Pneumonia – Sintomas e Tratamentos

Doença comum, principalmente entre as crianças e os maiores de 50 anos, a pneumonia pode deixar sequelas e até levar à morte. Poucas pessoas, porém, conhecem sua gravidade. Vacina  aprovada este ano pela Anvisa é uma das principais armas de prevenção.

O que é Pneumonia

Pneumonia consiste na inflamação da região mais nobre dos pulmões, os alvéolos. Geralmente é de origem infecciosa e leva a um acúmulo de líquido inflamatório nessa região, impedindo a oxigenação adequada do sangue. Os sintomas dependem da extensão do processo; os mais comuns são febre, tosse e catarro, que pode estar presente na forma de pus.
Menos frequentes são dor torácica e dispneia (falta de ar).

De repente aparece uma tosse incômoda, em seguida vem o mal-estar. No começo, suspeita-se uma gripe, mas logo os sintomas se tornam mais severos, provocando dores no peito e dificuldades de respirar. É quando a pessoa procura um médico.
Só que, a essa altura, o quadro de pneumonia pode estar avançado, aumentando as chances de hospitalizações e até de morte.
A doença é causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae, a mesma que provoca outras doenças chamadas pneumocócicas.
Entre elas incluem-se meningite, otite e bacteremia, uma inflamação no sangue.
De todas, a pneumonia é a mais comum e fatal.
Talvez uma das mais negligenciadas também.

Fatores de riscos

Existem vários. O primeiro, o mais importante e o mais frequente, é o fumo. Todo tabagista corre risco maior de ter a doença, porque o fumo, por si só, causa uma reação inflamatória que facilita a entrada de outros agentes agressores nos pulmões. O segundo é o álcool.
Pessoas que bebem têm a imunidade diminuída e uma diferente capacidade de coordenação do sistema respiratório.

Outro fator de risco a considerar é a existência de uma doença pulmonar prévia, por exemplo, a bronquite crônica, também presente nos fumantes. Por fim, embora menos comum, o comprometimento do sistema imunológico facilita o aparecimento de pneumonias.

Pneumonia e Broncopneumonia são a mesma coisa?

Ambas são formas de apresentação diferentes do mesmo processo, ou seja, inflamação/infecção pulmonar. As pneumonias são mais localizadas, enquanto nas broncopneumonias vários focos estão distribuídos pelos pulmões. Há uma tendência atual para utilizar-se apenas o termo pneumonia.

As doenças pneumocócicas matam cerca de 1,6 milhões de pessoas em todo o mundo todos os anos. A maioria delas são crianças com menos de 5 anos e adultos com mais de 65. Elas poderiam não ser vítimas da bactéria – controlada com a vacinação.

É preciso dar mais atenção ao número de infectados anualmente pela bactéria, especialmente os adultos. O quadro provoca mortes, afastamento do trabalho e onera o sistema público de saúde com as internações. Além disso, afeta a economia do país.
Para se ter uma ideia, cerca de 26% dos trabalhadores com pneumonia provocada pelos pneumococos ficaram ausentes do trabalho por mais de um mês, até se recuperarem.

De todas as manifestações do pneumococo, a pneumonia é a doença mais frequente. No Brasil, estima-se cerca de 2 milhões de casos todos os anos. Desses, 50% dos pacientes precisam ser internados e 14% não deixam o hospital. A pneumonia chega, assim, ao ranking das doenças que mais matam no país.
Está em terceiro lugar, perdendo apenas para as doenças cardiovasculares e para os derrames e AVCs.

É segunda doença respiratória mais comum por aqui e mais de 60% das vítimas mortas são maiores de 70 anos. Considerando as expectativas do aumento de vida da população, é preocupante imaginar que, com os anos a mais comemorados, aumentam também as chances de contrair uma pneumonia.
Segundo estudos americanos, a cada mil pessoas com 65 anos, 18,2 terão pneumonia.
Se esse grupo envelhece, o número passa para 52,3 pacientes afetados pela infecção bacteriana.
Acima de 85 anos, um a cada 20 idosos terão a pneumonia.

