Cálculo Renal – prevenção, causas e sintomas

Entenda como se formam as pedras nos rins e o que você deve comer e fazer para jamais sofrer desse mal. Também conhecido como pedra nos rins, o cálculo renal provoca uma das dores mais insuportáveis de que se tem notícia. O alívio e a prevenção, porém, não necessariamente estão na farmácia.
Elas são milimétricas e quando decidem sair de onde estão são capazes de fazer até o mais forte dos machões chorar.
Nessas horas de dor intensa, funciona quase como um consolo saber que o remédio para prevenir as dolorosas pedras nos rins não estão na farmácia.
Legumes, verduras escuras, frutas, cereais integrais, muita água pouco, sal e moderação no consumo de carne, não só evitam a formação das pedrinhas, como ainda podem dar aquele alívio tão necessário para quem sofre desse mal.

Conhecida como cálculo renal ou litíase urinária, as pedras nos rins são na verdade pequenos cristais que entopem as vias urinárias provocando muita dor na região lombar e até sangue no xixi.
E não necessariamente ela estão localizadas nos rins – podem se formar em qualquer parte do sistema urinário, ficarem estacionadas no local de formação ou se movimentarem até saírem sem dó pela urina.
“As pedras nos rins são uma solidificação ao longo da via urinária durante o processo de formação da urina”, simplifica o nefrologista Dr.
Oscar Pavão, do Hospital Albert Einstein, de São Paulo.
Normalmente com menos de 1 cm de diâmetro, elas podem aparecer sozinhas ou em grupo.
“Existem três questões relacionadas ao aparecimento das pedras nos rins: hábitos alimentares, genética e infecções urinárias”, aponto Dr.
Américo Cuvelo Neto, nefrologista do Hospital Alemão Osvaldo Cruz, também na capital paulista.

Responsável por 50% dos casos, o histórico familiar talvez seja a causa mais cruel na formação das pedras, pois a pessoa tem a certeza de que uma hora ou outra terá que passar por esse episódio. “Meus pais tem pedras nos rins, então sei que é algo que sempre vou ter”, lamenta o publicitário Cássio Narciso.
Aos 32 anos, ele já passou por quatro crises fortes devido ao cálculo renal.
“A dor que senti é a dor da morte”, recorda sobre a primeira crise que teve em 2001.
“É uma dor que começa na lombar e vai crescendo muito rápido.
Quando cheguei ao hospital, levado por um amigo, eu estava literalmente chorando.
Sentia um mal-estar enorme, suava muito, comecei a ter dor de barriga e até vontade de vomitar”, relata.

Como os rins funcionam

Esses órgãos são se suprema importância para que os demais sistemas do organismo humano realizem suas funções corretamente. Representam a força motriz do sistema urinário, que por sua vez é caracterizado com um dos sistemas excretores do ser humano, juntamente como o fígado, os pulmões, a pele, e etc.
O sangue chega ao rim através da artéria renal, que se ramifica muito no interior do órgão, originando grande número de arteríolas aferentes, onde cada uma ramifica-se no interior da cápsula de Bowman do néfron, formando um enovelado de capilares denominado glomérulo de Malpighi.
A função vital do rins é o de eliminar as substâncias tóxicas do organismo, uma vez que todos os líquidos corporais passam pelo sistema renais, mas também são exercidos outros trabalhos muito importantes, como a manutenção do equilíbrio das quantidade de sal e água no corpo, e produzem a renina, um tipo de enzima capaz de estimular a secreção do hormônio responsável pela elevação da pressão arterial quando a mesma chega a cair.

Os rins funcionam da seguinte forma:

O sangue entra nos rins através das artérias renais, logo passa para os milhões de nefrônios dispostos nos dois rins, como tipo de filtros minúsculos. Nesse momento os sangue é filtrado, os rins portanto retiram todas as impurezas, como o excesso de água e os produtos tóxicos que se formam no organismo.
Já limpo, o sangue regressa à corrente sanguínea através das mesmas veias renais.

