Anestesias no parto – como funcionam e como é a cesárea

Tipos de anestesia: peridural e raquidiana. Médico e paciente devem discutir juntos os diversos tipos e indicações de analgesia. Quais as vantagens e desvantagens da anestesia escolhida? Mitos e verdades…

Desde a confirmação da gravidez, diversas são as dúvidas das futuras mamães, especialmente as de primeira viagem. Algumas delas, no entanto, podem ser facilmente resolvidas com uma boa conversa com um especialista. É o caso da anestesia para o parto.
Várias são as técnicas e indicações, e ninguém melhor do que o médico anestesiologista para explicar às gestantes como funciona todo o processo de analgesia, e quais as indicações para cada caso.

As anestesia regionais, entre as quais se destacam os bloqueios neuroaxiais (peridural, raquianestesia e combinada raqui-peridural) são as mais utilizadas, explica o dr.
Carlos Othon Bastos, membro da Comissão Científica da Sociedade de Anestesiologia do Estado de São Paulo (SAESP) e ex-presidente do Comitê de Anestesia em Obstetrícia da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA).
Aplicadas adequadamente, são capazes de abolir completamente a dor de qualquer fase evolutiva do trabalho de parto, inclusive no parto normal.

“O parto normal, com a utilização de técnicas adequadas de analgesia espinhal, apresenta inúmeras vantagens para o binômio materno-fetal”, afirma dr. Carlos. Além disso, explica ele, a anestesia diminui a sobrecarga cardiorrespiratória materna, que pode se tornar bastante intensa na progressão do trabalho de parto.
“Ao aplicar a anestesia, reduzimos a liberação de catecolaminas e outros hormônios e substâncias ligadas ao estresse e à dor, o que repercute de forma positiva sobre o concepto contribuindo para a manutenção de adequado fluxo sanguíneo útero-placentário”.

Os avanços da anestesia

Um recente marco na anestesiologia foram os diversos estudos favoráveis e consequente proliferação do uso de opióides espinhais na década de 90, permitindo a redução significativa da concentração e da dose de anestésicos.
“Estes fármacos possibilitam a abolição da dor, porém mantêm o tônus motor e o equilíbrio necessários para um bom andamento do parto”, explica o anestesiologista.

Mitos e verdades

Muitos são os mitos que envolvem a ideia que os pacientes têm sobre os riscos de complicações que da anestesia. A realidade é que complicações fatais em anestesia acontecem na ordem de um em cada 200 mil procedimentos.
Ou seja, é possível que um anestesiologista atue durante décadas em sua profissão, realize cerca de 20 a 30 mil procedimentos e não presencie nenhuma complicação grave decorrente de anestesia.

Entre as complicações relacionadas à anestesia, cerca de dois terços são respiratórias e estão associadas a problemas de ventilação e acesso às vias aéreas. O restante acontece principalmente nos sistemas cardiovascular e neurológico. “O anestesista deve ter uma atenção especial quanto à manipulação e ao manuseio do sistema respiratório.
Precisa verificar, no momento da consulta pré-operatória sobre, eventuais doenças crônicas do sistema respiratório, para calcular o risco de dificuldade respiratória durante a cirurgia”, explica dr.
Oscar Cesar Pires, doutor em Anestesiologia, Mestre em Farmacologia, professor da Universidade de Taubaté, diretor de Defesa Profissional da SAESP e Diretor Cinetífico da Sociedade Brasileira de Anestesiologia – SBA.