Por isso, há mais de uma década se estuda uma forma de imunizar os adultos. Em janeiro de 2012, foi aprovada pelo FDA a vacina antipneumocócica conjugada valente 13, Prevenar 13, para maiores de 50 anos. A vacina já existia e era indicada para crianças de até 6 anos e lactentes. Agora, os mais velhos foram incluídos no grupo de cuidados.
Ela protege contra os 13 sorotipos (ao todo são mais de 90) mais comuns que provocam as doenças pneumocócicas, entre eles o tipo 19 A, considerado um dos mais agressivos.
No Brasil, Agência Nacional de Vigilância Sanitária- ANVISA  liberou, no início de 2013, a vacina contra pneumonia para adultos acima de 50 anos idade, a PVC13.
A vacina já era indicada no Brasil para a proteção contra as doenças pneumocócicas (DPs) em lactentes e crianças de seis semanas até seis anos de idade incompletos.
“A indicação também para adultos vai possibilitar o melhor enfrentamento de uma das principais causas de morte entre pessoas maiores de 70 anos”, destaca Renato Kfouri, presidente da SBIm Nacional (Sociedade Brasileira de Imunizações).

Mais fragilizados

De fato, o perigo aumenta com a idade. A partir dos 50 anos, cresce a incidência da doença nos adultos. E o risco também. Isso porque o envelhecimento provoca o fenômeno da imunossenescência, que na prática significa a redução da atuação do sistema imune. Mais deprimido, ele não funciona tão bem e deixa o organismo debilitado.
“Associado à idade, também temos os riscos das doenças crônicas, como os problemas cardíacos, os renais, a asma, o alcoolismo, o diabetes e o tabagismo, que agravam o quadro das pneumonias”, alerta Roberto Stirbulov, pneumologista e presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia.
Quanto mais comprometida for a saúde do paciente, mais complicado fica o quadro da pneumonia, e maior a chance de sequelas.
Nos casos mais graves, a pneumonia pode provocar insuficiência cardíaca e respiratória.

Segundo o médico Raúl Isturiz, diretor do Serviço de Vacinação de Adultos no Centro Médico de Caracas, um episódio de pneumonia na idade adulta expõe o paciente, que tem risco associado, a maior chance de ter um AVC ou infarto nos seis meses seguintes à doença.
“Além disso, como o germe invade muitos órgãos, a pessoa pode levar sequelas para o resto da vida, como desenvolver asma, ter dificuldades para respirar e ficar impossibilitado de praticar um esporte, por exemplo”.
O agravamento se explica não só pela maior fragilidade idoso, mas também pelo fato de a bactéria alterar outros sistemas do organismo.
“A pneumonia aumentam a produção de toxinas que agridem o sistema cardiovascular, aumentando as chances de um infarto”, completa Roberto Stirbulov.

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A professora Ruth Maria Gravina, 53 anos, tem uma rotina puxada. Com mais de mil alunos divididos em 22 turmas, nos turnos da manhã e da noite, o desgaste físico e mental é inevitável. Ela já fazia tratamento para depressão e estresse quando percebeu que algo não estava bem.
De repente, sentiu mal-estar, dores nas costas e no peito, seguidas de tosse. Procurou um médico da rede pública e foi diagnosticada com uma gripe forte. Como os sintomas persistiam, Ruth voltou ao posto de saúde.
Já no local, foi medicada com dipirona e voltou para casa com a recomendação de procurar um pneumologista.
Depois de quase duas semanas sem receber tratamento adequado, a professora procurou um especialista, dessa vez da rede particular, que pediu um a radiografia.
Ao fazer o exame, descobriu que estava com uma mancha no pulmão direito, diagnosticada como pneumonia.
Passou o dia no hospital recebendo medicação na veia. Saiu mais tarde com a promessa de continuar o tratamento em casa.
Foram 15 dias de repouso e remédios. Ruth seguiu todas as recomendações médicas e ficou curada.

