Câncer de Colo de Útero – Tudo que precisa saber

O que Câncer de Colo de Útero?

É o câncer da região pélvica (aparelho reprodutor) mais comum na mulher brasileira, o que coloca o país em péssima posição, considerando que esse tipo de tumor foi praticamente erradicados em alguns países desenvolvidos.
O problema é justamente a dificuldade de acesso das brasileiras àquele exame simples que consiste em “raspar” células do colo do útero para exame patológico.
“Existem lesões precursoras que podem ser facilmente identificadas num simples Papanicolau e que, se tratadas, evitam a evolução para o câncer de colo uterino”, alerta o ginecologista Alexandre Pupo Nogueira.

O câncer de colo uterino apresenta-se sob forma de lesão ulcerada no colo do útero, muitas vezes acompanhada de mau cheiro e corrimento sanguinolento. O sangramento durante e após o ato sexual constitui-se em importante sinal da doença.
“Quando o diagnóstico é tardio e o tumor cresce muito, o tratamento cirúrgico pode se tornar inviável, restando à paciente as opções de químio e radioterapia, ambos de difícil acesso às camadas mais desfavorecidas e que são as mais acometidas.
Tal fato explica a mortalidade elevada por esse tipo de câncer no país”, afirma Pupo Nogueira.

O que aumenta o risco

Ocorre com mais frequência entre 40 e 45 anos de idade, principalmente em mulheres com dificuldade de acesso aos exames ginecológicos, e tem íntima relação com a infecção com o HPV (papilomavírus humano), transmitido pela via sexual.
Isso não significa, porém, que todas as mulheres que têm HPV desenvolverão câncer de colo uterino – aproximadamente 1% delas terá o tumor, de acordo com o ginecologista Levon Badiglian Filho, do Hospital A.
C Camargo.
Os médicos alertam para um importante fator de risco: o tabagismo

Formas de prevenir

Os ginecologistas Alexandro Pupo Nogueira e Levon Badiglian ensinam que o câncer de colo uterino pode ser prevenido com medidas simples. Na lista de cuidados estão inclusos o uso corriqueiro de preservativo sexual, que evita a contaminação pelo HPV, o exame de papanicolau rotineiro (anual) e identificação e tratamento das lesões precursoras.
Com essa finalidade é recomendável uma visita anual ao ginecologista, após o início da vida sexual da mulher.
Eles consideram ainda a vacina contra o HPV, que deveria ser dada rotineiramente a todas as mulheres entre 9 e 26 anos de idade.

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A vacina contra o HPV já está incorporada ao SUS. É a primeira vez que a população terá acesso gratuito a uma vacina que protege contra câncer. A meta é vacinar 80% do público-alvo, que atualmente soma 3,3 milhões de pessoas.
O vírus HPV é responsável por 95% dos casos de câncer de colo do útero, segundo que mais atinge mulheres, atrás apenas do mamário.
A vacina que está disponível na rede pública é a quadrivalente, usada na prevenção contra quatro tipos de HPV (6, 11, 16 e 18). Dois deles (16 e 18) respondem por 70% dos casos de câncer.
No escopo do acordo entre Ministério da Saúde e os fabricantes da vacina – Butantan e Merck Sharp & Dohme (MSD), que atuarão em parceria tecnológica – está prevista a possibilidade de uso da versão nonavalente, que agregará outros cinco sorotipos à vacina.
Já em 2014, meninas de 10 e 11 anos receberão as três doses necessárias para a imunização, mobilizando investimentos federais de R$ 360,7 milhões na aquisição de 12 milhões de doses.

A vacina para prevenção da doença tem eficácia comprovada para pessoas que ainda não iniciaram a vida sexual e, por isso, não tiveram nenhum contato com o vírus.
A escolha do público-alvo levou em consideração evidências científicas, estudos sobre o comportamento sexual e a avaliação de especialistas que atuam no Comitê Técnico Assessor de Imunizações (CTAI) vinculado ao Ministério da Saúde.

Estratégia de vacinação

As três doses serão aplicadas, com autorização dos pais ou responsáveis das pré-adolescentes, de acordo com o seguinte esquema: após a aplicação da primeira dose, a segunda deverá ocorrer em dois meses e a terceira, em seis meses.
Para chegar com mais agilidade ao público-alvo e ampliar a adesão à proteção contra o HPV, a estratégia será mista: a imunização ocorrerá tanto nas unidades de saúde quanto nas escolas.
Após o primeiro ano de imunização, a oferta deverá passar de 12 milhões de doses para 6 milhões de doses por ano, pois parte do público-alvo já estará imunizado.

A incorporação da vacina complementa as demais ações preventivas do câncer de colo do útero, como a realização do Papanicolau e o uso de camisinha em todas as relações sexuais.
“É uma vacina para proteger para o futuro, mas que não elimina as medidas de saúde que já estão sendo tomadas pelas mulheres para se proteger do vírus”, reforçou o secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa.

