arcar com a aposentadoria precoce dele e possíveis internações decorrentes da doença”, analisa o reumatologista Ivânio Pereira, também presente no simpósio.

Saiba mais…. Brasil fará seis remédios para artrite e câncer

O Ministério da Saúde anunciou, no dia 7 de novembro, a entrada da empresa Merck Serono num acordo de parceria para desenvolvimento produtivo para produção nacional de seis remédios biológicos usados no tratamento de câncer e artrite.
A multinacional ingressa na iniciativa com compromisso de transferir a tecnologia para fabricação dos medicamentos no prazo de cinco anos.

Os remédios serão feitos pela Bionovis, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Instituto Vital Brasil. A parceria prevê construção de uma fábrica, a partir de 2014. Os produtos que serão fabricados são: etanercepte, rituximabe, bevacizumabe, cetuximabe, infliximabe e trastuzumabe.

Em junho, o governo lançou uma chamada para produção de 14 medicamentos biológicos. Nesse sistema, empresas interessadas, associadas a laboratórios públicos, buscam farmacêuticas detentoras da tecnologia para produção do medicamento. O projeto agora anunciado é o primeiro aprovado pelo ministério.
“Foi um processo rápido”, afirmou o secretário de Ciência e Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha.
A transferência de tecnologia começa a partir de 2014, com treinamento de funcionários no exterior.
Com a transferência de tecnologia, Merck Serono fica comprometida a vender, no próximo ano, os seis medicamentos para o governo com desconto de 5%.
O porcentual vai aumentando ao longo do tempo.
Em cinco anos a expectativa é a de que a economia seja de 25%.
A produção dos medicamentos no País começa em 2015.

Gadelha afirmou que os parceiros apresentaram também a proposta de produzir outros quatro medicamentos biológicos. Esses, no entanto, não estão na lista de prioridades preparada pelo governo em julho. Isso não significa, no entanto, que a oferta será recusada.

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Opções de tratamento

O tratamento da artrite reumatoide (AR) varia de acordo com características individuais dos pacientes e a resposta a eventuais tratamentos feitos anteriormente.
Para que ele possa ser ajustado para cada caso e a sua eficácia seja avaliada, é necessário medir a atividade da doença levando em consideração vários fatores, que vão desde a avaliação dos sintomas e do estado funcional até estudos radiológicos.
Com isso, o médico reumatologista pode definir o plano de tratamento, que envolve tratamentos medicamentosos e não medicamentosos.
O tratamento cirúrgico é indicado para alguns pacientes com anormalidades funcionais, como ruptura de tendão ou destruição óssea e articular.

Existem várias classes de medicamentos que podem ser indicados e combinados, desde analgésicos e anti-inflamatórios até drogas que modificam o curso da doença, ajudando a reduzir e prevenir o dano articular.
Somente o especialista pode prescrevê-los, e os possíveis efeitos colaterais devem ser monitorados para que seja feito qualquer ajuste necessário.

Como ainda não há cura para a artrite reumatoide, até hoje o tratamento da doença tem como objetivo reduzir a inflamação articular e a dor, maximizar a função articular, evitar a destruição das articulações e a deformidade dos membros. A intervenção médica precoce é importante para melhorar os resultados.

A terapia ideal varia conforme as características individuais dos pacientes e a resposta a eventuais tratamentos anteriores. O tratamento é personalizado de acordo com fatores como: atividade da doença, tipos de articulações envolvidas, saúde geral, idade e ocupação do paciente.
Além disso, envolve uma combinação de medicamentos, repouso, exercícios de fortalecimento, proteção articular e educação do paciente e de sua família.
O tratamento é mais bem-sucedido quando há uma estreita cooperação entre o médico, o paciente e os familiares.

Durante as consultas regulares, o reumatologista irá controlar a atividade da AR e prevenir o acometimento de outros órgãos – caso isso aconteça, ele estabelecerá o tratamento mais indicado. Os medicamentos específicos são seguros para uso a longo prazo, e os possíveis efeitos colaterais são controláveis e de fácil prevenção.
É necessário manter o tratamento específico por um longo tempo após o controle da doença.
Em alguns casos, pode-se diminuir ou até suspender os medicamentos, dependendo da avaliação do reumatologista.
Porém, mesmo que isso aconteça, o acompanhamento deve continuar regularmente para detectar possíveis recaídas.

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Tratamentos não farmacológicos: tratamentos não farmacológicos e preventivos servem como base da terapia para todos os pacientes. Eles incluem repouso, exercício, terapia física, ocupacional e dietética, bem como medidas gerais para proteger as estruturas e suas funções.

Tratamento medicamentoso: O tratamento da artrite reumatoide avançou muito; por isso, quanto antes for iniciado o uso dos medicamentos específicos, maior e melhor será a resposta do organismo.
Embora o tratamento precoce seja mais eficaz para controlar a doença e prevenir sequelas, a qualquer momento é possível obter a diminuição da inflamação e a melhora da qualidade de vida do paciente.
A terapia é instituída com o objetivo de induzir a remissão e prevenir a perda adicional de tecidos articulares ou o seu funcionamento para a realização das atividades diárias.

O tratamento medicamentoso é sempre individual. Muda de acordo com a resposta de cada paciente, o estágio da doença, a sua atividade e a gravidade. As drogas modificadoras do curso da AR são a base do tratamento, enquanto os anti-inflamatórios esteroides (corticoesteroides) e não esteroides têm um papel adjuvante na terapia.
Recentemente, os agentes imunobiológicos passaram a compor as opções terapêuticas.
Eles atuam nas proteínas envolvidas no processo inflamatório ou nas células do sistema imunológico e também são modificadores do curso da doença.
O tratamento com anti-inflamatórios é indicado enquanto se observar sinais inflamatórios ou o paciente apresentar dores articulares.
O uso de drogas modificadoras do curso da doença deve ser mantido indefinidamente.

Os medicamentos específicos, apesar de serem muito eficazes, têm uma ação mais lenta no início, podendo demorar de semanas a meses para alcançar a sua melhor atuação na atividade da doença. Por vezes, apenas uma dessas medicações ou uma combinação delas é suficiente para o controle da artrite reumatoide.

Tratamento cirúrgico: O tratamento cirúrgico é indicado para alguns pacientes com anormalidades funcionais causadas por sinovite proliferativa, como a ruptura de tendão, ou por destruição óssea e articular. Eventualmente, pode ser necessário o uso de próteses articulares.

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