Mas nem todos têm a mesma sorte. O corpo enfraquecido responde mais lentamente ao tratamento com antibióticos, usado para combater as bactérias. Por isso, a rapidez no atendimento pode ser o diferencial para salvar uma vida. O intervalo de seis horas para administrar o antibiótico pode aumentar em 20% a chance de mortalidade.
O geriatra João Carlos Machado, diretor do Aurus Instituto de Ensino e Pesquisa do Envelhecimento de Belo Horizonte, alerta que a qualquer sinal de uma aparente gripe é preciso procurar um médico, especialmente o idosos.
Febre, tosse, mal-estar, dificuldade de respirar, catarro são os sintomas clássicos de uma pneumonia, que podem ser negligenciados no primeiro momento.
Mas a doença também dá sinais menos óbvios, que exigem atenção.
“A pneumonia pode provocar vômitos sem causa aparente ou confusão mental.
Por isso, qualquer alteração deve ser analisada pelo o médico, que poderá fazer o diagnóstico”, reforça João Carlos.
“Especialmente se o paciente for idoso”, acrescenta.

pneumonia bacteriana

Casos de pneumonia aumentam com tempo seco e frio

Nessa época do ano, com o tempo mais seco e frio, é comum que crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas fiquem mais suscetíveis as doenças respiratórias infecciosas, inflamatórias e alérgicas transmitidas pelo ar.
Entre as causas está o fato de as pessoas ficarem cada vez mais próximas e em ambientes fechados, além da baixa umidade do ar típica da estação.

De acordo com a pneumologista pediátrica, Beatriz Barbisan, do departamento de Pneumologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), o paciente está predisposto a contrair resfriado, gripe, sinusite, otite (inflamação no ouvido) e, até mesmo, pneumonia viral.
O clima frio pode causar a queda da defesa do organismo, causando essa epidemia de infecções virais e bacterianas.
Além dessas, também são desencadeadas a asma e a rinite, doenças de fundo alérgico.

Além da imunização.

Manter o corpo saudável é uma das melhores maneiras de proteger o corpo do pneumococo. Ainda vale a regra de sempre lavar as mãos, evitar contato com pessoas doentes – já que a doença é transmitida pelas partículas de saliva do infectado. Alimentar-se bem e praticar exercícios também fortalecem o sistema imunológico.
Mas a imunização ainda é a arma mais potente contra as doenças pneumocócicas.

O que o brasileiro sabe sobre a pneumonia

A pesquisa Prevenção na Maturidade, encomendada pela Pfizer e realizada pelo instituto de pesquisa Gfk Custom Research, foi realizada em 11 regiões metropolitanas do país com o objetivo de conhecer hábitos e atitudes do brasileiro na maturidade em relação à prevenção de doenças.
Uma das propostas do estudo era justamente saber eles conhecem a pneumonia e como se prevenir.
Foram ouvidas 1.170 pessoas acima dos 50 anos.

  • Apenas 32% dos entrevistados tomam vacinas para se prevenir de doenças.
    Cerca de 96% não se imunizaram contra a pneumonia;
  • Apesar de 34,8% afirmarem que a pneumonia é uma doença grave, e pode levar à morte (25%), poucos entrevistados sabem que se trata de uma infecção pulmonar (5,4%);
    sintomas de pneumonia bacteriana
  • Para 91% dos entrevistados, a idade mais importante para se tomar a vacina é na primeira infância e aproximadamente 1/3 deles nunca ouviu falar sobre vacinação para adultos;
  • Os entrevistados acertam ao descrever a pneumonia como uma enfermidade que causa febre (16,9%), falta de ar (14,3%) e sensação de cansaço (11,5%).
    No entanto, afirmam que a doença é decorrente de gripe ou resfriado mal curado (31,6%), refletindo a desinformação dos brasileiros sobre as causas reais da doenças;
  • Cerca de 21% dizem conhecer a existência de vacinas contra a pneumonia, as antipneumocócicas e apenas 4% disseram ter tomado a vacina, o que pode ser um sinal de que as pessoas tenham confundido com a vacina contra a gripe;
  • Cerca de 51,3% dos entrevistados temem a necessidade de precisarem de uma internação por causa da pneumonia, 43% temem a morte e 8,3% têm medo de os medicamentos não surtirem efeitos.