  • Um equívoco bastante comum é achar que a anestesia pode prejudicar a dilatação do colo do útero durante o trabalho de parto.
    “Se realizada de forma adequada, com fármacos em quantidades e concentrações ideais, a anestesia regional interfere de forma mínima e, às vezes, até mesmo benéfica na evolução da dilatação do colo uterino.
    Assim, causamos diminuição insignificante da força motora, mantendo a capacidade da parturiente de atuar de forma ativa para o nascimento do concepto através dos esforços expulsivos”, pondera dr.
    Carlos.
  • “Uma preocupação bastante frequente dos pacientes às vésperas de uma cirurgia é o choque anafilático”, lembra dr.
    Oscar.
    Choque anafilático é uma reação alérgica grave, mas que pode ser revertida caso o centro cirúrgico esteja corretamente equipado.
    Além disso, o risco do choque acontecer é mínimo.
    “Em mais de vinte anos de profissão, eu nunca presenciei um caso”, exemplifica.
    As alergias a medicamentos da anestesia também geram muitas dúvidas.
    O especialista explica que os medicamentos atuais são muito seguros e é muito baixa a incidência de alergias e complicações graves com esses medicamentos.
  • Não há um exame que determine se o paciente tem alergia ao medicamento anestésico, só existem cuidados diferenciados para pacientes que têm alergias a borracha ou látex, por isso é importante que o paciente seja o mais transparente possível na pré-consulta.
  • “Existe uma crença de que anestesia geral é muito mais perigosa”, revela dr.
    Oscar.
    No entanto, o índice de risco de todos os tipos de anestesia, seja ela regional (subaracnoidea ou raque e peridural), bloqueios de nervos periféricos ou geral, apresentam pequenas diferenças na incidência de complicações entre si.
  • É mito dizer que o choque anafilático tem grandes chances de ocorrer.
    Esta reação tem um risco mínimo.
    Caso aconteça, o choque anafilático, uma reação alérgica grave,  pode ser revertido no centro cirúrgico.
  • É um mito imaginar que os medicamentos anestésicos são perigosos.
    Os atuais medicamentos são muito seguros e apresentam uma baixa incidência de alergias e complicações graves.
  • É verdade que o anestesista deve ter uma atenção redobrada quanto à manipulação do sistema respiratório do paciente.
    O médico precisa verificar na consulta pré-operatória a existência de possíveis doenças crônicas do sistema respiratório para calcular o risco de dificuldade respiratória durante a cirurgia.
  • É verdade que a consulta pré-operatória realizada pelo anestesiologista deve acontecer uma semana antes da cirurgia.
    Este exame clínico geral é fundamental para o sucesso da operação.
  • É verdade que existem alguns medicamentos que podem interagir com os anestésicos no momento da cirurgia.
    Por isso, os pacientes devem relatar ao médico todos os remédios que estão tomando.
  • É verdade que na consulta pré-operatória o médico deve passar informações sobre o jejum pré-operatório para o paciente.
  • É mito também acreditar que existe um exame que determine se o paciente tem alergia ao medicamento anestésico.
    Só é possível prever reações em pacientes que já tenham alergias a borracha ou látex.
  • É um mito achar que a anestesia geral é perigosa.
    Na prática, o risco é o mesmo para todos os tipos de anestesia, seja ela subaracnóidea, raque, peridural, de bloqueios de nervos periféricos ou geral.

Prevenção de riscos

Apesar dos benefícios da peridural, há algumas contra-indicações. Mulheres que apresentem distúrbios adquiridos ou congênitos de coagulação, ou portadoras de algumas cardiopatias e doenças neurológicas, não devem se submeter a esse procedimento anestésico.
Nestes casos, é necessário disponibilizar métodos alternativos de analgesia, como técnicas sistêmicas, para que não se privem do alívio da dor.

Complicações ocasionadas pela anestesia, embora raras, podem acontecer. Por isso, a anestesia deve ser realizada por médico anestesiologista, que é o profissional adequadamente treinado para o procedimento.
Além disso, ter os equipamentos necessários para a analgesia e monitoramento da parturiente e do feto é imprescindível para identificar e tratar precocemente eventual intercorrência.

Os principais tipos de anestesia são:

Anestesia Geral: o paciente é mantido profundamente adormecido, de maneira que uma parte de suas funções vitais depende de auxílio para funcionar, como a respiração. É usada, por exemplo, em cirurgias por videolaparoscopia, cirurgias de tórax, entre outras.

Bloqueios Regionais: o paciente recebe anestesia na porção do corpo que necessita de cirurgia como, por exemplo, um dos braços ou uma das mãos. É muito utilizada em cirurgias ortopédicas.

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Bloqueios do Neuro-eixo: raqui e peridural. Esses dois tipos de anestesia permitem ao cirurgião operar os membros inferiores e determinados tipos de cirurgias abdominais, como procedimentos ginecológicos.

Sedação: pode ser utilizada quando não há grandes estímulos dolorosos, ou quando esses estímulos são controlados por outras modalidades de anestesia como, por exemplo, a raquidiana ou a peridural.

Existe algum “teste” de alergia usado para quem vai tomar anestesia?

Não! Não existe “teste” de anestesia, a exemplo dos testes utilizados para identificar alergias.

Quais os tipos de anestesias para o parto?

