Câncer de intestino: nova técnica endoscópica permite detecção mais certeira de lesões

Com alto grau de incidência no Brasil, doença começa como lesão benigna, mas pode ser fatal.

O intestino é formado por duas grandes regiões: uma parte mais fina, o delgado, relacionada à digestão e a absorção dos alimentos, e o intestino grosso, responsável pela absorção da água, pelo armazenamento e eliminação dos resíduos da digestão. O câncer no intestino delgado é bastante raro.
Porém, no intestino grosso, ou cólon, a doença é bem mais frequente.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), órgão ligado ao Ministério da Saúde, o câncer de intestino já é, no Brasil, o segundo tumor mais incidente em mulheres e o terceiro em homens – este ano, serão 15.
070 novos casos em homens e 17.
530 em mulheres.

Discutir o problema e apontar soluções que amenizá-lo é motivo, nesta sexta-feira e sábado, na Associação Médica de Minas Gerais, do 9º Seminário Mineiro de Gastroenterologia e Endoscopia Digestiva de Minas Gerais.
O encontro reunirá médicos de todo o país em torno de novidades relacionadas à coloproctologia, à gastroenterologia e à endoscopia digestiva, especialidades que previnem e tratam doenças ligadas ao intestino.
Entre elas, está uma nova técnica endoscópica, ainda não disponível em Minas, mas que se mostra um grande avanço no combate à doença.

Segundo o endoscopista do Hospital Sírio Libanês José Luis Paccos, trata-se da endomicroscopia confocal, capaz de obter imagens de alta resolução da camada mucosa do trato gastrointestinal (do esôfago ao reto).
A técnica (veja infografia) baseia-se na iluminação da mucosa com um laser, que é absorvido por um agente fluorescente, sendo a luz depois refletida para a captura das imagens, que ficam mais nítidas e aumentadas.
“Fazemos um exame em tempo real com a vantagem de a análise ser em nível celular, como num microscópio convencional.
É uma técnica não invasiva, que detecta com toda a segurança várias doenças”, afirma José Luis Paccos.
O exame é feito com o mesmo aparelho de endoscopia.

As principais contraindicações do exame são gravidez, asma, insuficiência renal e antecedentes de alergia aos produtos utilizados no exame. O médico lembra que, apesar de ser uma técnica em desenvolvimento desde 2004, somente agora a endomicroscopia confocal está sendo regularizada pelos órgãos competentes e adotada comercialmente.
“Poucos centros de saúde contam com equipamentos para realizá-la.
Somente a Santa Casa de São Paulo, por meio do Centro Franco-Brasileiro de Ecoendoscopia, o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, uma fundação de saúde do Rio Grande do Sul e agora o Hospital Sírio Libanês”, revela José Luis Paccos.

O médico ressalta que a técnica, ao atuar em nível celular, permite detecção bem mais precoce do câncer, evitando assim tratamentos mais pesados, como químio e radioterapia.
E devido à ótima precisão, no caso de retirada de material para biópsia, consegue-se escolher com extrema capacidade apenas o que realmente precisa ser extraído, além de identificar também outras doenças inflamatórias.

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Evolução lenta

“O câncer de intestino começa sempre na forma de uma lesão benigna, que vai evoluindo lentamente até se transformar num tumor maligno.
A fase de benignidade é longa, durante a qual é possível retirar a lesão (um pólipo) e, com isso, impedir sua degeneração e o aparecimento do câncer”, explica o médico José Celso Guerra, presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia de Minas Gerais.
“Entretanto, trata-se de uma doença que se desenvolve silenciosamente.
Quando se manifesta, o tumor já está razoavelmente grande, demandando cirurgia e terapias próprias de combate a cânceres e, dependendo da situação, a possibilidade de sobrevida é baixa”, revela ele.

A qualquer alteração observada no ritmo intestinal, como constipação, diarreia constante, anemia, sangue ou catarro nas fezes, além de emagrecimento, é importante buscar ajuda médica, pois são indícios de que a doença pode estar presente.
A colonoscopia é o principal exame para detectar alterações no intestino, identificando qualquer lesão precursora e retirando-a para biópsia.
“A pessoa começa a ficar mais vulnerável a partir dos 40 anos e a possibilidade de desenvolver um câncer colorretal praticamente dobra a cada década seguinte.
E caso haja parentes próximos, como pais, irmãos, tios ou avós, que desenvolveram a doença, o risco aumenta bastante”, avisa.
Por esses fatores, exames de colonoscopia são obrigatórios nessa fase da vida.

O câncer de intestino apresenta também fatores ambientais. Alimentação muito rica em gordura animal e em corantes e bem pobre em fibras favorece a incidência de câncer no intestino. Os defumados, da mesma forma que os corantes, também contêm substâncias carcinogenéticas. O melhor é se alimentar de cereais, ricos em fibras protetoras do intestino.
“Independentemente dos fatores, o importante mesmo é se precaver.
Mesmo que não haja histórico familiar ou que não apresente nenhum sintoma relevante, vale a pena fazer uma primeira colonoscopia por volta dos 50 anos e, a partir do resultado, fazer uma programação de novos exames com o médico”, diz José Celso Guerra.

Detectado um câncer, segundo ele, o grau da lesão é que vai determinar o procedimento. “Se for um tumor maligno, mas que ainda não invadiu a parede do intestino, basta retirá-lo. Caso já tenha invadido a parede, a cirurgia é necessária para extirpar parte do intestino e identificar o grau de invasão.
Se necessário, é preciso então partir para sessões de quimioterapia e/ou radioterapia”, informa.