 

Pneumonia química

Diferente das pneumonias mais conhecidas, a pneumonia química não é causada por vírus ou bactérias, mas sim pela inalação de substâncias agressivas ao pulmão, como a fumaça, agrotóxicos ou outros produtos químicos.

Quando aspiradas, essas substâncias vão para os pulmões e inflamam os alvéolos – estruturas que fazem o transporte do oxigênio para o sangue.

Essas infecções dificultam as trocas respiratórias, causando a pneumonia e a insuficiência respiratória.
Diferente da pneumonia bacteriana, cuja a bactéria afeta apenas uma parte do pulmão, a pneumonia química pode comprometer todo o órgão.

A pneumonia por aspiração é outra forma de pneumonia química. Esse tipo é causado quando as secreções orais ou o conteúdo do estômago é aspirado para os pulmões. A inflamação vem dos efeitos tóxicos do ácido gástrico e das enzimas sobre o tecido do pulmão. Bactérias do estômago ou da boca também podem causar uma pneumonia bacteriana.

Sintomas de Pneumonia química

Os principais sintomas de uma pneumonia química são tosse e falta de ar – esses valem para todos os tipos de intoxicação.
No entanto, uma série de outros sinais pode aparecer, dependendo dos seguintes fatores:

  • Tipo e força da química
  • Ambiente de exposição (ar livre, lugar fechado, etc)
  • Tempo de exposição (segundos, minutos, horas)
  • Substância de contato (gases, líquidos, etc)
  • Medidas de proteção usadas (no caso de trabalhadores do campo, por exemplo)
  • Histórico médico e presença de outras doenças.
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Dependendo dos fatores citados acima, a pneumonia química pode apresentar também esses sintomas:

  • Irritação no nariz, olhos, lábios, boca e garganta
  • Tosse seca
  • Tosse úmida, produzindo muco claro, amarelo ou verde
  • Tosse úmida, com secreção rosada na saliva e presença de sangue
  • Náuseas ou dor abdominal
  • Dor no peito
  • Respiração dolorosa
  • Dor de cabeça
  • Sintomas de gripe
  • Fraqueza ou desorientação.

Os sintomas da pneumonia química podem demorar dias para aparecer – no caso da fumaça, por exemplo, pode levar até três dias para o corpo manifestar irritações na garganta ou secreções levemente rosadas, fora a tosse e a falta de ar.
Em casos mais graves, também é possível observar esses sintomas:

  • Febre
  • Queimaduras na boca, nariz ou pele
  • Pele pálida e lábios suando
  • Pensamento alterado e raciocínio comprometido
  • Inconsciência
  • Inchaço dos olhos ou lingua
  • Vóz rouca ou abafada
  • Saliva espumosa resultante de tosse forte.

A bactéria Streptococcus pneumoniae

A bactéria Streptococcus pneumoniae pode causar a doença em qualquer época do ano, já que é capaz de se manter inativa nas vias respiratórias de uma pessoa por longo tempo. Mas com a chegada do frio aumentam os riscos, já que as baixas temperaturas aglomeram as pessoas em locais fechados, aumentando a proximidade com possíveis doentes.
Além disso, o consumo de água é reduzido, o que torna as secreções das vias respiratórias e pulmões menos fluidas e mais favoráveis ao desenvolvimento das bactérias.

Dúvidas comuns sobre as doenças pneumocócicas

 –  O que são doenças pneumocócicas?

São aquelas causadas pela bactéria Streptococus pneumoniae (pneumococo) e incluem: meningite, pneumonia, bacteremia e sepse (infecção na corrente sanguínea), sinusite e otite média (infecção do ouvido).

