Rouquidão: leve a sério esse sintoma e proteja a sua voz

No Brasil, estima-se que entre 10 e 16 milhões de pessoas sofram de problemas no trato vocal. Grande parte das complicações seriam evitadas se um dos principais sintomas fosse levado a sério: a rouquidão.

A maioria das pessoas não dá muita bola pra ela, mas a verdade é que a voz é um dos meios de interação mais poderosos que o indivíduo tem ao seu dispor. Até mesmo ao nascer, é o primeiro choro o que marca a chegada do bebê.
Com o passar do tempo, percebemos que a voz passa a ser relacionada com a personalidade, como uma marca registrada, que transmite muito além dos conteúdos, os sentimentos de quem fala.

Apesar da importância vital da emissão de sons na comunicação, é de estranhar que, na nossa sociedade, não seja um hábito dedicar alguns cuidados ao trato vocal – a estrutura que compreende desde os lábios até a laringe.
Mesmo entre os profissionais que necessitam da voz de forma essencial em seu trabalho – e que atualmente representam 25% da população brasileira – são poucos os que buscam orientações específicas e é comum que sintomas de problemas relacionados ao seu mau uso sejam completamente ignorados por seus portadores

Rouquidão que não passa

Entre esses sinais claros do organismo, indicando alterações no trato vocal, um dos mais importantes é a rouquidão. “Uma rouquidão que persiste por mais de 15 dias, sem modificação e sem melhora, precisa ser investigada imediatamente. O sintoma pode indicar tanto uma simples inflamação como uma lesão cancerígena na laringe.
E, quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maiores as chances de sucesso no tratamento”, alerta a otorrinolaringologista do Hospital Sírio-Libanês, Mônica Menon.

Além da rouquidão, existem outros bons motivos para procurar um especialista dessa área: tosse, sensação de garganta seca, dor ou dificuldade ao falar indicam mudanças no aparelho fonador e requerem a análise cuidadosa de um profissional.
Em consultório, além da conversa com o paciente, o médico poderá lançar mão de alguns exames que permitem verificar alterações funcionais na laringe ou nas pregas vocais, que possam estar comprometendo seu bom funcionamento.

Os testes mais comuns são a laringoscopia e a nasofibrolaringoscopia. Eles são um tipo de endoscopia feito a partir da introdução de um tubo no nariz ou na boca, que permite acompanhar em detalhes as estruturas que participam da produção da voz. “Os sintomas podem estar relacionados com diversas causas.
Um refluxo gastroesofágico, uma desordem endocrinológica, uma alergia ou mesmo uma inflamação ocasionada por uma gripe, por exemplo, podem estar causando modificações nessa estrutura”, diz a otorrinolaringologista.

Uma simples inflamação que não recebe o tratamento adequado poderá evoluir, aumentando a predisposição do indivíduo à formação de nódulos – os populares calos. Daí a importância de intervir o quanto antes.
Além dos tratamentos medicamentosos, com antialérgicos, anti-inflamatórios ou de outra natureza, dependendo da causa específica da rouquidão, é muito comum que os pacientes sejam encaminhados ao fonoaudiólogo.
“Como muitas pessoas sofrem complicações pelo mau uso da voz, não basta medicá-las durante a crise, é preciso oferecer uma possibilidade de reeducação.
Aí é que entra o acompanhamento de um fonoaudiólogo, que ensina como produzir os sons e a fala de forma adequada, conforme a atividade profissional e as necessidades de cada paciente”, explica Mônica.

Você sabia…

…que as pregas vocais, popularmente conhecidas como cordas, em nada se assemelham às cordas de um violão? As pregas são duas dobras formadas por músculo e mucosa, localizadas em posição horizontal na laringe, mais ou menos na altura da proeminência laríngea (também conhecida como pomo-de-adão)?

…que, para falar, emprestamos estruturas de outros aparelhos, como o respiratório e o digestório?

…que a velocidade com que as pregas vibram, para emitir os sons, é muito diferente nos homens e nas mulheres? Quanto mais rápido elas vibrarem, mais aguda sairá a voz. Ao falar a vogal “a” sustentada, por exemplo, as pregas vocais do homem vibram, em média, 113 vezes por segundo.
As das mulheres, no mesmo exercício, vibram 208 vezes por segundo.

…que, quando bebemos água, ela nem sequer passa pela laringe e pelas pregas vocais, mas pela faringe e pelo esôfago, tubos localizados atrás da laringe? Portanto, a hidratação do trato vocal acontece principalmente de maneira indireta, por meio da corrente sanguínea.

