AVC – acidente vascular cerebral: cada vez mais cedo… Como evitar?

Os males da vida moderna têm antecipado a ocorrência desse acidente vascular cerebral (AVC) na população. Saiba o que fazer para não ser surpreendido. O acidente vascular cerebral, chamado popularmente de derrame, não é mais um mal exclusivo de idosos.
As mudanças de hábitos de vida experimentadas pela população economicamente ativa nos últimos anos, decorrentes de uma sociedade mais e mais competitiva, têm tornado o AVC cada vez mais frequente entre jovens, fazendo vítimas até mesmo antes dos 30 anos.

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O Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) possui uma linha de pesquisa contínua sobre o assunto, com um universo pesquisado de 1050 indivíduos. “Os primeiros dados do levantamento demonstravam que 25% do total de vítimas de AVC atendidas eram jovens.
Hoje esse índice subiu para aproximadamente 32%”, revela a neurologista Viviane Flumignan Zétola, coordenadora do estudo.

A hipertensão arterial foi a causa mais freqüentemente encontrada. Porém o tabagismo, o aumento nos níveis de colesterol e o alcoolismo foram os fatores de risco mais prevalentes. É importante salientar que a faixa etária considerada jovem pelo estudo compreende pessoas com idade abaixo de 49 anos e 11 meses.
“Existem outras estatísticas que consideram até 45 anos, mas com o aumento da longevidade, tendemos a aumentar também esses limites”, explica a médica Viviane Zétola.

“A principal causa de AVC é a aterosclerose, uma patologia influenciada por hábitos de vida como sedentarismo, tabagismo, obesidade, alimentação com altos teores de gordura e estresse.
E isso permanece muito presente na vida dos habitantes de grandes cidades do mundo ocidental”, lembra o presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, Airton Delduque Frankini, de Porto Alegre (RS).

É possível prevenir

AVC – acidente vascular cerebral: cada vez mais cedo… Como evitar?

A melhor maneira de fugir do derrame é combater os fatores de risco para a aterosclerose, o que se faz com atitudes pró-ativas, ou seja: se alimentar corretamente (evitar o consumo de sal e gordura), fazer exercícios diários, não fumar, bem como controlar peso, pressão arterial e diabetes – doença que favorece o derrame.
Além disso, o que nem todo mundo sabe é que existem sinais de que um AVC possa estar a caminho, e seria importante ficar atento.
Entre eles estão: perda visual transitória, diminuição da sensibilidade e da força em um lado do corpo, dificuldades para andar e falar.
Todos de característica súbita, normalmente de recuperação em período menor de 24 horas e sem possibilidade de deixar sequelas.
Por isso, são chamados de ataques isquêmicos transitórios.
 Aos primeiros sintomas, o paciente deve procurar o médico, mesmo na dúvida entre um caso transitório ou um AVC efetivo.
Quanto mais breve for o atendimento, maior será a possibilidade de tratamento.
 Para os casos de pacientes que já tiveram um derrame, um estudo publicado recentemente na revista norte-americana Stroke demonstrou que o medicamento cilostazol é eficaz para inibir a progressão e induzir à regressão das placas de aterosclerose em artérias cerebrais, evitando a reincidência.
“Por outro lado, pacientes bem examinados pelo seu especialista podem ter detectada precocemente a estenose (estreitamento e/ou entupimento por placas de gordura) da artéria carótida, principal responsável pela irrigação sanguínea do cérebro”, garante o médico gaúcho Airton Frankini.
 Com o uso do estetoscópio sobre o pescoço, o médico tenta auscultar uma espécie de ‘sopro’.
Este som indica que pode haver algum problema obstruindo a passagem de sangue para o cérebro.
Dependendo do caso, pode ser indicada uma cirurgia antes mesmo do desenvolvimento dos sintomas iniciais de AVC.
Isso pode ser feito por cirurgia convencional, como se faz há mais de 50 anos, ou por modernas técnicas de angioplastia, com bons resultados também.

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Mais comum do que se pensa

O AVC é uma das três principais causas de morte e incapacitação física em todo o mundo. Segundo o Ministério da Saúde é a principal causa de mortalidade no Brasil, maior mesmo que o infarto. Nos Estados Unidos existem 5 milhões de sobreviventes de AVC. No Brasil estima-se que seja, pelo menos, a metade desse número.
Cerca de 40% deles apresentam sequelas moderadas ou graves e 25% mantém algum grau de limitação física ou mental.
Nos Estados Unidos, estudo recente apontou que a mortalidade pode chegar a 80% na reincidência – que deve, portanto, ser ainda mais prevenida.

Pode acontecer com qualquer um! Dois casos reais:

 – exemplo de esporte

“Treino kung fu desde os 12 anos, faço musculação, sou vegetariano e nunca precisei ir ao médico. No máximo, recorria a terapias naturais. Um dia, aos 37 anos, passei mal e fui levado ao hospital: recebi o diagnóstico de infarto. Somente 24 horas depois, com uma tomografia, descobri que se tratava de um AVC.
Havia perdido as funções do lado esquerdo do corpo.
Eu tinha uma artéria com espessura menor que o normal.
Mas se fosse sedentário, poderia ter morrido aos 30 anos.
Ainda no hospital surpreendi a fisioterapeuta utilizando as técnicas de alongamento do kung fu.
Deveria fazer 100 sessões de fisioterapia – fiz 10.
Hoje, ninguém diz que tive AVC, mas me sinto apenas 80% recuperado.
Faço de tudo para chegar aos 100%”.
Jorge Luiz Alves da Paixão, 42 anos, mestre em Kung Fu