 – Todas são graves?

O pneumococo é uma causa muito importante de doenças graves em crianças em todo o mundo, principalmente a sepse, a meningite e a pneumonia. Além disso, é a causa mais freqüente de sinusite e otite média aguda (OMA). Doenças pneumocócicas matam quase 1 milhão de crianças por ano no mundo, 90% delas nos países em desenvolvimento.

No Brasil, a mortalidade por pneumonia quase sempre é devida ao pneumococo, isto é, o pneumococo é a principal causa de morte por pneumonia, principalmente em crianças pequenas.

 – Todas as pneumonias e otites são causadas pelo pneumococo?

Não, outros agentes podem causar, mas o pneumococo é o principal. No Brasil estima-se que 40% das internações por pneumonia são causadas por pneumococo. A pneumonia pode ser causada por bactérias, vírus, fungos, substâncias inorgânicas e por reações alérgicas.
A forma mais comum é chamada de pneumonia da comunidade, uma infecção provocada por bactérias e contra a qual existe tratamento específico com antibióticos.

Quando o agente causador for um vírus, embora alguns casos admitam tratamento medicamentoso, a maioria das pneumonias é autolimitada, ou seja, o organismo elimina o vírus espontânea e naturalmente.

A grande dificuldade da pneumonia é determinar o agente causador. Quando se faz o diagnóstico, que é clínico, na maior parte das vezes não importa fazer a diferenciação. Ela só interessa quando o paciente não responde ao tratamento com antibiótico de amplo espectro.

Considerando os três tipos (bactérias, vírus ou fungos), pode-se dizer que as pneumonias por fungos têm algumas características próprias, porque estão restritas a um grupo mais ou menos conhecido de pacientes portadores de doenças prévias e, geralmente, com o sistema imunológico debilitado.
Já as pneumonias bacterianas e virais, do ponto de vista médico e radiológico, comportam-se de forma muito semelhante.
Como se sabe que os principais agentes são os Streptococcus pneumoniae, o microplasma, a clamídia e o Hemophilus, muitas vezes, introduz-se o tratamento com antibióticos que cobrem todo esse espectro sem necessidade de identificar o agente causador.

 – Quem tem mais risco de contrair a doença?

A população de maior risco para doença pneumocócica grave está entre indivíduos com menos de cinco ou mais de 65 anos. Existem outros grupos de risco para doença pneumocócica como crianças com anemia falciforme, pacientes que não têm o baço e pacientes HIV positivos.

Estima-se que o pneumococo seja responsável por 17% a 28% das pneumonias adquiridas na comunidade entre as crianças e por 15% a 35% das otites médias agudas. É mais freqüente nas crianças abaixo de 1 ano, mas também é importante causa de doença nos idosos.

Condições que interferem na imunidade têm grande importância no risco para infecção pneumocócica. Dessa forma, a incidência de doença pneumocócica é elevada nas imunodeficiências; na infecção pelo HIV; nos diabéticos.
Nos pacientes que têm predisposição para pneumonias, como os asmáticos, e nos pacientes com doença pulmonar crônica, o risco também é aumentado.

O principal órgão que elimina os pneumococos do sangue é o baço. Assim, pessoas com problemas no baço, como por exemplo pacientes com anemia falciforme e outras doenças do sangue ou que retiraram cirurgicamente o órgão, têm risco aumentado para doença pneumocócica.

 – Como a doença pneumocócica é transmitida?

A transmissão ocorre de um indivíduo para outro através do contato íntimo, por meio de gotículas de saliva, geralmente associada a aglomerações. Por esta razão, as crianças de creche têm maior risco de adquirir a doença. A transmissão ocorre mais nos meses de inverno e início da primavera.
A bactéria pode estar presente na mucosa nasal e na garganta dos indivíduos saudáveis.

 – Qual é o tratamento?