Os tipos de anestesia mais comuns para parto são a peridural e a raquidiana, em que a mãe só fica insensível à dor do peito para baixo, e permanece perfeitamente consciente durante todo o processo – seja cesariana ou parto vaginal.
O anestesista (ou anestesiologista, no nome mais técnico) é o responsável por essa medicação, e também pelos remédios para aliviar a dor no pós-parto.

Onde é dada a picada da anestesia? Ela dói?

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Tanto na peridural quanto na raquidiana, a anestesia é aplicada entre as vértebras nas costas. Os anestesiologistas aplicam um anestésico local antes de dar a picada da anestesia em si. Portanto, você vai sentir a picadinha da anestesia local e depois uma pressão, não dor propriamente dita.
Talvez o mais chato seja se manter na posição correta (ou deitada de lado ou sentada, com as costas curvadas), apesar do barrigão.

Qual é a diferença entre a peridural e a raquidiana?

A raquidiana usa um volume muito menor de anestésico, tem ação praticamente imediata e é dada de uma vez só, com duração limitada.

Já a peridural utiliza uma quantidade bem maior de medicamento anestésico, e é administrada continuamente por um cateter que fica nas costas, durante o tempo que for necessário. Via de regra, a raquidiana (ou ráqui) é usada nas cesarianas e às vezes nos partos vaginais, e a peridural, nos partos normais.

O que é a anestesia combinada?

Dependendo da situação, do estágio do trabalho de parto e do nível de dor, o anestesiologista pode preferir administrar, ao mesmo tempo, a peridural e uma dose pequena da raquidiana. A ráqui ajuda a anestesia a “pegar” rápido, aliviando a dor instantaneamente, e a peridural garante a durabilidade do efeito.
É o chamado “duplo bloqueio”.

A peridural pode atrapalhar o andamento do trabalho de parto?

Talvez você já tenha ouvido alguém falar que tomou a anestesia e o trabalho de parto “parou”. O fato é que hoje o volume de anestésico que se usa na peridural é muito menor que o usado há anos atrás, e, desde que ela seja bem administrada, a anestesia pode até ajudar no processo de dilatação, pois a mãe fica mais relaxada.
Na hora de fazer força, porém, a mulher precisa se orientar pelas indicações do médico, para saber quando a contração está chegando e qual é o momento certo de empurrar o bebê para baixo.

Em que fase do trabalho de parto a peridural é recomendada?

Teoricamente, você pode receber esse tipo de anestesia em qualquer estágio do trabalho de parto, até mesmo quando você estiver fazendo força para o bebê sair, embora, nessa altura, provavelmente o anestesiologista opte por uma raquidiana, que tem ação mais rápida.
O que vai determinar o momento de tomar a anestesia é a sua tolerância à dor (e a disponibilidade do anestesiologista, nem sempre de plantão em todos os hospitais públicos, por exemplo).
Portanto não hesite em pedir a medicação se não estiver suportando a dor.

É importante saber, no entanto, que à medida que o trabalho de parto avança e a dor aumenta, vai ficando mais difícil para a mulher conseguir permanecer na posição absolutamente parada, necessária para a segurança da aplicação do anestésico nas costas.

Quais as vantagens da peridural?

  • Mais de 90% das mulheres param totalmente de sentir dor
  • Você fica completamente consciente
  • Ela ajuda a controlar a hipertensão arterial
  • Permite que consiga descansar caso o seu parto seja prolongado.
  • Alivia o desconforto do parto, e especialmente para algumas mulheres, torna a experiência do parto mais positiva.
  • A maioria das vezes a peridural permite uma participação ativa da mulher no parto.
  • Se tiver um parto por cesariana, uma peridural permitir-lhe-á ficar acordada, e no recobro, ajudará no alívio da dor.
  • Quando outro tipo de mecanismos ou técnicas já não forem suficientes para ajudar a aliviar as dores do parto, ou forem capazes de combater a exaustão, a peridural poderá permitir que descanse, relaxe e se mantenha focalizada.
  • O uso da peridural durante o trabalho de parto está continuamente a ser aperfeiçoado, e muito do seu sucesso depende do cuidado com que é administrada.

Quais as desvantagens da peridural?