Todo cuidado é pouco

Mas tão importante quanto ficar atento aos sinais de que algo não vai bem é fazer a sua parte para prevenir os problemas relacionados ao trato vocal.
O processo natural de envelhecimento já produz, por si só, modificações importantes no tom de cada indivíduo, mulheres costumam falar mais grave com a passagem dos anos, enquanto nos homens tornam-se paulatinamente mais agudos.
Porém, é possível adiar essas alterações, garantindo uma voz limpa, clara, equilibrada e agradável por mais tempo.
O segredo é investir em pequenas mudanças de hábitos.

Use bem a voz: Quando falamos ou gritamos demais, a laringe se ressente. Se a agressão persiste, pode aparecer a rouquidão, consequência de inflamações. O problema pode evoluir, ainda, para a formação de nódulos. A saída é falar num tom moderado, respirando enquanto conversa, já que o ar é o combustível da voz.
Em ambientes ruidosos, numa casa noturna, por exemplo, afaste-se das caixas de som e fale olhando para a outra pessoa, possibilitando, assim, que ela leia seus lábios.
Aí você não precisará esforçar-se tanto para se fazer entender.
Nos momentos de estresse prolongado, também vale tomar cuidado com as suas reações.
Um simples grito irado pode ser o suficiente para provocar uma lesão nas pregas vocais.
“Tenho um paciente que, ao dar um urro durante um jogo de futebol no estádio, adquiriu um pólipo nas pregas vocais.
Agora, está passando por um tratamento de reabilitação”, conta a fonoaudióloga Camila Ribeiro Nascimento, professora da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp).

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Hidratação sempre: Leve com você, a tiracolo, uma garrafa com água mineral. E tome pequenos goles pelo menos a cada hora. O cuidado ajuda a manter a hidratação, fundamental para que não haja tanto atrito entre as pregas vocais. “A água também ajuda a diluir as secreções, que ficam mais fluidas.
Assim, a pessoa não pigarreia com tanta frequência”, esclarece Camila.
Colocar uma planta aquática sobre a mesa de trabalho, especialmente em locais onde o ar-condicionado é mantido ligado durante todo o dia, também ajuda a umidificar o ambiente, o que faz bem tanto para a voz quanto para o aparelho respiratório.

De olho na dieta: Alimentos muito condimentados e gordurosos, refrigerantes e bebidas ricas em cafeína podem prejudicar a voz. Então, é melhor não abusar. Consumir leite, derivados ou outros produtos que tenham esse ingrediente em sua composição, antes de um período em que a voz será muito solicitada, também não é aconselhável.
“Alguém que já comeu chocolate e escovou os dentes logo depois, certamente percebeu como o alimento tornou a saliva mais espessa.
Isso porque ele é rico em gordura, aumenta a quantidade de secreção e torna-se necessário deglutir mais vezes”, alerta Camila.
Já a maçã tem efeito contrário.
Funciona como um excelente adstringente, pois ajuda a limpar as cavidades de ressonância.
Além disso, por ser uma fruta dura, deixa a articulação mais solta e, assim, o som sairá com facilidade maior.
Ótima escolha para o lanche antes de uma palestra ou apresentação pública.

Longe da automedicação: Os especialistas são unânimes em afirmar que, para tratar problemas relacionados à voz, a pior solução é recorrer a sprays, balas e pastilhas com efeito anestésico. Eles funcionam bem para aliviar sintomas desagradáveis, mas são medidas paliativas e, a longo prazo, podem agravar o quadro.
Isso porque, com a diminuição da sensibilidade local, a tendência é forçarmos ainda mais a voz, sem perceber.
A dor, por outro lado, indica que algo está errado e nos faz mais prudentes.
Buscar o tratamento para a causa do problema é sempre o melhor remédio.

Uma boa noite de sono: A produção do som envolve um enorme gasto de energia. Por isso, sua qualidade também depende de um bom repouso. “Uma noite maldormida pode ocasionar uma rouquidão discreta, a voz se torna mais fraca durante todo o dia.
Também é comum que a dicção fique prejudicada”, avisa a fonoaudióloga Mara Behlau, diretora do Centro de Estudos da Voz e professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Mas, além do repouso corporal, é preciso investir no descanso do aparelho vocal, especialmente após muitas horas de uso continuado.
Falar baixo, pausadamente e usando frases curtas, é uma boa maneira de conservar a saúde do trato vocal.

Reduzir o consumo de álcool: As bebidas, especialmente as destiladas, irritam a voz. Além disso, provocam uma leve sensação de anestesia na faringe e, com a redução da sensibilidade, fica muito mais fácil abusar, falando alto, por exemplo.
“Há também uma forte relação entre o consumo excessivo de bebidas alcoólicas destiladas e o câncer de laringe e pulmão”, alerta Mara.