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Dor de parto

As pedras nos rins podem ser silenciosas, assintomáticas, mas na maioria das vezes não é assim. Quem já teve, diz que a dor provocada por elas é pior do que a de um parto. Outros, segundo o nefrologista Dr. Daniel Rinaldi, a comparam com a dor provocada por uma fratura no osso.
Além da forte dor na região lombar, os sintomas mais comuns são:

  • Urina com sangue
  • Náuseas
  • Vômitos
  • Suor excessivo
  • Sensação de mal estar
  • Aumento da vontade de urinar
  • Barriga inchada

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As pedras

Por melhor que um filtro seja, quando a água tem resíduos demais, dificilmente ele dará conta do recado. Em excesso, a sujeira poderá entupir a saída da água e prejudicar todo o funcionamento do filtro – lógica que também serve para o sistema urinário.
“É ao longo do trato urinário, formado por um conjunto de órgãos, como rins e bexiga, que ocorre a filtragem do líquido presente em nosso organismo.
As substâncias e nutriente são absorvidos pelo corpo, enquanto as impurezas são eliminadas pela urina”, detalha Dr.
Oscar.
O problema surge quando a pessoa não bebe água suficiente ou começa a abusar do sal e das carnes – que durante a digestão produzem uma substância chamada ácido úrico.
Segundo os especialistas, as pedras se formam porque o xixi contém cristais demais, principalmente dos tais ácido úrico e de cálcio, que podem se agregar ao longo do percurso dos rins até a uretra, por onde é eliminado.
“Quando a quantidade de água na urina não é suficiente para dissolver todos os sais presentes na mesma, estes sais retornam à sua forma sólida e se precipitam nas vias urinárias.
Os sais precipitados na urina tendem a se aglomerar, formando as pedras com o passar do tempo.
E isso ocorre basicamente por dois motivos: falta de água para diluí-los ou excessos de sais para serem diluídos”, esclarece o Dr.
Daniel Rinaldi, presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia.

Em outros casos, as pedrinhas se formam porque o organismo não produz citrato suficiente. “O citrato é uma substância que solubiliza a urina. Se o indivíduo tem diminuição dessa substância, acontece mais precipitação dos cristais que formam o cálculo.
Existem alguns alimentos que podem ajudar nesses casos, como as frutas cítricas, que possuem e são muito benéficas”, comenta Dr.
Américo.
Na ocorrência de cólica renal, quando a presença das pedras gera dor, o tratamento é a utilização de analgésicos, anti-inflamatórios e antiespasmódicos que irão aliviar o sofrimento.
De resto, é esperar para ver se as pedras saem naturalmente pelo xixi – o que pode levar semanas.
“Quando estão associadas à obstrução do trato urinário, infecção urinária e quadro doloroso não responsivo, as pedras devem ser retiradas por via endoscópica, quebra por ondas de choque ou cirurgia”, informa Dr.
Daniel.

Um procedimento cirúrgico, porém não foi necessário para o publicitário Cássio. “Quando tive minha primeira crise, a pedra demorou dois dias para sair. Ouvi um barulhinho de algo caindo no vaso sanitário quando fui fazer xixi e senti muita dor”.

Cálcio na medida

Apesar de mais da metade dos cálculos renais serem formados por cristais de cálcio, esse mineral não deve ser excluído da alimentação. “Se a pessoa já está perdendo cálcio na urina e não o repõe com a dieta, o seu organismo vai buscar o cálcio que precisa nos ossos, podendo levar à osteoporose precoce”, ressalta Dr. Daniel Rinaldi.
A perda de cálcio pode ocorrer, por exemplo, quando há excesso no consumo de sal, que impede a absorção do mineral, fazendo com que ele vai parar no xixi.
Ou quando a pessoa suplementa o cálcio por conta própria – lembre-se que o organismo elimina os excessos pela urina.

