Câncer de colo do útero: diagnóstico, sintomas e tratamento

O câncer de colo do útero é o segundo tumor mais frequente na população feminina, atrás apenas do câncer de mama, e a quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa para 2014 é de 15.590 casos. Em 2009, cerca de 5 mil mulheres morreram com este câncer.

O que é câncer de colo do útero

É um tumor que se desenvolve a partir de lesões que se iniciam no colo do útero, em sua maioria, ocasionado pela infecção pelo HPV (papilomavírus humano).
Se as lesões pré-cancerosas se transformam em tumores malignos e adentram mais no colo uterino ou em áreas vizinhas, estas lesões passam a ser caracterizadas como câncer do colo uterino ou câncer cervical.

Sintomas do câncer de colo do útero

O câncer de colo do útero é uma doença, geralmente, com desenvolvimento lento, que pode vir sem sintomas em suas fases iniciais. Em casos mais avançados, pode evoluir para quadros de sangramento vaginal intermitente ou após a relação sexual, secreção vaginal anormal e dor abdominal associada a queixas urinárias ou intestinais.

Diagnóstico

Mulheres diagnosticadas precocemente, e tratadas adequadamente, têm alta probabilidade de cura. Na fase pré-clínica, quando a doença é ainda assintomática, a detecção de lesões pode ser feita por meio do exame de células descamadas do útero e da vagina, e de células obtidas por raspagem delicada do colo (Papanicolau).
Na evolução da doença, podem aparecer sintomas como sangramento vaginal, corrimento e dor.
Nas fases clínicas iniciais, o exame colposcópico tem a função de delinear os limites da extensão da doença no colo e na vagina, enquanto uma biópsia dirigida tem a função de confirmar o diagnóstico.

Nas pacientes com diagnóstico confirmado de câncer de colo do útero, pode ser necessária a realização de exames complementares que ajudam a avaliar a extensão da doença. A correta determinação do seu estágio é primordial para um planejamento perfeito do tratamento.

Tratamento para o câncer do colo do útero

A escolha do tipo de tratamento depende da extensão da doença. As formas localizadas iniciais podem ser tratadas com laser, conização (remoção de fragmento de tecido em forma de cone do colo do útero que inclui toda área lesada) e crioterapia (inativação do tecido doente pelo resfriamento com nitrogênio líquido).
Bem como, cirurgia, radioterapia e quimioterapia ou, mais comumente, uma combinação destes três últimos tratamentos.
A melhor escolha pode depender de muitos fatores, tais como: idade, extensão da doença, envolvimento de linfonodos próximos à área lesada, desejo de manter a fertilidade e características da atividade sexual da mulher.
O tratamento quimioterápico isolado pode ser indicado às pacientes que apresentam estágios mais avançados da doença.

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Prevenção

O exame preventivo do câncer do colo do útero (Papanicolau) é a principal estratégia para detectar lesões precursoras e fazer o diagnóstico da doença precocemente. É fundamental que o médico oriente sobre a importância do exame preventivo, pois sua realização periódica permite reduzir drasticamente a mortalidade por câncer do colo do útero.

As vacinas contra o HPV protegem contra os subtipos de vírus mais comumente relacionados com o câncer de colo uterino. A vacinação não reduz a necessidade de realização do exame Papanicolau, uma vez que não representa uma proteção absoluta.

Fatores de risco

Além de aspectos relacionados à própria infecção pelo HPV (subtipo, carga viral, infecção única ou múltipla), outros fatores ligados à imunidade, à genética e ao comportamento sexual parecem influenciar os mecanismos ainda não totalmente esclarecidos que determinam a regressão ou a persistência da infecção e também a progressão das lesões precursoras para tumores.
Desta forma, o tabagismo, a iniciação sexual precoce, a multiplicidade de parceiros sexuais são considerados fatores de risco para o desenvolvimento de câncer de colo do útero.

Vacina para Câncer de colo de útero

Vacina já foi testada em humanos. A nova fórmula também deve evitar cerca de 90% dos casos de câncer de colo do útero.

A vacina ministrada atualmente na rede pública de saúde brasileira contra o papilomavírus humano (HPV) é chamada de quadrivalente por proteger contra quatro subtipos do vírus: 6, 11, 16 e 18. Juntos, eles são os responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer de colo do útero e 90% das verrugas genitais.

Vacina para Câncer de colo de útero

No entanto, o HPV conta com pelo menos 13 variantes consideradas oncogênicos, isto é, com grande potencial para causar câncer.
Na busca por uma proteção mais completa, pesquisadores de 33 países colaboram no desenvolvimento de outro tipo de imunização, chamada de multivalente.
A nova fórmula, que acaba de passar pelo terceiro teste clínico (em humanos), protege também contra cinco subtipos virais que, apesar de raros, são considerados de alto risco para o desenvolvimento de tumores malignos.