Evitar choque térmico: Embora não haja consenso entre os especialistas sobre os malefícios de tomar gelado – hábito muito comum em países tropicais, como o nosso -, eles concordam que é a mudança brusca de temperatura que pode comprometer a voz.
Isso significa tomar um copo de refrigerante – ou cerveja – estupidamente gelado num dia de sol a pino e logo depois de terminar uma partida de futebol, com o corpo ainda aquecido.
Pode até ser extremamente refrescante, mas se, depois disso, a voz sair meio falhada, não vá dizer que não avisamos.

Cigarro, um vilão e tanto

Ele é capaz de provocar alterações tão importantes que, mesmo ao telefone, é possível identificar a voz de um fumante pelas características que ela adquire ao longo do tempo. Mais grave e rouca, ela espelha uma agressão crônica e contínua a todo o aparelho vocal.
Desde a primeira tragada, a fumaça quente agride todo o sistema respiratório, principalmente as pregas vocais, causando irritação, pigarro, tosse, inchaço e aumento de secreções.
O mau hábito também deixa o indivíduo mais suscetível a inflamações e infecções locais.
Além de ressecar todo o aparelho fonador – o que colabora para aumentar o atrito entre as pregas vocais -, as substâncias nocivas contidas no cigarro e que vão se depositando nas mucosas que recobrem a laringe e as cordas vocais são capazes de predispor o indivíduo a diversos tipos de lesões malignas e benignas que requerem tratamentos clínicos mais sérios ou até mesmo intervenções cirúrgicas.
“O fumo é considerado um dos principais fatores desencadeantes do câncer de laringe e pulmão.
Algumas pesquisas apontam que o risco de indivíduos fumantes apresentarem câncer de laringe é 40 vezes maior em relação aos não-fumantes”, alerta a fonoaudióloga Mara Behlau.

O alerta da voz rouca

Transtorno vocal não deve ser negligenciado. Pode ser sinal de problemas tão graves quanto câncer de laringe. Que sussurre a primeira palavra quem jamais negligenciou a rouquidão.
Embora pareça inofensivo, o transtorno vocal pode ser sintoma tanto de inflamações passageiras quanto do uso impróprio da voz, de infecções graves, distúrbios emocionais, nódulos e até de tumores malignos.
Dados da Academia Brasileira de Laringologia e Voz revelam que as lesões vocais acometem até 30% da população brasileira, e que, mesmo diante de uma rouquidão persistente, muitas pessoas nem sequer imaginam que estejam com comprometimento nas pregas ou cordas vocais, como são conhecidas popularmente.

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A otorrinolaringologista Luciana Watanabe explica que a rouquidão é uma manifestação caracterizada pela falha ou mudança na voz causada por males que afetam a região da laringe. As causas mais comuns do transtorno são as inflamações agudas e oportunistas nesse órgão, que desempenha funções de aparelho fonador e respiratório.
No entanto, em casos mais graves, a disfonia pode ser provocada por pólipos – lesão inflamatória benigna formada também por traumatismo fonatório, calos, nódulos ou mesmo carcinomas.
“A rouquidão jamais deve ser negligenciada.
Uma simples alteração na voz pode ser o estágio inicial de um problema maior, como o câncer de laringe, que, se diagnosticado e tratado precocemente, tem chances altíssimas de cura.
Já em estágio avançado, a possibilidade de remissão desse câncer fica reduzida”, observa.

Quando é provocada por gripes, resfriados e laringites, a rouquidão pode ser tratada com remédios. Em caso de nódulos, que costumam acometer pessoas que usam muito a voz, como professores, cantores e atores, o problema é remediado com a fonoterapia, tratamento feito com fonoaudiólogos.
Já com o pólipo, que não desaparece com repouso ou exercícios específicos, é preciso intervenção cirúrgica para grande parte dos casos.
“É um dano comum, que muitas pessoas têm e não sabem.
Felizmente, a maioria das lesões é benigna.
Mas, quando não cuidadas, podem evoluir para patologias mais complicadas”, alerta Luciana.