A nutricionista Mirela Douradinho Fernandes. da Naturalis, explica que cálcio na medida certa, entre 800 e 1.000 mg diários, e proveniente da alimetação pode ter um efeito protetor sobre o cálculo renal porque é capaz de absorver uma substância chamada oxalato – ingrediente principal para a formação de algumas pedras.
“O cálcio dietético liga-se ao oxalato no intestino, formando um composto solúvel que é excretado, reduzindo desse modo a formação de cálculos de oxalato de cálcio”.

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Boas fontes vegetais de cálcio são as verduras verdes-escuras, como couve, agrião, rúcula, escarola e mostarda. Para você ter uma ideia, uma xícara de couve cozida tem 145 mg de cálcio e duas xícaras de rúculas crua, 160 mg. Outras opções são os leites de soja fortificados.
“É importante fazer o diagnóstico metabólico e identificar o motivo da formação de cálculos, por isso interfere diretamente na abordagem do tratamento”, Explica Dr.
Oscar Pavão.

Cardápio renal

Não é a toa que nessa história de dor latejante e pedras impiedosas, o alívio venha também na forma de vegetais – já que a carne aparece como excelente produtora de ácido úrico (leia um pouco mais sobre ele logo abaixo). “Sempre que como uma feijoada, por exemplo, sei que vou ficar mal dos rins depois.
Não chego a ter uma crise como daquelas que me fazem chorar, mas o rim me faz lembrar que ele existe, conta Cássio que admite que não deveria comer carne todos os dias,como costuma fazer.

De acordo com a nutricionista Mirela, além do cálcio, os vegetais verdes-escuros contém citrato – aquela substância diluidora dos sais que inibe a formação de cristais no xixi – e potássio. Baixa ingestão de potássio é fator de risco para cálculo renal.
Por isso, aumente o consumo de hortaliças, frutas e sucos naturais, como os de melão e melancia, por serem rico no mineral”, ensina a nutricionista.
Recorde-se de que o citrato também pode ser encontrado nas frutas cítricas,como laranja e limão.
“alimentos ditos perigosos pelos leigos, como tomate e abacaxi, é pura fantasia”, ressalta Dr.
Oscar.

Outra substância que segundo Mirela funciona como diluidora dos sais, inibindo a formação dos cristais, são os fitatos presentes nos cereais integrais, leguminosas e oleaginosas. Todos esses alimentos, com a ajuda da água, podem prevenir a formação das pedras e ainda manter o organismo desintoxicado.
“Um organismo desintoxicado excreta melhor as toxinas, que podem ser excesso de substâncias ou até de nutrientes”, lembra a nutricionista.
Para promover essa desintoxicação, uma alimentação balanceada  e o consumo de alimentos frescos e naturais, que também tem potencial antioxidante, a prática de atividade física e a ingestão diária de água são essenciais.
“Além da manutenção do peso corporal adequado, pois novos estudos tem sugerido que o excesso de peso pode resultar em aumento da excreção urinária de cálcio, oxalato e ácido úrico, sendo associado como fator de risco para as pedras nos rins”.

Mas não adianta nada optar pelos alimentos certos e condimentá-los de maneira errada. Junto com as carnes, o sal é definitivamente o alimento mais perigoso para a formação dos cálculos renais – imagine você o estrago que os churrascos não fazem aos rins. E ele está escondido em todos os alimentos.
“Só o leite de vaca contém 15 vezes mais sal que o leite materno”, revela o nefrologista Anuar Michel Matni.
“Quem tem um componente genético para a hipertensão e não evita o sal terá problemas.
Assim como o renal crônico, que precisa tirar totalmente o sal de sua dieta.
O sal definitivamente é um vilão para a saúde humana”, ressalta.
O ideal seria consumir no máximo 5 g de sal por dia.
Porém, segundo o Ministério da Saúde, os brasileiros chegam a ingerir 12 g diárias – mais do dobro recomendado pela Organização Mundial de Saúde e que , segundo aos especialistas, se deve ao maior consumo de alimentos industrializados.
Entenda: sal é o mesmo que sódio ou cloreto de sódio.
Por isso, da próxima vez dê uma olhada no rótulo nutricional de algum alimento pronto que for compra para saber a quantidade de sal que tem ali.
Talvez você se surpreenda.
“Minha sugestão é sempre a mesma: não leve o saleiro à mesa, opte por moderar o consumo de alimentos condimentados e embutidos, e cozinhe com a menor quantidade de sal que o seu paladar aprove”, recomendo Dr.
Oscar Pavão.
Outra dica para diminuir o uso do sal no preparo das receitas é condimentar os pratos com ervas, como tomilho, orégano, sálvia, alecrim, manjericão….