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Diagnóstico

Um dos raros tipos de câncer com causas e métodos de prevenção conhecidos atualmente, o carcinoma do colo uterino mata, por ano, cerca de 230 mil mulheres no mundo. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o número só não é maior do que o do câncer de mama.
Graças ao exame de papanicolau, o câncer de colo uterino pode ser detectado precocemente e muitas vezes na forma pré-câncer, o que permite o diagnóstico antes mesmo de se iniciarem os sintomas.
Se o tumor estiver avançado, a mulher pode detectar um corrimento malcheiroso com aspecto de “água de carne”, sintomas urinários, intestinais, dor e sangramento à relações sexuais, dentre outros.

Inovações a caminho

Para o câncer de colo uterino, Pupo Nogueira diz que a cirurgia conservadora como a traquelectomia radical, que retira o colo doente preservando o corpo uterino e a fertilidade, e a quimioirradiação, são as novidades recentes mais importantes.
“Para esse tumor se pesquisam atualmente anticorpos monoclonais e vacinas, que devem trazer resultados mais favoráveis”.

Traquelectomia Radical é definida como a remoção cirúrgica parcial ou completa do colo do útero e do paramétrio (tecidos conjuntivos ao lado do útero e colo do útero). Ela remove muito mais do colo do útero em comparação com a conização cervical e também envolve a remoção de gânglios linfáticos na pélvis.

Traquelectomia Radical: O procedimento é realizado na sala de cirurgia depois que a mulher recebe anestesia e pode ser feito através da vagina ou através de uma incisão no abdômen, dependendo da preferência do cirurgião. Mais recentemente, alguns cirurgiões têm realizado o procedimento usando a abordagem cirúrgica laparoscópica.
O colo do útero e porção superior da vagina pode ser total ou parcialmente removido, dependendo do tamanho e profundidade do câncer.

Quando as lesões pré-cancerígenas são tratadas, desde que restritas ao colo do útero, as taxas de cura, com cirurgia exclusiva ou acompanhada de radioterapia, chegam a 85%-95%.
A cirurgia deve envolver, a depender o tamanho da lesão, a retirada do útero com o colo e o terço superior da vagina, seguido de retirada dos gânglios pélvicos, conforme descreve o médico.
Se a lesão for pequena e/ou microscópica (rastreada pelo Papanicolau e biópsia), os cirurgiões podem retirar apenas o útero ou, em mulheres que desejam preservar a fertilidade, apenas o colo uterino (a chamada traquelectomia).

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Um novo procedimento médico

Buscando modernizar o tratamento da doença, o Serviço de Cirurgia Oncológica do Hospital São Rafael, em Salvador, realizou, em 2011, um novo procedimento: a histerectomia ampliada por videolaparoscopia, cirurgia que dispensa a necessidade dos cortes profundos utilizados nos tratamentos tradicionais, diminuindo os riscos ligados aos procedimentos.

histerectomia ampliada por videolaparoscopia: Considerada “ampliada” pela abrangência da área ocupada pelos órgãos removidos, a histerectomia por videolaparoscopia utiliza pequenas pinças, para a realização da cirurgia.
“Introduzidas em furos de meio centímetro, feitos no abdômen, as pinças são guiadas por uma micro câmera, também inserida através de um furo mínimo, realizado no umbigo da paciente.
Além de efetuar os cortes necessários à remoção dos órgãos, os instrumentos servem para fazer coagular os vasos sanguíneos durante a cirurgia”, explica Heron Cangussu, especialista que, ao lado do cirurgião oncologista Jadson Reis, coordena o núcleo responsável pela implantação do serviço no hospital.

Criada ainda no século XX, a histerectomia ampliada sempre foi utilizada para tratamento do câncer do colo de útero, porém o procedimento, antes, era realizado através de um corte profundo, feito na barriga da paciente, para que fossem retirados o útero, os gânglios e o tecido linfático.
Com o advento da videolaparoscopia, entretanto, além de não ser mais necessário o corte, a cirurgia tornou-se bem mais simples, eficaz e segura, garantindo um pós-operatório sem restrições e complicações.
“A vantagem deste novo procedimento é que a paciente sangra menos – afastando a necessidade da transfusão – sente menos dor, possui um menor índice de complicações relacionadas às feridas operatórias, além do efeito estético, uma vez que as cicatrizes são quase imperceptíveis”, destaca o médico.
A média de alta é de três dias após a cirurgia.
“Passados os sete e os 15 primeiros dias, a paciente tem que voltar a fazer revisão, para acompanhamento da ferida operatória e para ver se ela adquiriu retenção urinária”, conclui o oncologista.

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