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Fatores de risco

Entre os fatores que contribuem para o aparecimento de doenças na laringe, estão o cigarro, o uso e a impostação inadequada da voz, o álcool, as alergias respiratórias, as doenças cardíacas, o refluxo e o próprio clima seco de Brasília. Quando a rouquidão persiste por mais de 10 dias, é importante procurar um otorrinolaringologista.
“Para confirmar a existência de lesões, é realizada a videolaringoscopia, exame feito em centro cirúrgico com anestesia geral, devido ao incômodo tubo que é passado pela cavidade oral do paciente para avaliação da laringe.
No caso do pólipo, o diagnóstico e a retirada podem ocorrer simultaneamente”, detalha.
O procedimento dispensa cortes externos, e o pós-peratório é praticamente indolor, com um pequeno desconforto na área da garganta.
Durante sete dias, o paciente não pode falar, mas se alimenta normalmente.
“Como existe um amplo leque de fatores causais para a rouquidão, é fundamental o diagnóstico preciso e ágil”, reforça a otorrinolaringologista.

A agilidade a que se refere a médica provavelmente salvou a vida do corretor de seguros Ciro Goulart, 64 anos, diagnosticado com câncer de laringe há pouco mais de um ano. A rouquidão chegou gradativamente, sem dor ou qualquer outro sintoma, a não ser o transtorno na voz, sempre usada como um instrumento de trabalho por ele.
“Negligenciei a rouquidão.
Ela me afetou por três meses antes que eu tomasse a iniciativa de procurar um especialista.
A minha sorte é que o carcinoma ainda estava no começo quando recebi o diagnóstico.
Parei de fumar há 10 anos, mas os danos provocados pelo cigarro, associados ao uso incorreto da voz – não sou cantor, mas sou muito falante e falava alto -, apresentaram a fatura do descuido”, lamenta Ciro.

Para se livrar do carcinoma na laringe, o corretor enfrentou 40 sessões de radioterapia. Em maio passado, depois de uma nova videolaringoscopia, os médicos confirmaram que o câncer estava vencido. “Venho fazendo constantes revisões.
Restou uma secreção, natural de quem recebe radioterapia nessa região do corpo, mas vou resolver com fisioterapia”, garante.
A rouquidão ainda aparece quando Ciro fala muito.
“Também começo, em breve, terapia com um fonoaudiólogo para aprender usar a voz corretamente”, revela.

Rouquidão: leve a sério esse sintoma e proteja a sua voz

Verdades e mentiras sobre os cuidados com a voz

Colocar um balde de água no canto da sala. Essa prática não funciona. É indicada para quem fica em ambiente com ar-condicionado, mas é fora de propósito. O ar-condicionado prejudica a voz pelo fato de retirar a umidade do ambiente e, automaticamente, ressacar a pele como um todo, ressecar o corpo e a laringe.
Geralmente, quem fica por muito tempo num ambiente com ar-condicionado está sempre tossindo, pigarreando… Atitudes que fazem com que as pregas vocais entrem em um brusco atrito.
A única maneira de repor essa secura do ar é fazer a ingestão direta de água natural, a chamada hidratoterapia.
Terapia que consiste em ingerir 2 litros de água por dia, uma média de 8 a 10 copos.

Tomar uma dose de conhaque antes do discurso. Errado! O conhaque, bem como o gengibre e o própolis, tem a propriedade de anestesiar as pregas vocais. “Se você tomar uma dose de conhaque ou mastigar um pedaço de gengibre, terá, no momento, uma sensação de alívio.
É por isso que as pessoas dizem que tomam um gole de conhaque e falam melhor; essa sensação é real, mas é, também, circunstancial.
Se você passar de uma dose para duas, três, quatro doses terá cada vez mais a sensação de alívio”, explica Daniela Ruiz.
Mas, segundo ela, durante essa sensação de alívio, você perde a sensibilidade e passa a falar de maneira abusiva.
O mesmo procedimento acontece com as pastilhas e os sprays.

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Própolis e gengibre fazem bem à garganta? Se a pessoa está passando por um processo infeccioso, o própolis é indicado, desde que ela não vá falar. O própolis e o gengibre têm um efeito antibactericida, isso é comprovado. Só que, por outro lado, eles anestesiam a prega vocal. Eles têm o mesmo efeito do conhaque.

E as bebidas alcoólicas? Fazem muito mal? O álcool é a questão da anestesia. Em função dessa anestesia, você passa a abusar mais da voz, a falar mais alto, mais forte, porque você perde a sensibilidade. Isso é altamente prejudicial.

Chá e gargarejo de folha de romã fazem bem? A folha de romã não tem nenhuma comprovação científica, então não é indicada.

E o mel, é bom? O mel proporciona uma sensação de alívio. No caso das infecções é bastante indicado. E não tem a propriedade de anestesia. Não há contra-indicação, com exceção daqueles misturados com o própolis.

Fumar prejudica a voz? Basta dizer que o fumo é o principal causador do câncer de laringe.