  • Você poderá ficar anestesiada mais para baixo de um só lado, ou uma pequena parte da barriga poderá nem ficar adormecida (para evitar isso, os anestesiologistas às vezes optam pela anestesia “combinada”, que junta raquidiana e peridural).
  • Pode provocar tremedeira e febre.
  • Às vezes causa sensação de falta de controle, já que o médico terá que dizer o momento de fazer força.
  • Há uma pequena elevação na probabilidade de ser necessário o auxílio de instrumentos como fórceps ou ventosa.
  • Existem os riscos normais de uma anestesia (como acidentes, problemas no pós-parto), mas eles são bem raros.
  • Algumas mulheres sentem dificuldade de fazer xixi depois da anestesia.

Dicas

  • Fique completamente imóvel enquanto o anestesista injeta o líquido.
    Você estará deitada de lado ou sentada na cama, com uma “corcunda”, como se estivesse bem cansada.
    Sentada com pernas de índio, caprichando na “corcunda”, você aumentará o espaço entre as vértebras e facilitará o trabalho do anestesista.
  • Concentre-se na sua respiração — respire fundo pelo nariz e expire devagar pela boca, e mantenha a calma.
  • Converse com o médico sobre a possibilidade de usar uma dose pequena da anestesia, que lhe permita se movimentar e até caminhar, embora não sinta dor.
    A liberdade de movimentos pode deixá-la mais calma e ajudar o bebê a se posicionar para nascer.

Quando a raquidiana é usada no parto normal?

A ráqui é utilizada no parto vaginal quando a mulher já está num estágio mais avançado do trabalho de parto, e precisa que a anestesia comece a fazer efeito rápido.

Isso pode acontecer, por exemplo, com uma mulher que já chegou com bastante dilatação ao hospital, ou quando a dilatação acontece muito rápido, surpreendendo a equipe.

Quando a anestesia ráqui é usada na cesariana?

A ráqui é a anestesia de escolha para cesarianas. Ela usa uma quantidade muito pequena de anestésico e, como o medicamento é aplicado diretamente no líquor, é muito pequena a possibilidade de ele entrar na corrente sanguínea, o que poderia causar uma intoxicação, com consequências mais graves.

Quais as vantagens da ráqui?

  • Ela interrompe a dor imediatamente.
  • A quantidade de líquido anestésico utilizado é muito menor se comparado à peridural, portanto é um procedimento mais seguro minimizando, assim, os riscos já em si muito raros, de reações secundárias a eles.
  • Excelente controle do nível de anestesia, com preservação da consciência.
  • Baixo custo e segurança da técnica.
  • Boa intensidade de bloqueio sensitivo e motor.
  • Analgesia pós-operatória prolongada.

Quais as desvantagens da ráqui?

  • Você tem que se manter em uma posição meio desconfortável de cinco a dez minutos, enquanto o procedimento é realizado.
  • Em caso de parto normal, a falta de sensação da cintura para baixo pode tornar mais difícil para você fazer força, o que, por sua vez, estende o segundo estágio do trabalho de parto e aumenta a chances de um parto com auxílio de fórceps ou ventosa.
  • Em casos mais raros, a anestesia raquidiana provoca um formigamento nas pernas ou no bumbum que pode levar dias para passar.
  • Muito raramente, a ráqui provoca dores de cabeça muito fortes depois do parto.
    Isso era bem mais comum antigamente (talvez você tenha ouvido histórias da sua mãe ou de pessoas mais velhas), mas hoje a técnica de aplicação mudou (por exemplo, a agulha é muito mais fina), o que minimiza o vazamento de líquor.
  • Pequena duração da anestesia que, no entanto, pode ser prolongada, se desejável.
  • Raramente pode ocorrer o aparecimento transitório da síndrome da cauda equina e de outros sintomas neurológicos.
  • Por precaução, os médicos mantêm a mulher deitada por cerca de seis horas depois da aplicação.
    No caso de acontecer a dor de cabeça, uma das soluções é dar uma injeção do próprio sangue da mulher no líquor, que fecha o orifício aberto pela agulha.
    Outra opção é hidratar bastante a mulher com soro.
  • Em casos bem mais raros, a ráqui afeta a respiração, e em casos extremos pode provocar infecção ou trauma nos nervos.
  • Você pode ficar com a desagradável sensação de que não está respirando direito, por não sentir o movimento do diafragma.
    Converse com o anestesiologista, que estará o tempo todo ao seu lado.
    Sua oxigenação estará sendo monitorada, portanto se houver algum problema respiratório os médicos saberão.
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E após a anestesia?

