Torções: o que fazer?

Todo mundo está sujeito a torcer o pé. Pode acontecer durante uma caminhada normal, basta ter um buraco na calçada, a pessoa pisa torto, força o tornozelo e. pronto! A região fica inchada, dolorida, e os ligamentos sofrem lesões que podem ficar para sempre.

Em uma pesquisa do Bem Estar os buracos foram eleitos como os principais culpados pelas torções, com 23%, seguidos pelo salto alto (18%) e pelos esportes (17%).

O preparador físico José Rubens D’Elia e o ortopedista Caio Nery explicam o que são as torções e o que elas causam.

Em outras palavras, a torção é um movimento anormal dos ossos que provoca lesão do ligamento. É menos grave que a luxação, que outro tipo de machucado da articulação. Na luxação, o ligamento se rompe e a articulação sai totalmente do lugar. É preciso um profissional para reposicionar a articulação, muitas vezes com a anestesia.

As torções podem vir a provocar também fraturas, que são lesões do tecido ósseo. Quando ocorre uma fratura, o osso literalmente é quebrado. Isto acontece por que uma força muito grande age sobre ele – o que pode acontecer em uma torção.

Torções: o que fazer?

O que fazer

A primeira atitude a ser tomada após uma torção de tornozelo é retirar o calçado para afrouxar a área. A região vai ficar inchada e avermelhada, e a melhor maneira de reduzir o inchaço é com gelo. Com o frio, os vasos sanguíneos ficam mais estreitos, o que reduz o sangramento interno do ferimento e, portanto, o inchaço.

O ideal é colocar compressas de gelo, de dez minutos cada, a cada dez minutos. É importante respeitar este intervalo para proteger a pele e as articulações. Para a pele, aliás, também é bom envolver o gelo em algum tecido. Compressas quentes são péssimas, pois pioram o inchaço.

Estes são apenas os primeiros socorros, pois é necessário seguir logo para uma consulta médica. A região machucada deve ser bem protegida no processo. No caso do tornozelo, não se deve pôr o pé no chão.

O especialista vai avaliar o inchaço para ver se o ligamento pode estar lesionado ou se houve fratura. Em muitos casos, ele vai pedir exames de radiografia – para verificar os ossos – e ressonância magnética – que mostra se os ligamentos estão bem.

A recuperação dos ligamentos é lenta e depende do tipo de lesão. Primeiro, a área fica inflamada, o que em média demora três dias. Depois, o ligamento começa a reconstruir as fibras, alinhando-as corretamente. Nesta fase, que pode durar até um mês e meio, é importante manter a articulação imobilizada.
Por fim, o ligamento leva até um ano para voltar ao que era antes da contusão.

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É importante respeitar os prazos de recuperação para que o tornozelo fique forte. Quando os ligamentos não cicatrizam direito, pode ocorrer um quadro conhecido como instabilidade crônica, que provoca novas torções ao longo do tempo.

Exercícios

Alguns exercícios podem deixar o pé mais “inteligente” e prevenido contra as torções. Os pés precisam de estímulo. Uma pessoa sedentária, que não tem o costume de andar em terrenos acidentados, terá mais chances de torcer o pé do que alguém que está acostumado a pisar na areia ou praticar esporte.

Os exercícios de alongamento são importantes porque garantem a elasticidade dos músculos, tendões e ligamentos, de forma que sua resposta se torna mais sincronizada e segura. Quando ocorre torção, as estruturas alongadas e saudáveis estão mais capacitadas para se adaptar às condições extremas.
Por isso, tem maiores chances de evitar lesões do que as estruturas “fora de forma”.

Abaixo, listamos alguns dos exercícios recomendados:

Bate o pé: sentado, o movimento é de levantar e abaixar a ponta do pé como se estivesse batendo a parte da frente do pé. Este exercício trabalha principalmente o músculo tibial anterior, que fica na canela e é um dos responsáveis pela formação do arco plantar e pelo movimento de elevação da parte anterior do pé.

Fortalecimento de eversores: sentado ao lado da parede com uma bola, o pé fará um movimento como se estivesse “dando tchau”. O objetivo é empurrar a bola contra a parede com a parte lateral do pé. Este exercício fortalece os músculos eversores do tornozelo, gerando maior estabilidade e tentando evitar a torção.

Andar na linha: caminhar em cima de uma linha com um pé na frente do outro. O objetivo deste exercício é melhorar o equilíbrio.

Andar com a ponta do pé para cima: caminhar com a ponta do pé para cima em linha reta. O objetivo deste exercício é melhorar o equilíbrio associado à contração isométrica do músculo tibial anterior.

Andar no colchão: caminhar em um colchão espesso, pode ser o de uma cama. O objetivo deste exercício é caminhar em um solo instável para gerar mais estabilidade para o tornozelo e melhorar o equilíbrio.