 – Mudança radical

“Sedentário, fumante, hipertenso e fã de uma cervejinha, era candidato natural ao AVC. Some-se a isso o fato de ter diabetes e o estresse do trabalho e estava pronto para um derrame. E aconteceu em pleno Carnaval, aos 41 anos. Havia fumado e bebido o dia todo.
À noite, senti uma dor de cabeça terrível, comecei a suar frio, a falar enrolado e desmaiei.
Fui parar na UTI e, 10 dias depois, já em casa, sofri novo AVC.
Perdi os movimentos do lado esquerdo.
Hoje minha rotina inclui fisioterapia e hidroginástica.
Também mudei a alimentação, parei de fumar e beber.
Me arrisco a curtas caminhadas de bengala e acredito que, com meu esforço, a recuperação chegará a 90%”.
José Buoni, jornalista, 43 anos.

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O que é e como ocorre o AVC?

Existem dois tipos de derrame: o isquêmico e o hemorrágico.
O primeiro é o mais comum e decorre da obstrução de uma artéria no interior do cérebro, normalmente por acúmulo de placas gordurosas nas artérias carótidas (vasos do pescoço que levam sangue para o cérebro), que de vez em quando se desprendem – os chamados êmbolos – causando a falta de circulação sanguínea no cérebro.
Já o hemorrágico resulta de um rompimento de uma artéria, relacionada a um aneurisma ou má formação vascular.
Pode ocorrer, até mesmo, como conseqüência de uma crise hipertensiva, quando a pressão no pequeno vaso cerebral é tão alta que determina a ruptura dele.
“Entre as duas situações, o AVC hemorrágico em pacientes jovens é mais recorrente”, afirma Airton Frankini, presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular.
As sequelas mais comuns – seja qual for o tipo de AVC, o acidente costuma deixar sequelas e limitações físicas – como a hemiplegia (o paciente não consegue comandar um de seus lados) e a afasia (problemas de fala e comunicação) prejudicam a qualidade de vida de suas vítimas que, além de tudo, são candidatas a sofrer um novo derrame ou ainda complicações cardiovasculares fulminantes.
“A gravidade do AVC é diretamente proporcional à extensão e localização da lesão cerebral”, explica a neurologista Viviane Flumignan Zétola, da UFPR.
Por outro lado, “o indivíduo mais jovem apresenta menos doenças associadas que o idoso e, conseqüentemente, sua recuperação pode ser mais fácil.
Mas não existe uma regra”, completa.

AVC – acidente vascular cerebral: cada vez mais cedo… Como evitar?

Sintomas do AVC

– Acidente Vascular Isquêmico

  • Perda repentina da força muscular e/ou da visão;
  • Dificuldade de comunicação oral;
  • Tonturas;
  • Formigamento num dos lados do corpo;
  • Alterações da memória.
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Algumas vezes, esses sintomas podem ser transitórios – ataque isquêmico transitório (AIT). Nem por isso deixam de exigir cuidados médicos imediatos.

– Acidente Vascular Hemorrágico

  • Dor de cabeça;
  • Edema cerebral;
  • Aumento da pressão intracraniana;
  • Náuseas e vômitos;
  • Déficits neurológicos semelhantes aos provocados pelo acidente vascular isquêmico.

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Faça os testes para identificar o AVC

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 Tratamento

Acidente vascular cerebral é uma emergência médica. O paciente deve ser encaminhado imediatamente para atendimento hospitalar. Trombolíticos e anticoagulantes podem diminuir a extensão dos danos.
A cirurgia pode ser indicada para retirar o coágulo ou êmbolo (endarterectomia), aliviar a pressão cerebral ou revascularizar veias ou artérias comprometidas.
 Infelizmente, células cerebrais não se regeneram nem há tratamento que possa recuperá-las.
No entanto, existem recursos terapêuticos capazes de ajudar a restaurar funções, movimentos e fala e, quanto antes começarem a ser aplicados, melhores serão os resultados.

Qual é o prognóstico?

Mesmo sendo uma doença do cérebro, o acidente vascular cerebral pode afetar o organismo todo. Uma sequela comum é a paralisia completa de um lado do corpo (hemiplegia) ou a fraqueza de um lado do corpo (hemiparesia). O acidente vascular cerebral pode causar problemas de pensamento, cognição, aprendizado, atenção, julgamento e memória.
O acidente vascular cerebral pode produzir problemas emocionais com o paciente apresentando dificuldades de controlar suas emoções ou expressá-las de forma inapropriada.
Muitos pacientes apresentam depressão.
 A repetição do acidente vascular cerebral é frequente.
Em torno de 25 por cento dos pacientes que se recuperam do seu primeiro acidente vascular cerebral terão outro dentro de 5 anos.
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Prevenção

É perfeitamente possível prevenir 80% dos AVC. E não há nenhum mistério nisso. Basta controlar os fatores de risco. Isso significa:

  • Controlar sua pressão arterial. Não hesite em tratá-la se estiver alta.
  • Verificar com um cardiologista se você tem alguma fibrilação atrial.
  • Parar de fumar.
  • Beber com moderação.
  • Manter as taxas de colesterol no lugar.
  • Se for diabético, manter a doença sob controle.
  • Exercitar-se regularmente.
  • Consumir pouco sal.

NÃO CUSTA NADA REFORÇAR!

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