Procure não levantar ou movimentar demais a cabeça, porque isso pode aumentar a dor de cabeça pós-anestesia. Depois de realizado o procedimento médico previsto, o paciente deve ainda permanecer alguns minutos numa sala de recuperação, até que a anestesia comece a passar e o paciente volte a ter a sua sensibilidade e os movimentos normalizados.
Se mesmo com os cuidados anteriores a bexiga do paciente encher muito e começar a doer, uma sonda pode ser passada, para esvaziá-la.
O procedimento é totalmente indolor e traz um grande alívio.
Quando quiser levantar-se, faça isso lentamente ou, de preferência, em duas etapas, mantendo-se sentado por algum tempo, para não sentir tonteira.

É garantido que vou ter acesso à anestesia se fizer parto normal?

Converse antes com o obstetra para saber como funciona a maternidade ou hospital em que você vai ter o seu bebê. Grande parte dos obstetras trabalha com anestesistas da confiança deles.

Se você tem convênio, pergunte para a empresa se ela cobre os honorários do anestesista. Nos hospitais de grande porte também há anestesiologistas de plantão. O importante é que você expresse para seu médico o que deseja fazer quanto à anestesia, com antecedência, para que vocês possam se planejar.

Existe parto com anestesia geral?

Sim, em casos excepcionais de cesariana. Na anestesia geral, a mulher fica desacordada, e há chance de o anestésico passar para o bebê. Por isso ela só é usada em casos de emergência (como hemorragia ou sofrimento fetal agudo), quando é preciso realizar uma cesariana muito rapidamente.

Existem casos raros em que há alguma contraindicação na mãe para o uso da peridural ou da raquidiana (como número de plaquetas baixo demais), e nessas circunstâncias o anestesiologista pode optar com antecedência pela anestesia geral

Há riscos na anestesia? Quais as possíveis complicações? Posso não acordar mais?

Riscos sempre existem, em todos os tipos de procedimentos. No entanto, a chance de acontecer um evento grave durante cirurgia em decorrência da anestesia, em pacientes saudáveis, é muito pequena.
E tem caído em razão de recursos cada vez mais avançados, principalmente de monitorização, e dos conhecimentos cada vez mais profundos a respeito do funcionamento do organismo, assim como das medicações, que se tornaram mais seguras.

Só para se ter uma ideia, as queixas pós-operatórias mais frequentes são dor, náuseas e frio, que são facilmente tratáveis.
Com relação às complicações de maior gravidade, tenta-se triar os pacientes de maior risco, principalmente do ponto de vista cardiológico, e prepará-los da melhor forma possível, com otimização do tratamento ou até procedimentos anteriores.
É por isso que a correta avaliação pré-anestésica é tão importante.

Como o paciente deve se preparar para uma anestesia segura?

Realizar a Consulta Pré-anestésica é o primeiro passo. O anestesiologista faz parte de uma equipe que concentra as informações médicas a respeito do paciente.
Portanto, durante esta consulta você poderá contar sua historia ao anestesiologista: se você fuma, se toma bebidas alcoólicas, se possui alguma doença, se toma medicamentos e quais, se possui problema alérgico, ou se teve alguma experiência desagradável com anestesia.
Isto lhe dará mais segurança e tranqüilidade.
Não deixe de perguntar quais são os exames de laboratório necessários, horário de internação e jejum.

Não deixe de pedir esclarecimento e orientação sobre o tipo de anestesia a que você deverá ser submetido. Informe ao seu médico anestesiologista se você tem, ou já teve, doenças como asma, diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca ou infarto do miocárdio.

Raros são os medicamentos que precisam temporariamente ser suspensos, antes da cirurgia. Quem decide isso é o médico anestesiologista.

Se o paciente usa alguma droga ilegal como cocaína, crack, maconha, faz uso de estimulantes ou anabolizantes, ou ainda é portador de doença infectocontagiosa, ele não deve deixar de falar com o anestesiologista sobre isso. Como médico ele tem obrigação legal de guardar segredo profissional, não só sobre esse assunto, como sobre qualquer outro.

Como funciona a anestesia no parto vaginal?

O uso da anestesia no parto vaginal é possível e reduz muito a quantidade de dor no trabalho de parto. Em tese, você pode receber a anestesia em qualquer fase do trabalho de parto. Tudo vai depender da sua vontade, da disponibilidade do anestesiologista no hospital e da opinião do médico.