O que mais acontece

Os entorses de tornozelo estão entre os traumas mais frequentes tratados pela ortopedia na população mundial. Acometem desde crianças até idosos nas mais variadas atividades diárias, como jogando futebol, correndo, descendo escadas, pulando, acidentes de moto/carro ou simplesmente andando.
São classificados em graus leves, moderados e graves, sendo que após o grau mais grave, pode ocorrer uma fratura, ou seja, a quebra do osso.
A articulação do tornozelo está circundada por diversos ligamentos.
Dependendo de como o nosso pé esta posicionado e a força com que ocorre o entorse, teremos lesões nos diferentes ligamentos que irão variar desde simples distensões, lesões parciais até lesões completas dos ligamentos.

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Visão do médico

No primeiro atendimento pós entorse de tornozelo, o importante é descartarmos as fraturas, luxações ou subluxações através de radiografias simples. Na ausência destas lesões, damos inicio ao tratamento dos entorses, que irá variar de acordo com o grau de lesão.
Lesões leves, geralmente melhoram com repouso, anti-inflamatórios não hormonais e compressas com gelo, já os entorses moderados e graves necessitam de um período de imobilização com gesso ou órteses por um período que pode variar de 3 a 6 semanas, seguido de reabilitação com fisioterapia para restabelecer, principalmente a propriocepção.

E quanto a ressonância magnética, quando devemos fazer?

Realmente, o melhor exame para avaliarmos as lesões ligamentares é a ressonância, porém o diagnóstico dos entorses de tornozelo é clínico, ou seja, através do edema, “inchaço” do tornozelo, se está ou não acompanhado de hematoma ao seu redor e se existem sinais de instabilidade através de testes manuais.

Com exceção dos casos de fraturas e os casos de luxações de tornozelo que mesmo após a redução apresentam uma incongruência articular, todos os demais casos de entorse de tornozelo serão de tratamento conservador, ou seja, não cirúrgico.
Não interessa para nós, saber se a lesão ligamentar foi apenas uma distensão, uma rotura parcial ou total, já que o tratamento instituído será de acordo com quadro clinico apresentado.

Portanto na grande maioria dos casos, a ressonância nuclear magnética não deve ser realizada nos casos de entorse de tornozelo, já que o seu resultado, não irá modificar o tratamento a ser realizado.
Mais importante do que realizar a ressonância, é seguir as orientações fornecidas pelo médico e respeitar o período de repouso para que os ligamentos cicatrizem de forma adequada.

tipos de entorses:

 Entorse em inversão: é quando o tornozelo se desloca para fora, projetando a sola do pé para dentro, em direção ao outro pé. É o tipo mais comum de entorse. Os ligamentos da parte de fora do tornozelo se estendem além do seu comprimento natural, podendo causar lesões e/ou fraturas.
Em 90% dos casos, os entorses acontecem dessa forma.

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– Entorse em eversão: é quando o tornozelo se desloca para dentro, projetando a sola do pé para fora. Os ligamentos da parte de dentro do tornozelo se estendem além do seu comprimento natural, podendo causar lesões e/ou fraturas.

Torções: o que fazer?

Quais são os sintomas?

A parte de fora do tornozelo, abaixo e a frente da ponta do osso fíbula – É um osso longo situado na parte lateral da perna – apresenta dor e inchaço e, geralmente, fica roxa, e mais quente. Às vezes o inchaço é mais localizado e aparece uma saliência em forma de um ovo. Importante não se assustar.

O que fazer?

Em caso de torção (inversão ou eversão), as atividades físicas devem ser suspensas e é preciso evitar apoiar o pé no chão. Você pode aplicar gelo por cerca de 30 minutos. Lembre-se de enrolar o gelo em um saco plástico ou a bolsa gel em um pano de prato ou fraldinha para não queimar a sua pele.
Mantenha o pé elevado e, procure tratamento para verificar a gravidade e indicar o tratamento adequado (encaminhar ao ortopedista).
Irá solicitar exame Raio x e no caso de fratura ou trinca irá encaminhar para engessar e aguardar 30 dias de repouso.
Depois dos 30 dias iniciará a fisioterapia e Massoterapia.

Como se alcança a recuperação?

O médico ortopedista pode determinar se há necessidade de se imobilizar o tornozelo por tempo variável. O tratamento com cirurgia é indicado apenas em casos muito graves e em atletas de alto nível. Em geral, apenas a suspensão das atividades e o uso de medicamentos, a critério médico, já resolvem o problema.
É fundamental, no entanto, que você se preocupe com a recuperação do movimento, da força e do equilíbrio na região lesionada.

Quando retornar às atividades?

Para voltar às atividades físicas é preciso que seu médico autorize ou que você tenha recuperado todos os movimentos do tornozelo, para todos os lados. É importante que o tornozelo não apresente mais dor nem inchaço após os exercícios. Não force a região se a força muscular e o equilíbrio não estiverem restabelecidos.

Quando voltar a pisar normalmente?

Para proteção do local, você pode usar uma tornozeleira ou enfaixamento quando voltar à prática de esportes, lembrando-se apenas de não apertar muito o tornozelo para não atrapalhar a circulação. No entanto, isso não substitui um bom fortalecimento muscular. Nunca volte a jogar direto, mas comece com movimentos mais simples de seu esporte.
Se você torceu seu tornozelo procure ajuda e inicie seu tratamento em sessões de fisioterapia.

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