Por que sentimos cócegas?

As cócegas são uma reação de autodefesa do organismo diante de alguma coisa que toca a pele. Os cientistas acreditam que elas sejam uma resposta primitiva do ser humano, existente desde os nossos antepassados.As cócegas são rápidas respostas a situações de perigo que o homem adquiriu para defender-se, são reações de pânico.
Quando algum inseto tentava escalar as pernas do homem de antigamente, eram as cócegas que o faziam perceber e expulsar o bicho.
 Essa espécie de instinto divertido funcionaria como um alerta para o corpo, estimulando-o a reagir diante de uma situação de perigo, como, por exemplo, uma aranha ou um escorpião andando sobre a pessoa.
Além disso, as cócegas também servem como uma manifestação de carinho entre algumas espécies animais, como os macacos.
“Pessoas que têm uma percepção mais aguçada do corpo normalmente sentem mais cócegas”, afirma o neurologista Luiz Celso Pereira Vilanova, da Universidade Federal de São Paulo.
E por que a gente não consegue fazer cócegas em nós mesmos? Simples: porque nosso cérebro sabe quando provocamos um estímulo em nós mesmos e acaba anulando a “sensação de perigo” que dispara as cócegas.

Áreas do corpo com mais receptores táteis são as mais sensíveis

Nossa pele está repleta de receptores táteis, que são terminações nervosas responsáveis não apenas pela captação do estímulo das cócegas mas também de sensações de dor, coceira, frio ou calor. Algumas áreas do corpo, como as axilas e a plantados pés, têm uma concentração maior desses receptores. Por isso, são regiões mais sensíveis às cócegas.

Regiões mais sensíveis

  • Palma das mãos
  • Planta dos pés
  • Abdômen
  • Axilas
  • Nuca
  • Orelha
  • Virilha

No cérebro, os impulsos nervosos são reconhecidos por uma região do córtex cerebral chamada de giro pós-central. A resposta imediata é um comando que faz a pessoa realizar movimentos bruscos do corpo e dar gargalhadas. São as cócegas.
 Dependendo da forma como a pela é tocada nestas regiões, os receptores captam o estímulo e o transformam num impulso nervoso.
Percorrendo feixes nervosos – as chamadas vias de sensibilidade tátil -, esse impulso chega ao cérebro.

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As cócegas são rápidas respostas a situações de perigo que o homem adquiriu para defender-se, são reações de pânico. Quando algum inseto tentava escalar as pernas do homem de antigamente, eram as cócegas que o faziam perceber e expulsar o bicho.

Não é possível fazer cócegas em si mesmo (propositalmente) porque o cérebro prevê os movimentos antes mesmo que aconteçam, não provocando a sensação de perigo e pânico que incita as cócegas. Quando alguém nos toca, o corpo reage, tornando-se tenso. Porém quando tocamos o próprio corpo, ele não demonstra reação.

Por que sentimos cócegas?

O corpo humano é coberto por cerca de 2 m² de pele, com 5 milhões de receptores. Eles informam ao cérebro as sensações de toque, calor, frio e dor.
 Por que uma pressão em determinada parte do corpo pode trazer dor enquanto o mesmo tipo de toque em outra região leva às cócegas? As sensações são descritas de diversas formas, com seu lado subjetivo e objetivo, e frequentemente de forma imprecisa.

Desde a metade do século XIX, pesquisadores tentam decifrar a sensibilidade tátil humana. Max von Frey (1852 – 1932) desenvolveu uma técnica que consiste em explorar a pele com agulhas com peso de 1 a 10 gramas, com pontas arredondadas para não machucar.
Ele tentou verificar se, como se acreditava na época, a dor nascia de um estímulo muito intenso para determinada sensação.
Para fazer essa verificação Frey desenvolveu esse método de explorar a pele com agulhas “táteis” e descobriu a existência de pontos sensíveis específicos, espalhado de maneira desigual pela superfície da pele.

Quando as agulhas espetavam em alguns pontos, provocavam uma sensação de tato (toque), enquanto, ao estimular outros lugares, as pessoas examinadas, com os olhos vendados, não tiveram reações.