Às vezes pode demorar para a equipe de anestesia chegar e preparar a medicação, portanto não deixe para a última hora para pedir. Nunca se sabe exatamente como o trabalho de parto vai avançar. Se já tiver a intenção de tomar anestesia no parto vaginal, converse com antecedência com o médico, para que tudo fique organizado na medida do possível.

No parto vaginal, a anestesia mais usada é a peridural, que adormece as sensações da cintura para baixo, ou o chamado “duplo bloqueio”, uma combinação de raquidiana e peridural. Nos dois casos, a anestesia fica ligada às suas costas e pode ser regulada.
Os médicos podem aumentar ou diminuir a intensidade, para permitir que você se movimente ou sinta mais as contrações na hora de fazer força.
Embora o uso da anestesia acabe prendendo você mais à cama, dependendo do anestesiologista você pode receber uma dose que alivie a dor e ao mesmo tempo permita que você se levante um pouco e mude de posição, para ajudar no andamento do parto.

Se você por algum motivo for receber a anestesia mais tarde, já perto da hora de fazer força, o médico pode optar por uma raquidiana (mais comum em cesarianas), que funciona imediatamente, mas não fica ligada a você, portanto tem duração limitada.
Caso esteja interessada em fazer um parto vaginal com anestesia, deixe isso bem claro para o médico do seu pré-natal e avise novamente quando der entrada no hospital.
Procure escolher uma maternidade que tenha disponibilidade de equipes de anestesia.
Informe-se com antecedência, principalmente se for ganhar seu bebê num hospital público.

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Lembrando que as anestesias utilizadas em parto normal não têm efeito nenhum sobre o bebê.

Por que é necessário o jejum?

Os alimentos que engolimos líquidos ou sólidos, não entram na traqueia porque dispomos de mecanismos de defesa que fecham sua entrada, fazendo com que se dirijam ao estômago.
Durante a anestesia, estes mecanismos de defesa são bloqueados e, na eventualidade de ocorrer vômitos, o alimento poderá entrar nas vias respiratórias e provocar complicações pulmonares muito graves.
Portanto, não coma e nem beba qualquer coisa.
O jejum inclui alimentos sólidos e líquidos por, no mínimo, de 6 a 8 horas antes da cirurgia.
Mas pode chegar a 12 horas.
Quem te orienta sobre o jejum é o seu cirurgião.

Lembre-se: a água está incluída no jejum.

O que devo fazer no dia da anestesia?

Não coma e nem beba qualquer coisa. É para ficar em jejum mesmo! Remova de sua boca quaisquer peças dentárias móveis como dentadura e pontes, especialmente as de menor tamanho. Não use cosméticos ou produtos de beleza. Não leve para o hospital, muito menos para a sala de operações, qualquer tipo de jóias ou relógios.
Além disso, retire alfinetes, grampos de cabelo, perucas, cílios postiços, lentes de contato, esmalte de unha e outros objetos.
Não mastigue goma de mascar antes da cirurgia, porquê isto provoca aumento de ar e de sucos gástricos no estomago, que podem causar vômitos depois de pelo menos 15 dias da operação.
Se você for fumante inveterado, pelo menos reduza ao máximo o numero de cigarros consumidos diariamente.
Siga corretamente as orientações de seus médicos.

Quanto custa uma anestesia?

Depende bastante da operação, do tempo de trabalho e da complexidade. Mas se você é paciente particular, tudo será discutido, com antecedência, sem surpresas, Se você possui algum convênio, verifique se o anestesiologista é credenciado, se for, serão seguidas as regras e exceções do convênio.

Caso não seja, converse como será efetuado o pagamento e como você poderá ser ressarcido pelo convênio. Procure saber antecipadamente ao seu convênio lhe dá direito á consulta pré-anestésica e cirurgia que você irá se submeter. Seu médico anestesiologista e seu convênio poderão lhe dar essa informação.

Como é a cesárea?

Dentro do centro cirúrgico, ocorre a aplicação da anestesia, na região lombar da paciente, entre duas vértebras da coluna. A dor da picada não é intensa, mas é perceptível. Existem três variações de anestesia: a raquidiana (ou raquianestesia), a peridural e o duplo bloqueio.
Todas prezam pela possibilidade da mãe permanecer acordada durante o parto, mas sem sentir dor do peito para baixo.
Qual (ou quais) será utilizada no parto depende de cada caso.
“A aplicação da anestesia é direcionada de acordo com a paciente, seu quadro clínico, a situação do trabalho de parto, entre outros fatores”, afirma o anestesiologista Dr.
Oscar César Pires, Diretor do Departamento Científico da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA).