O tratamento da doença pneumocócica tem se tornado mais difícil pela crescente resistência à penicilina. Além disso, alguns tipos apresentam resistência a múltiplos antimicrobianos. Por isso a importância da prevenção através da vacina.

 – Quais as vacinas existentes contra os pneumococos?

Atualmente existem dois tipos de vacinas antipneumocócicas disponíveis no mercado: a vacina polissacarídica (Pneumocócica 23-valente) e as vacinas conjugadas (pneumocócica 10-valente, também conhecida por Synflorix e pneumocócica 13-valente, conhecida por Prevenar 13).

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 – Qual a diferença entre essas vacinas?

A vacina Pneumocócica 23-valente não é eficaz para crianças abaixo de 2 anos de idade e pouco eficaz em crianças de outras idades.
A resposta imunológica das crianças desta faixa etária a vacinas polissacarídicas não é boa, com baixa produção de anticorpos específicos, queda rápida dos seus níveis e não ocorre fenômeno de memória quando há reexposição.
Por outro lado, entre adultos, idosos e pacientes com doença de base, a eficácia é bastante satisfatória para formas graves da doença.
A persistência da imunidade não é muito boa e, dependendo da população vacinada e da faixa etária, existe indicação de apenas uma revacinação após cinco anos.

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As vacinas conjugadas apresentam melhor resposta imune especialmente para as crianças menores de dois anos de idade, estimulando a produção de anticorpos nesta faixa etária, bem como um forte efeito de memória na reexposição. Os tipos de antígenos contidos nestas vacinas são aqueles relacionados com as formas mais graves de doença pneumocócica.

 – Quem pode se vacinar?

As vacinas antipneumocócicas conjugadas estão indicadas para todas as crianças a partir de dois meses de idade. A vacina antipneumocócica polissacarídica 23-valente está indicada para todas as pessoas com mais de 60 anos.

Também há indicação para esta vacina em situações de risco para a doença pneumocócica, a partir de 2 anos de idade, como pacientes diabéticos; com doença pulmonar; doença cardiológica; asplênicos (sem baço); imunodeprimidos; entre outros.
No caso de crianças de risco recomenda-se, inclusive, a vacinação com as duas vacinas, conjugada e polissacarídica.

 – Como saber qual tipo de vacina devo usar?

Para crianças, a vacina escolhida deve ser sempre a pneumocócica conjugada.
Crianças maiores de 24 meses, se consideradas de alto risco, como crianças com anemia falciforme, outras doenças do sangue, infecção pelo HIV, doenças crônicas cardíacas ou pulmonares, imunodepressão, doença renal, transplantadas, devem receber os dois tipos de vacina contra os pneumococo.

Adolescentes, e adultos portadores de doença crônica devem receber a vacina pneumocócica 23-valente. Maiores de 60 anos a vacina devem receber a vacina antipneumocócica 23-valente.

 – Qual é o esquema vacinal?

A vacinação pneumocócica deve ser iniciada o mais precocemente possível e está indicada a partir dos 2 meses de idade. Isso porque a doença é mais grave e mais incidente no primeiro ano de vida.

O esquema recomendado é de três doses no primeiro ano de vida (a partir dos 2 meses de idade) e um reforço entre 15 e 18 meses de idade.

A vacina anti-pneumocócica 23 valente deve ser aplicada em dose única naquelas situações em que está indicada. A necessidade de reforço 5 anos após deve ser avaliada pelo médico.

Uma dose da vacina 13-valente é recomendada para todas as crianças saudáveis entre 24 meses e 5 anos (71 meses) de idade não vacinadas previamente ou com vacinação pneumocócica incompleta.
Se crianças nesta faixa etária apresentarem com condições médicas subjacentes que aumentam o risco para a doença pneumocócica ou suas complicações (doença falciforme, infecção pelo HIV ou outra condição de imunocomprometimento, implante coclear, fístula liquórica, entre outras), tendo sido ou não previamente vacinadas com as vacinas 7 ou 10-valente, devem receber duas doses da vacina 13-valente.
Isto inclui aqueles que já receberam a vacina pneumocócica polissacarídica 23-valente.
A vacina deve ser aplicada pelo menos 8 semanas após a última dose de vacina (conjugada ou da polissacarídica).