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Ácido úrico

O ácido úrico é o resultado da quebra de um tipo de proteína, presente principalmente nas carnes vermelha, frutos do mar, sardinha ,salmão e feijão.
Depois de produzido, o ácido úrico deve ser eliminado pelos rins, mas pode se acumular quando a produção é muito alta, quando a eliminação pela urina não é suficiente ou pela interferência de certos medicamentos, como os diuréticos.
Em excesso, pode se depositar em qualquer parte do corpo, desde os rins até as articulações, formando os cristais de ácido úrico que causam dor.
Quando ele se deposita nas articulações ocorre uma doença chamada gota.

Água, água, água

Ela não só hidrata, como ainda ajuda a eliminar as impurezas do organismo

Preste atenção na cor de seu xixi – quanto mais claro ele estiver, mais limpo e livre de toxinas seu corpo estará. Tão óbvio quanto dois mais dois são quatro, xixi clarinho se consegue bebendo muito liquido. “Esse é o melhor tratamento.
Urinar uma quantidade menor do que 20 ml/kg/dia (1 litro para quem pesa 50 kg ou 1,5 litro para alguém de 75 kg, por exemplo), é de alto risco.
Ingerir muito líquido é fundamental para prevenir cálculo renal”, diz Dr.
Oscar.
Segundo ele, quem tem pedra nos rins ou histórico familiar do problema, deve fazer de 30 a 40 ml de xixi a cada quilo corporal por dia.
Isso significa que uma pessoa de 75 kg, deve fazer 3 litros de xixi por dia.
Mas como na prática ninguém vai guardar xixi para saber quantos litros foram produzidos num dia, o principal sinal de ingestão correta de líquidos é a cor da urina.
E não vale beber um monte de refrigerante, álcool, chá mate e chá preto, pois todas essas bebidas promovem desequilíbrios internos que facilitarão o surgimento das pedras nos rins.
O negócio mesmo é água.

“Quem tem pedra nos rins sempre terá que tomar ao menos 2 litros de água por dia, se possível mais que isso. Para quem não sofre do problema, ingerir a mesma quantidade é uma forma de prevenir”, ensina Dr. Américo.
Uma dica interessante é analisar quantas vezes você faz xixi num período de 6 horas – o ideal nesse espaço de tempo é urinar de uma a duas vezes.
Essa é uma forma prática de perceber se sua ingestão de líquidos está na medida”.

Quanto às bebidas isotônicas (ricas em sais minerais), como o Gatorade, não faça uso delas se você não for um atleta profissional que precisa repor os sais minerais perdidos com a transpiração. Se o seu esporte não é extenuante, o ideal após o exercício físico continua sendo a água.

Serviço sujo

Considerados filtros humanos, por excretarem as impurezas do organismo, os rins servem para:

  • controlar os fluidos corporais;
  • Equilibrar o PH;
  • Ajudar a controlar a pressão arterial;
  • Produzir hormônios;
  • Auxiliar na manutenção da saúde dos ossos;
  • ajudar na produção de glóbulos vermelhos.

O que já se sabe

Pacientes com pedras nos rins correm mais riscos de desenvolver problemas cardíacos, pois o acúmulo de cristais nos rins podem causar lesões nas artérias. Portanto, é quase certo que uma alimentação balanceada, com ingestão de cálcio, de sal e de água na medida certa, acabam funcionando como uma fórmula antidolorífica barata e gostosa.

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