Uma colonoscopia a cada 10 anos evitaria 40% dos casos de câncer colorretal

Uma colonoscopia a cada 10 anos a partir dos 50 anos de idade permitiria evitar 40% dos casos de câncer colorretal, segundo um estudo realizado nos Estados Unidos, que confirma a eficácia do exame para prevenir a doença.
A frequência da revisão deve ser maior no caso de antecedentes familiares de câncer, responsável por 1,2 milhão de mortes por ano em todo o mundo, informam os autores do estudo, publicado no New England Journal of Medicine.

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Os resultados confirmam as atuais recomendações, que aconselham a realização de uma colonoscopia a cada 10 anos para os pacientes com risco moderado. Este exame é eficaz para prevenir o câncer da parte superior do cólon ou proximal.
“A colonoscopia é o exame de diagnóstico mais realizado nos Estados Unidos, mas até agora não havia evidência suficiente para determinar quanto reduz o risco de câncer de cólon proximal e a frequencia com a qual este procedimento deve ser feito”, explicou Shuji Ogino, epidemiologista da Faculdade de Saúde Pública de Harvard, principal patrocinador do estudo.
“Nosso estudo proporciona fortes evidências de que a colonoscopia é uma técnica eficaz para prevenir o câncer de colon distal – próximo do reto – e proximal, enquanto a proctosigmoidoscopia é insuficiente para prevenir o câncer de cólon proximal”.

A proctosigmoidoscopia é um exame que se limita à parte inferior do cólon, enquanto a colonoscopia examina a totalidade, com ajuda de um tubo flexível munido com uma câmera e instrumentos que permitem remover cistos e tumores benignos.

Hábitos não saudáveis podem contribuir para o surgimento desse tipo  de câncer, que se diagnosticado em estágio inicial, apresenta chance de  cura de 70% a 90%, tornando a prevenção e o controle fundamentais.
O câncer do colorretal ataca o intestino grosso e desenvolve lesões que crescem na parede do cólon e, se associados com predisposição genética e hábitos não saudáveis de vida, transformam-se em câncer com o passar do tempo.

Estudo encontra origens comuns a diferentes tipos de câncer

O câncer é uma doença causada por mutações no DNA das células de uma determinada parte do corpo. Pouco se sabe, no entanto, sobre as mutações específicas de cada tipo de tumor, ou mesmo quais são os fatores que levam a essas alterações no DNA.
Isso significa que a medicina ainda sabe muito pouco sobre o câncer – apenas alguns tipos chegam a ser completamente conhecidos.

Sabe-se, por exemplo, que os componentes químicos presentes no cigarro podem causar mutações genéticas nas células do pulmão e, assim, desencadear um câncer. Ou mesmo que os raios ultravioletas provocam alterações no DNA das células da pele capazes de causar o câncer de pele.
Porém, os fatores que impulsionam as mutações relacionadas aos demais tipos de tumores continuam desconhecidas.

Jogada de mestre ­- Um novo e importante estudo publicado na revista Nature fornece pistas importantes sobre a origem dos trinta tipos mais comuns de câncer. Segundo a pesquisa, existem 21 tipos de mutações no DNA capazes de desencadear a doença e explicar a origem de praticamente todos os tipos de câncer.
O trabalho foi coordenado pelo Instituto Wellcome Trust Sanger, na Grã-Bretanha, e contou com a colaboração de especialistas de centros de pesquisa de todo o mundo.

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Nesse estudo, os pesquisadores conseguiram explicar a causa de dez dessas mutações: entre elas, idade avançada, exposição a raios ultravioletas, cigarro e uso de uma droga chamada temozolomida.
Como o estudo avaliou todos os tipos de câncer de maneira geral, acredita-se que, no futuro, em estudos específicos, todas essas mutações genéticas sejam associadas a suas respectivas causas.

Em outras palavras, isso quer dizer que os dados levantados pela pesquisa podem tornar possível que o DNA de um paciente com qualquer tipo de câncer revele qual foi a origem da doença.
Com isso, os médicos poderão descobrir mecanismos de prevenir todas as formas da doença e de encontrar os melhores tratamentos para cada paciente a partir do seu material genético.

Dados

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer do colorretal é o segundo tipo mais prevalente no mundo. No Brasil, é o segundo mais comum entre mulheres e o terceiro entre homens. Estima-se que, neste ano devem ocorrer 30.140 novos casos, sendo 14.180 em homens e 15.960 em mulheres.

Prevenção

Evitar a obesidade, por meio de dieta equilibrada e prática regular de exercícios físicos é uma recomendação básica para prevenir o câncer de colorretal. A ingestão de álcool, mesmo em quantidade moderada, é contraindicada, pois é fator de risco para esse tipo de tumor, assim como o hábito de fumar também deve ser evitado.
A doença pode ser identificada por meio de presença de sangue nas fezes, dor e cólicas abdominais frequentes com mais de 30 dias de duração, alteração no ritmo intestinal de início recente (quando um indivíduo, que tinha o funcionamento intestinal normal, passa a ter diarreia ou constipação), emagrecimento rápido e não intencional, além de anemia, cansaço e fraqueza.

Principais sintomas

Mudança no hábito intestinal

Sangue nas fezes

Sensação de evacuação incompleta

Dor ou desconforto abdominal

Perda de peso sem razão aparente

Cansaço

Fraqueza

Anemia.

Quem tem mais risco de ter câncer no intestino?

Pessoas com mais de 50 anos

Parentes de primeiro grau com câncer de intestino

Quem consome em excesso bebidas alcoólicas e gordura animal

Fumantes

Pessoas com obesidade

Portadores de síndromes genéticas (PAF e HNPCC) ou doença inflamatória crônica do intestino (colite ulcerativa ou doença de Crohn).

Tratamento

O tratamento do câncer colorretal é multidisciplinar, ou seja, envolve cirurgia, quimioterapia e, nos tumores do reto, também a radioterapia.

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