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Concluiu-se que alguns pontos só são capazes de gerar sensação de dor – mas os estímulos devem ser fortes (de 10 a 30 gramas). Mais tarde, pesquisadores americanos estenderam essa técnica com estimuladores térmicos que guardavam um líquido quente ou frio.

Essas pesquisas evidenciaram quatro categorias bem distintas de sensações táteis: o toque ou contato, a dor, o quente e o frio, desigualmente espalhados pela pele de acordo com as regiões do corpo.

Os receptores nervosos são dispostos de maneira desigual sobre a pele, de modo a informar o cérebro sobre o que acontece em algumas regiões. Funcionam como um centro de vigilância que coloca mais câmeras ou radares em zonas de alto risco.

O fisiologista alemão Emil von Skramlik fez um levantamento sobre a densidade de pontos sensitivos por cm² de pele de acordo com as regiões do corpo. Assim, concluiu que a testa tem 184 receptores, 50 sensíveis ao tato, 8 ao frio e o,6 ao calor. Já a ponta do nariz tem 44 pontos sensíveis à dor, 100 ao tato e 0,5 ao calor.
A parte externa da mão (oposta à palma) conta com 188 pontos para a dor, 14 para o tato, 7 para o frio e o,5 para o calor.

Em resumo, pode-se dizer que a testa informa sobre a dor (proteção do cérebro), o nariz, sobre o frio e a mão, sobre o toque (isso porque o levantamento foi feito em relação à parte externa da mão; nas pontas dos dedos há cerca de 200 receptores).

Os anatomistas e os psicólogos descreveram vários receptores da pele que correspondem a essas quatro categorias. A dor está ligada à excitação de terminações nervosas livres, o frio, ao estímulo dos chamados bulbos terminais de Krause (receptores térmicos de frio), e o calor, a outras terminações nervosas livres.

Essas quatro sensações são bem individualizadas para transitar pelas quatro vias nervosas distintas. Mas o toque tem vários receptores, por isso existe a variedade de sensações (cócegas, pressão, toque leve, etc.
Os discos de Merkel e os corpúsculos de Meissner e de Golgi-Mazoni são responsáveis pela delicadeza do toque e estão presentes principalmente na ponta dos dedos, nos lábios e nas zonas erógenas.

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As sensações de vibração e pressão provêm dos corpúsculos de Pacini, cuja compressão dilata os poros das membranas axiônica, liberando a entrada dos íons de sódio, iniciando o sinal nervoso, enquanto os corpúsculos de Ruffini parecem responsáveis pela sensação de alongamento.

Mas mesmo que esta explicação que se remete às origens da humanidade seja possível, as cócegas também estão relacionadas aos comportamentos dos animais sociais. Os macacos, por exemplo, também fazem cócegas uns nos outros, como uma forma de estreitar as relações entre eles.

Por que sentimos cócegas?

Realmente, a gente sempre faz ou ganha cócegas de pessoas próximas: entre pais e filhos, casais de namorados, amigos. Isto mostra que as cócegas são mesmo uma maneira de se socializar. Você tem alguma dúvida disso? Então faça cócegas em um estranho, para ver.
 Se fizermos cócegas em um estranho, por exemplo, essa situação não terá um resultado muito positivo, e provavelmente quem recebeu a cócega não irá rir, e sim achar o ato como desagradável.
As cócegas são feitas entre amigos e parentes, gerando prazer e confiança.

Voltando à pergunta original. A sensação de cócegas está relacionada à sensibilidade da pele. Isso quer dizer que quem não sente cócegas pode ter a pele pouco sensível, ou então um controle impressionante da sensação de pânico e das gargalhadas que costumam acompanhar as cócegas.

De fato, podemos ver que não se trata apenas do simples estímulo de alguns pontos do corpo. Da mesma maneira, se uma pessoa sabe que vão lhe fazer cócegas e tem bastante autocontrole, ela pode anular a sensação associada às cócegas.
Se tentamos fazer cócegas em alguém quando a pessoa está desprevenida, é muito possível que descubramos que elas têm cócegas, sim!.

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