A diferença básica entre os tipos de anestesia é o local onde o anestésico é aplicado. “A ráqui é administrada muito próxima aos nervos da medula espinhal”, explica o Dr. Ricardo Goldstein, anestesiologista do Hospital Israelita Albert Einstein. “Já a peridural é colocada em um espaço mais distante e com uma membrana separando-a dos nervos.
O duplo bloqueio nada mais é que a combinação entre as duas técnicas: um cateter é colocado dentro do espaço peridural para posterior administração do anestésico durante o trabalho de parto”.
Além disso, existe uma diferença de intensidade dos medicamentos e tempo do efeito de cada um: a raquidiana é administrada em menor volume (2 ou 3 ml) e tem efeito total em, no máximo, 2 minutos, enquanto a peridural, que leva de 7 a 10 minutos para anestesiar a paciente, pode chegar a um volume de até 30 ml.

Assim que a anestesia faz efeito, é realizada uma incisão transversal de aproximadamente 10 cm na pele, por cima do osso púbico (naquela região conhecida como “linha do biquíni”), e outra menor no útero, cortando oito camadas de tecido no caminho. Rompida a parede uterina e a bolsa das águas, o médico tem acesso ao bebê, que é puxado.
Fora da barriga, ele é avaliado por um médico, que verificará sua oxigenação, cortará o cordão umbilical e o entregará para o neonatologista, para uma avaliação mais completa.
Tudo correndo bem, ele será mostrado à mãe e entregue ao acompanhante, enquanto a placenta é retirada e os pontos são dados em cada uma das camadas de tecido cortadas.

Caso não haja maiores complicações, a cesárea dura cerca de uma hora.

Pós-parto

Como toda cirurgia, a cesariana tem uma etapa inevitável: o pós-operatório. A intensidade e duração das dores, desconfortos e limitações da paciente variam para cada pessoa, mas, mesmo nos casos mais simples, o pós da cesárea tende a ser pior que o do parto normal.

O que acontece após a finalização dos pontos varia de hospital para hospital. “Em alguns hospitais, já é uma prática comum permitir que a mãe fique na sala de cirurgia por um tempo maior”, afirma a Dra. Alessandra Bedin, ginecologista obstetra do Hospital Israelita Albert Einstein.
“Dessa forma, assim que ela se recupera da anestesia, já pode segurar o bebê e tentar amamentar em um ambiente mais protegido”.
Outras instituições normalmente levam a mãe para uma sala para se recuperar dos medicamentos.
Após cerca de uma hora e meia, o efeito passa e a mãe pode segurar seu filho.

Independente dos procedimentos da instituição, a recomendação é que a paciente fique de 6 a 12 horas mais quieta, sem fazer esforço. É necessário ficar, no mínimo, 48 horas internada antes de receber alta, mas esse período pode se estender por até 60 horas ou até mais, em casos em que tenha havido algum tipo de complicação durante o parto.

Desse ponto em diante, o desenvolvimento varia de caso a caso. A dor mais intensa deve passar entre 5 e 7 dias, mas dores menores e desconfortos podem chegar a durar semanas ou até meses. Muitas mulheres que optam pela cesárea por medo da dor do parto normal se alarmam ao saber que não conseguirão evitá-la na cesariana também.
“A dor é uma defesa”, explica a Dra.
Bedin, “e, a não ser que seja acompanhada por sangramento, é perfeitamente natural”.
É necessário lembrar sempre que, ao optar por realizar uma cesariana, você está se submetendo a uma cirurgia e a recuperação, por mais tranquila que seja, terá suas dificuldades.

Bedin destaca o uso de medicamentos para ajudar na manutenção desse período: “Com o uso de analgésicos e anti-inflamatórios, o pós da cesárea não é mais o monstro que já foi”, diz ela.
No entanto, reconhece que o parto normal apresenta muito menos desconfortos para a paciente, que se sente mais à vontade para se movimentar e cuidar do bebê desde cedo.
Ambas as médicas aconselham a utilização da cinta modeladora para amenizar a dor, mas alertam sobre a necessidade de discutir esse uso com o médico antes.
Exercícios leves, como yoga, caminhadas e alongamentos, só após 30 dias e apenas com autorização médica.

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