 – Quais os efeitos adversos das vacinas contra o pneumococo?

Os eventos adversos mais comuns são reações locais, como dor e induração. Não foram observadas reações graves.

 – Existem contraindicações às vacinas?

De fato, em menos de um ano essa vacina teve expandida sua utilização.
Quando lançada, foi indicada para crianças entre 6 semanas e 5 anos de idade e, posteriormente outros grupos etários também foram incluídos, como crianças e adolescentes até 17 anos e mais recentemente o EMA (Agência Européia de Medicamentos) aprovou a indicação em adultos com 50 anos ou mais.
São contraindicadas em pessoas com hipersensibilidade a componentes da vacina.
Deve ser adiada em vigência de doença aguda moderada ou grave, mas pode ser utilizada em vigência de doença leve do trato respiratório.

 – As vacinas estão disponíveis nos postos de saúde?

A vacina 10 valente estão disponível nos postos de saúde desde 2010, para crianças até 2 anos de idade. Nos casos de risco para doença pneumocócica, podem ser obtidas através dos Centros de Referência em Imunobiológicos Especiais do Ministério da Saúde.

A vacinação gratuita contra pneumonia é realizada na rede pública dos 02 meses até 02 anos de idades. A vacina utilizada na rede pública é a pneumocócica 10 V.

A vacina pneumocócica 13 V só está disponível na rede privada de vacinações e está indicada dos 02 meses de idade até 5 anos (71 meses) anos de idade. Acima desta faixa etária somente quando há algum fator de risco. Pessoas com mais de 50 anos já podem recebê-la também.

 – Como fazer em relação as crianças que tenham terminado esquemas de vacinação com as vacinas 7 ou 10 valente mas que desejam proteção mais ampliadas?

As crianças até 5 anos (71 meses) de idade que receberam esquema completo com as vacinas 7 ou 10 valente podem tomar uma dose suplementar da vacina 13-valente para ampliar a proteção contra os sorotipos adicionais, desde que se respeite um intervalo mínimo de 2 meses após a última dose da vacina recebida previamente.

 – Crianças com mais de 5 anos (71 meses) não podem tomar as vacinas conjugadas?

Apenas crianças e adolescentes entre 6 anos e 18 anos de idade mas que apresentam doenças subjacentes de maior risco para doença pneumocócica invasiva, tendo completado ou não esquema com vacina 7 ou 10-valente, podem receber uma dose única da vacina 13-valente. Isto inclui aqueles que já receberam a vacina pneumocócica polissacarídica 23-valente.
A vacina deve ser dada pelo menos 8 semanas após a última dose da vacina conjugada ou da polissacarídica.
Saiba por que isso é uma ótima notícia: A vacina pneumocócica 13-valente (conjugada) é indicada para proteção de crianças entre 2 meses e 5 anos de idade (71 meses), contra os sorotipos da bactéria chamada Streptococcus pneumoniae, causadora de doenças pneumocócicas, como meningite (infecção da membrana que recobre o sistema nervoso central), sepse (infecção e falência de múltiplos órgãos), bacteremia (infecção na corrente sanguínea), pneumonia (infecção dos pulmões) e otite média (infecção dos ouvidos).

Para adultos com 50 anos ou mais, a vacina pneumocócica 13-valente (conjugada) é indicada para a prevenção de doença pneumocócica (incluindo pneumonia e doença invasiva) causada pelo Streptococcus pneumoniae.

A vacina pneumocócica 13-valente (conjugada) deve ser administrada em pessoas acima de 50 anos, incluindo aqueles vacinados anteriormente com a vacina pneumocócica polissacarídica, em apenas 1 dose, que pode ser aplicada junto com a vacina contra a gripe..

Para mais informações, converse com seu médico.

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