Gargarejo com limão e vinagre funciona? Tanto o limão, quanto o vinagre, se usados a longo prazo, destroem a mucosa do caminho percorrido pela voz. Portanto, não devem ser usados.

Pastilhas, sprays, balas de hortelã e gengibre mantêm a voz saudável? Não. Esses recursos possuem, na maioria das vezes, efeito anestésico que apenas mascara a dor na garganta, dando sensação de falsa melhora. E podem irritar, prejudicando ainda mais o estado das mucosas. A viscosidade e a quantidade da saliva são alteradas.
Antes do uso da voz, é recomendável que o profissional coma maçã ou salsão, pois são adstringentes (deixam a saliva “fina”).

Alimentos e/ou bebidas geladas fazem mal? Alimentos e bebidas muito gelados podem ser nocivos, pois, em indivíduos predispostos, provocam choque térmico, causando uma descarga imediata de muco e edema das pregas vocais. Dessa forma, antes de deglutir sorvetes ou líquidos gelados, é conveniente mantê-los na boca por alguns segundos.

Água e sal: o único gargarejo indicado! O sal misturado à água se dilui e é a única substância que não destrói a mucosa do trato vocal (caminho percorrido pela voz), qualquer outra coisa destrói o trato vocal, a exemplo do vinagre e do limão.
Ambos, se usados a longo prazo, são capazes de destruir a mucosa e o epitélio do trato vocal.
“Quando eu falo trato vocal, estou me referindo ao caminho que vai da prega vocal até a boca”, explica a fonoaudióloga.

Como deve ser a alimentação do profissional da voz? A alimentação deve ser equilibrada e basicamente proteica para dar força e vigor ao tônus muscular. Alimentos pesados, muito condimentados e refrigerantes dificultam a digestão e a movimentação livre do diafragma.
Verduras e frutas bem mastigadas soltam a musculatura da mandíbula – deixando-a flexível e melhorando a dicção.
Antes de cantar, não se deve ingerir chocolate, leite e seus derivados, pois aumentam a formação de secreção, prejudicando a ressonância e produzindo pigarro.
Maçã, cenoura e morango ajudam a diminuir a secreção deixando a saliva menos espessa e facilitando a emissão e a ressonância.

Conheça o caminho percorrido pela voz

A voz é produzida pela prega vocal, de lá, sobe para a faringe e, da faringe, para a boca.
O que a gente come e bebe só não vai para a prega vocal, mas passa por todas as caixas de ressonância, que são como caixas de som, (nariz, boca, laringe, faringe), por exemplo, quando existe o predomínio da caixa de som do nariz, a voz fica de um jeito; quando há predomínio da caixa de som da boca, fica de outro.
É importante estar atento à produção de voz, porque, muitas vezes, as pessoas acabam ficando roucas, disfônicas pelo fato de não estarem atentas à produção de voz.

Dicas preciosas…

  • Segundo a fonoaudióloga Daniela Ruiz, outra coisa que deve ser evitada é a mudança brusca de temperatura, tanto do quente para frio, como do frio para o quente.
    “A prega vocal responde com uma reação de defesa.
    E qual é essa reação? Uma descarga da prega vocal de muco de secreção”, explica.
  • Comer uma maçã, limpa o trato vocal (caminho percorrido pela voz), ajuda combater a secura, além de ser adstringente e facilitar a articulação.
  • Alimentos cítricos, como laranja e limão são bons para eliminar secreções.
  • Leite e derivados devem ser evitados antes de falar em público, pois eles aumentam a secreção.
  • Chocolate é contra-indicado para quem usa muito a voz.
  • Em vez de tossir ou pigarrear, prefira engolir e tomar bastante água.
    A tosse e o pigarro são hábitos vocais que podem prejudicar a voz, uma vez que o atrito brusco que ocorre nas cordas vocais, cada vez que tossimos, pode provocar a longo prazo os chamados popularmente de calos vocais.

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Por isso, cuidar da alimentação e evitar alguns hábitos inadequados é imprescindível. Como já foi dito, os profissionais da voz estão sempre à procura de novas receitas para manter a saúde vocal. O problema é que, às vezes, essas receitas vêm de pessoas que têm a maior boa-vontade, mas não são especialistas no assunto.
Aí, uma quantidade enorme de mitos entra na lista do “gargarejo”.

“Há receitas totalmente fora de propósito, como por exemplo, fazer gargarejo com coca-cola esquentada no microondas e chá de pata de caranguejo!”, conta Daniela Ruiz, fonoaudióloga especialista em voz .

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