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O que é Câncer de colo do útero

Na vacina multivalente são adicionados imunizantes contra os subtipos 31, 33, 45, 52 e 58. Incluídos na categoria de alto risco, eles têm probabilidade maior de persistir e são associados a lesões pré-cancerígenas.
O perigo foi confirmado em pesquisa realizada por especialistas da Universidade de Viena (Áustria) e publicada na revista da Associação Americana de Pesquisa em Câncer, a Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention.
No estudo, a equipe de Elmar Joura analisou a atribuição de lesões cancerígenas a 12 genótipos do HPV para a infecção e a doença cervical.
Os nove subtipos incluídos na vacina foram percebidos como causa da maioria dos pré-cânceres cervicais.

O objetivo dos pesquisadores era estudar quantas lesões desse tipo poderiam ser prevenidas por uma investigação de vacina multivalente contra o HPV. Cerca de 12 mil mulheres imunizadas com a quadrivalente foram acompanhadas, sendo que 2.
507 delas receberam, anos depois, o diagnóstico de um de três graus de neoplasia intraepitelial cervical (NIC) ou de adenocarcinoma in situ (AIS) – todas lesões pré-cancerígenas.

A partir desses dados, os cientistas buscaram estimar o número de pré-cânceres que podem ter tido como causa os cinco subtipos de HPV não contidos na vacina quadrivalente.
Verificou-se que eles estavam em 55% das NIC de grau 1, 78% das NIC de grau 2, 91% das NIC de grau 3 e quase 100% das lesões AIS.

A equipe descobriu ainda que, das mulheres com idades entre 15 e 26 anos que tiveram pré-cânceres, 54% apresentaram uma só infecção por HPV, e 32% estavam infectadas com mais de um tipo do micro-organismo. Daquelas entre 24 e 45 anos com pré-cânceres, 59% estavam com um tipo e 19% com mais de um.

Joura acredita que, apesar do perfil de segurança das vacinas atuais contra o HPV, é preciso melhorar a proteção.
“Para alcançar o potencial em nível populacional da vacina contra o HPV e reduzir o câncer, a eficácia deve aumentar.

Os subtipos 16 e 18 são responsáveis por aproximadamente 70% dos casos de câncer de colo do útero. O primeiro deles é a causa mais comum e responde por cerca de metade dos casos em todas as regiões do mundo, inclusive no Brasil.
Já o 6 e o 11 provocam aproximadamente 90% das verrugas genitais (uma das doenças sexualmente transmissíveis mais notificadas no mundo) e cerca de 10% das lesões de baixo grau de agressividade do colo do útero.
Com a adição dos imunizantes para outros cinco micro-organismos, a proteção contra o câncer de colo do útero alcança quase 90%.

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“Cerca de 85% ou mais das lesões pré-cancerígenas de colo do útero foram atribuídas aos nove subtipos cobertos pela vacina. Portanto, se os programas de vacinação multivalente forem efetivamente implementados, a maioria dessas lesões poderá ser evitada”, garantiu Joura. A possibilidade de uma proteção ainda maior que 85% se deve à proteção cruzada.
Essa propriedade consiste na capacidade de uma vacina de imunizar o indivíduo contra outros subtipos de vírus que não são o principal foco da aplicação, isto é, mesmo sendo preparada para proteger contra alguns determinados vírus, a vacina conseguiria agir, mesmo com menor força, sobre outros patógenos.

Para breve

O chefe do Centro de Pesquisa Clínica Projeto HPV, do Hospital Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina, Edson Fedrizzi, participa da pesquisa que confirma a eficácia da vacina multivalente em 33 países.
“A vantagem é que incluiremos outros cinco tipos de HPV, o que representa mais 20% de proteção”, diz Fedrizzi, membro da Comissão de Vacinas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

Segundo ele, a vacina multivalente, assim como as demais, poderá ser usada por homens e mulheres que já tiveram contato com os vírus, foram infectados ou apresentam lesões. Isso porque uma pessoa que teve a infecção e produziu anticorpos para combatê-la não está protegida de novas infecções.

Os anticorpos que o organismo produz naturalmente são diferentes do que a vacina é capaz de estimular.
“Os anticorpos originados pela vacina previnem que os vírus já presentes infectem novas células.
Então, mesmo a mulher que tem a doença ou uma lesão vai se beneficiar porque evita que outras células se contaminem.

Ainda mais proteção

“Hoje, temos uma vacina muito boa, que protege contra quatro subtipos do vírus. Mas, com certeza, ter uma vacina que atinge nove subtipos do HPV é ainda melhor. Isso é inegável, pois aumenta em mais de 20% a proteção aos indivíduos, saindo de 70% para quase 90% de imunização.
Os cinco HPVs acrescidos são mais raros, mas com potencial letal significativo. É importante também reforçar a segurança da vacina que temos hoje, sem qualquer efeito colateral mais grave. Esse deve ser o padrão das novas estratégias ainda mais potentes que devem surgir nos próximos anos.

 

Para saber mais, assista ao vídeo abaixo:

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